Nelson Teich

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@TeichNelson

Médico Oncologista, Ex-Ministro da Saúde, Mestre em Economia da Saúde pela Universidade de York, OPM pela Harvard Business School e pai de 6 filhos.

Katılım Ocak 2020
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Caros, meu WhatsApp foi clonado e estão convidando para uma festa que não existe. É tudo golpe. Importante denunciar essa conta que foi clonada. Quanto mais denúncias, melhor. Solicitei auxílio ao suporte do WhatsApp inúmeras vezes, mas o serviço deles não responde. Já denunciei através de um boletim de ocorrência e estou trabalhando com uma empresa para tentar solucionar o problema Fiquem atentos para não cair nesse golpe. Ele é sofisticado. A pessoa manda o convite, usando o whatsapp de um conhecido seu, e esse conhecido seu diz que vai indicar uma pessoa para organizar o evento e o convite, e diz que essa pessoa vai ligar para você para combinar tudo. A partir daí vem uma sequência de ligações e links que levam a transferência do WhatsApp para o celular de outra pessoa. O WhatsApp não dá o suporte necessário. Até hoje não me retornaram. Não cliquem em links, não repassem números e não atendam qualquer tipo de solicitação.
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Foi publicado essa semana um estudo que avalia as mortes relacionadas com o uso de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, em pacientes hospitalizados, no período de março a agosto de 2020, em 6 países (Bélgica, França, Itália, Espanha, Turquia e Estados Unidos). O estudo aponta para cerca de 17 mil mortes causadas pelo medicamento. Essas mortes representam um excesso de mortes em relação ao número esperado, relacionadas ao uso do medicamento. Esse mesmo racional sobre o risco de mortalidade com o uso da hidroxicloroquina vale para a cloroquina.   O uso de medicamentos sem comprovação de eficácia e que apresentam risco de morte por efeitos colaterais é um problema, muitas vezes difícil de ser mensurado. Essa projeção de mortes com a hidroxicloroquina foi apenas para pacientes hospitalizados, em poucos países e em curto espaço de tempo. Estando esse número do estudo correto, o número de mortes ligados ao uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em todo o mundo, e ao longo de todo o período da Covid-19, é bem maior. No caso do uso ambulatorial da cloroquina, em um número maior de pessoas, esse número de mortes causadas pelo medicamento tem o potencial de ser significativamente mais elevado.   Ter que tomar uma decisão sobre a incorporação, liberação ou recomendação de um medicamento ou tecnologia é algo complexo, principalmente em um momento crítico, tenso, politizado, instável e cercado por grande incerteza, como foi a realidade da cloroquina no Brasil e no mundo no período da Covid-19.   Essa decisão de não liberar o uso da cloroquina para tratar pacientes com Covid-19 teve que ser tomada quase 4 anos atrás, em um momento de extrema incerteza, polarização e medo.    Felizmente o tempo mostrou que a minha decisão de se posicionar contra a liberação e recomendação da cloroquina foi correta.   Essa discussão é a essência daquela que existe no processo de avaliação e incorporação de tecnologias no país.
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Hoje foi publicada no Diário Oficial da União a Lei No 14.758, que institui a Política de Prevenção e Controle do Câncer no SUS. É um marco.  Agora temos a parte mais importante, fazer com que o que está definido na Lei aconteça na vida das pessoas. É difícil e complexo criar a infraestrutura e a operação necessárias para que a Lei aconteça na prática. Não é possível um cuidado oncológico adequado, sem que todo o sistema de saúde atue de forma ideal. Nunca teremos uma oncologia eficiente acontecendo em um Sistema de Saúde ineficiente. A implementação da Lei demanda uma revisão da operação de todo o sistema. Governo Federal, Estados e Municípios precisam trabalhar de forma harmônica, coordenada e colaborativa, sob a coordenação e liderança do Ministério da Saúde. A necessidade do cuidado oncológico vai crescer continuadamente, e esse cuidado vai ser cada vez mais complexo, demandando recursos tecnológicos sofisticados e recursos humanos cada vez mais qualificados. A sociedade e os pacientes com diagnóstico de câncer precisam de um Sistema de Saúde que ofereça um cuidado mais eficiente, mais resolutivo e mais humano.
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No dia 19/12 (terça-feira) ás 19h, vamos fazer uma Live pelo Instagram com o médico Renato Redorat. Vamos abordar assuntos como obesidade, diabete e sobre os novos medicamentos. Vamos ter um espeço após a fala dele para perguntas. Esses novos medicamentos tiveram tanto sucesso e impacto que influenciaram de forma significativa a economia da Dinamarca, país sede de uma das empresas que exerce liderança no desenvolvimento desses tratamentos. A Live vai acontecer pelo meu instagram ➡️ @ nelson.teich instagram.com/nelson.teich?i…
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A ANVISA abriu Consulta Pública sobre a Proibição dos Cigarros Eletrônicos, também conhecidos como Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) ou vape. Desde 2009 é proibida a fabricação, comercialização, importação e propaganda dos cigarros eletrônicos. Sou contrário a liberação dos Cigarros Eletrônicos e coloco aqui alguns pontos que me levam a ter essa posição. Diferente do que pode ser colocado pela Indústria do Tabagismo, que argumenta ser o DEF um recurso para aqueles que querem parar de fumar os cigarros convencionais, a maioria daqueles que começa o uso do DEF são adolescentes que nunca fumaram. Uma empresa da iniciativa privada sempre vai ter como foco principal o lucro e o retorno para os acionistas. Ela vai colocar esses objetivos acima dos interesses da sociedade. Um gestor público vai usar o que a indústria tem de bom e tentar neutralizar o que existe de ruim. Como exemplo, na crise da COVID-19, a criação e comercialização das vacinas mudou a história da doença e permitiu o retorno a uma vida normal. Infelizmente tivemos que lidar com preços elevados e um acesso desigual para países mais pobres, mas o desenvolvimento da vacina foi fundamental e muito bem-vindo. Entretanto, no caso da indústria do tabagismo, não me parece existir qualquer lado positivo. O Brasil é um exemplo para o mundo na Política anti tabagismo e temos que manter essa capacidade de controlar o tabagismo. Nosso nível de tabagismo é menor do que a média mundial, e isso também se aplica aos cigarros eletrônicos. Importante lembrar o impacto negativo do tabagismo na saúde da sociedade. Conforme a OMS, 71% das mortes por câncer de pulmão acontece em fumantes, assim como 42% das mortes por doenças respiratórias crônicas e 10% das cardiovasculares. Outros tipos de câncer, como os de cabeça e pescoço, esôfago, pâncreas, bexiga, colorretal, colo de útero, entre outros, estão relacionados com o tabagismo. Inúmeras pessoas morrem devido ao tabagismo passivo. Atualmente é impossível saber os efeitos no longo prazo do uso dos cigarros eletrônicos. Os dispositivos são muito heterogêneos, possuindo quantidade variável de nicotina e substâncias tóxicas. Existem dispositivos, com altos níveis de nicotina, que se usados de forma intensa, podem equivaler ao consumo de vários maços de cigarro por dia. Um estudo mostrou mais de 1.000 substâncias no cigarro eletrônico. Levamos décadas para compreender o impacto do tabagismo na saúde. Isso deve ser a realidade dos cigarros eletrônicos. Não podemos cometer os mesmos erros. Os cigarros eletrônicos, com sua variedade de cores e formatos, trazendo um apelo tecnológico, customizáveis com facilidade, podem ser trabalhados de forma ideal para atrair a atenção de crianças e adolescentes. Apesar das restrições, temos no Brasil cerca de 1 milhão de usuários de cigarros eletrônicos. Felizmente esse número vem caindo. Essa realidade pode mudar com uma liberação na comercialização. Mais grave ainda se não existir uma restrição para a propaganda. Independente da manutenção da proibição, é necessário mantar uma política anti tabagismo forte, incluindo os cigarros eletrônicos. Não se pode permitir que o cigarro eletrônico seja tratado como algo menos nocivo do que o cigarro convencional. Precisamos ter uma política forte de estudos clínicos e dados voltados para entender precocemente o impacto dos cigarros eletrônicos na saúde das pessoas, para evitar que problemas graves e crônicos só sejam entendidos e detectados em longo espaço de tempo. Espero que a liberação não aconteça.
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Na próxima quinta-feira (07/12), às 19h, no canal da RGB no YouTube, mergulharemos em uma conversa profunda e esclarecedora sobre um tema que transcende as manchetes e atinge o cerne da nossa sociedade: "A insuficiência de recursos financeiros no sistema de saúde e o impacto na gestão dos Municípios e na Saúde Suplementar" A realidade financeira da saúde no Brasil é um quebra-cabeça complexo, e é hora de desvendar suas camadas. Junte-se a nós para compreender a magnitude dos desafios que enfrentamos e as implicações diretas em nosso cotidiano. Desvendando o Cenário: O que está por trás dos números? Como a falta de recursos afeta a qualidade dos serviços de saúde oferecidos? Vamos explorar as raízes desse problema e entender sua extensão. Contaremos com a participação de autoridades no assunto, trazendo ainda mais robustez no conteúdo do debate, com insights diretos de quem está na linha de frente, enfrentando essas questões diariamente; com reflexões sobre como podemos alinhar estratégias políticas e técnicas para otimizar os recursos disponíveis; com a interface entre o setor público e privado, numa perspectiva valiosa. Prepare-se para uma imersão profunda nesta temática vital. Este não é apenas um debate; é uma busca por soluções, uma oportunidade de entendermos juntos como podemos construir um sistema de saúde mais resiliente e justo. É necessário entender a realidade financeira do Brasil, em comparação com os países mais desenvolvidos, par podermos perceber a dificuldade na incorporação tecnológica, na formação e utilização de recursos humanos e na capacidade de estruturar e conduzir um sistema com a eficiência e entrega necessárias. Esse evento vai permitir a discussão e busca de soluções para o financiamento e para a gestão do Sistema de Saúde Brasileiro.
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Ontem foi aprovado pelo Senado o Projeto de Lei da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS, que segue para sanção presidencial. (PL 2952/22) Tive a honra e o orgulho de participar desse processo com o Deputado Federal Weliton Prado e com o Instituto Lado a Lado pela Vida, liderado pela sua fundadora e presidente, Marlene Oliveira. Pelo Instituto tenho que realçar o trabalho fundamental do Claudio Correa. A criação dessa Lei é um passo importante para melhorarmos o cuidado do câncer no SUS e no país todo. Um ponto crítico é entender que Leis, Portarias, Projetos que só existem no papel, que não acontecem na prática na vida das pessoas e na sociedade, são inúteis. É importante não subestimar a dificuldade de implantar programas complexos, como o cuidado do câncer, em um país continental, heterogêneo, desigual e injusto como o Brasil. Não é possível ter um programa de câncer funcionando bem se todo o sistema de saúde não funcionar de forma adequada. A gestão na saúde não acompanhou a evolução da inovação, da complexidade e dos custos. Precisamos reverter essa situação para que o gestor público possa assumir a liderança dessa gestão e evolução da saúde. Sem uma gestão pública adequada, o Sistema de Saúde será cada vez mais injusto, desigual e ineficiente. Com a sanção e aprovação da Lei de Prevenção e Controle do Câncer começa uma segunda etapa, ainda mais difícil: fazer com que o cuidado do câncer chegue de forma eficiente e com equidade para toda população brasileira. Com o envelhecimento populacional e com condições de vida difíceis, o número de pessoas com câncer vai crescer de forma significativa e vai demandar um Sistema de Saúde cada vez mais estruturado e eficiente para entregar um cuidado e um nível de saúde ideais. Estratégia, Planejamento, Liderança, Coordenação, Execução e Comunicação adequadas são pontos fundamentais nesse caminho, assim como um Programa de Informação e Inteligência que permita o diagnóstico da situação da saúde nas diferentes regiões do país, que direcione escolhas e leve a condução correta ao longo desse processo. Que venha a sanção e que o trabalho posterior tenha o sucesso que a população demanda e merece.
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Discussão de problemas e soluções para o cuidado do Câncer no Sistema de Saúde Brasileiro
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Como a Inteligência Artificial (IA) pode melhorar a eficiência e a entrega no Sistema de Saúde? A gestão e o financiamento do Sistema de Saúde não conseguiram acompanhar a evolução da inovação, da complexidade e dos custos desse Sistema. Essa ineficiência da gestão em saúde gera um Sistema cada vez mais desigual e injusto. Inovação sem implantação adequada aumenta a iniquidade e a injustiça social. Se a capacidade da gestão em saúde não aumentar rapidamente, a dificuldade de acesso, a ineficiência e a iniquidade só vão aumentar. A complexidade do Sistema de Saúde vai crescer continuadamente e provavelmente com uma velocidade cada vez maior. Se a gestão não evoluir trabalhando os problemas, dados e variáveis com a complexidade necessária, a capacidade do gestor de ter uma Estratégia, Planejamento e Execução adequados vai ser cada vez menor. Essa realidade de uma piora crescente da gestão vai impedir a definição das ações necessárias para a sociedade e o acompanhamento e ajustes que sempre precisam acontecer. Não existe hoje qualquer sinal que aponte para uma mudança no modelo atual da gestão na saúde, pelo contrário, parece caminhar na direção oposta. Sem essa transformação da gestão, a capacidade de enxergar o Sistema de Saúde na totalidade, fazer comparações, definir prioridades, fazer escolhas, definir ações e melhorar sua operação vai ser cada vez menor. Isso vale principalmente para o Gestor Público. Existem pelo menos dez possíveis aplicações da IA na saúde, mas nenhuma delas tem o foco na gestão de saúde populacional. Importante não confundir gerar dados com melhorar a gestão. Acredito que com a complexidade crescente da Saúde, a IA é uma ferramenta crítica que o gestor precisa saber usar de forma adequada. A IA não é uma solução nela mesma, ela é apenas uma ferramenta, que pode ser bem usada ou mal usada. Ela não vai substituir o Gestor, mas vai melhorar a entrega daqueles que com ela trabalharem. Talvez seja a única possibilidade de fazer com que a Gestão acompanhe a velocidade da inovação e da complexidade e traga eficiência e justiça social. O próprio termo Inteligência Artificial é um daqueles termos que é muito forte, mas é vago. Diferentes pessoas vão ter interpretações distintas, por isso vou colocar aqui o sentido nesse texto. É a capacidade de trabalhar os dados e indicadores, que foram previamente definidos, de uma forma complexa e interativa, para que diagnósticos sejam feitos em tempo real, permitindo um entendimento do sistema de saúde e de suas transformações e evoluções. Esse sistema de gestão com base em IA vai emitir avisos (flags) que mostrem situações e evoluções críticas que vão demandar e implicar em escolhas e ações por parte do gestor. Ideal que a estrutura baseada em IA também ajude nas escolhas e sugira ações. Isso não significa uma incompetência ou desvalorização do Gestor, mas sim a incorporação de uma ferramenta que vai permitir ao gestor ser ele aquele que conduz o Sistema de Saúde. Se isso não acontecer, teremos um Sistema de Saúde conduzido cada vez mais pelas forças do mercado, que além de perpetuarem e ampliarem a desigualdade e a ineficiência, podem manter um foco na saúde como negócio e não como cuidado da sociedade.
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O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mostra como a saúde não é uma prioridade para o Governo. O valor projetado de investimento é de R$ 1,7 trilhão de reais e a Saúde vai receber R$ 30,5 bilhões. Isso representa 1,81% do investimento previsto. Mesmo retirando o valor que deve vir do setor provado, que é de cerca de R$ 612 bilhões de reais, o percentual do investimento é na faixa de 2,8%, algo muito baixo quando em teoria se coloca que a saúde é uma prioridade. Sabemos quando algo é prioridade por escolhas e ações e não por discursos ou promessas. Leis, Programas e Projetos perfeitos no papel, mas que nunca acontecem na vida das pessoas, são inúteis. Planejamento, Execução e Entrega são um desafio. Sobre o percentual de investimento, é comum ouvir que o Brasil precisa aumentar o percentual do PIB na saúde, tratando isso como uma medida de recursos financeiros, isso é um erro. O percentual do PIB investido em uma área reflete o valor que o país e os governantes dão aquela área, e não o volume de recursos financeiros disponíveis. Na verdade, a saúde nunca foi uma prioridade. Usando 2002 como data inicial, exceto nos anos de 2020 e 2021, anos críticos da COVID-19, o gasto público em saúde nunca foi maior que 4% do PIB, Em 2020 e 2021 o gasto público foi cerca de 4,5% do PIB. Em 2022, ficamos na faixa dos 4%, mas nesse ano, pela primeira vez, o gasto federal representou menos do que 40% do gasto público total, isso aconteceu em função de uma redução do gasto federal e um aumento dos gastos estaduais e municipais em relação a 2021. Os únicos anos em que o gasto federal foi maior que 2% do PIB foi nos anos de 2020 e 2021. É importante que o Governo Federal dê mais valor a saúde. Vale uma comparação com o Reino Unido, a referência do SUS. Em 2022, Brasil e Reino Unido investiram cerca de 9,9% e 11,3% do PIB, respectivamente. No Brasil, em torno de 42% do investimento em saúde é público e no Reino Unido esse percentual é de 81%. Diferente do que muitos imaginam, o que chamamos de gasto privado, ou não público, não representa o gasto das operadoras de saúde. Deste gasto privado, cerca de 50% dele vem do gasto direto pelas pessoas, o chamado "out-of-pocket". Em números absolutos, em 2022, o SUS gastou cerca de R$ 1.900 reais por pessoa. Se compararmos com o Reino Unido, a referência para o SUS, lá o gasto foi próximo a R$ 21.000 reais em 2022. Esse enorme diferença em valores absolutos investidos na saúde, em torno de 11 vezes, se deve também a uma grande diferença do PIB per capita, R$ 46 mil no Brasil e R$ 225 mil no Reino Unido. Mesmo com um investimento per capita em saúde maior que 11 vezes o do Brasil, o Sistema de Saúde do Reino Unido vive a maior crise dos seus 75 anos de história. Construir um Sistema de Saúde eficiente, com equidade, universalidade e integralidade é muito difícil. Outro ponto que é critico, é que mesmo com pessoas de qualidade à frente, existe uma baixa capacidade de gestão do Governo na Saúde. A saúde demanda estratégia, planejamento e gestão de longo prazo, naturalmente tratando também no curto prazo aqueles problemas importantes já existentes. Mas o gestor público não pode enxergar e abordar apenas aquilo que chama a atenção, que bate na porta ou que está na mídia. Também não pode repetir o que vem sendo feito sem rever continuadamente. É preciso uma visão ampla de todos os problemas que existem na sociedade para que escolhas sobre o uso dos recursos existentes aconteça de forma ideal. Para isso é necessário um sistema de informação de alta qualidade, com complexidade e granularidade compatíveis com os desafios do sistema, sem haver falta de dados e viés, e o mais tempo real possível. Isso não existe hoje. Sem informação clara do que acontece em todo o sistema, um dos grandes problemas é tomar decisões enxergando apenas o benefício delas, sem levar em consideração as consequências negativas dessas escolhas. Investir em uma área, sempre implica em deixar de fazer alguma coisa em outra. O gestor público precisa enxergar tudo o que acontece no sistema e com toda a sociedade, e para isso é necessário estruturar um sistema de informação que permita isso. Tomar decisões e definir políticas, sem levar em consideração as perdas causadas pelas escolhas, aumenta a desigualdade, a iniquidade e a ineficiência. Estive recentemente em um evento que discutiu o câncer na mulher, e como sempre, a discussão fala sobre câncer de mama e câncer de colo de útero. Não se pode confundir câncer na mulher com câncer em órgãos da mulher. O câncer de mama é a maior causa de mortalidade por câncer na mulher, mas a segunda maior é o câncer de pulmão e não o câncer de colo de útero. A terceira maior causa é o câncer de cólon e reto. Câncer de colo de útero é 4.ª maior causa. Repetir políticas voltadas para o câncer da mulher com foco apenas em mama e colo de útero é uma abordagem inadequada. Por curiosidade, queda, em mulheres, mata mais que câncer de colo de útero. A Covid-19  mostrou as fragilidades do sistema. Esses problemas realçados pela Covid-19 já existiam antes para outras áreas da saúde. O que acontece é que por falta de informação e gestão adequadas, muitas vezes não se consegue ver e avaliar o que acontece nas diferentes áreas da saúde e por isso não existe um desconforto, uma reação e uma mobilização necessárias. As pessoas vão se acomodando, sem perceber, a problemas que deveriam ser tratados como inaceitáveis. Vamos falar sobre isso em outro post, mas o NOVO PAC na saúde precisa rever os investimentos e as prioridades. Na saúde, não é possível não ter a estruturação de uma sistema de informação complexo, confiável e adequado como uma prioridade máxima. Sem isso o gestor navega às cegas, toma decisões inadequadas, cria mais injustiça social, e não melhora a eficiência e a entrega do Sistema de Saúde. A saúde precisa de mais recurso financeiro, mais informação, mais gestão e mais eficiência.
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Nelson Teich
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Inovação é necessário para evolução da saúde e da sociedade. Isso também vale para outras áreas além da saúde. Startups são fundamentais nesse processo, mas por que cerca de 90% das startups não dão certo? Não sobrevivem 5 anos. Como aumentar a chance de sucesso? A inovação em saúde é fundamental para melhorar a capacidade de diagnosticar e cuidar, e é uma das áreas com grande volume de inovações, mas construir uma empresa de sucesso nessa área não é simples. Existe um número grande de startups em saúde e aparentemente o número de empresas que sobrevive em 5 anos é um pouco maior na saúde, mas ainda é muito baixo. Mesmo aquelas que sobrevivem, não necessariamente se transformam em empresas lucrativas. Algumas vezes pessoas deixam empregos ou usam suas economias para abrir uma empresa. Um insucesso nessa situação pode representar perda significativa para o empreendedor e para a família. Algumas vezes pode perder tudo o que conseguiu acumular. Ser um empreendedor é muitas vezes tratado de forma romântica, mas na realidade, as dificuldades são enormes e as perdas difíceis de prever em caso de insucesso. Fundei e comandei algumas empresas de sucesso no Brasil e participei e participo como consultor em outras, no Brasil e fora do país. Naturalmente também tive insucessos. Aqueles que dizem que nunca tiveram insucessos, seja como gestor, seja como empreendedor, ou mentem, ou nunca empreenderam. Essa experiência me permite entender melhor os motivos dos sucessos e insucessos e as dificuldades vividas por empreendedores e gestores. Vou apresentar um vídeo, que vai ser colocado no YouTube, para falar sobre as dificuldades que os empreendedores enfrentam e discutir pontos que podem aumentar a chance de sucesso de uma startup. Essas discussões são úteis não só para empresas com foco na saúde, mas para startups em várias áreas. Essas discussões também são úteis para empresas que estão em uma fase mais avançada e que estão em um processo de ajuste e transformação e para aqueles que investem nelas. Ajustes ao longo do caminho são necessários em todas as empresas. Isso é algo normal, não é um sinal de fraqueza ou fracasso, mas para que eles aconteçam de forma eficiente é necessária uma disciplina e metodologia. Um dos grandes problemas das startups é não entender claramente as necessidades e a disposição para pagar do mercado e superestimar o valor do seu produto e do seu negócio. Não conseguir o recurso financeiro necessário ao longo do processo de expansão e crescimento também pode levar a quebra de uma empresa que poderia ter sucesso. Não é simples identificar e vencer essas barreiras e esses desafios e muitos outros precisam ser avaliados e trabalhados. Uma fala inicial sobre o assunto pode ser vista no post do Instagram, através do link abaixo. instagram.com/reel/CwOLUKVoD… O vídeo no YouTube estará disponível em até 4 semanas.
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Ontem a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade o PL2952/22 que tem como objetivo criar a Lei que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS. Foi um momento especial e histórico, onde interesses da sociedade foram colocados acima de discussões e posições políticas e ideológicas. Uma vitória da sociedade. O PL 2952/22 segue agora para votação no Senado Tão importante quanto a criação da Lei, é criar condições para que ela aconteça na prática, para que ela chegue na sociedade e mude a realidade atual do cuidado do câncer no Brasil. O Brasil precisa melhorar o cuidado do câncer. Para que o cuidado do câncer funcione de forma adequada, é preciso que o sistema de saúde como um todo funcione bem. Na verdade, esse projeto vai além do cuidado do câncer, ele tem impacto na melhora da Saúde como um todo no Brasil, ele demanda uma integração adequada e uma maior eficiência da Atenção Primária e da Atenção Especializada. É esperança para levar um melhor cuidado para todas as pessoas, em qualquer lugar do nosso país.
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A liberação de uso da ozonioterapia é na sua essência similar a liberação da cloroquina para Covid-19. Na minha opinião, essa liberação da ozonioterapia foi um erro. Os momentos são distintos. Agora não temos o caos, o medo, a pressão, a politização e polarização do período agudo da Covid-19, por isso as duas discussões podem parecer diferentes, mas não são. Esse fato mostra como é difícil o sistema de saúde ser conduzido de uma forma técnica e científica. A liberação do uso da ozonioterapia permite que não só médicos, mas também outros profissionais de saúde, de nível superior, inscritos em seus respectivos conselhos, possam prescrever o tratamento, ampliando o alcance do procedimento na população. É um erro achar que o tratamento será usado apenas nas situações hoje liberadas e que somente profissionais altamente qualificados farão uso do medicamento. Extrapolação de indicações e uso inadequado sempre podem acontecer. A liberação de tecnologias e medicamentos para situações de saúde em que não existe comprovação científica de eficácia, e onde existe risco de efeitos colaterais importantes, é uma estratégia que precisa ser revista. Não se pode subestimar o risco para as pessoas de tratamentos que não têm benefício clínico comprovado. Quando um gestor em saúde libera e recomenda uma tecnologia, ele precisa projetar não só os benefícios e riscos com o uso recomendado e adequado do produto, mas também os problemas que vão acontecer com o uso indiscriminado e inadequado. O ponto mais importante para o Sistema de Saúde e para a sociedade não é a discussão pontual da liberação específica de tratamentos, como na ozonioterapia, mas a estratégia, as escolhas e os processos que norteiam a liberação, a incorporação e a recomendação de novas tecnologias e procedimentos. Se não existir disciplina e metodologia adequadas, que neutralizem posturas e forças que não são técnicas e científicas, o Sistema de Saúde não vai melhorar a sua eficiência e a entrega para a sociedade.
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