
Sinceramente? Penso que o senador Carlos Viana está absolutamente certo ao criticar a decisão do ministro Flávio Dino de conceder habeas corpus que dispensa a esposa de um investigado de comparecer à CPMI. Do ponto de vista jurídico, isso fere gravemente a lógica da responsabilização institucional e do dever de prestar contas — pilares essenciais do Estado democrático de direito. Permitir exceções forçadas que enfraqueçam o poder de investigação do Parlamento cria um precedente perigoso, qual seja, quando investigados ou seus familiares resistem a depoimentos ou convocações, recorrentemente se invoca o Judiciário para aliviar obrigações essenciais de verificar suspeitas de irregularidades. Ora, se queremos um sistema justo, transparente e que respeite tanto os direitos individuais quanto o interesse público, não podemos aceitar que decisões judiciais escudem omissões ou fragilizem comissões criadas exatamente para apurar abusos.
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