Caos Planejado

12.3K posts

Caos Planejado banner
Caos Planejado

Caos Planejado

@caosplanejado

Seu canal sobre cidades: mobilidade, gestão urbana, habitação e economia urbana. Opiniões do editor.

Brasil Katılım Şubat 2011
606 Takip Edilen13.1K Takipçiler
Caos Planejado
Caos Planejado@caosplanejado·
Trem passando no meio do mercado. Comerciantes tirando as mercadorias do caminho. E em segundos, tudo volta ao normal. O Mae Klong Railway Market transformou o caos em rotina e a rotina em algo que vale muito a pena ver. 📌 Siga o Caos Planejado para mais conteúdos sobre urbanismo e cidades
Português
0
0
0
701
Caos Planejado
Caos Planejado@caosplanejado·
Muito do debate sobre planejamento urbano no Brasil e em outros países parte de um pressuposto implícito: que existe algum tipo de marco legal em vigor. Um Plano Diretor a revisar, um zoneamento a contestar, uma lei de parcelamento do solo a interpretar. Trabalhar em contextos como a Guiné-Bissau convida a questionar esse pressuposto. Nos últimos anos, participei da elaboração de planos estratégicos e espaciais como o Bissau 2030 e o Bijagós 2030. A pergunta que mais escutei de colegas foi: "Como se planeja um território onde praticamente não há legislação vigente?" A resposta curta é: com todos os outros recursos que existem. A Guiné-Bissau é um país jovem, marcado por ciclos políticos instáveis e pela presença intermitente do Estado no território. Em Bissau, a capital, isso se traduz em uma cidade que cresceu sem coordenação formal: vastas áreas periurbanas ocupadas por autoconstrução (mais de 90% das edificações são informais), infraestruturas de água e energia fragmentadas, mobilidade dominada pelo transporte informal. Não existe um plano diretor formalmente vigente, e poucos instrumento urbanísticos têm aplicação real. Paradoxalmente, esse vazio institucional não gera caos absoluto. Gera uma lógica própria – resiliente, adaptativa e profundamente local – que qualquer processo de planejamento precisa reconhecer antes de propor qualquer coisa. Ignorar essa ordem informal é a receita mais eficaz para produzir um documento que nunca sairá da gaveta. A primeira surpresa ao trabalhar em Bissau foi perceber que a falta de marco legal não equivale à falta de regras. Significa que todas as regras são informais, implícitas, costumeiras. Mapear essa teia de acordos tácitos é tão importante quanto mapear vias e edifícios. Em cidades com forte aparato regulatório, boa parte do esforço técnico vai para garantir coerência normativa: respeitar recuos, adequar usos, observar coeficientes. Na Guiné-Bissau, como muito disso não existe, o risco é cair na tentação de produzir um documento "perfeito", porém completamente dissociado da realidade. No fundo, o plano não precisa ser sofisticado. Ele precisa ser usável. O urbanista que trabalha imerso em camadas de legislação tende a confundir a regulação com o objetivo. A experiência na Guiné-Bissau muda a forma como se enxerga o planejamento urbano em qualquer contexto. Três aprendizados ficam: Planos hiperdetalhados morrem rapidamente; planos de diretrizes claras sobrevivem e orientam. O processo de construção coletiva vale tanto quanto – ou mais do que – o documento final. Quando a lei não existe ou não se aplica, o desenho urbano e a infraestrutura tornam-se os únicos instrumentos reais de governança do território. Para o Brasil, a reflexão é dupla. Por um lado, o excesso de normas muitas vezes cega o urbanista para o que realmente acontece na cidade. Por outro, contextos como Bissau mostram o que falta quando esse arcabouço simplesmente não existe: segurança para investimentos, previsibilidade para quem mora e trabalha, e uma linguagem comum entre o poder público e a população. 📌 Confira o artigo completo no nosso site 🔗 caosplanejado.com/planejar-onde-… 📌 Siga o Caos Planejado para mais conteúdos sobre urbanismo
Português
0
0
0
193
Caos Planejado
Caos Planejado@caosplanejado·
No novo artigo do Caos Planejado, Evandro Holz parte de uma pergunta simples: é possível planejar numa cidade sem leis urbanísticas? A experiência na Guiné-Bissau mostra que sim, embora tenha limitações importantes, e nos convida a ter um olhar para o urbanismo que não se resume somente à regulação. Em um contexto onde quase nada está formalizado, o planejamento deixa de ser sobre normas e passa a ser sobre entender a realidade, construir consensos e propor direções possíveis. 🧶
Caos Planejado tweet media
Português
1
0
4
314
Caos Planejado
Caos Planejado@caosplanejado·
Brasília foi construída sob um ideal que, no imaginário de muitas pessoas, se sustenta até hoje: a capital planejada, organizada e eficiente, símbolo do avanço e da modernidade. Ela é o grande exemplo mundial da materialização da arquitetura e urbanismo modernistas, e o Plano Piloto foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. No entanto, é clara a discrepância entre a cidade ideal e a cidade real, com erros cruciais desde a sua concepção. Jan Gehl, um gigante do urbanismo atual, diz que Brasília é ótima vista de um avião ou de um helicóptero, o problema é que ninguém pensou que seus moradores vivem e se deslocam no chão. Embora seja um caso emblemático de sua época, Brasília é uma cidade que não faríamos de novo. Talvez o mais visível erro de Brasília seja a priorização do automóvel: avenidas largas, abundância de estacionamentos públicos, edifícios distantes uns dos outros, grandes áreas verdes vazias e uma setorização de usos excessiva. Esses pilares se reafirmam em um círculo vicioso onde os deslocamentos são longos e a escolha mais rápida e confortável é quase sempre o carro. Para acomodar essa lógica, as vias são de alta velocidade e muitas vezes sequer possuem cruzamentos. Como consequência, ser pedestre, ciclista ou passageiro do transporte coletivo em Brasília é, em geral, uma experiência insegura e desagradável, restrita a quem não tem opção. A forma como o crescimento da cidade foi planejado também é um problema. O Plano Piloto abriga menos de 10% da população do Distrito Federal, mas é lá que estão concentrados os empregos, e é para onde milhares de pessoas se deslocam diariamente. Com uma oferta restrita de moradia, os moradores são empurrados para cada vez mais longe. A expansão urbana para além dos limites do Plano Piloto começou antes da sua inauguração. Não por falta de espaço, mas por uma lógica de exclusão planejada dos trabalhadores que o construíram. Inicialmente ocupando áreas invadidas, eles foram expulsos e realocados para bairros distantes. O primeiro desses bairros (ou "cidades-satélite") foi Taguatinga, a 25 km do centro, mostrando que a distância servia, deliberadamente, para afastar pessoas. Essas distâncias afetam o cotidiano de muitos até hoje, e a dependência do carro é reforçada pelas obras públicas de mobilidade, que priorizam viadutos. O problema é que uma cidade planejada para carros vai atrair, por óbvio, mais carros, aumentando o número de mortes, congestionamentos, poluição e custos de infraestrutura per capita. Mesmo considerando o tombamento do Plano Piloto, medidas deveriam ser tomadas para mitigação dos problemas. O planejamento deveria permitir um desenvolvimento denso e com usos mistos imediatamente fora da área tombada, aproximando a população do centro e diminuindo, na medida do possível, a dependência do carro. Ampliar o transporte coletivo e investir em ciclovias, calçadas e travessias seguras também é fundamental. Acesse o artigo completo em caosplanejado.com pelo link na bio.
Português
6
0
30
9.3K
Caos Planejado
Caos Planejado@caosplanejado·
Além dos artigos, colunas, vídeos e episódios que vocês já acompanham por aqui, o Caos Planejado também tem levado o debate urbano para aulas, eventos e encontros pelo país. Cada participação amplia nossa missão de qualificar a conversa sobre as cidades brasileiras e fortalecer uma rede comprometida com cidades mais acessíveis, humanas, diversas e dinâmicas. Se você também acredita nessa missão, faça parte da Comunidade Caos Planejado e ajude a viabilizar os próximos passos desse projeto. Acesse o link na bio e apoie!
Caos Planejado tweet media
Português
1
1
4
296