
Matou. Prestou depoimento. E foi pra casa dormir.
Deixa eu te contar como foi:
O Sargento Sacramento não estava de serviço. Não estava protegendo ninguém. Estava numa festa, numa praça pública, comemorando o jogo da seleção com a família — como qualquer outro pai.
Aí os adolescentes se desentenderam. O neto dele se envolveu na confusão.
E a solução que esse homem encontrou pra resolver a bagunça foi sacar a arma e atirar em alguém.
Fábio Ferreira da Silva levou tiro no rosto. Levou tiro nas costas. Morreu.
Agora me responde uma coisa: e se todo pai resolvesse briga de adolescente assim?
Porque o Sacramento não estava ali como policial. Estava ali como pai — ou avô. Um adulto que se sentiu desrespeitado, perdeu o controle, e usou a arma do Estado pra resolver um problema pessoal numa praça cheia de criança.
Legítima defesa, ele disse.
Contra quem? O adolescente que tentou separar a briga? O Fábio, que não era parte do conflito? O menino que tem 15% de visão e mal enxerga o que está na frente dele?
Qual era a ameaça real aqui?
Nenhuma. Era uma briga de praça. Acontece todo dia nesse país. Todo dia adultos intervêm, separam, conversam, erram, acertam — e ninguém morre.
Mas esse cidadão tinha uma arma. E achou que isso lhe dava o direito de decidir quem vai embora vivo.
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