고정된 트윗

⚽A importância do Scouting na vida de um clube:
Descontruindo a ideia de que o Departamento de Scouting é uma despesa
Muitos de nós, desde cedo, começámos a jogar Football Manager e a procurar os craques de maior potencial para as nossas equipas, com o objetivo de fazer evoluir os seus atributos e, posteriormente, fazê-los brilhar no nosso plantel, vencer títulos e, por vezes, vendê-los por dezenas de milhões. Mais do que treinadores, sentíamo-nos verdadeiros olheiros, capazes de encontrar jogadores no outro lado do mundo.
Os clubes de topo já têm departamentos de scouting bem estruturados e com as suas metodologias implementadas. Alguns são conhecidos, mas a esmagadora maioria trabalha na sombra, sem serem conhecidos dos adeptos, mas não é por isso que deixam de ter competência. Em Portugal, os nomes mais sonantes são José Boto e Luís Campos. Flávio Costa, do Sporting, parece estar a começar a ganhar o seu espaço, ainda que não goste de dar entrevistas.
Contudo, se este departamento tem demonstrado que aproxima os clubes do sucesso, porque é que em Portugal a esmagadora maioria dos clubes não aposta nele? Não falamos só de clubes de divisões mais baixas. Há clubes profissionais, incluindo da Primeira Liga, que não têm Departamento de Scouting. Será que o veem como uma despesa e não como um investimento com retorno?
No meu entender, os clubes não apostam neste departamento por total desconhecimento do que é necessário e do que se deve fazer para implementar de forma séria na sua estrutura. Muitos dirigentes consideram que qualquer pessoa sabe observar e avaliar jogadores e que por isso é um desperdício de recursos, mas não é bem assim.
O Departamento de Scouting pode ajudar um clube a construir uma filosofia, uma visão estratégica. Definir qual o perfil de treinador, da forma de jogar e que tipo de jogadores devem ser aposta num projeto de médio/longo prazo. É importante os dirigentes perceberem, de forma realista, quais são os objetivos do clube, e procurar, mediante as decisões tomadas, alcançar o sucesso juntamente com o Scouting.
Infelizmente, a maioria dos clubes não tem qualquer visão estratégica, e preocupa-se apenas com o resultado do próximo fim-de-semana. Sem qualquer planeamento, escolhem-se treinadores e jogadores fruto dos contactos com empresários e mediante meros caprichos ou amizades, comprometendo de forma séria a vida do próprio clube.
Assim sendo, o que deve fazer um clube que queira criar um Departamento de Scouting? Primeiramente, procurar perceber dentro da sua zona geográfica quem são os olheiros mais experientes ou competentes em atividade. De uma forma geral, o observador é alguém discreto, desconhecido da maioria das pessoas, e por isso é necessário um trabalho mais rigoroso, procurando informações de diferentes lados. Depois disso, após serem identificadas duas ou três pessoas com o perfil pretendido, é altura de reunir e perceber o que cada um tem para oferecer. Apresenta-se um orçamento para o departamento, para que o candidato consiga projetar aquilo que consegue fazer e, depois de alinhadas as visões estratégicas para o clube, começar a trabalhar. É difícil fazê-lo? Quando os dirigentes têm uma visão inovadora e ambiciosa, não.
Infelizmente, sei que muito raramente isto acontece. A influência dos empresários é uma realidade nos clubes, e muitos jogadores são colocados nos plantéis por oferta dos seus agentes. Os treinadores têm igualmente grande influência no processo de contratação, o que faz sentido até certo ponto. Contudo, sou defensor de que, com o tempo dispendido no planeamento dos treinos, liderança dos treinos, preparação estratégica do adversário e o jogo do fim-de-semana, os treinadores não têm tempo para observarem atletas de outros campeonatos ou séries (caso do Campeonato de Portugal e Liga 3). Pode até acontecer o treinador ser muito competente no processo de treino, mas não ter grande apetência para selecionar jogadores para reforçarem o plantel. Por muito que custe a acreditar a algumas pessoas, os olheiros são especialistas em futebol, conhecem inúmeros jogadores de diferentes campeonatos, vários tipos de perfil em diversos contextos, e têm uma melhor capacidade de filtrar e perceber o que necessita o seu próprio plantel.
Parece difícil montar um Departamento de Scouting mas, se houver vontade e visão estratégica, as coisas podem resultar. Quando os dirigentes em Portugal perceberem que este departamento é um investimento com retorno, o futuro dos seus clubes pode mudar. Basta escolher as pessoas certas. O desafio começa aí.

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