Peida na tanga@Postagensmerda
Lá estava eu.
Apenas um motoboy de aplicativo na Paraíba
1,68 m num dia de sorte.
Capacete com arranhão de tombo de 2023.
CG 160 2019 financiada em 48x.
Dívida no Serasa maior que o PIB de São Paulo.
Mas o destino resolveu me dar um tapinha nas costas.
Consegui marcar com aquela mina que curtia meus stories de praia ao pôr do sol.
Ela era absurda.
Cabelo cacheado perfeito.
Sorriso que desarma.
Corpo que parecia montado no CapCut.
Cheguei no point com a moto roncando, coração batendo mais forte que o grave do forró.
Conversamos.
Ela riu das minhas piadas ruins.
Por um momento eu pensei: “caralho, hoje eu saio da seca”.
Foi aí que o clima mudou.
O vento parou.
Os caras do bar ao lado ficaram em silêncio.
Até o mar pareceu ficar mais calmo.
Um sujeito tinha chegado.
Não era um sujeito.
Era uma aberração genética enviada pra testar a paciência dos mortais.
1,96 m.
Loiro natural.
Olhos verdes que pareciam editados.
Mandíbula capaz de cortar vidro temperado.
Braços com veias que pareciam mangueiras de hidrante.
Ele caminhava devagar, cada passo valendo uns 3 salários mínimos.
Quando passou perto da nossa mesa, a mina simplesmente travou o olhar nele.
Tipo cachorro olhando pro pacote de ração premium.
— Tá tudo bem? — perguntei, já suando frio.
— Tô... — ela respondeu, com a voz falhando.
Mentira deslavada.
Ninguém tava bem.
Nem eu.
Nem o garçom.
Nem o cara vendendo picolé.
Quando chegou a conta, meu Pix deu erro de limite.
Saldo disponível: R$ 8,42.
Conta: R$ 187.
Eu já tava calculando qual rim vender primeiro quando ouvi uma voz grave atrás de mim:
— Deixa que eu resolvo.
Era ele.
O deus nórdico reencarnado em forma de brasileiro louro.
Passou o Black Infinite sem nem olhar o valor.
A maquininha nem teve tempo de pensar, só aprovou na hora.
A mina quase precisou de respiração boca a boca.
Quando ele saiu, deixou cair um papelzinho no chão.
Peguei.
Era um laudo médico fresquinho.
Testosterona: 1.847 ng/dL
QI: 148.
% de gordura: -3 (sim, negativo).
Nome: Lucas Bergvall.
Senti o chão abrir.
Guardei o papel no bolso da bermuda como se fosse uma bomba-relógio e tentei fingir que nada tinha acontecido. Voltei pra mesa, mas a mina já estava com o celular na mão, stalkeando o nome dele no Instagram.
O resto da noite foi um enterro lento. Ela respondia minhas mensagens com “hã?”, ria olhando pro nada e de vez em quando soltava um “nossa, que homem...” sem nem perceber que tava falando alto.
Quando finalmente a deixei em casa, ela me deu um tchau seco e já foi correndo pro quarto. Eu fiquei parado na calçada, olhando a moto velha, o tanque quase vazio e o reflexo no retrovisor de um cara que parecia ter sido gerado com prompt ruim.
Cheguei em casa, liguei o celular e vi que o Lucas Bergvall tinha acabado de postar um story treinando na academia da orla, com 3 modelos fitness do lado, legenda só com um emoji de leão.
Rolei o feed e vi que ele tinha curtido um post da mina que eu tava saindo.
Foi o golpe final.
Abri uma latinha quente de cerveja que sobrou da semana passada, sentei na laje e fiquei olhando o céu da Paraíba.
Enquanto isso, em algum lugar da cidade, Lucas Bergvall provavelmente estava fechando um negócio milionário, salvando uma baleia encalhada e ainda arrumando tempo pra dar um sorriso que curava depressão.
Eu só consegui pensar:
“Foda-se. Amanhã eu aumento o preço da corrida.”
Mas no fundo sabia que não adiantava.
It's over.
Brutal.
🗿🚬
>Perfect Nordic Bone Structure
>1.96 Height
>CBUM + Aesthetics
>Gorilla Grip Veiny Arms
>Hunter Eyes + Positive Canthal Tilt
>Golden Blonde Hair
>God Tier Frame
>Testo: Sim
E foi inevitável me comparar...
Eu com:
>Marrom queimado de sol
>1.68 de altura
>Barriga de cerveja + cansaço
>Mãos de motoboy rachadas
>Maxilar escondido
>Olhos de quem já apanhou da vida
>QI de quem ainda paga boleto
>Cabelo de quem usa o mesmo shampoo desde 2018
Foda-se. Só me resta o churrascamento mesmo.