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Caos Planejado
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Seu canal sobre cidades: mobilidade, gestão urbana, habitação e economia urbana. Opiniões do editor.
Brasil Katılım Şubat 2011
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Trem passando no meio do mercado. Comerciantes tirando as mercadorias do caminho. E em segundos, tudo volta ao normal.
O Mae Klong Railway Market transformou o caos em rotina e a rotina em algo que vale muito a pena ver.
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Confira a coluna "Por que continuamos a falar sobre cidades?" de Rogerio Goldfeld Cardeman
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Confira a coluna "Pra quem anda a pé, não há contramão" de Vitor Meira França
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Muito do debate sobre planejamento urbano no Brasil e em outros países parte de um pressuposto implícito: que existe algum tipo de marco legal em vigor. Um Plano Diretor a revisar, um zoneamento a contestar, uma lei de parcelamento do
solo a interpretar. Trabalhar em contextos como a Guiné-Bissau convida a questionar esse pressuposto.
Nos últimos anos, participei da elaboração de planos estratégicos e espaciais como o Bissau 2030 e o Bijagós 2030. A pergunta que mais escutei de colegas foi: "Como se planeja um território onde praticamente não há legislação vigente?" A resposta curta é: com todos os outros recursos
que existem.
A Guiné-Bissau é um país jovem,
marcado por ciclos políticos instáveis e pela presença intermitente do Estado no território.
Em Bissau, a capital, isso se traduz em uma cidade que cresceu sem coordenação formal: vastas áreas periurbanas ocupadas por autoconstrução (mais de 90% das edificações são informais), infraestruturas de água e energia fragmentadas, mobilidade dominada pelo transporte informal.
Não existe um plano diretor formalmente vigente, e poucos instrumento urbanísticos têm aplicação real.
Paradoxalmente, esse vazio institucional não gera caos absoluto. Gera uma lógica própria – resiliente, adaptativa e profundamente local – que qualquer processo de planejamento precisa reconhecer antes de propor qualquer coisa. Ignorar essa ordem informal é a receita mais eficaz para produzir um documento que nunca sairá da gaveta.
A primeira surpresa ao trabalhar em Bissau foi perceber que a falta de marco legal não equivale à falta de regras. Significa que todas as regras são informais, implícitas, costumeiras. Mapear essa teia de acordos tácitos é tão importante quanto mapear vias e edifícios.
Em cidades com forte aparato regulatório, boa parte do esforço técnico vai para garantir coerência normativa: respeitar recuos, adequar usos, observar coeficientes.
Na Guiné-Bissau, como muito disso não existe, o risco é cair na tentação de produzir um documento "perfeito", porém completamente dissociado da realidade.
No fundo, o plano não precisa ser sofisticado. Ele precisa ser usável.
O urbanista que trabalha imerso em camadas de legislação tende a confundir a regulação
com o objetivo.
A experiência na Guiné-Bissau muda a forma como se enxerga o planejamento urbano em qualquer contexto. Três aprendizados ficam:
Planos hiperdetalhados morrem rapidamente; planos de diretrizes claras sobrevivem e orientam.
O processo de construção coletiva vale tanto quanto – ou mais do que – o documento final.
Quando a lei não existe ou não se aplica, o desenho urbano e a infraestrutura tornam-se os únicos instrumentos reais de governança do território.
Para o Brasil, a reflexão é dupla. Por um lado, o excesso de normas muitas vezes cega o urbanista para o que realmente acontece na cidade.
Por outro, contextos como Bissau mostram o que falta quando esse arcabouço simplesmente não existe: segurança para investimentos, previsibilidade para quem mora e trabalha, e uma linguagem comum entre
o poder público e a população.
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No novo artigo do Caos Planejado, Evandro Holz parte de uma pergunta simples: é possível planejar numa cidade sem leis urbanísticas?
A experiência na Guiné-Bissau mostra que sim, embora tenha limitações importantes, e nos convida a ter um olhar para o urbanismo que não se resume somente à regulação.
Em um contexto onde quase nada está formalizado, o planejamento deixa de ser sobre normas e passa a ser sobre entender a realidade, construir consensos e propor direções possíveis.
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Confira a coluna "Mobilidade ou uso do solo: de quem é a culpa pelo afastamento entre moradias e empregos?" de Cidades Responsivas
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Confira a coluna "NIMBYsmo: pimenta nos olhos dos outros não arde, diz o ditado" de Leon Myssior
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Brasília foi construída sob um ideal que, no imaginário de muitas pessoas, se sustenta até hoje: a capital planejada, organizada e eficiente, símbolo do avanço e da modernidade. Ela é o grande exemplo mundial da materialização da arquitetura e urbanismo modernistas, e o Plano Piloto foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.
No entanto, é clara a discrepância entre a cidade ideal e a cidade real, com erros cruciais desde a sua concepção. Jan Gehl, um gigante do urbanismo atual, diz que Brasília é ótima vista de um avião ou de um helicóptero, o problema é que ninguém pensou que seus moradores vivem e se deslocam no chão.
Embora seja um caso emblemático de sua época, Brasília é uma cidade que não faríamos de novo.
Talvez o mais visível erro de Brasília seja a priorização do automóvel: avenidas largas, abundância de estacionamentos públicos, edifícios distantes uns dos outros, grandes áreas verdes vazias e uma setorização de usos excessiva. Esses pilares se reafirmam em um círculo vicioso onde os deslocamentos são longos e a escolha mais rápida e confortável é quase sempre o carro.
Para acomodar essa lógica, as vias são de alta velocidade e muitas vezes sequer possuem cruzamentos. Como consequência, ser pedestre, ciclista ou passageiro do transporte coletivo em Brasília é, em geral, uma experiência insegura e desagradável, restrita a quem não tem opção.
A forma como o crescimento da cidade foi planejado também é um problema. O Plano Piloto abriga menos de 10% da população do Distrito Federal, mas é lá que estão concentrados os empregos, e é para onde milhares de pessoas se deslocam diariamente. Com uma oferta restrita de moradia, os moradores são empurrados para cada vez mais longe.
A expansão urbana para além dos limites do Plano Piloto começou antes da sua inauguração. Não por falta de espaço, mas por uma lógica de exclusão planejada dos trabalhadores que o construíram. Inicialmente ocupando áreas invadidas, eles foram expulsos e realocados para bairros distantes.
O primeiro desses bairros (ou "cidades-satélite") foi Taguatinga, a 25 km do centro, mostrando que a distância servia, deliberadamente, para afastar pessoas.
Essas distâncias afetam o cotidiano de muitos até hoje, e a dependência do carro é reforçada pelas obras públicas de mobilidade, que priorizam viadutos.
O problema é que uma cidade planejada para carros vai atrair, por óbvio, mais carros, aumentando o número de mortes, congestionamentos, poluição e custos de infraestrutura per capita.
Mesmo considerando o tombamento do Plano Piloto, medidas deveriam ser tomadas para mitigação dos problemas. O planejamento deveria permitir um desenvolvimento denso e com usos mistos imediatamente fora da área tombada, aproximando a população do centro e diminuindo, na medida do possível, a dependência do carro. Ampliar o transporte coletivo e investir em ciclovias, calçadas e travessias seguras também é fundamental.
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Confira a coluna "Como os mapas de entorno e indicação de distâncias e tempo a pé auxiliam quem caminha" de Instituto Caminhabilidade
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