Rafael Zattar@ZattarRafael
Semana passada recebi um casal de médicos (perto de 50 anos de idade), para uma mentoria. Eles têm 3 filhos.
E talvez tenha sido uma das conversas mais interessantes que já tive.
Eles chegaram dizendo:
“A gente tem medo de estar gastando demais.”
Comecei a levantar os números.
Patrimônio financeiro: R$ 14,6 milhões.
Rendimento médio desse patrimônio: cerca de R$ 140 mil por mês.
Além disso, uma renda ativa de aproximadamente R$ 150 mil líquidos por mês, com tendência clara de crescimento.
Na prática, eles geram hoje perto de R$ 290 mil por mês (contando as duas fontes)
Perguntei quanto gastavam.
Achei que ouviria R$ 100 mil, R$ 120 mil…
A resposta foi:
“Uns R$ 60 mil por mês.”
São bem organizados.
Quando aparecia uma viagem internacional, o gasto aumentava.
Mas mesmo assim a média anual dificilmente passaria de R$ 90 mil por mês.
A conversa tomou um rumo curioso.
Ele contou que sonhava em trocar de carro e comprar um modelo mais confortável para viajar com a esposa e os filhos.
Não era uma Ferrari, nem um carro de luxo extravagante.
Era apenas um carro que deixaria as viagens em família mais agradáveis.
Mesmo assim, vinha adiando a decisão havia meses por medo de estar “fazendo besteira”.
Enquanto isso, o patrimônio dele havia crescido R$ 3,2 milhões nos últimos 12 meses, mesmo depois de todos os gastos da família.
Então peguei uma folha e escrevi dois cenários.
Cenário 1
Continuar vivendo quase da mesma forma.
Economizar em pequenas decisões.
Segurar viagens.
Adiar algumas experiências.
Chegar em dez anos com um patrimônio próximo a
R$ 80 milhões.
Cenário 2
Continuar sendo responsável.
Mas parar de sentir culpa por gastar.
Fazer 2 viagens internacionais por ano.
Comprar o carro que realmente vai deixar as viagens em família mais confortáveis.
Não perder tempo escolhendo o café R$ 20 mais barato.
Levar os filhos para viver experiências inesquecíveis.
E chegar em dez anos com…
R$ 50 milhões.
Olhei para eles e perguntei:
“Quando vocês tiverem 60 anos e olharem para trás, qual arrependimento é mais provável?”
Ter R$ 50 milhões em vez de R$ 80 milhões?
Ou perceber que deixaram de viver experiências que nunca mais voltam?
Tem que ver a cara deles...
Nós passamos boa parte da vida aprendendo a acumular patrimônio.
Mas existe uma fase em que o aprendizado muda.
Você precisa aprender a usufruir.
Dinheiro não é um placar.
Não ganha quem morre com o maior número na conta.
Ganha quem consegue transformar esse número em tranquilidade, liberdade e memórias com quem ama.
Porque, sinceramente?
Eu nunca conheci alguém que, aos 80 anos, tenha dito:
“Meu maior arrependimento foi não ter chegado a R$ 80 milhões.”
Mas já conheci muita gente que se arrependeu de não ter viajado mais, de não ter aproveitado mais os filhos pequenos e de ter esperado o “momento perfeito” para viver.
E talvez essa seja a reflexão mais difícil da educação financeira:
há pessoas que precisam aprender a economizar.
E há pessoas que precisam aprender que já podem viver um pouco mais.