Matheus Zomé@matheuszome
Minhas críticas ao Guto Zacarias não foram por nenhum cálculo político e estratégico anti-MBL - foram por puro horror. Agora que ele admitiu o erro, se reparou e até alardeou um compromisso anti-aborto, não postarei mais contra ele. Me abstenho de fazer juízos sobre sua sinceridade, pois isso não me compete. Não considero que o áudio seja motivo de cassação, aliás.
Mais do que um escândalo político, este caso é uma história triste e decepcionante. E ele revelou mais sobre o MBL do que sobre Guto.
Chesterton dizia que "a Igreja não tolera nada, mas perdoa tudo; o mundo tolera tudo, mas não perdoa nada". De fato, entre os que estão sinalizando virtude sobre o caso, certamente estão muitos psicopatas que já abortaram 5 filhos com risos e piadas... Qual é a autoridade, por exemplo, de um Tiago Santinelli, para ser fiscal de moral cristã?... Por outro lado, dois minutos de uma ideia horrível, dita para a pessoa em quem mais confiava, dizem muito sobre ele, mas obviamente não o resumem. A publicização de todo o privado, nesta era da internet, é, de fato, desesperadora. Se ele quer se dedicar agora a combater o aborto, que se dedique. Mas não é legítimo usar isso -- explorar uma pauta dessa magnitude -- por pura ganância de popularidade. Faça, de preferência, sem tantos holofotes, sem uma linguagem tão incisiva, sem tanto nariz empinado. Será assim? É óbvio que não -- a equipe de comunicação do MBL é boa demais, para deixar que um de seus principais porta-vozes não aja por estrito propósito de expansão política e publicitária. Ele continuará em um alarde dramático sobre "usar sua experiência para acabar com os abortistas". Terá êxito? Não sei. É uma aposta. Uma aposta frágil. Por isso, embora eu sinta, agora, não raiva, mas pena -- dele, de sua estupidez, de sua ex-namorada, até mesmo de sua decisão de trair a mãe de sua filha, e que parece ser uma boa moça, por uma dançarina de funk com histórico duvidoso --, não adianta se revoltar contra o seguinte fato: ninguém vai esquecer. Essa história será usada. E em pleno direito.
O que chamou a atenção nessa história, porém, foi a completa inconsistência do MBL. A este ponto, penso que votar no MISSÃO possa ser pecado mortal. Com efeito, o MBL/MISSÃO é um grupo heterogêneo, com forte composição pagã, ultraliberal, secularista e anticristã, que visa, exclusivamente, ao poder. Tenho me aprofundado cada vez mais nas propostas do MISSÃO. A composição do seu projeto não parte de uma análise da estrutura orgânica da nação para a definição de medidas e, com isso, a fixação de um plano de poder para viabilizá-las (isto é, como faria todo projeto nacional no sentido clássico da expressão), e sim inversamente: das exigências de um poder absoluto, a partir daí definindo as medidas tendentes a assegurá-lo perante as contraforças políticas -- medidas às quais se subordina, por sua vez, agora sim, uma análise (panfletária) dos problemas do país. É um projeto de poder: eleger uma matilha para o controle absoluto do Estado. O MISSÃO representa, em essência, um cesarismo tecnocrático radical, profundamente antissocietário, inorgânico e amoral. Ele não é um mero "conglomerado de programas", mas uma expressão de um pensamento político bastante sólido, que redunda, em última análise, na mais ampla tirania tecnocrática e quantitativista, misto de Tocqueville e Cortés. Dito isso: é válido eleger um grupo que proclama ter, como único propósito, a consecução do poder técnico absoluto -- já que a maior parte desse grupo é comprovadamente contrária os valores religiosos e favorável a um absoluto liberalismo moral?
Mais uma vez, também não há cálculo político-estratégico nesse tweet: são simples considerações morais ingênuas, espontaneamente, de forma quase infantil. Optando por este formato e linguagem (e no X só é possível sobreviver com uma atitude explosiva...), sei de antemão que não terá alcance, e o alcance não irá gerar leitura, tampouco engajamento - nunca terei, aliás, o propósito ou satisfação de lucrar números à custa de difamação (ainda que verdadeira). Serve, porém, de registro.