

Renato Brito Neto
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@RenatinhoNeto
Advogado especializado em Direito Imobiliário e Desportivo. Sócio de RBLR Advogados. Diretor Jurídico da Confederação Brasileira de Squash.













Num clube repleto de personagens marcantes, uma figura que não usava chuteiras e nem marcou gols conseguiu se tornar ídolo. Bastava entrar em campo, estender a bandeira do Vasco da Gama e se ajoelhar diante dela para incendiar as arquibancadas de São Januário. Eduardo Santana nasceu em Andrelândia, em Minas Gerais, e começou a vida esportiva no boxe. Suas mãos, antes protegidas por luvas, mais tarde ganhariam outra função. Após deixar o ringue, migrou para o trabalho de massagista, passando pelo São Cristóvão antes de chegar ao Vasco nos anos 1950. A partir de 1970, virou funcionário registrado do clube e não sairia mais do imaginário cruz-maltino. Com forte ligação à Umbanda e uma fé que misturava devoção, misticismo e gestos simples, Eduardo Santana passou a ser chamado de Pai Santana. Para jogadores e torcedores, o apelido se tornou uma definição afetiva. A crença de que ele “abria caminhos” ganhou força logo após o título carioca de 1970, quando sua presença foi associada à quebra de um longo jejum de conquistas. Naquele mesmo ano, torcedores chegaram a entrar em campo com um bode, afirmando que o gesto reforçava o trabalho espiritual que ele fazia para orientar o time. No ambiente do futebol, Pai Santana criou vínculos que fugiam à função oficial. Ídolos como Roberto Dinamite, Romário, Edmundo e Donizete contam como suas conversas e massagens se tornaram parte da preparação para grandes partidas. Ele tratava lesões, confortava jogadores e transmitia tranquilidade nos momentos decisivos. Histórias de bastidores ajudaram a construir seu folclore. Em clássicos e jogos decisivos, Pai Santana sempre buscava uma forma de fortalecer emocionalmente o grupo. Quase sempre acompanhado por Dona Carmem, sua esposa, chegou a ir a cemitérios para realizar rituais que considerava importantes em vésperas de jogos. Em meados da década de 1980, o massagista viveu uma experiência incomum ao atuar na seleção do Kuwait. Lá, conquistou a confiança do Sheik e chegou a se converter ao islamismo, adotando o nome Ahmed Santana. Mesmo distante, manteve a ligação com o Vasco e retornou ao Brasil quando a Guerra do Golfo interrompeu sua estadia no país árabe. Foi nesse período que trouxe o gesto que se tornaria sua marca definitiva. Antes de cada jogo, já no gramado, estendia a bandeira do Vasco, ajoelhava-se e a beijava. A torcida respondia em coro. O ritual, inspirado na forma como muçulmanos se voltam para Meca, criava um elo simbólico entre o massagista e os cruz-maltinos. A presença de Pai Santana passou a integrar a identidade do clube. Seu nome aparecia no placar eletrônico, fotos de títulos registravam sua participação e gerações de torcedores reconheciam nele uma figura essencial. A partir de 2006, após sofrer um acidente vascular cerebral, seu ritmo diminuiu, mas não a ligação com o Vasco. Faleceu em 1º de novembro de 2011, aos 77 anos, sem nunca ter deixado de representar o sentimento cruz-maltino, e seu corpo foi velado na capela de Nossa Senhora das Vitórias, dentro de São Januário. O legado continua vivo. Em São Januário, bandeiras com o rosto de Pai Santana seguem sendo erguidas, e uma das canções da torcida leva o verso “Santana vai me iluminar”. Entre rituais, histórias e dedicação, Pai Santana se tornou parte inseparável do Vasco da Gama. Não marcou gols, mas decidiu jogos pela crença que transmitia. No imaginário cruz-maltino, permanece como símbolo de um tempo em que a fé, o futebol e a paixão caminharam lado a lado. #PaiSantana #Umbanda #Vasco #VascoDaGama #SãoJanuário









Há + de 1 ano, fiz o post acreditando q td ficaria bem. Ao refazer meus exames, descobri q o câncer acabou se espalhando um pouco. Agora, vou precisar de cirurgia e por ser um tumor raro (4 a cada 10 mil), encontrei um especialista, e q não atende por nenhum plano (continua)







