Beta Bastos@roberta_bastoss
“O que uma menina dessa fazia num lugar desses?”
A frase que muitos repetem para justificar a barbárie é, na verdade, o retrato cru do machismo estrutural.
É sempre sobre controlar o corpo e o direito das mulheres, nunca sobre responsabilizar o agressor.
Sther Barroso, jovem brutalmente espancada, estuprada e assassinada por um traficante no Rio de Janeiro, não morreu por estar em um baile funk.
Morreu porque um homem se achou no direito de violentar e matar depois que ela se recusou a ter relações sexuais.
A culpa é dele, e só dele.
Mas a sociedade machista correu para inverter a lógica, apontando o dedo para a vítima: “o que ela estava fazendo lá?”, “como uma moça decente vai a um baile funk?”.
Como se o lugar onde uma mulher decide dançar, beber ou se divertir fosse atestado de culpa ou convite à violência.
É assim que o machismo perpetua a cultura do estupro: deslocando a responsabilidade do criminoso para a vítima, transformando o agressor em coadjuvante e o corpo da mulher em alvo fácil da condenação moral.
Não importa se estava em uma igreja, em casa, em um baile funk ou em Paris.
Nenhuma mulher tem culpa pela violência que sofre. Nenhum homem tem o direito de violentar.
Enquanto continuarmos repetindo frases como essa, estaremos naturalizando crimes e alimentando um sistema que legitima a morte de mulheres todos os dias.
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