Sergio Denicoli
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Sergio Denicoli
@Denicoli
CEO da AP Exata, Jornalista, pós-doutor em Comunicação e cientista de dados.
Vitória, Brasil Katılım Mart 2009
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O impacto do caso Master na imagem de Flávio Bolsonaro
Muita gente tem me perguntado como estão os dados sobre Flávio Bolsonaro depois do novo escândalo envolvendo o presidenciável e o caso Master.
No Hórus, sistema da AP Exata que analisa em tempo real as informações divulgadas nas redes sociais, o painel político, que monitora menções a todos os pré-candidatos à Presidência da República, revela uma perda de credibilidade em larga escala para Flávio.
O volume de menções negativas subiu de forma abrupta, com alta de 7 pontos percentuais. Hoje, 64,7% do que se fala sobre ele nas redes é negativo. Trata-se do pior índice entre os candidatos monitorados e também do pior patamar registrado por Flávio desde que se lançou como candidato.
A perda de confiança também é significativa. A AP Exata mede, por meio de algoritmo próprio, as emoções presentes nas publicações que mencionam os candidatos. Entre elas, a confiança é uma das mais relevantes, pois indica o grau de credibilidade atribuído ao nome analisado. No caso de Flávio, nesta quinta-feira (14), o índice de confiança chegou a apenas 13,6%. É o menor entre os candidatos relevantes e também o pior resultado dele desde o lançamento da candidatura. A queda foi de 2,7 pontos percentuais, o que reforça a dimensão do desgaste.
Em volume geral de menções, Flávio é hoje o presidenciável mais citado nas redes, com 25% do total. Em segundo lugar aparece Romeu Zema, com 23,4%, seguido de Lula, com 21,5%. Renan Santos registra 11,9%, enquanto Ronaldo Caiado mantém presença mais regionalizada, com 7,9%.
O dado sobre Zema chama atenção. Antes do escândalo, ele respondia por cerca de 10% das menções. Depois de se posicionar com críticas a Flávio, saltou cerca de 13 pontos percentuais. Caiado também cresceu, com avanço aproximado de 5 pontos. Isso indica que Zema tem sido beneficiado pela crise e passou a ser apresentado, por parte dos decepcionados com Flávio, como alternativa de voto no campo da direita e da centro-direita.
O crescimento de Zema, porém, também trouxe custos. Suas menções negativas subiram cerca de 4 pontos percentuais, principalmente por ataques de bolsonaristas, que passaram a enquadrá-lo como oportunista por causa das declarações contra Flávio.
Lula, por sua vez, segue estável nos principais índices. O caso, até agora, parece afetá-lo pouco. Não o prejudica, mas também não o beneficia de forma direta. Lula pode vir a ganhar com a queda de credibilidade de Flávio, especialmente entre moderados e indecisos, mas esse deslocamento ainda não apareceu de forma clara nos dados.
É importante lembrar que, no Brasil, nada é definitivo. Neste momento, porém, o cenário é de forte desgaste para Flávio. Ele já partia de uma rejeição elevada e agora passa a lidar com uma crise que coloca sobre ele suspeitas de corrupção, já que ainda não está claro o destino do dinheiro solicitado a Daniel Vorcaro.
O problema principal para a campanha bolsonarista é que o caso atinge diretamente a bandeira da moralidade, um ativo historicamente explorado por Jair Bolsonaro e por seus aliados em contraste com os escândalos envolvendo o PT. Flávio agora deve explicações, e as respostas apresentadas até aqui aumentaram as dúvidas. Primeiro, afirmou que não tinha contato com Vorcaro e negou que o banqueiro tivesse financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois da revelação dos áudios, essa versão acabou tento que ser desmentida por ele mesmo.
Em nota, Flávio afirmou que cobrava valores atrasados de um acordo de patrocínio firmado antes de Daniel Vorcaro estar envolvido em suspeitas públicas de corrupção. Disse: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.
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A questão é que, agora, a narrativa da produtora do filme e de aliados é a de que não houve recebimento de recursos. A contradição mantém o caso aberto e amplia o desgaste.
No Brasil, quando se somam milhões de reais, políticos, contratos mal explicados e áudios de lideranças conversando com pessoas associadas a crimes, o resultado costuma ser catastrófico para os envolvidos.
Flávio enfrenta hoje uma crise sem precedentes em sua trajetória. Enfrenta ainda uma direita fragmentada, adversários de centro-direita interessados no eleitorado que antes se direcionava a ele, e um presidente no exercício do poder que segue competitivo.
Aliás, antes mesmo do escândalo, Lula já vinha mostrando recuperação nos índices medidos pela AP Exata, movimento confirmado pelas últimas pesquisas.
Portanto, a situação de Flávio está longe de ser simples de resolver. Para sair do centro negativo das atenções, ele pode passar a depender de um novo escândalo de grandes proporções envolvendo o governo Lula. Além disso, terá pela frente adversários políticos interessados em prolongar a crise e ainda corre o risco de novas revelações comprometedoras.
Se antes o pêndulo eleitoral parecia oscilar a favor de Flávio, as revelações sobre suas ligações com Vorcaro deslocaram esse equilíbrio. Hoje, o pêndulo está bem mais próximo de Lula.
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Conforme falei ontem, Lula melhorou e isso iria aparecer nas pesquisas. Tá aí!
Parabéns @Denicoli pela ferramenta que consegue prever isso.
Felipe Nunes@profFelipeNunes
4/ No principal cenário estimulado de 2º turno, Lula e Flávio continuam tecnicamente empatados (42 x 41), mas Lula aparece agora numericamente a frente. Contra Zema, Caiado ou Renan, Lula venceria um eventual segundo turno se a eleição fosse hoje.
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estadao.com.br/politica/sergi…
Dados explicam porque, mesmo desgastado, Lula segue competitivo
Há uma grande diferença entre um governo desgastado e um governo derrotado. Lula chega à pré-campanha de 2026 com rejeição alta, dificuldade para vender novas esperanças e claros sinais de fadiga na articulação política. Apesar disso, a oposição também enfrenta limitações que ajudam a entender por que a eleição continua imprevisível.
Uma das ilusões confortáveis dos opositores do governo é imaginar que o eleitor que escolheu um nome conservador no primeiro turno aceitará automaticamente qualquer outro nome da direita no segundo turno, contra Lula. Essa leitura confunde o comportamento dos grupos políticos com o comportamento do eleitor comum. Lideranças, partidos e influenciadores podem se alinhar por cálculo eleitoral. O eleitor, não necessariamente.
Os dados ajudam a elucidar o tabuleiro. Desde setembro de 2025, a AP Exata Inteligência coleta, diariamente, posts e comentários feitos nas redes sociais, a respeito dos presidenciáveis. Um volume que hoje já contabiliza cerca de 15 milhões de publicações.
São informações que permitem acompanhar o volume de menções a cada um dos nomes, emoções, narrativas e posicionamento dos principais atores políticos no ambiente digital. Permite também observar oscilações sobre a avaliação do governo, por meio de cálculos que levam em conta os resultados das pesquisas eleitorais e os sentimentos dos eleitores, expressados em suas publicações nas redes.
Portanto, na série de avaliação do governo registrada pela AP Exata, em setembro do ano passado o ruim/péssimo estava em 48,9%, enquanto o ótimo/bom marcava 25,8%. Em maio deste ano, o ruim/péssimo caiu para 43,8%, e o ótimo/bom subiu para 33,2%. O regular ficou em 23%. Uma redução de 5,1 pontos percentuais na avaliação negativa e um aumento de 7,4 pontos na avaliação positiva.
Ou seja, em setembro o governo estava em situação muito mais frágil, depois recuperou parte do terreno perdido e agora entrou em uma zona de estabilidade. Essa melhora não veio apenas por mérito próprio do governo. Grande parte dela se explica pela crise aberta com a taxação de Donald Trump sobre produtos brasileiros, que permitiu a Lula ocupar o discurso de defesa nacional e colocou setores da direita bolsonarista em posição desconfortável, por apoiar ou relativizar uma medida vista como prejudicial ao Brasil.
No Carnaval, houve um leve tumulto na curva, com a percepção negativa voltando à faixa de 45%, mas o movimento não se transformou em deterioração contínua. Depois disso, Lula estabilizou perto de 44% de ruim/péssimo e 33% de ótimo/bom.
O quadro está longe de ser confortável para o presidente, mas também não permite uma leitura de colapso. Há desgaste, mas há ainda uma base política relevante.
A AP Exata também analisou quais emoções apareceram com mais força nas publicações sobre cada presidenciável, nas últimas quatro semanas.
No indicador confiança, Caiado lidera com média de 19,4 pontos, seguido por Zema, com 18,4. Flávio Bolsonaro marca 16,9 e Lula aparece com 16,1. Renan Santos fica abaixo dos demais, com 15,5 pontos.
Já no indicador medo, Lula registra 17,9 pontos, o maior índice entre os nomes analisados. Flávio Bolsonaro também aparece em patamar elevado, com 16,1. Renan tem 16. Zema e Caiado ficam abaixo, com 14,5 pontos percentuais.
Os números mostram que os nomes mais associados à confiança são Caiado e Zema, mas nenhum dos dois concentra a força identitária e emocional e eleitoral do bolsonarismo. Flávio mobiliza de forma mais ampla essa base conservadora, mas aparece próximo de Lula no indicador medo.
Além disso, há muitas divergências na oposição, pois ela se espalha em várias direitas diferentes. Há a direita bolsonarista de Flávio, a direita liberal de Zema, a antiga direita de Caiado, e a direita digital e antiestablishment de Renan Santos.
O caso de Flávio Bolsonaro é o mais delicado, pois concentra a principal contradição. Ele lidera entre os nomes da direita, porque foi nomeado herdeiro do legado político do pai, mas também carrega o desgaste da institucionalização desse movimento.
Jair Bolsonaro construiu sua imagem como adversário do sistema, mas Flávio aparece como alguém já acomodado às engrenagens de Brasília. A aproximação dele com lideranças e partidos do Centrão aumenta esse risco e, hoje, é um dos pontos mais frágeis do presidenciável.
A disputa, portanto, não será apenas entre Lula e a direita. Será também uma disputa entre diferentes versões de direita que tentam ocupar o lugar de alternativa ao PT, mas carregam contradições próprias. E, neste momento, todas gastam energia disputando espaço dentro do próprio campo.
Se a oposição seguir se desgastando em conflitos internos, poderá dar a Lula exatamente o que ele precisa neste momento. Não uma nova onda de grande popularidade, porque sua alta rejeição impede, mas sim a chance de se apresentar como a alternativa de menor risco, diante de um campo adversário que ainda não resolveu suas próprias contradições.
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Para Denicoli, outro componente que pesou contra Messias foi justamente a pressão popular existente contra o STF, que é fortemente rejeitado pela população. Segundo ele, houve um alinhamento claro dos senadores com esse sentimento, que ganhou força nas redes sociais nos últimos dias.
✍️ Leia a coluna na íntegra > x.gd/F2Zlx

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O caso Master é algo negativo para a política brasileira como um todo, incluindo o STF. Sobra para todos os espectros. E geralmente o que é negativo tem muito mais impacto nas redes. Portanto, o fim da 6x1 tende a ser positivo, mas com impacto menos relevante. Acredito que a mudança da escala de trabalho pode beneficiar Lula quando for aprovada, mas, como a efetivação ficará para depois das eleições, o impacto pode não ser tão grande quando governistas esperam.
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Lauro Jardim: Levantamento revela que 6x1 melhora imagem de Lula nas redes, mas tema perde de longe para Lulinha e Master.
Só confio no @Denicoli
O que você acha disso?
Lauro Jardim@laurojardim
Levantamento revela que 6x1 melhora imagem de Lula nas redes, mas tema perde de longe para Lulinha e Master dlvr.it/TRzxBc
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O caso Master é algo negativo para a política brasileira como um todo, incluindo o STF. Sobra para todos os espectros. E geralmente o que é negativo tem muito mais impacto nas redes. Portanto, o fim da 6x1 tende a ser positivo, mas com impacto menos relevante. Acredito que a mudança da escala de trabalho pode beneficiar Lula quando for aprovada, mas, como a efetivação ficará para depois das eleições, o impacto pode não ser tão grande quando governistas esperam.
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Deixo aqui algumas anotações sobre O 12th Annual Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo, que reuniu analistas para discutir como a eleição de 2026 já começou a se desenhar no ambiente político e digital.
Participei de uma mesa redonda com o Felipe Nunes, da Quaest, e com o Maurício Mouta, do Ideia Big Data.
Minha pontuação principal foi que, nas redes, a disputa política de organiza na lógica do polvo, com um candidato e os tentáculos que funcionam como ativos no debate, falando com os vários públicos. Dei o exemplo de Flávio Bolsonaro, que tem uma postura mais moderada, mas opera também com um tentáculo mais radical, representado pelo irmão Eduardo, com um mais focado na família, que tende a ser ocupado pela Michelle, e um mais idealista e antissistema, representado pelo pai. Isso o torna afável para os mais diversos tipos de eleitores, que focam no que mais se aproxima do que acreditam. Já Lula tem mais dificuldade em se multifacetar, mas tem tentado fazer isso nos estados. Em São Paulo, por exemplo, acionou novamente Geraldo Alckmin e colocou novos elementos, como Simone Tebet.


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Centro político brasileiro segue órfão em meio à polarização, diz Denicoli cnnbrasil.com.br/eleicoes/centr…
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Realmente é um oásis. Textos de altíssima qualidade. Obrigado pela recomendação :)
vintage venus 🐝 | astrologa e tarologa@vintagevenusc
Acabei de descobrir um site chamado Off Lattes (ótimo pro pessoal de humanas e curiosos) que não sei nem explicar minha felicidade de encontrar tanta coisa bem embasada, de qualidade e acessível. Sério, quase chorei 🥹
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ANÁLISE | SERGIO DENICOLI
"Aumento de impostos sobre eletrônicos é tiro no pé do governo Lula; no debate nas redes sobre a medida, a reprovação alcança 74,3%, a aprovação fica em 6,8% e 18,9% das menções são neutras" > x.gd/42wGAM

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[Desgaste do governo cresce nas redes, após aumento de imposto sobre eletrônicos]
O aumento do imposto de importação sobre componentes eletrônicos já produz reflexo direto na popularidade de Lula nas redes. Nesta quarta-feira, a rejeição ao presidente subiu 0,2 ponto e a aprovação caiu 0,2, gerando variação total de 0,4 ponto em poucas horas, com tendência de crescimento à medida que o tema ganha tração digital.
No recorte específico da medida, os dados da AP Exata indicam reprovação de 74,3%, aprovação em 6,8% e 18,9% de menções neutras, focadas em divulgar a notícia, sem juízo de valor. A rejeição elevada está associada ao enquadramento predominante de encarecimento de produtos e também à ideia de que o governo Lula tem sido ávido em aumentar impostos e pouco eficaz em cortar gastos. Já a aprovação se concentra em argumentos de proteção à indústria nacional e política industrial, mas têm baixa adesão. Excluindo os neutros, a reprovação chega a 91,6% x 8,38% de aprovação.
O tema se tornou um dos mais explorados pela oposição nas redes. Parte da direita tem direcionado a narrativa especialmente ao público gamer, composto por muitos jovens engajados digitalmente.
No índice geral de imagem do governo, a avaliação ruim e péssimo está em 45,3%, bom e ótimo em 33,1% e regular em 21,5.
Lembramos que os índices de popularidade do governo, apresentados pela AP Exata, são calculados a partir de análise de redes e machine learning, com treinamento calibrado por resultados de pesquisas offline. Não há a categoria "não sabe/não respondeu", pois o indicador é construído a partir de manifestações públicas nas redes.

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