




Paola Godoy Brandmuller Kanai é uma cidadã comum que se tornou conhecida em 8 de janeiro de 2023 por denunciar a presença de infiltrados na Praça dos Três Poderes. Em um vídeo, ela se opõe à depredação, tenta conter a violência e alerta para a atuação de infiltrados durante a manifestação em Brasília. Esse é, até hoje, o único registro público de sua atuação naquele dia - e foi ignorado. O vídeo viralizou exatamente por desmontar a narrativa homogênea de vandalismo. Ainda assim, Paola foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República com o mesmo pacote padrão de cinco crimes imputado indistintamente a centenas de manifestantes: tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Em entrevista à revista Oeste, Paola relata pela primeira vez os detalhes do que viveu naquele dia que resultou na prisão de mais de 2 mil pessoas. Ela descreve tentativas de conter excessos, alertas sobre infiltrações e a perplexidade ao perceber que denunciar crimes passou a ser tratado como prova de culpa. O aspecto mais grave do caso é a “prova” do dolo. Para sustentar a acusação, o que se apresenta é justamente o vídeo em que Paola faz o oposto do que a denúncia afirma: ela tenta impedir crimes. Ainda assim, o STF recebeu a denúncia, ignorando a contradição lógica. Enquanto cidadãos que tentaram impedir vandalismo foram processados e condenados, os verdadeiros responsáveis pela desordem seguem impunes. As imagens das câmeras, segundo o então ministro da Justiça Flávio Dino, não foram preservadas. O general G. Dias, chefe do GSI flagrado abrindo portas no Planalto, saiu de cena. O caso Paola Godoy expõe o padrão adotado pela Corte: acusações em bloco, ausência de individualização de condutas e desprezo pela prova quando ela contraria a narrativa oficial. O 8 de janeiro, já marcado como o dia da perfídia, não representou apenas um ataque às instituições, mas o maior golpe desferido contra a população brasileira - a subversão total do devido processo legal.



























