Christian Lynch

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@CECLynch

Cientista político, jurista e historiador - Editor da Revista Inteligência e colunista do Canal Meio - Criador da tecla SAP que “traduz” com ironia as notícias

Rio de Janeiro, Brasil Katılım Mayıs 2020
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@indoevindo Por que você acha que eu escrevi "a maioria"? E este endereço, é o lugar de onde eu tirei a foto e adjacências - como o antigo Raja
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Agora me explica como a maioria dos edifícios residenciais deste endereço são cortiços verticais da década de 1960.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@eltonluisoc @raphaeldobbb Isso são interpretações do Brasil, que é o abre alas para entender o país, mas às vezes mais para saber como ele FOI compreendido do que o que ele efetivamente foi
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@raphaeldobbb @CECLynch Algumas leituras ajudam a olhar o tema com mais variáveis. Clássicos como Raízes do Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, Formação Econômica do Brasil de Celso Furtado e Os Donos do Poder de Raymundo Faoro discutem formação do Estado e instituições no país.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
O impacto da transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília sobre os costumes da república brasileira constitui um problema histórico ainda insuficientemente explorado. Para compreendê-lo, é preciso ordenar os fatores que concorreram para a formação de uma nova cultura política, marcada pelo distanciamento entre Estado e sociedade. Em primeiro lugar, a mudança deslocou a alta política e a burocracia do principal centro demográfico, social e comunicacional do país. No Rio de Janeiro, o poder estava imerso na vida urbana: cercado pela imprensa, pela opinião pública e por uma sociedade civil densa e vigilante. Ao transferi-lo para o Planalto Central — então desprovido de tecido social consolidado —, criou-se um vazio em torno do poder, reduzindo drasticamente sua exposição cotidiana ao escrutínio social. Em segundo lugar, Brasília foi concebida, desde a origem, como uma cidade administrativa desprovida de base social autônoma. A ausência deliberada de indústria visava evitar a formação de um operariado; a inexistência inicial de universidades — limitadas, na concepção de Juscelino Kubitschek, a uma eventual instituição confessional — retardava a emergência de um meio estudantil crítico. A criação da Universidade de Brasília, já no governo João Goulart, não altera o fato de que o projeto original buscava restringir a presença de grupos sociais potencialmente contestatórios. Em terceiro lugar, a consolidação da nova capital exigiu a construção de incentivos materiais capazes de atrair e fixar a elite política e administrativa. Governos sucessivos, desde JK até o regime militar, promoveram a elevação de salários, a multiplicação de cargos de assessoramento e a criação de uma infraestrutura de privilégios — palácios oficiais, apartamentos funcionais, automóveis de serviço — que não existia na antiga capital. A transferência do poder implicou, assim, a institucionalização de um padrão de remuneração indireta e de benefícios patrimoniais que redefiniu as expectativas da classe dirigente. Em quarto lugar, o próprio desenho urbanístico de Brasília reforçou essa separação. O plano de Lúcio Costa concentrou a “república” no Plano Piloto, concebido para uma população restrita, e a isolou do restante do território por amplas áreas de separação. Posteriormente, o tombamento do Plano Piloto contribuiu para cristalizar esse arranjo espacial, convertendo-o em estrutura permanente. O resultado foi a formação de uma nova normalidade política. Em uma ou duas gerações, consolidou-se um modelo no qual o poder se exerce em ambientes fisicamente apartados, socialmente homogêneos e arquitetonicamente monumentalizados. Esse padrão foi progressivamente reproduzido em outras capitais — de forma paradigmática em Palmas, e em graus variados em diversas cidades brasileiras —, difundindo a ideia de que a sede do poder deve ser isolada do espaço urbano comum, dotada de edifícios grandiosos, amplos gabinetes, numeroso corpo de assessores e acesso protegido. Mesmo no Rio de Janeiro, antiga capital, esse ethos se impôs: a ocupação de palácios históricos acessíveis foi sendo substituída pela construção de complexos administrativos modernos, frequentemente afastados do convívio direto com a população. A separação entre governantes e governados passou a ser percebida como traço natural da vida republicana. Não por acaso, até hoje há quem, formado social e politicamente em Brasília, tenha dificuldade em conceber que uma capital possa funcionar de outra maneira — isto é, como funcionava o Rio de Janeiro e como ainda funcionam, em maior ou menor medida, outras capitais do mundo, como Buenos Aires, Santiago, Paris, Londres ou Roma, onde o poder permanece inscrito no tecido vivo da cidade. O Poder Judiciário, inicialmente mais resistente a essa transformação, acabou por aderir a esse padrão, completando o processo de generalização dessa cultura política fundada no distanciamento espacial e social do Estado em relação à sociedade.
Christian Lynch@CECLynch

Outra capital, outros tempos, outros costumes.

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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@eltonluisoc Você acha que eu estaria falando tudo o que digo com base em nada, em mero "ressentimento" rs?
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Christian Lynch@CECLynch·
@arqchico Faltou não: "Governos sucessivos, desde JK até o regime militar, promoveram a elevação de salários, a multiplicação de cargos...". Principalmente a ditadura militar, eu acrescentaria, porque a crise econômica gerada pelo Juscelino paralisou a construção de Brasília durante anos
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Brasília não é só isolada em relação ao centro demográfico (neste sentido, é a capital mais isolada do mundo). Dentro do Distrito Federal, que é uma espécie de estado, a população é contada como se fosse contígua, o que ela não é. O Distrito Federal é composto de diversas cidades separadas, cada qual podendo ter em tese um prefeito ou constituir um município separado. Brasília propriamente dita tem entre 1,5 e 2 milhões de habitantes. E dentro mesmo de Brasília, tem um cinturão em torno do plano piloto, que isola o miolo onde está o poder no lugar onde moram 150.000 pessoas. Isso não é acaso, tudo isso foi um projeto deliberado de isolar o poder central do Brasil dos grandes centros urbanos, isso foi dito expressamente por todo mundo que estava construindo a nova capital, desde o presidente, até os puxa-sacos, os escribas goianos, e o presidente da Novacap. Eu levantei tudo isso nos meus artigos, que depois eu republiquei em livros. E, cá entre nós, se a geografia não conta pra nada, porque foi que tiraram a capital do Rio de Janeiro? É porque muita gente achava que geografia contava! E eles tinham razão, geografia conta muito
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch Brasília rapidamente desenvolveu vida social, sindical e estudantil intensa. A própria Universidade de Brasília tornou-se, nos anos 1960, um dos centros mais ativos de mobilização política do país, inclusive alvo de intervenções durante a ditadura.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Você está tocando num ponto que não tem nada a ver com o meu post. Eu não estou no post sugerindo a mudança da capital, até porque isso destruiria Brasília, que foi construída por JK e consolidada pela ditadura para ser um fato consumado. O que estou dizendo é que a mudança da capital acarretou uma transformação completa no aparato administrativo, consagrando uma quantidade imensa de privilégios que não existiam na antiga capital. Privilégios esses de que o governo lançou a mão exatamente porque ninguém queria se mudar para o Centro-Oeste, e era preciso cooptar a alta administração e a classe política. Repito: esta é uma história que ainda não foi contada, os dados não foram suficientemente levantados, não houve leitura das memórias. Eu estou fazendo isso e é o que eu estou encontrando
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch Meu ponto: problemas institucionais não se resolvem apenas mudando a capital. A história administrativa do Brasil mostra continuidades de poder e práticas políticas ao longo do tempo. Isso que aquela interpretação tenta discutir, mesmo que se critique seus dados ou ênfases.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Então, eu estou lhe dizendo que na tem historiografia que preste sobre o assunto. A historiografia de um modo geral se limita sem dados a repetir a narrativa desenvolvida pela propaganda juscelinista, especialmente aquela produzida depois que ele foi cassado (e apagou os argumentos demofóbicos empregados na década de 1950). E quase nada toda a literatura em torno da "capitalidade" de Brasília discute política ou economia: discute arquitetura e urbanismo! Há pouquíssimas exceções e quase nada traz dados - e sobre o tema do post, então, acho que só a Heloísa Starling tocou no ponto.
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch E deixo registrado: não estou debatendo para desrespeitar ou desqualificar a análise de ninguém. O objetivo é discutir ideias com base na literatura e nas interpretações existentes, inclusive discordando quando necessário, mas mantendo o debate em bom nível.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Estou comparando o que era o Rio de Janeiro capital em 1960 e o que era Brasília como capital em 1970-1980. Em nenhum momento disse que o Rio de Janeiro é isso hoje. Ao contrário, estou dizendo que Brasília replicou esse modelo para o resto do país, inclusive para o Rio, o que mostra que você não leu o post
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AJ
AJ@aj_soza·
@CECLynch Assim parece que a alerj é um parlamento exemplar, a prefeitura e o estado não tem defesa também.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Pois é, a fotografia e a ciência política estou muito atrasadas no Brasil para não considerar a localização do poder uma variável importante para aferir a sua qualidade. Mas nos EUA já tem literatura sobre isso, revelando que quanto mais isolada a capital, mais corrupta ela tende a ser
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@anavcello Não faça perguntas em torno de questões que não estão no tuíte. Traga dados, diga que os fatos descritos não aconteceram.
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Ana
Ana@anavcello·
@CECLynch Minha pergunta é onde esta a sociedade pulsante do Rio, capaz de alterar positivamente o poder? O que restou para fazer o governo local ser exemplo de relações democráticas?
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joaobfl
joaobfl@joaolimonada·
@CECLynch kkk a câmara de vereadores da cidade do RJ foi apelidada como Gaiola das Loucas, pra dar ideia do baixo nível que ali impera. A população carioca é completamente impassível. Carioca ressentido vive arrumando esse fantasma aí
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Os donos do poder de Raymundo Faoro são uma história da carochinha, um panfleto liberal radical escrito com literatura de segunda mão e que não tem um dado sequer. Ele fala do "monstro patrimonial burocrático" de Dom João VI, quando o Ministério da Justiça tinha 12 funcionários... o Ministério do Império, depois do interior, não tinha 60 funcionários por volta de 1860.
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch A ideia de que o poder era mais controlado no Rio ignora a própria história da República. Clientelismo, patronagem e baixa responsabilização já estavam presentes no período da capital no Rio, desde a Primeira República até o pós-1946. Leia Os Donos do Poder de Raymundo Faoro.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@eltonluisoc Já disse, estou descrevendo o que aconteceu. Se você levantar e juntar os dados, se você levantar as memórias dos políticos, dos juízes, dos altos funcionários que viveram a mudança, todos são unânimes. Só que essa história não foi contada ainda.
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch Benefícios e cargos não começaram em Brasília. A literatura sobre o Estado brasileiro mostra que a expansão da burocracia e dos cargos de confiança já vinha desde o Estado Novo e se ampliou com a modernização administrativa do pós-guerra.
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
@eltonluisoc Eu não estou exagerando nada, estou descrevendo o que aconteceu. Tenho bibliografia à beça para dizer isso. Diga que não foi isso que aconteceu, isto são fatos históricos, só que não houve ninguém que tenha juntado todos eles para contar a história
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Elton
Elton@eltonluisoc·
@CECLynch Essa tese coloca peso demais na geografia. Mudar a capital para Brasília não criou os hábitos políticos do país: clientelismo, patronagem e distância entre elites e sociedade já existiam quando o poder estava no Rio de Janeiro e aparecem em análises clássicas do Estado brasileiro
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Brasília não é o terceiro maior conglomerado urbano do país. Não se pode confundir a população de Brasília do Distrito Federal, porque na prática é como se o Distrito Federal tivesse várias cidadezinhas isoladas umas das outras. A posição de Brasília no ranking nacional depende inteiramente do critério adotado, o que torna enganosa qualquer afirmação simples sobre seu “tamanho”. Se se toma o Distrito Federal como cidade, com cerca de 3 milhões de habitantes, ela aparece entre as três maiores — resultado de uma comparação imprópria entre uma unidade federativa e municípios. Quando, porém, se considera apenas o núcleo urbano efetivo, sua população cai para cerca de 1,5 a 2 milhões, afastando-a do topo. Adotado o critério rigoroso de contiguidade — isto é, a mancha urbana contínua —, Brasília se situa aproximadamente entre a 8ª e a 12ª posição, atrás de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus e provavelmente Curitiba e Recife. É por isso que Brasília parece tão pequena para as outras: porque é
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Christian Lynch
Christian Lynch@CECLynch·
Rachadinha fica quieto com o caso do Master porque, corrupto até a medula, não pode dar uma de republicano; segundo, porque não vai condenar os corruptos do Centrão, que são sua turma e cujo apoio quer conquistar - inclusive fazendo como o pai, prometendo mais para a frente, caso eleito, "acabar com o escândalo do Master", como o pai "acabou com a Lavajato". Isso, enquanto o mar de lama não pega-lo, o que acontecerá cedo ou tarde.
Jornal O Globo@JornalOGlobo

Lauro Jardim (@laurojardim): O silêncio de Flávio Bolsonaro sobre o escândalo do Master oglobo.globo.com/blogs/lauro-ja…

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