Sabitlenmiş Tweet

Não confio nas frutas que não apodrecem. No leite que não azeda, na pele que não tem espinha. Não confio no sol que não se põe, no cachorro que não morde, na voz que não desafina. Não confio na arte que não questiona, na música que não incomoda, no sexo que nunca é ruim. Não confio nos cheiros muito doces, nos olhos que não piscam e nos corações que não param de bater. Não confio em quem não sabe dar notícia ruim, nos meios sorrisos sem olhos, e em quem nunca tropeçou e caiu. Não sei se o que me falta é alegria, por ver vida onde não se enxerga cor, por ver arte no que está no lixo e por não ter medo do medo que todo mundo tem. Não sei se o que me falta é bondade, quando prefiro me calar e observar, quando prefiro continuar a andar do que parar para ver aquele acidente no trem. Quando não sei sorrir se não me da vontade, quando quebro um copo depois de falar verdades, quando não dou o braço a torcer para nada e nem ninguém. Não confio em quem diz que de nada se arrepende, que não lê mas cita clichês decorados, que diz que o álcool é só para os mal amados e que discursa mil regras pensando ser alguém. Confio na gota de vinho na roupa, na lagrima que pingou na folha, na risada estranha e sem ritmo, nos passos arrependidos, nas filosofias sem sentido, no silêncio compartilhado e em quem divide o chocolate com alguém. A gente só divide quando entende que todo mundo é gente e que nem todo mundo tem.
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