

Ministério da Defesa da Resenha
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Cobrindo o futebol brasileiro com a seriedade que ele merece — nenhuma.




























Em 1995, Juca Kfuri virou para José Trajano e disse uma frase simples: "Tem um cara narrando futsal na TV Jovem Pan. Traz ele aí." Milton Leite tinha quase 40 anos. Era o narrador principal da TV Jovem Pan (não é a mesma de hoje do Youtube). Já tinha construído uma carreira mais ou menos sólida. Mas estava fora do radar do que viria a ser a maior emissora de esportes do Brasil. A secretária do Trajano ligou na segunda-feira. Milton foi até a sede da ESPN — que ficava numa casinha do lado de onde hoje é a Xsports, curiosamente. Sentou na frente do Trajano. A proposta foi direta: Paulo Soares, o Amigão, estava de férias em janeiro. Vem fazer uns três, quatro eventos para cobrir. Milton foi. Narrou dois ou três jogos do campeonato italiano. E duas ou três lutas de boxe. Nunca tinha narrado boxe na vida. Foi com cara de pau. Quando as férias do Paulo Soares acabaram e ele voltou, Trajano virou para Milton e falou sem cerimônia: "Vai ficando aí. A gente comprou japonês, alemão, campeonato paulista. Vamos pagando um cachezinho por jogo." Milton ficou. Dez anos. Virou narrador principal, apresentou o Linha de Passe — que nasceu como "A Copa é Nossa" na Copa de 98, na França, com Trajano, Tostão, Paulo César Vasconcelos fazendo programa às 2 da manhã que entrava no Brasil às 9 da noite. A ESPN daquela época era uma operação peculiar. Era uma sociedade entre a TVA, a Editora Abril e os americanos. Antes de ter canal próprio, a TVA simplesmente interrompia a programação americana para colocar eventos brasileiros no meio. Estava passando golf nos Estados Unidos, parava, entrava o Campeonato Paulista, acabava, voltava pro golf. Compraram tantos eventos que não cabiam mais. Criaram o segundo canal. Era a ESPN Brasil. O ambiente que se formou ali virou a maior escola de narradores do Brasil. Luiz Roberto vindo do rádio da Rádio Globo. Tostão que Trajano convenceu a voltar para a televisão. Nivaldo Prieto. Paulo César Vasconcelos. Gustavo Villani Everaldo Marques. Cleber Machado. Todos passaram por lá. "Por que a ESPN revelou tanto narrador? O olho do Trajano. E era tanta gente boa reunida que as pessoas iam entrando no clima e se aperfeiçoando." Milton saiu dez anos depois. Deixou o Trajano antes de brigar com ele. "Não queria que a gente estrague a amizade que construímos nesses 10 anos." E foi para Sportv. 📹 @CharlaPodcast — link abaixo 👇 #MiltonLeite #ESPN #Trajano #narração #futebolbrasileiro #JovemPan #LinhaDePasse






Cicinho chegou no São Paulo em 2003 ganhando R$40.000. Tinha recusado R$120.000 do Goiás. R$90.000 do São Caetano. R$80.000 do Santos. E uma proposta de 4 milhões de dólares da Rússia. Escolheu o São Paulo por R$40.000 — e pediu para morar dentro do CT nos primeiros dois anos. Qualquer pessoa acharia essa opção estranha. Ele era solteiro, tinha dinheiro, estava começando a se tornar famoso. Poderia morar onde quisesse. Mas ele sabia de algo que poucos jogadores jovens sabem. "Eu sabia que fora dali, com o glamour de ter saído do Atlético Mineiro, poderia dar uma empolgada muito cedo. Então optei por cuidar da minha carreira. Dentro do CT tinha tudo — cozinheira, faxineira, lavadeira. Para quê gastar lá fora?" Foi morando dentro do CT que ele viu. Treino acabava às 16h30. Às 18h30, 19h, passava o Rogério Ceni ainda no campo. Dia após dia. Cicinho foi perguntar. O Rogério respondeu com a simplicidade de quem nem percebia que estava ensinando: "Moro longe. Se sair agora, pego trânsito. Então fico aqui e bato falta." 100 faltas. 150 faltas. Todo dia. Cicinho olhou para aquilo e fez a conta mais simples da carreira: "Eu moro dentro do CT. Não tenho trânsito para pegar. Não tenho motivo para sair. Então o que que eu vou fazer aqui? Eu vou fazer cruzamento!" Pegou 10, 15 bolas — cuidadosamente, para não irritar o Rogério — colocou a barreira e ficou cruzando por cima da barreira até escurecer. Todo dia. O que aconteceu depois foi natural. O Denis começou a cobrar falta junto. O Fábio Santos foi fazer cruzamento junto com Cicinho. O Lugano apareceu fazendo paredão antes do treino — o mesmo Lugano que tinha chegado sem saber chutar direito. Ninguém mandou. Ninguém discursou. Ninguém fez reunião. O Rogério Ceni nunca chegou para o Cicinho e disse: "É assim que você vira jogador de São Paulo." Nunca falou nada. Só ficava lá, batendo falta, enquanto o resto do elenco ia embora. Cicinho resume com uma frase que carrega mais do que parece: "O líder é aquele que não precisa falar. Só o comportamento já dita." Foi com essa mentalidade — construída no CT, observando o Rogério em silêncio — que o São Paulo ganhou Libertadores e Mundial. 📹 Via Podcast Cosme Rímoli — link abaixo 👇 #RogérioCeni #SãoPaulo #futebolbrasileiro #Cicinho #liderança #Mundial


Cicinho chegou no São Paulo em 2003 ganhando R$40.000. Tinha recusado R$120.000 do Goiás. R$90.000 do São Caetano. R$80.000 do Santos. E uma proposta de 4 milhões de dólares da Rússia. Escolheu o São Paulo por R$40.000 — e pediu para morar dentro do CT nos primeiros dois anos. Qualquer pessoa acharia essa opção estranha. Ele era solteiro, tinha dinheiro, estava começando a se tornar famoso. Poderia morar onde quisesse. Mas ele sabia de algo que poucos jogadores jovens sabem. "Eu sabia que fora dali, com o glamour de ter saído do Atlético Mineiro, poderia dar uma empolgada muito cedo. Então optei por cuidar da minha carreira. Dentro do CT tinha tudo — cozinheira, faxineira, lavadeira. Para quê gastar lá fora?" Foi morando dentro do CT que ele viu. Treino acabava às 16h30. Às 18h30, 19h, passava o Rogério Ceni ainda no campo. Dia após dia. Cicinho foi perguntar. O Rogério respondeu com a simplicidade de quem nem percebia que estava ensinando: "Moro longe. Se sair agora, pego trânsito. Então fico aqui e bato falta." 100 faltas. 150 faltas. Todo dia. Cicinho olhou para aquilo e fez a conta mais simples da carreira: "Eu moro dentro do CT. Não tenho trânsito para pegar. Não tenho motivo para sair. Então o que que eu vou fazer aqui? Eu vou fazer cruzamento!" Pegou 10, 15 bolas — cuidadosamente, para não irritar o Rogério — colocou a barreira e ficou cruzando por cima da barreira até escurecer. Todo dia. O que aconteceu depois foi natural. O Denis começou a cobrar falta junto. O Fábio Santos foi fazer cruzamento junto com Cicinho. O Lugano apareceu fazendo paredão antes do treino — o mesmo Lugano que tinha chegado sem saber chutar direito. Ninguém mandou. Ninguém discursou. Ninguém fez reunião. O Rogério Ceni nunca chegou para o Cicinho e disse: "É assim que você vira jogador de São Paulo." Nunca falou nada. Só ficava lá, batendo falta, enquanto o resto do elenco ia embora. Cicinho resume com uma frase que carrega mais do que parece: "O líder é aquele que não precisa falar. Só o comportamento já dita." Foi com essa mentalidade — construída no CT, observando o Rogério em silêncio — que o São Paulo ganhou Libertadores e Mundial. 📹 Via Podcast Cosme Rímoli — link abaixo 👇 #RogérioCeni #SãoPaulo #futebolbrasileiro #Cicinho #liderança #Mundial


