Renata G B H أُعيد تغريده

O PCC (em grande escala) e o CV (em escala menor) se valem de esquemas sofisticados e profissionais de lavagem de dinheiro. Foi exatamente isso que permitiu que crescessem economicamente de forma explosiva nas últimas décadas.O problema é que parte importante do sistema político e judiciário brasileiro — incluindo do governo — nunca demonstrou interesse real em combater esses esquemas profissionais de lavagem. E a razão é simples: os métodos usados pelas facções são os mesmos empregados pela corrupção política, pelo caixa 2 eleitoral e por aqueles que a ex-ministra Eliana Calmon denominou de bandidos de toga. Sempre que uma brecha é fechada (como as antigas contas CC5), outras são rapidamente abertas, muitas vezes com a ajuda ativa do próprio Estado. Exemplos recentes: as “contas bolsão” de fintechs e instituições de pagamento, os programas de repatriação de ativos com blindagem contra investigação de origem, e a blindagem legal de contratos de honorários advocatícios.Quando o sistema parece se organizar para atacar de verdade esses esquemas, logo surgem leis que dificultam a colaboração premiada, decisões que restringem o acesso aos RIFs do Coaf, e anulações em cascata. O resultado é sempre o mesmo: não avançamos de forma efetiva.Estamos investigando, nos GAECOs locais e no nacional, grandes esquemas de lavagem envolvendo contas bolsão. O volume de dinheiro que circula anonimamente por essas brechas é absurdo. Muitas delas só foram parcialmente fechadas no ano passado — e só para o futuro, sem efeito retroativo.A operação de ontem do GAECO do MP/SP com a Receita Federal na Faria Lima, bastante noticiada, é troco de pinga perto do que temos visto nas nossas apurações. Mesmo assim, surge uma liminar aqui e outra acolá dificultando o acesso aos RIFs e criando insegurança jurídica. Enquanto isso, prerrogativistas encastelados em posições-chave de poder trabalham sistematicamente para minar o fechamento de brechas — quando não atuam para criar novas. Não se iludam: o sistema não não está minimamente interessado em atacar esse problema com seriedade. As facções criminosas apenas perceberam que podiam usar os mesmos esquemas que sempre protegeram o colarinho branco. A medida do governo Trump está longe de resolver a questão no Brasil, mas certamente dá uma ajudinha importante: força os agentes privados a fazerem o que o Estado brasileiro se recusa a fazer ou faz de corpo mole — fechar brechas que permitem usar negócios legítimos para lavar dinheiro sujo.
Português


















