Edson Andrade 🇧🇷@EdsonAndrade28
A Cerca de Chersteton
Caro leitor,
Na China dos anos 1950, eliminar pardais para proteger plantações causou um surto de gafanhotos. Isso ocorreu durante a Campanha das Quatro Pragas (1958-1962), onde pardais foram exterminados por supostamente roubar grãos, mas sem eles, gafanhotos proliferaram, agravando a situação que, por sinal, já não estava boa, devido algumas ações econômicas impostas pelo regime maoista. E ignora o equilíbrio ecológico, iria contribuir para agravar a Grande Fome que matou milhões.
Segundo alguns “contadores de estórias”, quando Alexandre teria conquistado a Frígia, ele fora desafiado a desatar o chamado nó górdio, tão complicado que um oráculo declarou que quem conseguisse desfazê-lo, estaria destinado a governar toda a Ásia.
Alexandre teria tentado por um tempo, até cansar. Ele então declararia que não importava como conseguiria isso, e logo desembainharia a espada e cortaria o nó, que desataria de uma só vez.
O que isso tem haver com Chersterton?
Chesterton ilustra um conceito em seu livro “The Thing” (1929), descrevendo uma cerca no meio de uma estrada: um reformador quer removê-la por parecer inútil, mas deve perguntar por quê ela existe antes de agir. Ele argumentou que “a cerca não cresceu ali” e alguém a construiu por um motivo razoável, como separar vacas de ovelhas para preservar a grama. Sem compreender isso, julgar a cerca como obsoleta pode levar a problemas maiores. Ou seja, a cerca está ali por algum motivo.
O princípio da Cerca de Chesterton, proposto pelo escritor inglês, afirma que não se deve remover, alterar ou destruir algo sem compreender primeiro seu propósito original. Essa ideia, ilustrada por uma cerca aparentemente inútil no meio de uma estrada, defende o senso comum: estruturas não surgem por acaso, mas por razões práticas, como separar vacas de ovelhas para preservar a pastagem. Ignorar isso leva a reformas precipitadas com consequências desastrosas, promovendo humildade intelectual em vez de arrogância progressista.
“Não há como dizer que uma cerca não serve para nada até que saibamos para que ela servia”, escreveu Chersterton.
Adotar esse preceito não é conservadorismo cego, mas racionalidade: julgue após compreender, ou preserve a prudência. Assim, evitamos desastres e honramos a sabedoria acumulada.
Atualmente, o princípio aplica-se a políticas públicas, tecnologia e tradições culturais. Abolir barreiras em algoritmos de IA sem avaliar impactos sociais pode erodir identidades locais; reformas educacionais radicais ignoram métodos testados pelo tempo (como aconteceu com ensino brasileiro). Críticos alegam que freia inovação, mas Chesterton contra-argumenta: progresso autêntico preserva o comprovado, evitando o caos. “Reforma não significa apenas remover o que está errado, mas entender por que está ali”, derivado de sua lógica.
Em um mundo obcecado por “disrupção”, a Cerca de Chesterton promove humildade racional, porque propõe preservar sabedoria acumulada, para com isso, previnir desastres evitáveis.