Almanaque da Copa 2026

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O Almanaque da Copa é uma publicação especial, voltada para a Copa do Mundo de 2026. Assine a newsletter gratuitamente e leia por completo. Por Leandro Stein.

가입일 Mayıs 2026
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Queridos, O Almanaque da Copa é feito pelo exército de um homem só, com muito carinho, muita dedicação e também muito suor. São horas e horas de pesquisa e escrita todos os dias. Se você vem gostando do trabalho, por favor, ajude mais gente a conhecer. Viralizar é mais difícil quando a ideia são textos longos, mas quem realmente gosta de ler sobre futebol e de boas histórias pode curtir. A cada dia, até a véspera da Copa, serão dois guias: o Guia Histórico e o Guia de Origens. Até o momento, sete textos de cada guia (e 14 seleções de cada) já estão no ar. Bora fortalecer? =) Assine a newsletter para receber todo o conteúdo gratuitamente: almanaquedacopa2026.substack.com
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No boletim #16, de 26 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-16-o-uru… - O Uruguai fez um pacto com a loucura e se afundou ao insistir com Bielsa - Bubista, mentor e estrategista na boa onda vivida por Cabo Verde - Dembélé fez seu grande jogo em Copas após duas edições sendo alvo de críticas - Pape Gueye deu a força que Senegal precisava, com duas pedradas de fora da área - Em alta voltagem, Trossard foi o 10 de uma nova era da Bélgica - Mostafa Shobeir é uma grata novidade no gol do Egito, mas de passado rico
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O apito final em Houston ainda gerou uma reação contida na seleção de Cabo Verde. Apesar do empate contra a Arábia Saudita, os Tubarões Azuis precisavam esperar o desfecho do outro jogo da chave para comemorar a classificação na segunda posição. O elenco todo se reuniu ao redor de uma pequena tela, quando só a confirmação da eliminação do Uruguai desatou a celebração. O time cabo-verdiano contagia não apenas por ser uma surpresa, mas pela boa onda que transmite. E o rosto dessa simpatia é o do técnico Bubista. Durante os últimos anos, tornou-se bem mais comum ver estrategistas locais à frente das seleções africanas. Não que os treinadores europeus tenham desaparecido totalmente, mas não são apenas eles que recebem um voto de confiança para levar os representantes da África à Copa do Mundo. Este grupo de comandantes locais é formado por diversos ex-jogadores, com vivência nas seleções. É o caso de Bubista, ex-zagueiro que por 15 anos defendeu os Tubarões Azuis e participou das primeiras tentativas nas Eliminatórias. Era conhecido como um “capitão silencioso”. Como técnico, virou homem de palavras certeiras. Desde que assumiu a seleção, em 2020, após dirigir diferentes clubes locais, Bubista atingiu novas fronteiras com Cabo Verde. Assumiu um elenco que já tinha participações na Copa Africana de Nações, mas adicionou caras novas e conseguiu ser mais consistente. A classificação para a Copa do Mundo extrapolou isso. Mesmo com Camarões pela frente no grupo das Eliminatórias, os Tubarões Azuis se impuseram. Não temeram. E tanto quanto o atrevimento, outra virtude é a maneira como esse elenco cabo-verdiano exala união. É algo que transparece a cada instante em campo e também nas comemorações. Bubista se mostra um ótimo gestor de elencos, enquanto encaixou as peças na organização tática. Não tinha como ser diferente, depois da lição defensiva dada contra a Espanha. Ou então pela maneira como o coletivo se mostrou fatal contra o Uruguai para forçar erros. Diante da Arábia Saudita, o empate sem gols acaba omitindo a superioridade dos Tubarões Azuis. Buscaram bem mais o ataque e, se não marcaram, é porque alguns lances inacreditáveis não entraram. As palavras de Bubista ditam o clima ao redor de Cabo Verde, pequenina no tamanho, gigante na façanha. Desde o início da Copa, ele trouxe um discurso de apresentar seu país ao resto do mundo: não só o futebol, mas também a cultura e a identidade de seu povo. É o que a classificação deixa mais em evidência. "Estar nos mata-matas é incrível para nossa gente, para qualquer um que se identifica com nosso time. Mostramos que nada é impossível", declarou. Sabe bem o tamanho do feito quem viveu por ele desde os tempos de jogador e agora redimensiona sua seleção como treinador.
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Quando a federação do Uruguai contratou Marcelo Bielsa para dirigir a seleção, os riscos eram evidentes. É um treinador de extremos, nos mais variados sentidos. O amor que recebeu de boa parte de suas torcidas e de seus admiradores é proporcional ao ódio que tantas vezes suscitou, em alguns times que passou e nos seus viscerais críticos. E a Celeste terminou a Copa do Mundo da pior forma, em queda livre rumo ao abismo. O trabalho de Bielsa estava bastante desgastado, num vestiário rachado, mas a federação insistiu no pacto. O fim de linha desastroso nada mais é que o retrato da loucura. Trazer Marcelo Bielsa era uma quebra para o Uruguai, e não somente pelo fato de ser um argentino, o primeiro dos charruas em mais de 20 anos. O estilo de jogo pregado pelo treinador passa longe daquilo que o futebol uruguaio costuma professar. A federação abraçou o risco, em busca de um jogo potencialmente mais atrativo. E o maior rompimento nem era isso, mas a personalidade oposta à de Óscar Tabárez, o responsável pelo renascimento da Celeste. Enquanto o Maestro era um comandante do diálogo, Bielsa convive com o conflito, ainda que muitos soldados aceitem dar a vida por ele. De início, Bielsa gerou entusiasmo no Uruguai. Promoveu uma renovação que Tabárez, apegado aos seus, não foi capaz de fazer. Conseguiu pegar embalo no início das Eliminatórias e fez a Celeste apresentar um futebol agressivo que prometia novos tempos. Contudo, há um antes e um depois a partir da Copa América de 2024. A campanha até as semifinais expôs as rachaduras internas. Parte do elenco não aceitava os métodos de Bielsa. A intransigência do técnico virou também a intransigência da federação ao mantê-lo. A Copa do Mundo, então, trouxe à tona o pior do Uruguai. Um time desorganizado e, sobretudo, desmobilizado para disputar o torneio. O 1 a 1 contra a Arábia Saudita demonstrou a impotência. Depois, o 2 a 2 diante de Cabo Verde ficou marcado pelos erros de uma equipe que até buscou, mas não foi suficiente. E a derrota para a Espanha é um fracasso. O Uruguai foi um catado. Um time sem qualquer padrão e repertório, que mal ameaçou, na base do desespero – e perdeu a mão no destempero, traço de uma Celeste que parecia ter ficado para trás depois de Tabárez. Marcelo Bielsa foi um personagem da Copa do Mundo. Mas perdido em seu personagem. As respostas curtas e o olhar evasivo, de início vistos como peculiaridades, na verdade levavam mais ao limite um treinador de difícil trato. Das doses de carisma em momentos da carreira, o argentino soou cada vez mais amargo, como se não quisesse estar ali. Em seu primeiro trabalho por seleções desde o Chile, se distanciou dos motivos que faziam ser adorado na Roja. O motim dentro do elenco antes do jogo decisivo, com jogadores exigindo outras táticas, escancarou a falta de diálogo na Celeste. Foram 90 minutos que beiraram o surrealismo, entre a manutenção de Fernando Muslera que resultou no mais cantado frango e a substituição do capitão Federico Valverde, outro que se perdeu na incapacidade. Bielsa é um dos treinadores mais influentes do futebol nas últimas três décadas. O impacto de suas ideias é inegável, pela forma como influenciou outros tantos colegas. Contudo, o talento na teoria se perdeu cada vez mais numa prática inviável. Uma biografia nada linear teve seu capítulo mais turbulento. Que Bielsa tenha seus bons momentos pontuais à frente de equipes, os últimos dois anos de trabalho no Uruguai reuniram todos os elementos possíveis das vezes em que implodiu. Sozinho, conseguiu extrapolar seu próprio extremo. Sobrou apenas o caos.
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Pape Gueye é herói em Senegal, independentemente do que os tribunais digam. Afinal, o único gol da decisão da Copa Africana de Nações em 2026 foi seu, seja o título confirmado ou não para os Leões da Teranga. Após seu time sair de campo pelo pênalti contestado para Marrocos e da infame cavadinha de Brahim Díaz defendida por Édouard Mendy, quem decidiu aquele jogo insano foi Gueye. E se a consequência daquele tento segue em litígio, os marroquinos não podem tirar seu novo protagonismo, agora em Copa do Mundo. Caso Senegal avance entre os melhores terceiros, será pela forma como o meio-campista demoliu o Iraque num par de golaços. É bacana ver os holofotes sobre Pape Gueye, um bom jogador dessa geração de Senegal que acaba eclipsado por outros companheiros mais famosos. O meio-campista era uma das novidades do time campeão da Copa Africana de Nações em 2022, seu primeiro torneio internacional. Esteve presente também no Mundial do Catar, se alternando entre os titulares. E se confirmou como um bom meio-campista desde que chegou ao Villarreal há duas temporadas, após dificuldades no Olympique de Marseille e no Sevilla. A Copa Africana de Nações em 2026 já tinha representado essa mudança de percepção sobre Gueye. O meio-campista decidiu a classificação nas oitavas contra o Sudão e marcou o gol da reviravolta na final contra Marrocos. Nesta Copa do Mundo, fez um jogo razoável contra a França, mas foi mal contra a Noruega e perdeu a posição. Entretanto, sair do banco diante do Iraque foi tudo o que os Leões da Teranga precisavam. O time que necessitava de gols se impulsionou com o camisa 26. Pape Gueye não teve medo de chutar. Com dois minutos em campo, acertou uma sapatada de fora da área que valeu o terceiro gol. O quarto também foi seu, numa pancada ainda mais forte. E deu uma assistência para Iliman Ndiaye fechar a contagem em nova pedrada. A força que os senegaleses precisavam veio com Pape Gueye, de diferentes formas. A equipe precisará aguardar seu destino na sequência da rodada, mas pelo menos não poderão reclamar de sua postura.
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Ser campeã e vice nas duas últimas Copas do Mundo não tornou a França imune às críticas em ambas as campanhas. Um futebol às vezes desinteressado era o principal ponto, de um time com potencial para jogar melhor, mas satisfeito em uma marcha mais baixa. A França de 2026 termina a fase de grupos com o pé afundado no acelerador, dando a impressão de que os dez gols marcados ficaram até baratos pelo perigo que representou. E quem surgiu de vez diante da Noruega foi Ousmane Dembélé. Fez um jogo digno de Bola de Ouro. Esta é a terceira Copa de Dembélé. E o atacante foi exatamente um dos principais alvos dos questionamentos nos dois Mundiais anteriores, como um inegável talento que poderia ser mais ligado e constante. Aos 21 anos, o ponta começou como titular em 2018 e perdeu a posição para Blaise Matuidi, que facilitava o equilíbrio tático. Nos mata-matas, só esteve em campo por dois minutos. Já em 2022, aos 25, Dembélé até estreou bem, mas foi se tornando opaco à medida que a competição avançou. Tanto é que na final, além de cometer um pênalti em Ángel Di María, foi substituído antes do intervalo pela má atuação. Não foi só a relação de Dembélé com a seleção francesa que mudou nos últimos quatro anos. Foram as próprias perspectivas de sua carreira. Em 2018, o jovem já tinha explodido por Rennes e Borussia Dortmund, custado milhões ao Barcelona, mas estava em processo de afirmação. Em 2022, convivia com a desconfiança de quem nunca foi preponderante no Camp Nou. A mudança para o Paris Saint-Germain foi decisiva ao atacante, para renovar seus ares e amadurecer seu futebol. Com Luis Enrique, tornou-se mais completo. Se antes era acusado de “desligado”, poucos jogadores hoje são tão elétricos, com e sem a bola. A França também cresceu nos últimos dois anos, com uma linha de frente mais versátil. Essa multiplicidade conversa melhor com Dembélé, ambidestro, apto para cortar para qualquer lado. Não estreou bem jogando pelo meio contra Senegal, mas melhorou na direita e teve bons minutos contra o Iraque. Já o primeiro tempo contra a Noruega é daquele craque tão reclamado nos Bleus, que levou três Copas para aparecer. Fez gols de esquerda e de direita, infernizou a vida da marcação com suas fintas, sempre deu opção ao time no corredor. Poderia ter ido além da tripleta, fosse um pouco mais egoísta. Se os franceses chegam mais fortes aos mata-matas que nos dois Mundiais anteriores, Dembélé também explica. Com ele no jogo, há uma ameaça a mais, e daquelas difíceis de prever. Não precisa esperar os reservas noruegueses para fazer isso.
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Histórias cruzadas do Dia 16 Noruega x França, 16h: Embora nunca tenham se enfrentado por Copas do Mundo, Noruega e França são adversárias recorrentes em Eliminatórias. Os Bleus se deram melhor no qualificatório para a Copa de 1966, com duas vitórias. Ficaram três pontos à frente dos noruegueses, que chegaram a surpreender a Iugoslávia com um histórico triunfo por 3 a 0. Já nas Eliminatórias da Copa de 1970, a Noruega teve uma expressiva vitória por 1 a 0 em Estrasburgo, gol de Odd Iversen. O resultado não foi suficiente para a sua classificação, com os 3 a 1 franceses em Oslo, mas atrapalhou a França, desbancada pela Suécia na liderança do grupo muito por conta daquele tropeço. Por fim, em 1990, a França fez 1 a 0 em Paris com gol de Jean-Pierre Papin, mas parou no 1 a 1 de Oslo, arrancado por Rune Bratseth aos 39 do segundo tempo. Os noruegueses não tiveram forças para brigar pelas vagas, mas os franceses perderam a chance de disputar mais um Mundial, exatamente um ponto atrás da Escócia. Aquele tropeço custou caro. Senegal x Iraque, 16h: Iraque e Senegal nunca se enfrentaram com suas seleções principais, mas já disputaram um torneio amistoso com seus times olímpicos em 2003. Na ocasião, os oponentes empataram por 2 a 2 na Arábia Saudita. Um dos gols foi anotado por Younis Mahmoud, que viria a se tornar o jogador iraquiano com mais partidas pela seleção adulta e se eternizou como herói na conquista da Copa da Ásia de 2007. Aquele Iraque Sub-23 foi campeão da competição amistosa e fez bonito nos Jogos Olímpicos Atenas 2004, quando alcançou as semifinais. Venceu equipes como Portugal, Costa Rica e Austrália, mas perdeu a vaga na final para o Paraguai e a decisão do bronze contra a Itália. Cabo Verde x Arábia Saudita, 21h: O Campeonato Saudita recebeu um fluxo significativo de jogadores cabo-verdianos nos últimos anos. São dez atletas de Cabo Verde que atuaram nos clubes da primeira divisão, oito com passagens pela seleção. Julio Tavares é o recordista com 113 partidas e Djaniny, o maior artilheiro, com 41 gols. No elenco atual dos Tubarões Azuis, Garry Rodrigues é o único que já jogou no futebol saudita, com passagem pelo Al-Ittihad. A última temporada contou com três cabo-verdianos na liga, entre eles o goleiro Bruno Varela, do Al-Hazem – estava cotado para disputar a Copa do Mundo, mas uma lesão custou a sua convocação. Uruguai x Espanha, 21h: A seleção do Uruguai possui naturalmente fortes raízes na Espanha, não só por conta de antigos laços coloniais, mas também por ondas de imigrantes que saíram da Península Ibérica para se estabelecer no país sul-americano já depois da independência. Há um fluxo grande de espanhóis rumo a cidades uruguaias na virada do Século XIX para o XX, assim como durante o período da Guerra Civil Espanhola. E isso impactou inclusive nas seleções mais célebres da Celeste. O Uruguai campeão na Copa de 1930 tinha diversos jogadores que eram filhos ou netos de imigrantes espanhóis, incluindo o capitão José Nasazzi, de origem basca por parte de mãe. Alguns traziam as raízes inclusive nos apelidos, como “El Vasco” Pedro Cea, "El Vasquito" Santos Urdinarán. “El Gallego” Lorenzo Fernández e “El Canario” Santos Iriarte. Outros jogadores de origem espanhola protagonizaram a Celeste em Copas posteriores, sobretudo de ascendência galega (como Obdulio Varela) e basca (a exemplo de Enzo Francescoli e Diego Forlán). Há o caso notável do zagueiro José Santamaría: filho de espanhóis nascido em Montevidéu, disputou a Copa de 1954 pelo Uruguai e a de 1962 pela Espanha, quando defendia o Real Madrid. O elenco atual conta com um jogador nascido na Espanha, Rodrigo Zalazar, de Albacete, onde seu pai atuava – José Zalazar, veterano do Mundial de 1986. Por Copas, o duelo mais importante entre as duas seleções aconteceu na primeira rodada do quadrangular final de 1950, com o empate por 2 a 2 no Pacaembu. Alcides Ghiggia abriu o placar, Estanislao Basora virou com dois gols para a Espanha e o Uruguai empatou com Obdulio Varela no segundo tempo. Em 1990, os dois times não saíram do 0 a 0 na fase de grupos. Egito x Irã, 0h: Só uma vez Irã e Egito se enfrentaram anteriormente com suas seleções principais. Foi em 2000, na Copa LG, torneio amistoso realizado em Teerã. As duas equipes empataram por 1 a 1, com gols de seus maiores artilheiros: hoje técnico dos egípcios, Hossam Hassan abriu a contagem para os Faraós, mas o centroavante Ali Daei empatou para os persas logo depois. Com o jogo válido pelas semifinais da competição, houve uma disputa por pênaltis, com triunfo do Egito por 8 a 7 – Hassan converteu sua cobrança. A decisão, porém, foi vencida pela Coreia do Sul. Estiveram em campo lendas iranianas como Ali Karimi e Khodadad Azizi, enquanto os egípcios incluíam Ahmed Hassan e o técnico Mahmoud El Gohary. Bélgica x Nova Zelândia, 0h: O duelo anterior mais importante entre as duas seleções aconteceu em 2008, pela fase de grupos dos Jogos Olímpicos de Pequim. A Bélgica venceu por 1 a 0, gol de Faris Haroun, aproveitando uma saída errada do goleiro após escanteio. Enquanto os neozelandeses foram eliminados, os belgas caminharam até as semifinais, perdendo a decisão do bronze para o Brasil. Parte da geração belga começava a despontar naquele time: Vincent Kompany, Thomas Vermaelen, Marouane Fellaini, Jan Vertonghen e Mousa Dembélé estiveram na China. Já a Nova Zelândia tinha destaques da Copa de 2010, em especial Ryan Nelsen. Aos 37 anos, Michael Boxall é o remanescente daquele jogo no Mundial de 2026.
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O boletim da rodada final dos grupos D, E e F: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-15-o-equ… - Plata chorou contra Curaçao, mas deu ao Equador o riso mais prazeroso: o da classificação - Pépé anotou dois gols para a Costa do Marfim mais valiosos do que seu preço - A vitória sem esforço da Oranje teve uma dose da maestria de Reijnders - Elanga conquistou seu espaço e honrou o sobrenome em Copas - Foi um deleite ver o show de Arda Güler em LA, pena que não valeu pra nada - O pior jogo da Copa foi um conveniente empate
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No boletim #15, de 25 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-15-o-equ… - Plata chorou contra Curaçao, mas deu ao Equador o riso mais prazeroso: o da classificação - Pépé anotou dois gols para a Costa do Marfim mais valiosos do que seu preço - A vitória sem esforço da Oranje teve uma dose da maestria de Reijnders - Elanga conquistou seu espaço e honrou o sobrenome em Copas - Foi um deleite ver o show de Arda Güler em LA, pena que não valeu pra nada - O pior jogo da Copa foi um conveniente empate
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Arda Güler é um jogador diferente. O camisa 8 é do tipo de talento que você espera o inesperado, por mais paradoxal que isso seja. Até por isso, tanta gente tinha expectativas de ver a Turquia na Copa, num time que reúne outros talentos como Kenan Yildiz. Nas duas primeiras rodadas, os turcos foram a maior decepção do torneio, incapazes de marcar um gol sequer. E quando já estavam eliminados, mais leves, deram espetáculo. Diante das arquibancadas repletas de astros de Hollywood, Güler fez valer o caro preço do ingresso, mestre de cerimônias nos 3 a 2 sobre os Estados Unidos cheio de reservas. Güler ainda não é um mágico a todo instante, o que a torcida do Real Madrid sabe. Mas, para quem tem apenas 21 anos, as mostras de potencial são imensas, desde os tempos de Fenerbahçe. E o papel de estrela da seleção já é dele há algum tempo. Sua estreia na Euro 2024 foi com golaço contra a Geórgia. Foi o destaque na campanha turca até as quartas de final. Igualmente seria importante na classificação para a Copa do Mundo, após 24 anos de ausência de seu país. Era de se esperar algo a mais na América do Norte. Na estreia contra a Austrália, Güler foi um dos que mais insistiu contra a muralha adversária. Parou no goleiro Patrick Beach. Diante de um Paraguai ainda mais retrancado, apareceu na criação, o que não adiantou. Precisou engolir a seco a eliminação. Por fim, o jogo contra os EUA era despido de responsabilidades. O compromisso da Turquia era não fazer mais feio ainda. E contra um oponente que não se fecharia na defesa, dando mais espaços para atacar, os turcos gastaram a bola. O camisa 8, em especial. A caixa de truques de Arda Güler estava aberta em Inglewood. Teve gol, num lance de inteligência para ler os espaços e avançar em velocidade na tabela. Teve passe decisivo, no toque de primeira que quebrou a defesa e permitiu a abertura para o segundo tento, de Baris Alper Yilmaz. E teve uma coleção de dribles, abusados, inclusive uma caneta na linha de fundo que iniciou o lance do terceiro gol, de Kaan Ayhan, aos 53 do segundo tempo. Güler veio para a Copa com sua magia. Pena que chegou tarde demais.
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Kevin Rodríguez foi a grande surpresa na convocação do Equador para a Copa do Mundo de 2022. Muita gente não entendeu quando o técnico Gustavo Alfaro chamou um jogador que atuava pela segunda divisão local, pelo pouco expressivo Imbabura, que na temporada anterior ainda estava na terceirona. No Catar, nos poucos minutos que teve em campo, o centroavante teve lances de perigo. E sua história se transformou desde então. Passou pelo Independiente del Valle e se estabeleceu na Union St. Gilloise, acumulando títulos na Bélgica e jogando a Champions League. Os torcedores se acostumaram com seu nome nas convocações. E a vitória sobre a Alemanha teve Rodríguez, se não como “fator surpresa”, ao menos como alguém que mudou os rumos da partida. Saiu muito bem do banco, para brigar com a zaga e forçar erros dos alemães. A assistência do gol da vitória foi sua, com uma casquinha providencial no primeiro pau durante a cobrança de escanteio, antes de Plata completar.
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Vai ser difícil Nicolas Pépé algum dia afastar o rótulo de jogador de €80 milhões que nunca valeu o preço. A revelação do Lille não virou o craque que o Arsenal apostou e ele precisou lidar com a quebra de expectativas desde então. Aos 31 anos, todavia, o ponta conseguiu dar uma volta por cima, dentro da sua realidade. É um destaque do Villarreal em La Liga, presente na Champions. E grava seu nome na seleção da Costa do Marfim. Um dos mais experientes do elenco, é o homem que selou a primeira classificação da história dos Elefantes para os mata-matas da Copa do Mundo. O fracasso de Pépé no Arsenal mistura diferentes fatores. Não rendeu o que se esperava, claro, mas chegou com uma régua muito alta e lidou com um período de pressão no clube. Proporcionava lances de efeito, mas oscilava e perdeu sua vaga com a ascensão de garotos como Bukayo Saka e Gabriel Martinelli. Depois de um empréstimo ao Nice, a saída para o Trabzonspor sem custos em 2023 enfatizava como foi um negócio frustrado. Pépé pensou até em se aposentar. Mas ele refez seu caminho. Há duas temporadas no Villarreal, conseguiu ser destaque num clube médio de La Liga. É o seu tamanho, não aquilo que se desenhava em Londres. E está de um bom tamanho. Pela seleção da Costa do Marfim, Pépé também nunca conseguiu ser um herdeiro da geração de Didier Drogba e Yaya Touré. O que não o torna menor, com seus próprios feitos. Auxiliou como um cara rodado em meio à nova geração que cresceu nos últimos anos, presente na conquista da Copa Africana de Nações em 2023. Não é nem titular absoluto, mas se mostra útil dentro de um conjunto e das variações que permite. Alcançou sua primeira Copa como uma liderança nos vestiários. Titular contra o Equador e reserva contra a Alemanha, Pépé voltou à escalação diante de Curaçao. Jogando como segundo atacante, anotou os dois gols necessários para carimbar a classificação da Costa do Marfim. Não proporcionou nada absurdo, mas estava na área para finalizar a jogada de Yan Diomande no primeiro gol e foi muito inteligente na movimentação do segundo, para receber o ótimo passe de Ibrahim Sangaré e balançar as redes. O futebol não é feito só de craques inquestionáveis. Nos altos e baixos da vida, Pépé garante algo aos marfinenses que nem suas maiores lendas foram capazes.
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O desespero bateu no Equador após o empate contra Curaçao. Era como se o tropeço já significasse a eliminação. Gonzalo Plata se mostrava um dos mais abatidos. O atacante chegou a se prostrar no gramado, chorando, até ser erguido pelo técnico Sebastián Beccacece. Embora muitos desacreditassem, ainda restavam esperanças, caso La Tri vencesse a Alemanha. Pois o que soava como milagre aconteceu. Plata, então cético, virou herói no gol que classificou a seleção equatoriana entre os melhores terceiros colocados. Após 20 anos, voltarão aos mata-matas. Plata se tornou uma sensação no Equador quando tinha 18 anos. O ponta atrevido liderou a campanha de La Tri às semifinais do Mundial Sub-20 em 2019 e recebeu a Bola de Bronze da competição. Sua chegada à seleção adulta aconteceu logo depois e ele foi uma peça importante na equipe que voou nas Eliminatórias para a Copa de 2022. Já no Catar, a partida de sua vida ficou no quase. Parou na trave quando poderia dar a virada contra Países Baixos e seus esforços não foram suficientes para a classificação contra Senegal. Enquanto isso, Plata lidava com uma trajetória atravancada por clubes. Os episódios de indisciplina geraram críticas no Sporting e no Valladolid. Vê-lo no Al-Sadd tão jovem soava como um desperdício. E a mudança ao Flamengo fez bem, em evidencia novamente no futebol sul-americano. Pode oscilar e não ser titular absoluto, mas teve seus lampejos nas conquistas da Copa do Brasil em 2024 e da Libertadores em 2025. O tipo de estalo que o trouxe de volta às convocações da seleção, após perder espaço em 2023 e 2024. Plata correspondeu durante os amistosos recentes e chegou à Copa de 2026 como titular. Conviveu com a desgraça do Equador, da bola que não entrava, apesar de ser muito participativo na criação contra Costa do Marfim e Curaçao. Mas quando La Tri mais precisava, a bola entrou. E foi justo contra a Alemanha, na dependência da vitória. Plata contribuía mais com entrega do que com brilhantismo, chegando atrasado quando teve a melhor chance dentro da área. Para mudar a história, então, ele se antecipou. Escapou do puxão de Jonathan Tah e, após o escanteio desviado no primeiro pau, colocou o pé na bola antes da mão de Manuel Neuer. Um gol de quem acreditou. Esperou, mas alcançou.
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No Boletim #14, de 24 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-14-um-br… - Aquele Bruno Guimarães tão esperado deslancha num Brasil à sua feição - Rayan soou como uma boa nova, tão à vontade na estreia como titular - Rahimi, o incendiário, cumpriu o seu dever para Marrocos virar - O Azteca consagrou Ochoa com a festa mais emocionante para seu adeus na sexta Copa - Maseko ficou dois anos fora da seleção, mas foi predestinado ao maior gol da África do Sul - Talismã da Suíça, Vargas carimba mais uma classificação - Alajbegovic, destemido aos 18 anos, brilhou feito gente grande pela Bósnia
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Histórias cruzadas do Dia 15 (Na foto, Pelé e Sérgio Mendes com os irmãos Ahmet e Nesuhi Ertegun, turcos que eram donos da Atlantic Records e fundaram o NY Cosmos) Alemanha x Equador, 17h: Alemanha e Equador já se enfrentaram na fase de grupos de uma Copa do Mundo anterior, em 2006. O duelo aconteceu no Estádio Olímpico de Berlim, pela terceira rodada do Grupo A, com os dois times já garantidos nos mata-matas. Diante do time misto escalado pelos equatorianos, poupando alguns de seus veteranos, os alemães entraram com força máxima e venceram por 3 a 0. Miroslav Klose marcou os dois primeiros gols na etapa inicial, enquanto Lukas Podolski fechou a contagem a partir de um contra-ataque no segundo tempo. Curaçao x Costa do Marfim, 17h: A Eredivisie naturalmente abriga grande parte dos jogadores da seleção de Curaçao, majoritariamente nascidos nos Países Baixos, e também já ofereceu oportunidades a talentos da Costa do Marfim. Assim, há histórias cruzadas entre as duas equipes. O zagueiro Armando Obispo foi companheiro de Ibrahim Sangaré no PSV por quatro temporadas. Já o goleiro Eloy Room chegou a atuar no Vitesse ao lado de Wilfried Bony, ex-atacante dos Elefantes. No passado, Patrick Kluivert, o mais célebre dos descendentes curaçauenses, compartilhou o ataque do PSV no final da carreira com Arouna Koné. Japão x Suécia, 20h: Depois da semifinal da Copa de 1994, a Suécia virou um teste frequente ao Japão que se preparava à estreia na Copa do Mundo de 1998. Foram três partidas em três anos, de 1995 a 1997. Duelos recorrentes entre Kazu Miura e Thomas Ravelli, todos em torneios amistosos realizados em outros países – nas cidades de Nottingham, Hong Kong e Bangkok. O primeiro deles terminou empatado por 2 a 2. Kennet Andersson fez os dois gols suecos, enquanto Toshiya Fujita e Hisashi Kurosaki marcaram aos japoneses. Valeu pela Copa Umbro, competição que teve o Brasil campeão. Um ano depois, empate por 1 a 1, com tentos de Martin Pringle e Norio Omura, antes da vitória sueca nos pênaltis que valeu o troféu da Copa do Ano Novo Lunar. Por fim, os escandinavos se deram melhor no 1 a 0 garantido por Anders Andersson em 1997, pela Copa do Rei da Tailândia. As duas equipes ainda fizeram um amistoso às vésperas da Copa de 2002, com empate por 1 a 1. Tunísia x Países Baixos, 20h: As seleções de Tunísia e Países Baixos compartilham irmãos da mesma família, os Rekik, filhos de pai tunisiano e mãe neerlandesa. O mais velho, Karim Rekik, optou pela Oranje no nível principal. O zagueiro disputou quatro partidas entre 2014 e 2017, após longa passagem pelas seleções de base, que incluiu o título no Campeonato Europeu Sub-17 de 2011 – em time no qual também estavam Memphis Depay e Nathan Aké. Sete anos mais jovem, Omar Rekik até disputou três jogos pelo time sub-18 de Países Baixos, mas aceitou o chamado da Tunísia a partir de 2021. São oito partidas do zagueiro, que veste a camisa 4 no Mundial de 2026, autor do gol de honra na derrota para a Suécia. Paraguai x Austrália, 23h: Paraguai e Austrália disputaram uma série de três amistosos em junho de 2000, todos realizados em cidades australianas: Sydney, Brisbane e Melbourne. A Albirroja levou para o tour José Luis Chilavert, mas sem todos os seus astros do período. Já os Socceroos incluíam o zagueiro Tony Popovic e o meio-campista Paul Okon, que hoje integram a comissão como técnico e assistente. Foram dois empates por 0 a 0, além de uma vitória da Austrália por 2 a 1 no último encontro. Outros amistosos ocorreram em 2006 e 2010, com um empate e mais um triunfo australiano. Turquia x Estados Unidos, 23h: O clube de futebol mais famoso da história dos Estados Unidos é um projeto de empresários turcos. O New York Cosmos foi fundado em 1970 por Ahmet e Nesuhi Ertegun, nascidos em Istambul e que, filhos do embaixador da Turquia nos EUA, fizeram fortuna como fundadores da Atlantic Records – selo musical que reunia artistas como Aretha Franklin, Ray Charles e Led Zeppelin. O elenco estrelado por Pelé também contou com um renomado jogador turco: o goleiro Yasin Özdenak, que defendeu o Galatasaray por dez anos e conquistou quatro títulos da Süper Lig, além de ter disputado seis partidas pela seleção da Turquia. Özdenak foi campeão da NASL com o Cosmos em 1977 e 1978. Depois de se aposentar, ainda trabalhou como treinador da equipe nova-iorquina.
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No Boletim #14, de 24 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-14-um-br… - Aquele Bruno Guimarães tão esperado deslancha num Brasil à sua feição - Rayan soou como uma boa nova, tão à vontade na estreia como titular - Rahimi, o incendiário, cumpriu o seu dever para Marrocos virar - O Azteca consagrou Ochoa com a festa mais emocionante para seu adeus na sexta Copa - Maseko ficou dois anos fora da seleção, mas foi predestinado ao maior gol da África do Sul - Talismã da Suíça, Vargas carimba mais uma classificação - Alajbegovic, destemido aos 18 anos, brilhou feito gente grande pela Bósnia
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Quando vivia seu primeiro torneio pela seleção da África do Sul, Thapelo Maseko viu sua ascensão ser ameaçada por uma contusão. O ponta fez sua estreia pelos Bafana Bafana durante a Copa Africana de Nações em 2024 e participou da campanha do bronze, mas sofreu uma lesão na coxa no meio da competição. Em consequência, perdeu seu espaço no Mamelodi Sundowns e ficou dois anos sem ser convocado. A participação na Copa era improvável. Chamado, Maseko virou predestinado: marcou o gol mais importante dos sul-africanos em Mundiais, aquele que classificou o país pela primeira vez aos mata-matas. Aos 22 anos, Maseko é um jogador que se afirmou neste ciclo. O ponta apareceu no SuperSport United e se transferiu em 2023 ao Mamelodi Sundowns, força dominante do Campeonato Sul-Africano. Mesmo sem grande sequência no novo clube, fez boas atuações nas competições continentais e, aos 20 anos, virou surpresa do técnico Hugo Broos na convocação para a Copa Africana. Anotou um gol logo na segunda partida, contra a Namíbia, e se colocava como um reserva útil. A lesão na coxa iniciou o seu drama. Maseko não era titular absoluto nos Sundowns e os sete meses de recuperação o tiraram de vez do time. Passou a amargar a reserva, com raras aparições saindo do banco, e deixou as convocações. O jeito foi mudar de ares. Sair do clube que serve de base à seleção era um movimento arriscado, mas ele fechou seu empréstimo ao AEL Limassol do Chipre em janeiro. Deu certo. Com sequência na nova equipe, voltou aos Bafana Bafana na Data Fifa de março, após dois anos de ausência. Ganhou um voto de confiança de Hugo Broos para a Copa. E esse era mesmo o destino de Maseko. O ponta de 22 anos foi reserva na estreia contra o México, mas recebeu uma chance contra a Tchéquia e agradou. Já diante da Coreia do Sul, se tornou uma válvula de escape pela direita. Os principais avanços do seu time no primeiro tempo partiram com o ponta, mas sem a melhor tomada de decisão nas finalizações. Sua hora chegou aos 18 da etapa final. Com espaço na área, fez o giro e botou para dentro. A quem ficou quase dois anos sem sequer disputar um jogo como titular em clubes, a presença na Copa era uma transformação. Agora é sua vida que se transforma e, junto, a história da África do Sul em Mundiais.
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O Estádio Azteca é o palco da consagração de alguns dos maiores jogadores da história das Copas. Nada mais justo que o mexicano mais presente em Mundiais também vivesse sua noite definitiva na mítica cancha. Guillermo Ochoa entrou para ser celebrado, em campo apenas durante os 15 minutos finais. Ganhou de presente a homenagem mais bonita num torneio que é pura festa aos mexicanos. A vitória sobre a Tchéquia foi mero pretexto para exaltar a lenda, em sua sexta Copa do Mundo, naquela que deve ser a última partida de sua carreira. Aos 40 anos, Ochoa já havia erguido seu monumento em Copas do Mundo. Reserva em 2006 e 2010, quando já merecia espaço, virou um personagem aclamado a partir de 2014. Numa época em que o goleiro rodava por clubes médios da Europa, esperava o Mundial para se agigantar como um ser mitológico. A seleção mexicana podia ter limitações, mas não por conta do milagreiro sob as traves. Numa equipe de tantas participações em Copas, Ochoa virou tão sinônimo de El Tri quanto o ex-goleiro Antonio Carbajal, seu predecessor – o primeiro jogador a disputar cinco Mundiais, de 1950 a 1966. Memo o superou, um dos três primeiros a ser convocado para seis. E foi grande o esforço de Ochoa para estar na Copa do Mundo de 2026, sua sexta. A carreira em declínio colocou sua continuidade em xeque, menos presente nas convocações a partir de 2024. Mas não tinha como ignorar uma liderança como ele. Sua presença seria importante mesmo no banco. Este Mundial é singular, disputado dentro de casa. E mais especial ainda a chance de jogar no Azteca, que o viu crescer, cria do América e com mais de 400 partidas pelo clube. A titularidade no gol do México é de Raúl Rangel e Ochoa não fez caso. O técnico Javier Aguirre, no entanto, compreende o que Memo representa. E foi linda sua entrada já no fim do segundo tempo contra a Tchéquia. Foi ovacionado, abraçou os companheiros, ganhou a braçadeira. Não precisou fazer uma defesa sequer para a torcida gritar seu nome, bastava repor a bola em jogo. Em uma dessas, ainda deu início ao lance do terceiro gol. Ao apito final, com os olhos marejados, Ochoa se ajoelhou no gramado. Recebeu um abraço coletivo do time e foi jogado pelos ares. Há poucos dias, anunciou que se aposentará depois da Copa, porque não vê sentido em continuar no futebol sem a seleção. O adeus não poderia ser mais belo. E a seleção mexicana segue em frente para honrá-lo de outras formas.
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Idade não deveria ser empecilho na Seleção desde que um garoto de 17 anos se coroou rei na Suécia. Claro, só há um Pelé. Mas, nas últimas décadas, prevaleceu certo pudor desmedido na hora de dar espaço a novatos que pediam passagem com a canarinho. Como se precisassem ter um currículo de serviços prestados e o mais importante não fosse o talento. Que bom que, para Rayan, não é assim que acontece. Aos 19 anos, o atacante surgiu feito uma locomotiva. Sua convocação já tinha sido muito bem-vinda e, diante da lesão de Raphinha, havia motivos para colocá-lo em campo. Titularidade justificada com sua boa atuação contra a Escócia, que deve mantê-lo no 11 inicial. Em 2022, Rayan era mais um garoto que assistia à Copa do Mundo pela televisão. Aos 16 anos, integrava as categorias de base do Vasco e se preparava à Copinha, enquanto torcida pelo Brasil no Mundial. Quanta coisa mudou. E como foi fácil de simpatizar com a revelação vascaína diante de sua explosão em 2025. Nascido e criado na Barreira, filho de um ex-jogador do clube, com ambos os pais funcionários do Vasco. O amor à camisa era uma marca tão grande quanto os gols frequentes, a versatilidade no ataque, a potência física. O que continua levando a campo, mesmo depois de deixar São Januário. Rayan decolou logo no primeiro semestre na Premier League. Carimbou o passaporte do Bournemouth, pela primeira vez classificado para as copas europeias. Se o prêmio de revelação do Brasileirão não era suficiente, o garoto também ganhou a grife europeia. Rodado nas seleções de base, mereceu a oportunidade com Carlo Ancelotti na Data Fifa de março. Recebeu a convocação final mantendo a juventude, diante da lesão de Estevão. A titularidade caiu no colo de Rayan por outra infelicidade, com Raphinha. Diante da maneira como o Brasil jogou nas duas últimas partidas, todavia, sua entrada é favorável. Contra o Haiti, ainda sentiu um pouco a estreia repentina, mas poderia ter saído com uma assistência. Voltou mais confiante e à vontade contra a Escócia, fazendo a diferença. O jogo se abriu a partir do erro forçado por Rayan e seu passe ao gol de Vinícius. Quase fez um lindo tento, parado pelo goleiro. Não errou um passe sequer, abriu espaços aos companheiros, deu mais solidez ao time na recomposição. A idade foi o de menos, diante do encaixe. Rayan vai responder jogo a jogo, mas soa como uma boa nova.
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Bruno Guimarães por algum tempo permaneceu como um jogador prometido à Seleção, mas não inteiramente cumprido. O meio-campista tinha características importantes e vinha em alta no futebol de clubes, capaz de ser um eixo central no atual ciclo do Brasil. Porém, não aconteceu de imediato e demandou paciência. Bancar o camisa 8 dá resultados em plena Copa do Mundo. É uma equipe que parece ideal ao seu feitio: com pressão, jogo direto, velocidade nas transições. Não à toa, Bruno fecha a fase de grupos em alta, excelente contra a Escócia. As virtudes de Bruno Guimarães são conhecidas há anos no futebol brasileiro, desde que conquistou grandes títulos com o Athletico Paranaense. E se confirmou na Europa, primeiro pela rápida adaptação no Lyon, depois pela maneira como se tornou ídolo instantâneo no Newcastle. A Seleção precisou de mais calma. O volante foi importante na conquista do ouro olímpico em Tóquio 2020, ganhando espaço com Tite na reta final da preparação à Copa de 2022. Porém, pouco utilizado no Catar, ficou como um nome para o atual ciclo. Durante os últimos três anos e meio, Bruno Guimarães permaneceu como intocável na Seleção. Só não disputou quatro partidas desde o último Mundial – entre elas, se safando da goleada da Argentina nas Eliminatórias. Ainda assim, em meio às constantes mudanças de treinador e à bagunça interna, o volante lidou com constantes críticas. Não conseguia ser o mesmo destaque do Newcastle, num Brasil que vivia um latifúndio no meio-campo. Seu crescimento se deu a partir da chegada de Carlo Ancelotti, com bons amistosos. A estreia da Copa de 2026, todavia, viu Bruno Guimarães oscilar junto com a Seleção. Saiu com uma assistência, mas não esteve em seu melhor diante de Marrocos, até pela partida ruim de Casemiro ao seu lado. Seriam necessários ajustes. E a nova forma do time jogar beneficiou Bruno, mais solto pela direita para morder e para soltar seus passes em profundidade. Já deu uma ótima demonstração contra o Haiti, com bons lançamentos para Vinícius e Raphinha. Por fim, diante da Escócia, foi aquele Bruno pedido há tempos: marcou muito, acelerou o time e deu duas assistências – o cruzamento perfeito para Vini e o passe sem nenhum egoísmo a Matheus Cunha. É o camisa 8 que o Brasil esperava
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A Bósnia & Herzegovina que se classificou para a Copa do Mundo de 2026 contou com um bastião de seu futebol, Edin Dzeko, mas confiou na juventude. Não era uma seleção que parecia tão cotada ao Mundial e, de repente, floresceu. Isso dependeu do surgimento de algumas promessas, que ditam as esperanças bósnias. E que, ao final da fase de grupos, deixam a equipe em condições de avançar entre os melhores terceiros colocados. A vitória sobre o Catar se abriu graças à eclosão de um desses prodígios. Aos 18 anos, Kerim Alajbegovic exibiu as maravilhas que falam sobre seu futebol, com um golaço. Alajbegovic é mais um representante da diáspora da Bósnia. Seus pais deixaram o país e se estabeleceram na Alemanha, onde o garoto nasceu. Isso não o afastou de suas raízes. Mesmo atuando nas categorias de base de Colônia e Bayer Leverkusen, ele vestiu a camisa da seleção bósnia desde o sub-15. Progrediu muito rápido, até viver um 2025 transformador. Contratado pelo Red Bull Salzburg, Alajbegovic foi a principal revelação do Campeonato Austríaco. O ponta garantiu nove gols e, com uma cláusula de recompra, o Leverkusen já acertou sua volta. Também chamou atenção do técnico Sergej Barbarez, que não demorou a convocá-lo para a seleção adulta. Sua estreia em setembro aconteceu às vésperas de fazer 18 anos. Começou como titular diante de San Marino e logo marcou seu primeiro gol. Depois, foi decisivo na repescagem das Eliminatórias. Deu a assistência para Dzeko empatar a semifinal contra Gales e converteu a última cobrança na disputa por pênaltis. Também guardou o seu penal na classificação contra a Itália. Era natural esperar muito de Alajbegovic na Copa do Mundo, bem cotado ao lado de Esmir Bajraktarevic, outra grande promessa bósnia. Barbarez preferiu ter calma e alternou os dois como titulares nas duas primeiras rodadas. Porém, precisando de gols contra o Catar, lançou os dois garotos no 11 inicial. Não podia estar mais certo. Alajbegovic, sobretudo, fez uma partida de gente grande. Abriu o placar com uma pintura, ao limpar dois marcadores e chutar de longe. Quase deu uma assistência para Dzeko, em bola na trave, e aplicou dribles desconcertantes. Tem muita bola. E, que bom, a Copa deve ter nova chance de vê-lo.
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