Postulio ☦️🇧🇷@Postulliok
Ou seja, você admite que sua igreja é baseada em rupturas e inovações estranhas à experiência da Igreja no primeiro milênio, contrariando até mesmo cânones para elevar um só homem ao status de Deus que controla a igreja inteira tiranicamente e o também o mundo secular (Dictatus Papae). O papismo é pai do protestantismo. Ele criou o modelo que serviu de base para cada heresiarca e pastor ser o papa de si mesmo.
Com relação à universalidade da Igreja, a Igreja Ortodoxa é a verdadeira Igreja Católica justamente por reconhecer e defender as particularidades dos povos, ao invés de simplesmente anulá-las. Uma coisa é universal (status ontológico), outra coisa é internacional e global (status político e/ou geopolítico). Ao invés de harmonizar como a ortodoxia (e não nego que também sofremos com péssimos monarcas), o catolicismo romano misturou o que há de mais profano nas estruturas seculares ao corpo universal da Igreja e pariu um híbrido heterodoxo. Antes, esse híbrido estava na própria figura do bispo de Roma como dono do mundo, de cima para baixo. Hoje, o polo foi invertido, mas o papa permanece, e o mundo agora está no topo e deve ser incorporado à Igreja via ecumenismo político, social e espiritual (vide as encíclicas socialistas, esquerdistas e humanistas do Concílio Vaticano II 🤡).
Você confunde a justa diferenciação etnocultural com etnocentrismo, mas não deve saber que a Igreja Ortodoxa condena o etnofiletismo (a imposição do nacionalismo na organização da Santa Igreja), embora não se oponha a expressões nacionalistas saudáveis. Você parece dividir tudo em "ou é etnocentrismo, ou é igualitarismo". Por que não rejeitar ambos? Se bem que sua posição faz total sentido, tendo em vista o tom atual da sua igreja... Nisso você é coerente.
Com relação a um papa nunca ter sido submisso a um Estado secular, nah, tá delirando 🤣. Inocêncio VIII, por exemplo, ao invés de lutar pela independência de Roma, optou por uma política de total submissão aos interesses das monarquias vizinhas para garantir o futuro de seus próprios filhos ilegítimos. Outro foi Alexandre VI, o infame papa Bórgia, que não tinha qualquer interesse na supremacia espiritual da Igreja, pois seu único objetivo era criar um reino secular na Itália para seu filho (César Bórgia), e para isso escolheu se submeter alternadamente aos reis da França e da Espanha, dependendo de quem pagava mais 🤑...
Outro foi Júlio II, o "papa guerreiro", um politiqueiro que queria expandir os Estados Papais, mas, para vencer seus inimigos locais, como a República de Veneza, voluntariamente submeteu a diplomacia papal aos interesses das grandes potências seculares europeias da época, lol. Leão X, o cara que normalizou a venda de indulgências, foi mais um papa politiqueiro e submisso. Na geopolítica, preferiu ceder a autoridade da Igreja aos reis seculares em troca de paz e favores para a família Médici, em Florença. Depois que o rei francês Francisco I venceu na Itália, Leão X não quis lutar, nem negociar, nem nada. Simplesmente assinou a Concordata de Bolonha (1516) para se prostituir ao poder político francês, tratado que chocou o clero inteiro na época, pois o papa entregou ao rei da França o direito de nomear quase todos os bispos e abades franceses, abrindo mão do controle espiritual da Igreja na França 😂. Atualmente, temos o exemplo da igreja católica na China.
Isso não é nem a ponta do iceberg. Estude a história da sua igreja. Mesmo após o heterodoxo e totalitário Dictatus Papae, em várias ocasiões algum papa foi putinha, por escolha própria, dos poderes seculares. Por outro lado, quando podia, queria cagar regra no poder secular. As duas coisas (tanto a submissão ao poder secular quanto a tentativa de controlá-lo), são heterodoxas.