Vinicius Stefanuto
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Vinicius Stefanuto
@Vstefanuto
Cego, chato, metódico, dizem que engraçado, tentando entender o que der.



O silêncio que (não) vira dado, mas impacta tudo Existe um fenômeno que eu tenho observado com uma frequência cada vez mais incômoda no meu trabalho com estratégia de comunicação e que a gente aqui no X conhece bem: as pessoas estão deixando de dizer o que pensam. Não porque mudaram de opinião. Porque aprenderam que dizer tem custo. E custo, no vocabulário contemporâneo, tem um nome específico: cancelamento. O que me interessa não é o debate moral sobre cancelamento. Esse debate já tem gente demais travando. O que me interessa é a consequência estratégica que ninguém está mapeando: quando as pessoas param de externalizar o que pensam, elas não param de pensar. Não param de decidir. Não param de consumir com base nessas decisões. Elas só param de deixar rastro. E aí o dado some. Não some porque deixou de existir. Some porque ficou mudo. É exatamente isso que chamo de Mute Data: a informação que foi gerada por uma decisão real, consciente, mas que nunca chegou a se tornar dado visível porque o ambiente puniu, ou ameaçou punir, a externalização. O conceito nasce do cruzamento de dois referenciais teóricos que, à primeira vista, parecem pertencer a mundos diferentes. O primeiro é o Thick Data, desenvolvido pela pesquisadora e socióloga Tricia Wang durante seus anos trabalhando com a Nokia. Wang defendia internamente que a empresa deveria apostar em smartphones com tela touch, mas os dados quantitativos mostravam o oposto: as vendas de celulares com teclado físico seguiam crescendo. A Nokia ignorou o que os números não conseguiam capturar, que era o comportamento emergente de uma geração que ainda não tinha vocabulário para descrever o que queria, mas já estava querendo. O resultado é história. Wang sistematizou essa experiência em um conceito poderoso: existem dados tão micro, tão offline, tão embebidos em contexto humano, que nenhuma tecnologia consegue ler. São tendências que moram em conversas, em rituais cotidianos, em gestos que não viram texto. Thick Data é a metodologia de capturar o que escapa ao quantitativo. O segundo referencial é a praxeologia, o ramo da filosofia desenvolvido pelo economista austríaco Ludwig von Mises dedicado ao estudo da ação humana. A premissa central é aparentemente simples, mas tem uma profundidade que ainda hoje é subestimada: nenhum ser humano toma uma decisão acreditando conscientemente que vai se prejudicar. Toda ação humana parte de uma lógica interna coerente para quem a pratica, mesmo que essa lógica seja invisível para quem observa de fora. As pessoas agem com base em valores, crenças e hierarquias que raramente explicam e que, muitas vezes, nem conseguem articular com palavras.




Contratei um eletricista paraguayo pra instalar um fogão a indução É uma buxa O apartamento é antigo e o fogão é trifásico Veio ele e o assistente Quando viram o serviço, eles começaram a conversar entre os dois em Guarani (só sei umas 10 palavras em Guarani) Logo depois, ele virou pra mim e falou (em castellano) que ia precisar de uns 50m de cabo Respondi (em castellano): "não tem problema, você é o especialista" O que você acha de eles terem trocado de idioma pra discutir o problema? Já ouvi brasileiro reclamar muito disso Já trabalhei com indianos e chineses e acontecia o mesmo É normal quando tem um problema complicado você discutir ele com seus pares na língua mãe, que para eles deveria ser o Guarani Os engenheiros brasileiros fazem o mesmo, quando tem mais de um brasileiro em empresa gringa, a gente se junta numa call pra resolver os pepinos









#opiniao Cozinha Bruta | Ozempic a preço de banana é ameaça para os rodízios. Num mundo magro e inapetente, não há sentido algum em comer carne, pizza ou churrasco até passar mal www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-…

















