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@FuraPauta

• ousadia criativa • precisão estratégica •

São Paulo, Brasil Katılım Ağustos 2010
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kim@FuraPauta·
@helocruz Datacenter em lugar quente gasta energia para se livrar do calor. Datacenter em lugar frio vende esse calor. A localização decide se o calor é despesa ou receita.
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Helô Cruz, CFA
Helô Cruz, CFA@helocruz·
Fazer Datacenter em lugares quentes, onde vc tem energia solar de dia e eólica à noite ou em lugares frios, onde economiza com ar condicionado?
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kim
kim@FuraPauta·
beber detergente é a prova irrefutável que o Qi médio do brasileiro é 83.
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kim@FuraPauta·
Antes do ensaio Em 1519, Leonardo morre num quarto em Amboise convencido de que falhou. Cinco séculos depois, alguém com um laptop produz numa tarde mais imagens que ele em uma vida. A frase do leito de morte continua igual. A leitura motivacional pegou esse desconforto e vendeu como combustível. Pressão forma diamante. Canalize a inquietação. Construa agora. Esse ensaio recusa o atalho. O Paradoxo de Da Vinci, na era da iA, deixa de ser angústia psicológica e vira problema epistêmico. A materialização ficou barata. A calibração ficou cara. A pergunta migrou da mão do executor para o olho do crítico, e o crítico mora dentro da cabeça de quem antes só sentia falta de horas. Gosto não vem de prompt. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
kim@FuraPauta

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kim@FuraPauta·
@DavidDack simplesmente são dois esportes diferentes, não se comparam.
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David Dack
David Dack@DavidDack·
Trail runners who refuse to run on roads: purists honoring the sport’s roots or just avoiding real competition?
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kim@FuraPauta·
Amor incondicional. É escolhido todo dia, como quem acende a luz da cozinha antes do sol nascer. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim
kim@FuraPauta·
Aquela página de Goodstein me persegue há anos. Três frases na abertura de um livro de física. Dois suicídios. Uma equação que cabe numa lápide em Viena. O autor abre o tratado dizendo ao estudante: cuidado, a desordem do universo já matou os melhores que tentaram explicá-la. Escrevi sobre o gesto. Sobre o que se ganha quando alguém recusa higienizar o conhecimento e passa o bastão sem fingir que ele é leve. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
kim@FuraPauta

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kim
kim@FuraPauta·
@product_gurus boa, eu fiz o contrário 😁 - e estou pensando em trocar o handle também🤨.
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Product Guru’s
Product Guru’s@product_gurus·
to começando a pensar em trocar o Guruzinho e colocar minha cara mesmo… ✨👀
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kim
kim@FuraPauta·
A multidão pede resumos. Pede e-mails prontos. Pede planilhas formatadas. Empurra o que não quer pensar e celebra o tempo recuperado. Outros chegam com pergunta mal formulada. Discutem. Reformulam. Saem com pergunta melhor que a resposta. A primeira fila usa a iA como aterro. A segunda, como sparring. Descarregar é alívio. Expandir é trabalho. A vantagem mora onde quase ninguém quer estar: no atrito de pensar com a máquina. Não apesar dela. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim
kim@FuraPauta·
Tropecei neste texto e parei de escrever por um dia. Há duas formas de chegar a uma ideia: descobri-la, reconhecê-la. O que o autor faz aqui é nomear o que andava entalado. Não inventa o diagnóstico. Devolve o vocabulário. Diluição da linguagem é o tema da década, e quase ninguém escreve sobre ela sem encarnar o que critica. Aqui o autor faz o contrário: chama o arroz de arroz. Apresento o texto sem grifos. Os meus chegaram depois, na margem, por acúmulo. Cada palavra sublinhada é uma que eu mesmo já usei errado essa semana. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
JAMES WEBB@jameswebb_nasa

A Falência das Palavras Outro dia, não faz tanto tempo assim, num daqueles estabelecimentos que não são restaurantes, “são espaços de experiência gastronômica”, ouvi uma jovem explicar ao marido, com a solenidade de quem descreve uma obra de arte, que o prato que acabara de chegar era uma “releitura afetiva do trivial”. Observei: arroz, peixe envolto em molho branco, batatas rústicas, salada. Bonito, talvez. Um fio de azeite traçado em diagonal, como se o chef tivesse estudado geometria antes de cozinhar. Mas era arroz com peixe. O rapaz deu a primeira garfada e fez a expressão de quem acabara de descobrir algum segredo sobre a origem da humanidade. Mas continuava sendo arroz com peixe. Não é que o prato fosse uma fraude. Longe disso. Mas a “experiência” renomeada me chamou mais atenção do que a comida em si. Alguns estudiosos chamam isso de esvaziamento semântico, e ele está em toda parte: discreto, eficiente, elegante, com ótimas avaliações no Google. A língua, claro, é viva. Ela se altera, migra, envelhece, morre, renasce. Não existe purismo capaz de resistir ao tempo, e nem deveria existir. Mas há diferença entre a transformação orgânica promovida pela fala e o sequestro deliberado operado pela sociedade instagramável. O primeiro acontece devagar, por acúmulo de uso e necessidade. O segundo tem pressa, estratégia, branding, dashboard. Comecemos pela palavra RITUAL. Até certo ponto, ela designava um ato sagrado, repetido com solenidade, capaz de marcar a fronteira entre o ordinário e o transcendente. Hoje aparece colada ao suco detox, à rotina de skincare, ao café bebido diante da janela. Não que café diante da janela não seja bom. É ótimo, inclusive. Mas chamar isso de ritual é pedir emprestado um peso que a coisa não tem. E, a cada empréstimo desses, a palavra volta para casa um pouco mais vazia. Uma espécie de agiotagem da língua. ACOLHIMENTO. Palavra que um dia exigiu presença, escuta, abertura genuína ao outro. Hoje aparece estampada em menus de restaurante e anúncios de coworking, como promessa de que alguém vai sorrir enquanto serve o cappuccino. AMIGO/AMIGA. Uma das palavras mais afetivas virou vocativo automático de estranhos e arma passivo-agressiva em comentários de rede social. “Amiga, surtando nesse look.” “Amigo, que loucura.” Muitas vezes dita entre pessoas que não se falam há anos e mal se suportariam num elevador. CONTEÚDO. Antes pressupunha substância, recheio, alguma coisa dentro. Hoje é qualquer material produzido para ocupar atenção por alguns segundos antes do próximo scroll. LINDO. Pobre lindo. Tão repetido em comentários, respostas automáticas e elogios sem custo que perdeu gradação. Já não significa belo nem extraordinário. Virou apenas reflexo condicionado, o amém digital de quem passou por ali sem realmente olhar. COLABORADOR talvez seja o caso mais eloquente dessa mudança performática. A palavra chegou suave, quase gentil, prometendo horizontalidade onde havia hierarquia. O empregado virou colaborador, como se o salário fosse detalhe, como se a subordinação tivesse evaporado junto com o crachá antigo. Mas o colaborador ainda bate ponto. Ainda pode ser demitido. Ainda depende do chefe para pagar o aluguel. O que mudou não foi a relação, foi o nome dela. E mudar o nome sem mudar a coisa é uma forma sofisticada de mentira. Sofisticada, claro. Com onboarding, cultura organizacional e slide motivacional. PARCEIRO. Antes sugeria cumplicidade, risco compartilhado, destino comum. Hoje é como aplicativos chamam entregadores sem vínculo, sem férias, sem garantia nenhuma. Parceiro. Como se mochila nas costas e aplicativo no celular configurassem uma sociedade entre iguais. Uma parceria em que só um lado escolheu os termos. ENTREGA migrou do mundo físico para o universo das emoções e das performances com velocidade espantosa. Atores já não atuam: “entregam”. Profissionais não cumprem metas: “entregam resultados”. A palavra que descrevia o gesto concreto de passar algo às mãos de alguém agora mede dedicação, talento, vulnerabilidade. Como se tudo precisasse virar mercadoria rastreável, mensurável, auditável. SOLUÇÃO também perdeu o chão. Houve um tempo em que soluções resolviam problemas reais, identificáveis, mensuráveis. Hoje qualquer produto é uma solução. Shampoo virou solução capilar. Aplicativo de meditação virou solução de bem-estar. Consultoria de três reuniões e um PDF virou solução estratégica. O problema, muitas vezes, continua intacto. Sem solução. PROPÓSITO talvez tenha sofrido a transformação mais ambiciosa. Palavra que a filosofia cultivou durante séculos, que religiões disputaram com solenidade, que muita gente buscou em silêncio a vida inteira, virou item obrigatório de apresentação corporativa. Toda startup tem um propósito. Toda marca tem um porquê. O propósito está no site, no pitch, no discurso do CEO diante dos colaboradores. Raramente está nas práticas. Mas a palavra está lá, elegante, cumprindo sua principal função contemporânea: dispensar explicações maiores. E talvez exista algo ainda mais curioso nisso tudo: quase nenhuma dessas palavras foi destruída pela mentira explícita. Elas foram desgastadas pelo excesso. Pelo uso constante, estratégico, performático. Como moedas antigas que continuam circulando depois de perder o relevo. O problema não é a mudança da língua. O problema é o empobrecimento dela. Quando todas as palavras importantes passam a servir para qualquer coisa, elas deixam de nomear o que realmente importa. Como um trabalhador descreve sua precariedade, se até a exploração ganhou um nome simpático? Como alguém diz que está sozinho, se a solidão virou “tempo de qualidade consigo mesmo”? Como pedir socorro, se “processo” e “jornada” já colonizaram até o sofrimento? As línguas sobrevivem às modas. Já sobreviveram a impérios, ditaduras, reformas ortográficas. Vão sobreviver ao LinkedIn também. Mas, às vezes, no intervalo entre uma moda e outra, perdemos justamente as ferramentas de que mais precisávamos: as palavras capazes de nomear o que é raro, profundo, injusto, verdadeiro. Talvez valha, de vez em quando, chamar o arroz de arroz e o peixe de peixe. Não por falta de imaginação, mas porque quando tudo vira experiência, nada mais surpreende. E a surpresa, essa sim, ainda não encontraram uma palavra melhor para substituir. Ainda bem.

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kim
kim@FuraPauta·
Os silenciosos carregam sismógrafos. Captam o tremor antes do tremor: o desvio do olhar, a inflexão estranha, o silêncio que precede a frase ensaiada. Pagam por isso. Cada conversa cobra três horas de recolhimento, cada festa cobra um dia. Calam-se porque a tradução do que ouviram excede o que pode ser dito sem ferir alguém. Vivem com sensores ligados num mundo de buzinas. O coração se protege onde a mente já chegou primeiro. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim@FuraPauta·
@DanielSmidstrup na minha experiência (claude code + twitter) - LP.
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Daniel Smidstrup
Daniel Smidstrup@DanielSmidstrup·
AI startups today are basically: 90% Claude 5% landing page 5% praying a tweet changes their life
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kim
kim@FuraPauta·
Liu Mei O pai morreu em março. O irmão em junho. O marido sumiu em agosto, levou a televisão e a aliança. A empresa fechou em outubro, junto com o salário e o nome dela no crachá. Sobrou a mãe. Setenta e oito anos, mãos que tremem ao servir o chá, joelhos que doem na chuva. Nenhuma frase grande, nenhum consolo treinado. Senta na cadeira de sempre, olha pela janela de sempre, e diz, sem cerimônia, come. Liu Mei come. Arroz frio, peixe seco, o silêncio que sobrou da casa. A mãe não devolve nada do que se foi. Apenas continua acordando antes do sol, fervendo a água, dobrando a roupa lavada. É o que sobra das mães: a obstinação muda de quem ainda está aqui. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim
kim@FuraPauta·
conta de iA no onboarding vai ser tão padrão quanto e-mail corporativo.
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kim@FuraPauta·
O Twitter discute. Mal, com frequência. Mas discute. Alguém posta uma bobagem e em treze minutos cinco estranhos provam que é bobagem, com fonte. No LinkedIn, a mesma bobagem vira post motivacional de oitocentos caracteres, com seis takeaways em bullet points. Os comentários, todos iguais: inspirador, obrigada por compartilhar. Há uma forma de morrer que não envolve corpo. Acontece em arco, em terceira pessoa, terminando em humilde gratidão. O 𝕏 grita. O LinkedIn vela seus próprios mortos. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim@FuraPauta·
O debate sobre adoção empresarial de iA tem ruído demais. Modelos, custos, fornecedores, datas. Pouca gente faz a pergunta anterior: a empresa que quer iA sabe descrever o que faz, qual cliente atende, qual métrica realmente move receita. Este ensaio começa por essa porta. Antes do modelo, o espelho. E o espelho costuma devolver pouca gente reconhecível. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
Mind Blowing Innovative@MBi_digital

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kim
kim@FuraPauta·
Qi médio aferido: 83. E um para-choque rodando o Brasil inteiro: Deus é brasileiro. A combinação tem método. Quem nasce eleito não precisa estudar. A graça dispensa a gramática. O milagre torna ofensivo o currículo. Paulo Prado escreveu que numa terra radiosa vivia um povo triste. A frase envelheceu mal. Numa terra atrasada vive um povo que confunde atraso com mistério divino. Reza pela aprovação no vestibular. Cobra do céu o que deveria ter exigido da escola. A tragédia mora na liturgia que transforma o número em virtude. ousadia criativa. precisão estratégica. – por kim.
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kim@FuraPauta·
Lula foi à Casa Branca, mijou de porta aberta e secou a mão na cortina. A cortina virou peça de museu. O discurso, nota de rodapé. O resto é tradução simultânea.
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