Alessandra retweetledi

Por que ninguém está falando sobre isso?
O caso Banco Master não pode ser tratado como um escândalo isolado. Quando a gente junta as peças, aparece uma rede que passa por Daniel Vorcaro, Nelson Tanure, Fabiano Zettel, EMAE, Sabesp e chega diretamente ao ambiente político do governo Tarcísio.
Tarcísio fez das privatizações sua grande vitrine em São Paulo. Só que uma das primeiras grandes entregas desse projeto, a venda da EMAE, acabou colocando no centro do jogo o empresário Nelson Tanure. Em abril de 2024, o Fundo Phoenix, liderado por Tanure, venceu o leilão da EMAE por cerca de R$ 1,04 bilhão. Na época, a Reuters registrou que parceiros do Banco Master também participariam do investimento na empresa.
Depois, a conexão ficou ainda mais sensível: reportagem da Folha mostrou que Nelson Tanure e representantes do Banco Master buscaram apoio do BNDES para financiar a compra da EMAE e chegaram a planejar participação em um consórcio para a privatização da Sabesp. Ou seja: o grupo ligado ao Master não orbitava apenas um negócio pontual, mas estava olhando para o coração do programa de privatizações do governo Tarcísio.
E aí entra o outro lado da história: o dinheiro político. Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi apontado como maior doador pessoa física da campanha de Tarcísio em 2022, com R$ 2 milhões. Ele também doou R$ 3 milhões para Bolsonaro.
Enquanto isso, Nelson Tanure passou a ser citado nas investigações do Banco Master como possível sócio oculto da instituição, acusação que ele nega. A Reuters informou que o STF autorizou bloqueio de bens de Tanure no âmbito da investigação, e o Senado registrou depoimento do gestor Vladimir Timerman afirmando, na CPI, que Daniel Vorcaro não seria o verdadeiro dono do Master.
Então a pergunta política é inevitável: por que o mesmo grupo que aparece no escândalo do Banco Master também aparece rondando privatizações estratégicas do governo Tarcísio? Por que gente ligada a Vorcaro financiou campanha? Por que Tanure, apontado nas apurações como peça relevante do Master, aparece na compra da EMAE? E por que esse mesmo ecossistema também mirava a Sabesp?
Não dá para vender patrimônio público, entregar água, energia e saneamento para grupos privados e depois fingir que as conexões financeiras e políticas não importam. O caso Master precisa ser investigado até o fim, inclusive nas pontas que passam por São Paulo via Tarcísio de Freitas.
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