

Leandro Stein
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No boletim #16, de 26 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-16-o-uru… - O Uruguai fez um pacto com a loucura e se afundou ao insistir com Bielsa - Bubista, mentor e estrategista na boa onda vivida por Cabo Verde - Dembélé fez seu grande jogo em Copas após duas edições sendo alvo de críticas - Pape Gueye deu a força que Senegal precisava, com duas pedradas de fora da área - Em alta voltagem, Trossard foi o 10 de uma nova era da Bélgica - Mostafa Shobeir é uma grata novidade no gol do Egito, mas de passado rico













Nessa idade e o coitado continua falando sozinho





















O recorde de maior artilheiro da história das Copas pôde ser obtido de diferentes maneiras através das décadas. Just Fontaine (13) precisou só de uma edição, absurda, para tomá-lo em 1958. Gerd Müller (14) teve também um Mundial fantástico em 1970, mas dependeu do passo além em 1974. Ronaldo (15) construiu sua marca em quatro Copas, da promessa no banco em 1994 até o consagrado matador de 2006, passando pelo fenômeno de 1998 e pela fênix de 2002. Miroslav Klose (16), um operário da grande área, alcançou o topo pela constância em quatro Mundiais. Por fim, a nova marca estabelecida por Lionel Messi (17, mas já 18) é resultado da excelência, e não só dela, mas também da longevidade que deriva dessa excelência. É como se o recorde estivesse nas melhores mãos possíveis com Messi. Não que Klose não fosse merecedor – ele fez por onde para superar Gerd Müller e Ronaldo. No entanto, ver uma marca que expressa a grandeza estar sob o nome de um dos maiores da história transmite até uma sensação de conforto. É como se o destino, em todo o seu caos, tivesse caminhado à perfeição em seu mistério, para que desaguasse nos pés certos. Messi como maior artilheiro das Copas é como se o mundo estivesse em perfeita ordem. E não que precise ser para sempre também, com a clara ameaça de Kylian Mbappé. Nada é eterno. A perfeição, aliás, pode muito bem passar pelo caos. Porque a maneira como o recorde veio diante da Áustria relembrou como o caminho do camisa 10 até o Olimpo dos Mundiais não foi simples. Os 18 trabalhos de Messi tiveram jejum de gols na África do Sul, troféu perdido no Maracanã, impotência na Rússia. Os capítulos do livro só fizeram sentido quando, no Catar, o craque desandou a fazer gols para superar o seu deserto pessoal e chegar à taça. Sublime. E o Messi sublimado de quatro anos atrás, ainda flutuante na estreia contra a Argélia, desabou por terra no Texas aos nove minutos. O pênalti batido para fora pareceu fazer pesar sua perna. O semideus nos lembrou como até ele erra, e já tinha errado assim outras vezes, contra Islândia e Polônia. As epopeias só são saborosas de ler quando oferecem reviravoltas. Messi, em meia hora, voltaria a levitar. Só assim para explicar como ele passou despercebido da intermediária até a entrada da área da Áustria. Talvez o corta-luz de Thiago Almada tenha aberto um portal, não sei, para Messi estar solitário, lá onde deveria estar. Lá no topo das Copas. O gol do recorde é, como na estreia, um gol com a marca de Messi. O típico gol que todo mundo sabe que ele faz, mas ninguém é capaz de parar: canhota certeira, de chapa, rasteira, no contrapé do goleiro. Nada mais Messi. Desta vez, não saiu para ser aplaudido. Ficou até o fim, teve mais gás. O suficiente para uma arrancada nos acréscimos, a insistência nos rebotes, já seu 18° gol. Foram seis Copas para chegar lá, mais do que qualquer outro. Foram 28 jogos para chegar lá, mais do que qualquer outro. O gênio não teve só que ser gênio, ele teve que perseverar. E perseverou tanto porque é gênio, porque continua acima dos demais, porque segue intocado em seu sexto Mundial. Às vésperas de completar 39 anos, o Messi de 2026 já fez mais gols que outras quatro versões suas em Copas, quando era mais jovem e impressionava semana após semana no Barcelona. O Messi de 2026, porém, só é possível pela somatória de vivências que teve em suas outras versões. É por isso que conhece os atalhos, é por isso que não se abala por um pênalti perdido, é por isso que finaliza com a precisão de quem já repetiu milhares de vezes o mesmo gesto. É a tal excelência que o permite ser longevo. Que bota a Copa em seu lugar. Assine gratuitamente o Almanaque da Copa: almanaquedacopa2026.substack.com