Bruno Alvim 리트윗함

Eduardo Paes vai organizar um Palco Gospel no Réveillon de Copacabana com cantores evangélicos, como se fosse normal a Prefeitura colocar estrutura e dinheiro público a serviço de uma única religião. Apontar isso não é “preconceito”. É defender a laicidade do Estado.
A virada no Rio tem raízes nas tradições de matrizes africanas e na cultura popular que elas ajudaram a construir: vestir branco, levar flores ao mar, reverenciar Iemanjá. Mas, na programação oficial divulgada, não há qualquer espaço equivalente para umbanda e candomblé, nem para outras tradições religiosas.
E o que Paes faz quando é cobrado por isso? Em vez de responder com política pública, com critérios e equilíbrio, ele reage nas redes falando em “preconceito dessa gente”, frase dirigida às críticas do babalawô Ivanir dos Santos. “Essa gente” não é argumento: é desprezo. É o tipo de expressão que desumaniza, reforça estigma e alimenta o racismo religioso que, no Rio, já custa perseguição, violência e silenciamento a tanta gente de axé.
Paes, na busca do voto mais conservador, tenta vender isso como “Copacabana é de todos”, mas a prática esvazia o princípio básico da laicidade: igualdade não é privilegiar a fé com mais força política. Se é para ter palco religioso na virada, que seja inter-religioso e com critérios públicos, transparentes e bem definidos de participação. Ou então, não tenha nenhum. A Prefeitura não é púlpito e não pode gastar o dinheiro do contribuinte para garantir privilégio a um credo só.
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