Omar Assaf
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🇺🇸Panayotis Alexander Lalas fazia faculdade e praticava, no contraturno, hóquei e futebol. O ano era 1992. Alto desengonçado, cavanhaque de bode, ruivo, jogara, desde quatro anos antes, na universidade Rutgers, onde, dizem, chegou a ser levado a sério. Gostava mesmo é de violão, guitarra e uns regabofes. Sua banda preferida era Creedence Clearwather, e ele, filho de poetisa, tocava em uma banda chamada The Gypsies, ou Os Ciganos. Consigo visualizá-lo em um filme ruim da Sessão da Tarde. Voltemos a 92: abandonou a faculdade e o hóquei, o Lalas, para bater ponto numa academia de futebol da US Soccer, a CBF deles. O projeto era visando a Olimpíada. Ele foi ficando, com uma ajuda de custo. Tinha lá o seu talento.
Fez testes em clubes após Barcelona-92. Um na Inglaterra, inclusive. Não virou. Voltou pra casa, em Detroit, mas foi chamado novamente em 1993. Bora Milutinovic, o intrépido treinador de múltiplas Copas, homem que nunca recusou um único convite na vida, quis vê-lo de perto. E pronto: um ano depois, Lalas era a penúltima barreira para Bebeto, que recebeu passe de Romário e tinha que superar o goleiro Meola, em San Francisco, 4 de julho, oitavas de final, Leonardo expulso, calor forte, bicho pegando. Era mais ou menos como se o Supla fizesse o garrafão do Brasil pra marcar o Michael Jordan num contra-ataque.
Um tempo depois, Lalas, amarrado num contrato com o modesto italiano Pádova, seu primeiro clube, aguardava pra fazer xixi na sala do antidoping. O adversário era a Inter de Milão, cujo sorteado pro xixi foi Dennis Bergkamp, cracaço holandês que tinha medo de avião. O relato de Lalas sobre aqueles minutos na salinha é um bom relato. O zagueiro americano escaneou o adversário dos pés à cabeça. Percebeu sua expressão facial, a postura corporal, o olhar, a urgência que emanava, e ficou assustado. Não pareciam animais da mesma espécie, homens com a mesma profissão. Lalas teve a epifania, naquela sala, de que jamais acessaria o mundo competitivo de Bergkamp. Lalas era um semi-amador afortunado, para quem o futebol não tinha uma carga tão poderosa assim. Sem contar o abismo técnico.
Quando o Mike Tyson tem 38 vitórias e 0 derrotas, a gente conclui, por matemática de presunção, que alguém por aí tem 38 derrotas e 0 vitórias, ou a conta não fecha. O esporte não é só dos vencedores, por óbvio, mas a Copa do Mundo, depois de algumas edições, se tornou o local dos profissionais de elite. É irônico que tenha vindo dos Estados Unidos uma representação pura como a de Alexi Lalas, que, diga-se, não ficou muito longe de encrespar a nossa campanha do tetra e mudar a conjuntura toda da história. Lalas continuou sendo um tipo que tocava violão em bares, curtia a sua banda, e marcou o Romário como se fosse um frila. Seu primeiro clube foi depois de ele já ter uma Copa no currículo.
Existem pessoas de verdade nos clubes pequenos, e também nos amadores. Neste momento algum jardineiro de algum clube de terceira divisão de algum país periférico está cortando o gramado para seus atletas perderem mais pontos no próximo domingo. Me preocupa que os vencedores do futebol contemporâneo não tenham mais tempo para perder com quem ocupa meios e fins de tabela, como o Tomas Müller, lembra?, falando em tom ofensivo sobre o nível de San Marino, seleção contra a qual tinha desprazer de sair de casa para enfrentar. Eu até acho que a UEFA deveria evitar alguns confrontos fazendo fases preliminares, mas isso não impede que Bergkamps e Lalas se deem bem enquanto esperam pra mijar no pote.
Agora, em 2026, com a impopular expansão de classificados, teremos novos personagens do tipo. A seleção de Curaçao, por exemplo, ou de Cabo Verde, será montada com pessoas normais, acessíveis, gratas e sonhadoras. A Copa, do outro lado da TV, também é de todos que não ligam muito pra futebol. O Pádova de Lalas ganhou da Inter de Bergkamp, 1 a 0, gol no finalzinho, porque o futebol é assim. Era por isso que o Bergkamp estava tão puto na salinha. Lalas jogou quase 100 vezes pelo seu país. Parece que lançou 7 álbuns solo, não vou procurar um negócio desses agora. Dizem que Bergkamp só foi pra Copa dos EUA mediante operação de guerra, ou, do contrário, não entraria no avião. Fobia é coisa séria. A gente fala de Bergkamp no Velodróme em uma outra folia.

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@DoCarmoBor25796 @USAemPortugues engracadao. fez a alegria dos teus 3 seguidores
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@USAemPortugues Veja a cara do DESpresidente do Brasil. 🤣 Primeiro FOGE do SALÃO OVAL DA CASA BRANCA com jornalistas do mundo inteiro. Depois dá entrevista na Embaixada do Brasil para a imprensa do PIX. Isso aqui 👇🏻 a imprensa do PIX não vai mostrar:
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@DisneyPlusBR Por que a demora em liberar nos novos episódios de Solar Oposites e Bob's Burgers disponíves há tanto tempo lá fora?
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@bandnewstv esse "debate" está uma vergonha. Ou chama quem entende, ou melhor reprisar desenho do pica-pau.
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