Aldem Bourscheit retweetledi

A caça é proibida no Brasil desde 1967, mas o porta-malas dos veículos nas rodovias federais conta uma história de massacre contínuo. Um estudo inédito que analisou sete anos (2017-2024) de registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) revelou a dimensão estrutural da caça ilegal: foram 314 eventos de apreensão, totalizando quase 9,5 mil animais mortos e 9,3 toneladas de carne silvestre.
Embora esse número seja assustador, ele é apenas a ponta do iceberg, funcionando como um termômetro trágico do empobrecimento das nossas florestas.
🔍 O que as apreensões nos ensinam sobre a ecologia da destruição:
O mapa do abate: A Amazônia concentrou o maior número de ocorrências e diversidade de vítimas (25 espécies). No entanto, foi na Caatinga que o maior volume de indivíduos foi apreendido (quase 8 mil animais).
A matemática da defaunação: O dado técnico mais revelador do estudo prova que o perfil da caça muda conforme o ambiente morre. Onde a fauna já está empobrecida e mamíferos de grande porte (como antas, queixadas e capivaras) foram dizimados, a pressão de caça se desloca rapidamente para espécies cada vez menores, massacrando milhares de aves de uma só vez, como as avoantes.
Na rota da extinção: Entre os animais apreendidos nas blitze, sete espécies já figuram na lista oficial de ameaçados de extinção, incluindo o tatu-canastra e o mutum-de-penacho.
Analisar esses dados rodoviários é diagnosticar a "Síndrome da Floresta Vazia" em tempo real. No entanto, o enfrentamento desse cenário exige rigor analítico para separar realidades muito distintas.
A repressão policial em rodovias e hidrovias é urgente para asfixiar a caça comercial predatória, esportiva e ligada ao crime organizado. Porém, quando falamos de comunidades tradicionais na Amazônia profunda, o consumo de carne silvestre esbarra na segurança alimentar.
Nesse último caso, a repressão cega é ineficaz; a conservação só acontece quando o Estado estabelece parcerias comunitárias e planos de manejo que permitam a subsistência sem levar a biodiversidade ao colapso.
Fonte: The Conversation
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