Leonardo Lopes@leonardo1opes
Vocês sabem que eu tenho um casal de gêmeos, vão fazer 3 anos em junho. Eu e minha esposa educamos os 2 exatamente da mesma maneira, de uma forma até exagerada e sistemática. A única diferença que fazemos é sobre o que é de menino e menina, roupa, higiene etc. (menino usa cueca, menina calcinha, menino usa topete, menina presilha) estas coisinhas, roupas de menino, roupas de menina etc, mas todos os incentivos são iguais, todas as regras são iguais, o que o menino pode, a menina pode.
Dito isto, pela minha experiência aqui, esta coisa de que os pais direcionam é balela. Eles têm seus próprios interesses natos. Eles começaram mais recentemente a ver alguma coisa na TV, sob nosso monitoramento. Começamos com desenhos mais neutros, que tanto servem para meninos como para meninas para os dois assistirem juntos (galinha pintadinha, mundo bita etc). Ao terminar, o algoritmo sugeria algum outro desenho e acabava as vezes caindo algo mais de menino ou mais de menina.
ESPONTANEAMENTE a menina começou a pedir mais para ver os de princesas, e o menino adora ver dinossauros brigando e se estraçalhando. Não teve absolutamente NENHUM incentivo para estas escolhas. Ele naturalmente gosta de brincadeiras mais lógicas, gosta de destruir as coisas, gosta de resolver problemas, ela já gosta de colocar os bichinhos de pelúcia para dormir. NINGUÉM NUNCA INCENTIVOU ISTO, a gente só ia vendo o que eles queriam, e seguindo.
O menino canta "livre estou" prá todo lado, pq assistiu o desenho com a irmã, e as vezes pede prá ver os melhores momentos do Olaf, mas logo se cansa, a menina gosta dos desafios de tentar adivinhar qual tipo de dinossauro é na silhueta, mas logo se cansa.
Aos poucos cada um foi revelando espontaneamente seus gostos e preferências, sem que a gente precisasse fazer nada ou estimular nada.
Não educamos do modo 100% neutro pq achamos isto uma intervenção artificial num processo natural, em outras palavras, causa mais confusão do que ajuda, sendo mais preciso: é um crime fazer isto com uma criança.
Elas precisam de um mínimo de direcionamento, entender as diferenças biológicas reais e fazerem suas escolhas naturais, ao mesmo tempo, terem todos os estímulos para formação de sua personalidade para poderem também, conforme sua inclinação, se direcionar para onde mais gosta e se sente a vontade.
Impedir que a criança desenvolva sua própria natureza é um crime.