Jaderson Suarez retweetledi

Faz tempo. Dá uma lida nesses dois trechos do podcast de 2006 que gravei com o Olavo:
OLAVO
Os caras eram pessoas honestas, né. Pessoas normais. Agora, esses caras da esquerda, não, pô. São pessoas totalmente sem escrúpulos, sociopatas mesmo, não têm consciência moral nenhuma. A regra moral deles é a seguinte: “O bem sou eu”. E, para eles, a segunda encarnação do bem é “o meu grupo”. Então, pronto, eles acham mesmo isso. Não há um bem e um mal que os transcenda. O bem é imanente a eles mesmos, né. É uma auto-divinização.
YURI
Outro dia, eu estava lendo A República, de Platão, e fiquei espantado ao ver Sócrates afirmando que o governante é o único que pode realmente mentir pelo bem geral.
OLAVO
Sim, mas, veja, a necessidade da mentira na política é universalmente reconhecida. Faz parte da estratégia, e tudo mais. Só que existe um limite. Por que o governante está mentindo? Pela segurança da pátria, em circunstâncias ligadas à guerra etc. Mas, no Brasil, a mentira virou uma regra geral. É a mentira ilimitada. O político mente em tudo vinte e quatro horas por dia!
YURI
Mente pelo bem dele, pelo bem da ideologia dele, pelo partido dele…
OLAVO
Claro! Pelo bem do grupo dele! Claro. Não elegeram de novo todos os caras do Mensalão?
YURI
Pois é…
OLAVO
E sabe por que os elegem? Porque as pessoas queriam ser esses indivíduos. Quer dizer, o eleitor não presta.
YURI
A corrupção é geral, né.
OLAVO
No Brasil, é assim: um monte de trapaceiro fracassado votando em trapaceiros bem-sucedidos. É isso. Um país de merda mesmo.
YURI
Sabe que, em Brasília, eu estava conversando com a empregada de um amigo meu, no apartamento dele, e ela me disse que, na rua dela, na Samambaia, os vizinhos pegam emprestado os filhos uns dos outros, e os levam até uma repartição pública para conseguir o Bolsa Escola, como se todos fossem filhos deles.
OLAVO
Se o povo faz isso, por que o ladrão ou o deputado não pode roubar? Todos podem roubar. É aquele negócio do Stanislaw Ponte Preta: “Ou todos nos locupletemos, ou restaure-se a moralidade”. Optou-se pela primeira saída. É o roubo geral. Então, acabou. O povo não tem mais vergonha na cara, não tem mais a menor noção do certo e do errado… E o pior não é o povo roubar: o pior são as pessoas intelectualizadas.
YURI
Sim.
OLAVO
Esses são os piores. Às vezes nem ganham dinheiro. Ora, qual é o prazer dessas pessoas em ter opiniões? Sobretudo sobre assuntos que não lhes interessam. Se o sujeito não se interessa, por exemplo, em ler o material do Foro de São Paulo, por que ele tem de ter alguma opinião a respeito? Que direito o sujeito tem de ter uma opinião sobre um assunto que não lhe interessa o suficiente para querer se informar? E por que essa mania brasileira? É porque o sujeito sabe que não sabe nada, sabe que acabou de inventar essa opinião a partir do zero, mas ele quer aparecer! Ele quer um aplausozinho, ele acha que as pessoas irão admirá-lo. Os outros, no fundo, o acham um palhaço, mas ele vive dessa ilusão. Quer dizer, é um povo que vive de tentar parecer uma coisa que ele não é. E, olha, essa tendência já existia desde o tempo da colônia. O Brasil já começou assim, com essa tendência geral para a farsa, né. Se você pegar os personagens do Machado de Assis, por exemplo, verá que são todos farsantes. Todos, não falha um. Quando você compara com a literatura de outros países, percebe que nela existe um número muito mais variado de tipos. Até os pecados são diferentes. Mas, no Brasil, não: só tem um. É tudo fingimento. Então, o enigma do Brasil é simples: são um bando de mentirosos. Portanto, ninguém sabe o que está se passando, todo mundo vive na insegurança, e quando nego fica mais inseguro, aí ele mente mais ainda para se defender. Tudo vira uma alucinação! Esses 50 mil homicídios que ocorrem no Brasil todo ano… Quando se vive nesse negócio de mentira pra cá, mentira pra lá, existe sempre a realidade por trás dele, e a realidade da situação é temível! Está entendendo? Não podem ver a realidade, não podem falar sobre a realidade. Um país que tem 50 mil homicídios por ano, que equivalem a três guerras do Iraque, é um país que não tem o direito de existir. Se houvesse uma intervenção estrangeira aí, dizendo “olha, vocês não têm capacidade para se administrar”, seria inteiramente justo!
YURI
Que é isso, Olavo? (risos)
OLAVO
Uai! Uma país assim não tem condição.
YURI
Que não seja a ONU, né.
OLAVO
Mas até a ONU! Até a ONU é capaz de fazer melhor do que isso, porra.
YURI
(risadas) Até a ONU?!
OLAVO
Até a ONU. Qualquer um faz melhor do que isso. Cuba faz melhor do que isso, pô.
YURI
(risadas) Caramba…
OLAVO
Se o Fidel Castro chegasse aí, e metesse o pinto na mesa dizendo “Agora eu vou tomar conta”, acabavam os 50 mil homicídios por ano. Porque ele iria instituir o monopólio estatal do homicídio. E diria: “Agora só quem pode matar sou eu”.
YURI
A idéia deve ser essa, né?
OLAVO
É. Então naturalmente iria diminuir. E, de alguma maneira, seria um alívio. Quer dizer: é um povo que está pedindo para ser derrotado, que está pedindo para levar tapa na cara. Sabe aquele negócio de “macaco quando pula muito quer chumbo”? O Brasil está provocando o destino.
YURI
O problema é que a gente sabe que a solução não é política, né.
OLAVO
Em primeiro lugar, não há solução. Não existe solução para uma coisa dessas.
YURI
Então é um processo que temos de esperar acabar.
OLAVO
Não vai acabar! Quando acabar, acabou o país! Não vai sobrar mais nada.
YURI
Nossa, Olavo… Você está me deixando assim…
OLAVO
Países aparecem e desaparecem. Não é isso?
YURI
Então estamos em processo de desaparecimento, pelo jeito.
OLAVO
A existência do Brasil é uma fatalidade. E será um processo de desaparecimento muito rápido. Quando os organismos internacionais resolverem dividir o Brasil, quem irá resistir? As nossas Forças Armadas que têm medo do Marcola? Esses generais de bosta que tremem nos alicerces perante qualquer deputadinho petista? O Brasil não tem jeito; está entendendo?
YURI
Agora, o problema é que isso extrapola o Brasil, né. Vai ver o que a Oriana Fallaci falava da Europa. É a decadência do Ocidente, um processo que começa pelas beiradas. Como estamos numa das beiradas, acabamos primeiro.
OLAVO
Sim, a Europa está assim, está decadente também. Só que não vai comparar isso com o Brasil.
YURI
É lógico.
OLAVO
Os países da Europa estão fraquejando perante uma invasão muçulmana. Eles se desmoralizaram etc. etc. Mas eles têm um passado, e essas coisas que vieram do passado continuam funcionando. Existem ainda. Está entendendo?
YURI
Aqui as tradições não chegaram a se enraizar direito, né.
OLAVO
Nada, nada. O Brasil é o que o Oswald Spengler chamava de pseudomorfose…
YURI
Exatamente.
OLAVO
…uma cultura que apenas começa, mas que não chega a ser uma cultura, pois não se desenvolve plenamente.
YURI
É como ele fala dos russos também. Ele trata a Rússia como uma pseudomorfose.
OLAVO
É, exatamente. A Rússia vai ser sempre esse puteiro que é atualmente.
YURI
Também é outro país sem escapatória.
OLAVO
Sem escapatória. Aquilo nunca vai ser nada.
YURI
Pelo menos pode ser um bom caos para se criar artistas, escritores… Vamos ver se sai algum daqui.
OLAVO
Não sai, não sai. Porque, mesmo tendo uma decadência, ela precisaria estar ferindo alguns valores que estão arraigados, que doem, mas no Brasil nada dói mais, né. Não há valores.
YURI
Não sai nenhum Dostoiévski.
OLAVO
Não tem perigo, não sai mais nada.
YURI
(rindo) Então vou começar a escrever novelas [televisivas] mesmo.
OLAVO
O Brasil não é uma tragédia. Está entendendo? A tragédia implica ausência de culpa. A tragédia implica que o herói se defrontou com desafios de ordem cósmica muito superiores ao poder dele. Ele está inocente, mas, mesmo inocente, ele é destruído. E no Brasil, não, as coisas aconteceram por culpa! Essas pessoas até sofrem menos do que mereciam. Eu até acho que 50 mil homicídios, para um país onde ninguém faz nada para detê-los, é pouco. Esse número pode ser duplicado facilmente. Como é que chegamos a 50 mil? Foi duplicando, duplicando, duplicando e então chegamos a isso. Não vai diminuir: vai aumentar. Porque, no Brasil, só tem coragem o bandido. Quer dizer, a coragem está associada à loucura: “Só o louco tem coragem”. Mas não é verdade que um sujeito totalmente marginal, totalmente destrambelhado, tenha coragem: ele tem é agressividade. Também ele é covarde. Se você pegar o Marcola sozinho numa sala, ele provavelmente vai se cagar nas calças. Quando os bandidos se juntam em bando, ficam valentes, ficam agressivos e querem destruir. Então, é toda a covardia nacional que cria essa maldade. Os caras são maus porque são covardes.
YURI
Bom, não sei se fiquei animado depois de tudo isso… (risos)
OLAVO
(ri) Mas isso não é ser pessimista. Veja, os termos pessimista e otimista não designam uma descrição da realidade. Não são capazes de fazê-lo.
YURI
Sim.
OLAVO
Eles designam uma função subjetiva da alma: a de ter ou não ter esperança. Eu nunca falo nessa clave. Não estou nem pessimista nem otimista, apenas estou descrevendo as coisas como elas estão. Se as pessoas querem “achar” uma outra coisa, podem “achar”, mas já estão errando seus prognósticos há vinte anos. Já eu acerto um atrás do outro. Tudo o que eu digo que vai acontecer, acontece; e por quê? Porque eu estou na clave da realidade, porra. Os caras não, eles estão na da fantasia. Quer dizer, optaram pelo auto-engano, e é um auto-engano dogmático, uma cláusula pétrea. Eles jogaram o destino deles, o destino pessoal de cada um, e o destino do país, contra a realidade. É assim: “nós não queremos saber de nada e vamos ter nossa opinião — nós temos o direito de ter nossa opinião”. Logo, eles são como crianças. Está entendendo? Agem como se tudo já estivesse assegurado, papai e mamãe já resolveram tudo, e agora eles podem fazer o que quiserem. Não existe uma realidade que coloca exigências acima deles, não existe uma situação de fato à qual eles precisam reagir: não, não existe nada disso. Eles querem viver ludicamente. E dar opiniões, no Brasil, é uma das maneiras de divertimento prediletas. Assim, se as pessoas, no meio disso, ainda estão tentando se divertir, é porque no fundo elas estão achando que não há problema nenhum, que está tudo bem. Agora, quando entram os caras do PCC na casa do sujeito, e estupram sua mulher, queimam sua filha viva, aí ele sai chorando. E mesmo quando isso acontece, as pessoas não têm vergonha na cara! Até este! Até mesmo o assassinato da filha não consegue restaurar a honra do sujeito. Como esse Alckmin! O pessoal da esquerda xinga o cara vinte e quatro horas por dia, cospe nele, e ele ainda tenta passar por esquerdista. Já viu baixeza pior? É uma coisa infame. É subumano. Quer dizer, alguém está cuspindo na sua cara e você lhe está puxando o saco, abrindo as pernas, oferecendo sua mãe, sua avó, sua filha para o cara comer… É um povo totalmente aviltado. Isso aí não pode mais ser recuperado.
YURI
O que você está me dizendo me lembra a Hilda Hilst. Ela elaborava de outra forma, por assim dizer, de uma forma mais caótica…
OLAVO
Ela percebia essas coisas.
YURI
Sim, mas isso a fez querer partir deste mundo o mais rápido possível.
OLAVO
Pois é! Pois é! Mas para quê partir do mundo? Você pode comprar uma passagem de avião, ou pode sair andando, sair pelo México; tá entendendo? E vai para um lugar onde você pode ter uma vida digna.
YURI
Porque tudo o que você está me falando, somado a tudo o que ouvi da Hilda quando morei com ela, torna difícil não deixar minha subjetividade se contaminar com o pessimismo.
OLAVO
A Hilda, nos últimos anos da vida dela, descobriu que a literatura brasileira era uma palhaçada. E que, por isso, ela estava sendo feita de palhaça. E estava mesmo. E, diante disso, você só pode ou morrer, ou lutar contra isso. E você será esmagado se lutar. Você também pode pular fora. Eu pulei fora, mas não parei de lutar. Há muita gente que veio para cá, esqueceu o Brasil e começou a tocar uma outra vida, uma vida de americano. Eu acho que isso também é falso. Só um brasileiro poderia pensar nisso: porque o passado não se apaga. Está entendendo?
YURI
Sim.
OLAVO
Ele pesa em cima de você. Então, se estou aqui, estou numa condição muito mais vantajosa do que quem está aí. É assim que posso lutar. Posso lutar mais. Por quê? Porque não sou atingido pela merda. Agora, daqui eu faço um bombardeio aéreo: eu cuspo nos caras e ninguém pode me devolver. Tá uma delícia isto aqui. (gargalhada)
YURI
(rindo) É um ataque aéreo.
OLAVO
É, um ataque aéreo.
YURI
Deixou aqui a infantaria, né.
OLAVO
É. Eu estava aí no campo de batalha, levando porrada de tudo quanto é lado. Agora, não. Eu é que estou jogando merda nos caras.
YURI
Eu sou um cara bastante impressionável, Olavo. Não sei se você sabe disso... Então, naquela época em que a gente se conheceu, em 1999, e depois de ter assistido, a seu convite, a algumas aulas suas em São Paulo, uma noite a gente saiu para jantar numa churrascaria. Nossa conversa chegou a um nível parecido com este. Eu ficava pensando: porra, o cara publica essas mesmas coisas num site, fala do perigo que é essa gente… Aí comecei a imaginar: nossa, esta cena, no restaurante, parece uma dessas cenas de filme de máfia, como O Poderoso Chefão, uma cena em que, a qualquer momento, poderia entrar um cara com uma metralhadora…
OLAVO
De fato poderia! (risadas) No Rio de Janeiro, é assim. Nego entra no restaurante com uma metralhadora e mata todo mundo, pô.
YURI
Sim, mas eu pensava assim: entrariam armados atrás de você. Entendeu?
OLAVO
Aham.
YURI
Eu pensava: vem um aqui atrás do Olavo e eu estou junto… (risos)
OLAVO
Não, não, não! Ninguém iria. Eu não sou a pessoa ideal para eles matarem. Eles gostam de foder com gente deles mesmos. A violência que esse pessoal faz é interna, tipo Celso Daniel, né. Eles adoram matar uns aos outros.
YURI
Porque, nesse caso, a investigação do crime seria calada, né.
OLAVO
Pois é. No caso do Celso Daniel, os caras já mataram oito testemunhas. Pô, tá muito bandeiroso, não tá? Por um lado você sabe que o governo se esforçou para calar a investigação, por outro lado as testemunhas também morreram. Será que é coincidência? Quer dizer, tem um nego abafando as investigações e tem um outro matando as testemunhas? Você acha possível uma coisa dessas?
YURI
Agora, nesse caminho em que estamos indo, com a ajuda do Hugo Chávez, do Evo Morales etc., pelo visto teremos um belo futuro.
[...]
YURI
Faz parte do “humanismo” deles.
OLAVO
Faz parte do pensamento natural deles. Todos eles são assim. Então, a norma é a seguinte: quando eles acusam um sujeito de um crime, é porque eles estão cometendo um outro pior, ou então o mesmo crime, em escala maior, no mesmo momento. Como a maldade dos caras é imensurável, quer dizer, para a média humana, então o cidadão comum não consegue imaginar aquilo. É o mesmo que aconteceu no caso do Hitler, por exemplo: os caras chegavam nos Estados Unidos contando que ele estava lá, fazendo campo de concentração, matando um judeu atrás do outro, mas… aquilo era impensável, ninguém acreditava! Veja, nos morticínios do Gulag soviético, o pessoal, até a década de 1980, não acreditou!
YURI
É verdade.
OLAVO
Quer dizer, a mente humana se paralisa perante uma quota de mal superior à que ela pode suportar. Portanto, somente pessoas que tenham uma formação intelectual e moral mais séria, que tenham uma maturidade intelectual e moral — quando falo de formação moral, não digo que tenham de ser santinhos; não falo de santidade, mas de maturidade —, enfim, só pessoas com essa medida são capazes de encarar os fatos nessa hora. Maturidade é a capacidade de enfrentar o real com toda a sua grandeza e feiúra. Para admitir uma grande quantidade de mal que esteja acontecendo, mais do que de bondade você precisa de coragem. E de uma coragem intelectual, que é a coragem mais difícil que existe. Com ela você encara o mal numa escala quase cósmica. Ora, por que esse pessoal esquerdista fica assim? Não é porque eles nasceram malvados. É porque a formação que recebem, ao longo de muitos anos, é uma espécie de contra-iniciação. Está entendendo? É uma espiritualidade às avessas, que vai destruindo a raiz do espírito da pessoa e trocando por outra coisa. Eu fiquei muito pouco tempo nesse meio, mas o que eu vi ali de auto-degradação honrosa… (risos) deu para entender que aquilo é uma espécie de treinamento satânico mesmo. Quer dizer, quando se fala que essas coisas estão ligadas ao satanismo, não se trata de uma brincadeira, não é um modo de dizer, não é uma ofensa, não é uma força de expressão. Não. Eu estou falando de uma perspectiva técnica, de um termo técnico.
YURI
Isso me lembra a trajetória do personagem Strelnikov, no livro O Doutor Jivago, do Boris Pasternak.
OLAVO
Sim! Sim! Mas até ali está atenuado. Foi apenas muito recentemente que começou a aparecer a verdadeira documentação dessas coisas. Quer dizer, o que esses caras são capazes de fazer, os abismos de maldade, é o que explica por que ao mesmo tempo eles têm um discurso tão adocicado de auto-engrandecimento; e por que vivem aos beijos e abraços com pessoas que, no dia seguinte, eles irão esfaquear. Logo, são pessoas que têm uma doença espiritual muitíssimo grave. São todos sociopatas. A educação esquerdista é uma fábrica de sociopatas, meu Deus do céu!… Você não pode discutir com eles como se fossem pessoas decentes. O Alckmin, por exemplo, tenta fazer de conta que o Lula é apenas um mau administrador, ou coisa assim. Não, o Lula é um criminoso dos maiores que já houve no continente. Um criminoso cínico, perigoso; está entendendo? E não é porque ele mentiu aqui e ali. Não! Ele é constitutivamente mentiroso. A vida dele inteira é uma mentira. É uma pessoa que já perdeu o senso capaz de distinguir o bem do mal. Ele não tem mais isto — o “bem” é ele.
YURI
É, se o Lula estiver falando a verdade ao menos naquele ponto do debate em que ele afirma conseguir botar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilamente…
OLAVO
Ele dorme. O homem mau dorme bem.
YURI
Exatamente.
OLAVO
Ele não tem nenhum problema de consciência com relação a nada.
YURI
A consciência dele já era.
OLAVO
Esse cara, dizendo-se católico, vai à missa e afirma que pode comungar sem confessar porque ele é “sem pecado”… Ele comunga no mesmo instante em que acaba de cometer um sacrilégio nos termos da religião dele. Se faz isso, e diz que é “sem pecado”, é porque não tem consciência moral nenhuma! Ele não é capaz de avaliar o mal ou o bem. Ele compreende os fatos, a lógica dos fatos, mas o mal e o bem, o aspecto moral e ético, para ele não existem, ele não os discerne mesmo! Entendeu? O que ele entende como bem é o lado dele. Bem é ele, é o grupo dele, e, enquanto essa gente estiver no poder, para o Lula está tudo certo. Quer dizer, há uma identificação total com o grupo ideológico. E mais do que com o grupo ideológico: com o grupo estratégico. Esse grupo é o bem, o outro não importa, pois é o mal. Se o outro lado fizer um bem, fará por um motivo mau; se ele fizer um mal, será por um motivo bom — e não se pode levantar dúvidas quanto a esse ponto.
YURI
E tudo isso é justificado por aquilo que você mesmo escreveu no livro A Nova Era e a Revolução Cultural: a divinização do tempo enquanto História, que tudo justifica.
OLAVO
É, há raízes doutrinais que remontam a quatro ou cinco séculos. Mas, na verdade, toda essa parte doutrinal é um pretexto. O que realmente provoca a transformação dentro desses caras é algo puramente psicológico, e até mesmo ritual. Não depende de doutrina, nem de ideologia. Não é bem uma ideologia. Por exemplo, o número de vezes que um sujeito num partido como esse é obrigado a violar a própria consciência em nome do partido: isso é um treinamento sistemático que ele recebe. É uma espécie de contra-iniciação. Quer dizer, você está degradando o nível de consciência moral do sujeito até o ponto em que ele fica insensível. Ele troca a consciência dele…
YURI
Aquela cena de sabá de bruxos em que o adepto beija a bunda do diabo.
OLAVO
Isso! Exatamente. Então esse pessoal troca a própria consciência moral por um apego ao grupo. E o grupo tem todos os direitos, tornando-se uma espécie de deus. Você logo vê que isso não é normal. No começo, o pessoal disse: “o PT não é um partido, é uma seita”. Certíssimo, porque é uma seita mesmo, uma seita satânica. Não tenho a menor dúvida. Seita que produz gente como esse Waldomiro, como esse José Dirceu, como o Lula. É uma fábrica de delinqüentes, pô! É uma organização perigosíssima. O PT nunca poderia ter vindo a existir; está entendendo? É como aceitar um partido nazista. Veja, no Brasil há até hoje adeptos do Mao Tsé-Tung, que era pessoalmente um assassino, um pedófilo, um sádico, um monstro! Um monstro sob todos os aspectos. Está tudo nessa última biografia dele, de uma autora chinesa chamada Jung Chang[ Mao: The Unknown Story, de Jung Chang e Jon Halliday, 2005.].
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