


Ministério da Defesa da Resenha
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@MinDefResenha
Cobrindo o futebol brasileiro com a seriedade que ele merece — nenhuma.











os caras poderiam disfarçar pelo menos né pq 10k em 1 dia é foda




Cicinho tem 33 tatuagens. 30 foram feitas alcoolizado. Ele conta isso sem cerimônia, com a honestidade de quem já processou tudo e entende que o testemunho pode ajudar alguém. Em uma das noites, acordou com dores nas costas. Achou que tinha apanhado. Foi ver o que tinha acontecido. Tinha nove nomes de sobrinhos tatuados nas costas. Não lembrava de ter entrado num estúdio. Não lembrava do procedimento. Não lembrava de nada. A única prova de que algo tinha acontecido era a dor e os nomes permanentes na pele. "Tinha tatuagem de eu acordar achando que tinha apanhado." Mas o problema não parava aí. Cicinho descobriu depois um detalhe técnico que pouca gente conhece: álcool é diurético. Quando você bebe e vai tatuando ao mesmo tempo, o corpo vai eliminando o pigmento. A tatuagem não pega a cor direito. O nome fica — mas clarinho, desbotado, como uma mancha. Ele teve que voltar e retocar todas elas. Pagou duas vezes. Sofreu duas vezes. Pelo mesmo desenho. O Cicinho que estava fazendo tudo isso era o mesmo que tinha jogado no Real Madrid dos galácticos, disputado Copa do Mundo, sido tricampeão mundial com o São Paulo. Por fora era o jogador mais bem-sucedido. Por dentro era um cara completamente perdido tentando preencher um vazio que a fama, o dinheiro e as pessoas ao redor não conseguiam tocar. "A pessoa acha que tudo é bebida, é balada, é mulherada. Não vai além disso. Porque um dia todo mundo cresce. E a gente vê que o vazio que a gente tem só pode ser preenchido por Deus. Vai tentar beber. Vai tentar ganhar muito dinheiro. Não vai." Ele vai mais fundo quando fala sobre a relação entre álcool e outras drogas: "A pior droga que existe é o álcool. Porque o cara que vai cheirar cocaína, que vai fumar maconha — ele precisa estar sob efeito do álcool antes. Em sã consciência ele não faz." E faz uma afirmação que surpreende: "Eu acredito que 90% dos jogadores são alcóolatras." Porque a bebida é aceita socialmente. Uma cervejinha depois do jogo? Tudo bem. Ninguém fala nada. Os clubes precisam estar muito mais atentos com isso. Cicinho foi protegido das drogas pelo medo de doping. Mas o álcool entrou sem pedir licença — e foi apagando aos poucos um dos melhores laterais que o Brasil já produziu. 30 tatuagens feitas sem lembrar são o registro mais visual de um período que ele não quer que mais ninguém precise viver. 📹 Cosme Rímoli — link abaixo 👇 #Cicinho #futebolbrasileiro #saúdemental #alcoolismo #RealMadrid #SãoPaulo










Cicinho tem 33 tatuagens. 30 foram feitas alcoolizado. Ele conta isso sem cerimônia, com a honestidade de quem já processou tudo e entende que o testemunho pode ajudar alguém. Em uma das noites, acordou com dores nas costas. Achou que tinha apanhado. Foi ver o que tinha acontecido. Tinha nove nomes de sobrinhos tatuados nas costas. Não lembrava de ter entrado num estúdio. Não lembrava do procedimento. Não lembrava de nada. A única prova de que algo tinha acontecido era a dor e os nomes permanentes na pele. "Tinha tatuagem de eu acordar achando que tinha apanhado." Mas o problema não parava aí. Cicinho descobriu depois um detalhe técnico que pouca gente conhece: álcool é diurético. Quando você bebe e vai tatuando ao mesmo tempo, o corpo vai eliminando o pigmento. A tatuagem não pega a cor direito. O nome fica — mas clarinho, desbotado, como uma mancha. Ele teve que voltar e retocar todas elas. Pagou duas vezes. Sofreu duas vezes. Pelo mesmo desenho. O Cicinho que estava fazendo tudo isso era o mesmo que tinha jogado no Real Madrid dos galácticos, disputado Copa do Mundo, sido tricampeão mundial com o São Paulo. Por fora era o jogador mais bem-sucedido. Por dentro era um cara completamente perdido tentando preencher um vazio que a fama, o dinheiro e as pessoas ao redor não conseguiam tocar. "A pessoa acha que tudo é bebida, é balada, é mulherada. Não vai além disso. Porque um dia todo mundo cresce. E a gente vê que o vazio que a gente tem só pode ser preenchido por Deus. Vai tentar beber. Vai tentar ganhar muito dinheiro. Não vai." Ele vai mais fundo quando fala sobre a relação entre álcool e outras drogas: "A pior droga que existe é o álcool. Porque o cara que vai cheirar cocaína, que vai fumar maconha — ele precisa estar sob efeito do álcool antes. Em sã consciência ele não faz." E faz uma afirmação que surpreende: "Eu acredito que 90% dos jogadores são alcóolatras." Porque a bebida é aceita socialmente. Uma cervejinha depois do jogo? Tudo bem. Ninguém fala nada. Os clubes precisam estar muito mais atentos com isso. Cicinho foi protegido das drogas pelo medo de doping. Mas o álcool entrou sem pedir licença — e foi apagando aos poucos um dos melhores laterais que o Brasil já produziu. 30 tatuagens feitas sem lembrar são o registro mais visual de um período que ele não quer que mais ninguém precise viver. 📹 Cosme Rímoli — link abaixo 👇 #Cicinho #futebolbrasileiro #saúdemental #alcoolismo #RealMadrid #SãoPaulo





Em 1995, Juca Kfuri virou para José Trajano e disse uma frase simples: "Tem um cara narrando futsal na TV Jovem Pan. Traz ele aí." Milton Leite tinha quase 40 anos. Era o narrador principal da TV Jovem Pan (não é a mesma de hoje do Youtube). Já tinha construído uma carreira mais ou menos sólida. Mas estava fora do radar do que viria a ser a maior emissora de esportes do Brasil. A secretária do Trajano ligou na segunda-feira. Milton foi até a sede da ESPN — que ficava numa casinha do lado de onde hoje é a Xsports, curiosamente. Sentou na frente do Trajano. A proposta foi direta: Paulo Soares, o Amigão, estava de férias em janeiro. Vem fazer uns três, quatro eventos para cobrir. Milton foi. Narrou dois ou três jogos do campeonato italiano. E duas ou três lutas de boxe. Nunca tinha narrado boxe na vida. Foi com cara de pau. Quando as férias do Paulo Soares acabaram e ele voltou, Trajano virou para Milton e falou sem cerimônia: "Vai ficando aí. A gente comprou japonês, alemão, campeonato paulista. Vamos pagando um cachezinho por jogo." Milton ficou. Dez anos. Virou narrador principal, apresentou o Linha de Passe — que nasceu como "A Copa é Nossa" na Copa de 98, na França, com Trajano, Tostão, Paulo César Vasconcelos fazendo programa às 2 da manhã que entrava no Brasil às 9 da noite. A ESPN daquela época era uma operação peculiar. Era uma sociedade entre a TVA, a Editora Abril e os americanos. Antes de ter canal próprio, a TVA simplesmente interrompia a programação americana para colocar eventos brasileiros no meio. Estava passando golf nos Estados Unidos, parava, entrava o Campeonato Paulista, acabava, voltava pro golf. Compraram tantos eventos que não cabiam mais. Criaram o segundo canal. Era a ESPN Brasil. O ambiente que se formou ali virou a maior escola de narradores do Brasil. Luiz Roberto vindo do rádio da Rádio Globo. Tostão que Trajano convenceu a voltar para a televisão. Nivaldo Prieto. Paulo César Vasconcelos. Gustavo Villani Everaldo Marques. Cleber Machado. Todos passaram por lá. "Por que a ESPN revelou tanto narrador? O olho do Trajano. E era tanta gente boa reunida que as pessoas iam entrando no clima e se aperfeiçoando." Milton saiu dez anos depois. Deixou o Trajano antes de brigar com ele. "Não queria que a gente estrague a amizade que construímos nesses 10 anos." E foi para Sportv. 📹 @CharlaPodcast — link abaixo 👇 #MiltonLeite #ESPN #Trajano #narração #futebolbrasileiro #JovemPan #LinhaDePasse









Cicinho chegou no São Paulo em 2003 ganhando R$40.000. Tinha recusado R$120.000 do Goiás. R$90.000 do São Caetano. R$80.000 do Santos. E uma proposta de 4 milhões de dólares da Rússia. Escolheu o São Paulo por R$40.000 — e pediu para morar dentro do CT nos primeiros dois anos. Qualquer pessoa acharia essa opção estranha. Ele era solteiro, tinha dinheiro, estava começando a se tornar famoso. Poderia morar onde quisesse. Mas ele sabia de algo que poucos jogadores jovens sabem. "Eu sabia que fora dali, com o glamour de ter saído do Atlético Mineiro, poderia dar uma empolgada muito cedo. Então optei por cuidar da minha carreira. Dentro do CT tinha tudo — cozinheira, faxineira, lavadeira. Para quê gastar lá fora?" Foi morando dentro do CT que ele viu. Treino acabava às 16h30. Às 18h30, 19h, passava o Rogério Ceni ainda no campo. Dia após dia. Cicinho foi perguntar. O Rogério respondeu com a simplicidade de quem nem percebia que estava ensinando: "Moro longe. Se sair agora, pego trânsito. Então fico aqui e bato falta." 100 faltas. 150 faltas. Todo dia. Cicinho olhou para aquilo e fez a conta mais simples da carreira: "Eu moro dentro do CT. Não tenho trânsito para pegar. Não tenho motivo para sair. Então o que que eu vou fazer aqui? Eu vou fazer cruzamento!" Pegou 10, 15 bolas — cuidadosamente, para não irritar o Rogério — colocou a barreira e ficou cruzando por cima da barreira até escurecer. Todo dia. O que aconteceu depois foi natural. O Denis começou a cobrar falta junto. O Fábio Santos foi fazer cruzamento junto com Cicinho. O Lugano apareceu fazendo paredão antes do treino — o mesmo Lugano que tinha chegado sem saber chutar direito. Ninguém mandou. Ninguém discursou. Ninguém fez reunião. O Rogério Ceni nunca chegou para o Cicinho e disse: "É assim que você vira jogador de São Paulo." Nunca falou nada. Só ficava lá, batendo falta, enquanto o resto do elenco ia embora. Cicinho resume com uma frase que carrega mais do que parece: "O líder é aquele que não precisa falar. Só o comportamento já dita." Foi com essa mentalidade — construída no CT, observando o Rogério em silêncio — que o São Paulo ganhou Libertadores e Mundial. 📹 Via Podcast Cosme Rímoli — link abaixo 👇 #RogérioCeni #SãoPaulo #futebolbrasileiro #Cicinho #liderança #Mundial



