Paulo Motoryn

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@opaulomm

Jornalista. Repórter e editor do @TheInterceptBR. Antes, @nytimes, @Poder360, @brasildefato e @lancenet. 📩 [email protected]

Brasília (DF) Beigetreten Şubat 2011
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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
A nossa reportagem de ontem na capa da edição impressa do @nytimes.
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Lúcia Guimarães
Lúcia Guimarães@luciaguimaraes·
Mais uma vez, um ciclo inteiro de 24 horas de notícias dependente do @TheInterceptBr . Então, apoiem o site que tem uma fração do orçamento de grandes redações.
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Raphael Nishimura
Raphael Nishimura@rnishimura·
Essa parte da decisão para suspensão da pesquisa é particularmente preocupante. Eu diria que é virtualmente impossível escrever uma questão completamente neutra. Sempre haverá espaço para alguém argumentar o contrário, e assim qualquer pesquisa estaria sujeita a suspensão. +
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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
Leandro Iamin.
Leandro Iamin@leandroiamin

🌎Postei crônicas de Copa aqui no último mês. Vi há pouco os números de interações e alcance, e são muito maiores do que poderia supor e desejar. Quase 4 mil seguidores novos, inclusive. Funcionou. Vou contar uma história, peço licença. Em 1998, quando sofria com uma mudança radical em minha vida, envolvendo luto e mudança geográfica e social, não conseguia interagir. Travei. Me sentia um bicho. Um dia, na escola onde eu era novo, três meninas, daquelas com pinta de populares, se revezaram em uma atividade: parar na minha frente e fazer uma dança sensual. Era como se apostassem entre elas: quem faz aquele menino estranho reagir? Se dedicaram a uma pequena performance que, em contexto ajustado, seria o sonho dos rapazes da escola. O contexto real era a minha vontade, frustrada por elas, de não ser visto. Não reagi. Só olhei, derrotado, sentado no chão, no fim de uma rampa de acesso às salas. Erotizei a cena depois, na minha solidão segura de casa. Ali, na escola, eu só tinha uma companhia segura: uma agenda, na qual rabiscava o meu mundo e me evadia do real. A mudança referida acima foi em maio. A Copa de 98 foi vivida nesse choque. Um dia essa agenda foi roubada pela Karen e pela Lidiane, garotas bacanas, mas curiosas, da sala. Levaram-na para o banheiro feminino antes que eu alcançasse. Achavam que eu escrevia um diário de confissões no meio das aulas. Qual o quê: tudo que viram foram "notícias" de um cenário paralelo, fictício, de futebol. O futebol que eu simulava no meu quarto, de variadas formas, era especulado em aula na agenda. Era constrangedor, também. Se lá tivesse confissões de vida, eu poderia ser visto como um jovem malicioso ou um pervertido. Mas eram só notícias inventadas de futebol, textinhos, entrevistas, e eu me sentia, ali, um nerd estranho e desajustado. Preferia, acho, ser pervertido - quem sabe assim teria até dançado com as três garotas na rampa. Assim foi, desde sempre, o futebol para mim. Um lugar suspenso. Naquela escola, aos poucos, fui me enturmando graças ao futebol jogado, não o escrito. Era onde eu reagia. Sem modéstia, era o melhor da sala, e só não da escola porque o Diego Apagão, juvenil da Portuguesa, era um bárbaro, um dínamo, devia ter virado titular da Lusa. Tenho convicção de que só fui um bom jogador de futebol por necessidade de me sentir vivo. Porque ali, na frente daquelas garotas dançando, eu, pela primeira vez, quis morrer. Mas falava contigo sobre a escrita, a agenda, e o que me traz a esse texto é te contar isso: redação era o meu maior pesadelo escolar. O maior. Simplesmente não conseguia escrever três linhas. Não rolava. Um dia minha mãe deu uma dica despretensiosa. "Filho, você sabe encher linguiça?". E me explicou. "Começa a enrolar. Se vai falar da casa da sua tia, diz que tem uma árvore, que a parede é branca, o azulejo é vermelho, que tinha nuvem no céu. Enche linguiça e preenche as linhas." Foi assim que descobri que escrever poderia ser legal - e daria para preencher as 15 linhas mínimas que a lição de casa exigia. Fui de zero a cem, virou matéria desejada, não um pesadelo. Quando dei por mim, "encher linguiça" tinha virado minha oportunidade de delirar e um motivo para observar as coisas ao redor. Escrever se tornou meu remédio para o desajuste angustiante. Quando fui elogiado pelo que escrevia, até faculdade de jornalismo quis fazer. Na Copa de 2002 escrevi um livro inteiro, na caneta, pegando um velho e vazio caderno de ata com umas 200 páginas. Que deus preserve este livro onde ele estiver. Meus quadros e livros, minhas coisas em geral, às portas da Copa, estão extraviados em algum lugar, reflexo e consequência de uma vida que desmoronou, e, de tudo que talvez nunca mais encontre, só este livro (e um quadro autografado do Ademir da Guia) realmente me interessa. Mas esta palavra, interesse, talvez seja exagerada. Não tenho mais muita clareza do que seja uma coisa que realmente me interessa. Perdi essa característica, como quem perde o olfato depois de um traumatismo cranioencefálico (trabalhar no Ministério da Saúde tem me dado um glossário meio exuberante). A Copa do Mundo está me dando uma pista, uma dica de como é. Tanto é que, depois de meses sem conseguir interagir, de novo travado, resolvi encher linguiça com vocês. Sobre bola, sobre campo, sobre o que lembro e penso, porque, desde minha agenda lá em 98, é um pouco de futebol que me espanta a tristeza e o desajuste. No resto do tempo, hoje, não me faz tanta falta nutrir grandes curiosidades. Só quero dar conta de um dia por vez, ser gentil e não atrapalhar o dia de ninguém. Já me parece um luxo. Tem posfácio que é melhor que o livro. Vou usar este feriado prolongado para descansar muito. Não farei texto algum. A internação em uma Copa com 40 jogos a mais será pesada, e não abro mão da experiência completa. Acabo de ter 14 meses de atividade laboral muito desgastante, mas escolhi tirar férias no dia da abertura da Copa, para vê-la, ao invés de escolher descansar debaixo de um coqueiro. Preciso da Copa, mais do que de descanso. Semana que vem trago novidades importantes.

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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
"relaxa, em 2026 tudo vai estar normal" 2026: eduardo cunha é repórter de rádio em minas gerais
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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
‘O MAIS IMPORTANTE DISPARADO’ Nós acabamos de publicar mais uma reportagem da série Vaza Flávio, com mensagens inéditas de Daniel Vorcaro. intercept.com.br/2026/06/02/mai…
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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
Sim, é verdade, mas por causa de uma outra reportagem do Intercept de 2025, basta ler a notícia de fato que motivou a investigação do Ministério Público. Abraços 👍
Tom@wirineu

@SamPancher Só lembrando a manada , que essa investigação tava rolando antes das reportagens do Intercept

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Leandro Iamin
Leandro Iamin@leandroiamin·
Lembro de, em uma das noites naqueles anos em que trabalhei com José Trajano, uma vez por semana juntos comentando futebol em podcast e duas ou três vezes por semana produzindo o seu programa de TV na sala de sua própria casa, me perguntar: como é que esse cavalheiro, que viu ao vivo a Copa de 70, ainda tem tanta energia pra se envolver com a sexta rodada do campeonato brasileiro de, sei lá, 2019? Talvez eu não tivesse saco pra tanto goleiro fingindo lesão, tanto juiz egocêntrico, tanto cartão amarelo por comemoração de gol. O Zé fala de futebol e o olho muda. Tive uma camisa do América. Dei a ele, não sei se coube legal. O vermelho lhe cai muito bem. É curioso observar, nos últimos tempos, a intensificação desse, digamos assim, "conceito": o Zé Trajano fanático pelo Arsenal contrasta com aquele nosso possesso de alma gentil que, por décadas, não parecia se importar tanto assim com o futebol daquela ilha. O negócio dele era a cobertura de um Brasil profundo, de histórias locais, do nosso rame-rame e das pelejas inglórias, sol a pino, jogadores horríveis e nem sempre esforçados, militando pelas divisões intermediárias do futebol carioca. Tudo aquilo que justifica estádios vazios, mas que a gente não larga a mão, porque ama. O Zé achou, muito bem achado, o conceito da coisa, que é um pouco o fio da vida: o futebol é um abraço. E abraço a gente dá, não proíbe. Abraço de pai e filho, nesse caso. De um pai que vê o filho vivendo em outro país, amando outro clube, e sentindo, ali, a mesma conexão que nós temos quando vemos nossos pais sofrendo por um esporte que nem entendemos ainda. Não é complexo de entender. A história natural, na ampla maioria dos casos, traz os filhos para escolherem torcer pelo mesmo time do pai - muitas vezes nem sequer é uma escolha, já que somos tão crianças na hora de forjar esse encanto, e os pais e mães nem sempre são democráticos. Por qual motivo deveria ser difícil de entender que o pai também pode escolher o time do filho? Se o destino final é o abraço, por quê seria inviável forjar, depois de muita estrada, um afeto tardio em nome de estar com o filho? Meu amigo-irmão Paulo certa vez me disse: "se acabar o futebol, acaba 90% do meu assunto com meu pai". Tenhamos assunto, pois. É muito bonito que o coração de José Trajano, depois de tanta pancada em transmissões amadoras, tenha vivido, no telão do Estádio dos "Gunners", essa paixão honesta e esperançosa por um clube que é acima de tudo uma outra chance. Bonito também que o Arsenal tenha se acomodado lá dentro como se na Tijuca estivesse. Clubes de futebol são instituições generosas, maleáveis, aceitam eventuais desaforos e sempre abraçam novos adeptos, mesmo aqueles "que vieram de longe". No fim, no rigor máximo, é tudo um pretexto pra gente dividir o tempo com quem ama - afinal, definitivamente, por obviedade matemática, não é um hobby que traz mais alegrias que frustrações. Quem leu Nick Hornby em Febre de Bola sabe bem disso. Hornby conta como, ao redor dos jogos do Arsenal, a sua vida foi tecida. Quem o leu, fez uma espécie de faculdade para torcer por aquele clube, já está habilitado para tal. Um clube especial, por sinal, inclusive na dor. Mais uma vez escapou o título europeu do Arsenal - talvez seja um traço esquisito do destino do Zé, o futebol lhe deu poucas taças, radicalizando a lição que ele tem pra dar. João e José, filho e pai, assistiram juntos. O pai, tenho certeza, cruzou o oceano para o abraço, mais do que para o jogo, ainda que o jogo tenha sido o pretexto para o abraço. Eu também tenho dois clubes, um pequenininho e um grandalhão, no mesmo coração. Muitos de nós temos. E não, não é legal amar um time que só apanha, que não reage, que nem bravata tem pra soltar. Então a gente delira outros delírios. Vi uma semifinal de Copa do Mundo no sofá do Trajano, França x Bélgica, e também o vi tentando conectar um Youtube na TV pra assistir o Ameriquinha numa jornada vespertina safada pelo estadual. Via, nas duas ocasiões, o mesmo homem que ama futebol e me contagia, no mais nobre jogo e no quase anônimo duelo. Eu amo o amor que o Zé Trajano tem pelo futebol. E contemplo comovido o quanto esse esportezinho danado faz por nossas relações humanas e afetivas. Viva @ultrajano , viva @j_castelobranco.
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Jênio Quadros
Jênio Quadros@JenioQuadros_·
Neymar está bem, galera.
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Paulo Motoryn
Paulo Motoryn@opaulomm·
“Oi editor, espero que este e-mail o encontre bem. O artigo da semana não é sobre Virgínia, é sobre narrativa, audiência e resultado. Abraços, Natália!” Ficou bom assim? Se quiser, posso criar uma versão mais provocativa ou mais “LinkedIn thought leader”.
Folha de S.Paulo@folha

#opiniao 📝Natalia Beauty | Odeiam Virginia na Copa porque ela revela verdade humilhante: audiência vale mais que currículo www1.folha.uol.com.br/colunas/natali…

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