Tiago Silva@hugotiago_
O tratamento de favor ao Sporting e o silêncio do Benfica
Como todos sabem, o jogo Sporting vs Tondela da 26.ª jornada foi adiado a pedido do Sporting.
No espaço mediático, muitos comentadores apregoam aos sete ventos que o adiamento era um direito que assistia ao Sporting, face ao jogo que este tinha para a Liga dos Campeões na terça-feira seguinte.
Nada mais falso. Só uma ignorância grosseira dos regulamentos pode explicar tamanho dislate.
Na verdade, o artigo 44.º, n.º 5, alínea f), do Regulamento das Competições da Liga apenas permitia o adiamento, e este só constituiria um direito do Sporting, se este tivesse jogado na Noruega na quinta-feira e recebesse o Bodo/Glimt na terça-feira seguinte. Não foi o caso.
O Sporting jogou na Noruega na quarta-feira.
Podia e devia ter jogado contra o Tondela no sábado seguinte, fosse às 20h, garantindo as 72 horas entre o início de cada jogo, fosse até mais cedo, como o Regulamento da Liga permite (art. 44, n. 5, alínea a).
Só que, jogando no sábado, o Sporting — já no limite físico após uma sucessão de três jogos muito exigentes — teria pouco tempo para preparar e recuperar para esse jogo e para o seguinte (Bodo Glimt em casa). E isso, claro está, não dava jeito nenhum.
Pelo que o melhor foi mesmo dar um jeito.
A Liga sabe perfeitamente disto, mas, em vez de fazer cumprir os regulamentos e defender a integridade da competição, decidiu fazer um frete ao Sporting, em clara violação das regras.
Há ainda um motivo adicional que impunha que não houvesse adiamento: nem sequer havia garantia de que o jogo pudesse ser realizado dentro do prazo máximo de 30 dias (condição exigida para o adiamento de jogos na segunda volta fora das últimas seis jornadas), dado que existia a possibilidade de o Sporting passar, como passou meritoriamente, aos quartos de final da Liga dos Campeões.
E chegados aqui, temos a seguinte situação bizarra e digna de terceiro mundo:
Se o Sporting for eliminado pelo Arsenal, o jogo contra o Tondela realizar-se-á a 29 de abril, entre a 31.ª e a 32.ª jornadas, ou seja, praticamente no fim do campeonato.
Se o Sporting passar, ninguém sabe quando o jogo terá lugar. Nem a própria Liga.
Este é o melhor retrato da competência, do rigor e da defesa da verdade desportiva e da integridade das competições levada a cabo pelo Presidente da Liga e pelas instituições que regem o futebol português.
A mesma Liga que, por causa da feira das colheitas, passou o jogo do FC Porto em Arouca para segunda-feira, recusando um pedido do FC Porto para o adiar, mesmo sabendo que este teria um jogo da Liga Europa na quinta-feira seguinte e receberia o Benfica três dias depois.
E, por falar em Benfica, o que dizer do silêncio da sua Direção perante tudo isto?
Será que ainda existe? Ou estará, afinal, satisfeita com este estado de coisas?
Não espanta que José Mourinho já esteja saturado da mansidão de Rui Costa.
É por tudo isto que o FC Porto tem mesmo de lutar contra tudo e contra todos.
É por tudo isto, e não só, que seria um feito épico, extraordinário e memorável chegar à meta em primeiro.
E é por tudo isto que, se lá chegarmos, não será apenas um título: será a conquista de quem venceu todas as armadilhas que nos colocaram no caminho.