Paulo Brito@PauloFBS
🚨 | CASO LAVEGA: O ousado e misterioso enredo da contratação que virou polêmica no Fluminense
"Aí, que delicinha", escreveu uma torcedora do Vasco numa rede social de Lavega quando ele ainda era menino-moço. O assédio não foi apenas em torno da beleza juvenil de uma possível joia. Após empresários o oferecerem ao Vasco em 2024, os canais oficiais do atleta foram inundados por mensagens de homens e mulheres em busca de um "date" para o clube da colina e uma esperança para os aflitos corações cruzmaltinos, maltratados na última década e meia pela incompetência de seus gestores.
Um burburinho aqui, outro aculá. Jovem, promissor, menino prodígio. Lavega chamou a atenção dos uruguaios bem cedo, antes de chegar a maioridade. Aos 18 anos, foi destaque do campeonato local, vestindo a camisa do River Plate (URU): em 35 jogos, fez 11 gols e deu quatro assistências, sendo chamado até para defender a seleção nacional, nos duelos frente ao Peru e ao Equador, pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Não entrou em campo, mas já estava na mente dos cariocas que ostentam a cruz de malta. Parecia inevitável.
Entre paqueras, comentários mais ousados, pequenas polêmicas e resenha com torcedores do Vasco, a diretoria do Fluminense agia na surdina. O então presidente do clube, Mário Bittencourt, com o auxílio do representante do atleta, que durante muito tempo trabalhou em Xerém, atravessararam o rival e iniciaram conversas para contar com o jogador. O Fluminense se portara como uma dama e o Vasco como o vagabundo. Uma fonte interna relata que era um embate entre "luxo" e "lixo". Nesse ínterim, o jovem, mesmo inicialmente empolgado com a possibilidade de defender o clube de São Januário, se derreteu pelas curvas da vista do Cristo Redentor, em Laranjeiras. O contrato com o River Plate (URU) acabaria em dezembro de 2024 e ele estaria livre para assinar sem custos. Bom... nem tudo é o que parece. Ledo engano.
O futebol é uma caixinha de surpresas. Às vésperas do encerramento de seu vínculo, surge no horizonte do River uma notícia surpreendente: o presidente do clube, Jorge Cibreiro, informara que o Fluminense adquiriu o jogador parcelado em nove pagamentos bimestrais, que se encerram em julho deste ano. O beijo que seria roubado virara um flerte intenso antes de um aperto de mão. Do lado do Vasco, irritação pela postura dos dirigentes de Flu e River Plate. Do lado dos uruguaios, a celebração de uma magia divina pós-natal.
Como um pai feliz em ver a escolha do filho pela melhor parceira - com o melhor dote -, o vice-presidente do River Plate, Jorge Nasser, numa entrevista ao jornal El País, em fevereiro de 2025, celebrou a movimentação inesperada do Fluminense. O tesão exacerbado dos cartolas em fechar um negócio que poderia ser sem custos e sem sustos, foi citado em palavras tenras e de agradecimento.
- Lavega poderia ter saído de graça no dia 1º de janeiro (de 2025)… Fica minha gratidão ao agente dele e ao Fluminense, que decidiu fazer a negociação clube a clube. Mais do que um negócio, foi um milagre que nos deixou com uma boa quantia - disse.
Milagres de natal geralmente acontecem para quem teve postura exemplar ao longo do ano. Travessos, os dirigentes do Fluminense não representavam o arquétipo de bons meninos, mas se aproveitaram como puderam da situação para embalar a aposta. Discretos, preferiram não divulgar os valores da transação.
Lavega foi apresentado como o mais novo biscoito do pacote tricolor, que queria apagar a péssima temporada de 2024, após conquistar a América em 2023. Ninguém esperava, mas expectativas foram criadas. E seguiram aumentando na medida em que o jovem praticamente não entrava em campo. Ele era magro demais, estava fora de forma? Era branco demais e precisava pegar sol ou tinha pressão baixa e necessitava comer sal? Entrava técnico, saía técnico e a ousadia mercadológica do Fluminense se provava absurda já que o ativo não era aproveitado. Foram apenas cinco jogos com nenhum gol e nenhuma assistência com a armadura verde, branca e grená.
Aos 21 anos, desmamado das Laranjeiras, foi emprestado ao Coritiba no início deste ano, onde passou a ter mais chances, mostrar boas valências e até a meter gols importantes. Enquanto isso, nas Laranjeiras, o último segredo (?) em torno do negócio era revelado a fórceps, no demonstrativo financeiro divulgado na noite passada pelo clube. O jovem custou a bagatela de R$ 8,8 milhões e jamais teve a chance real de justificar o investimento no Time de Guerreiros.
O Fluminense buscou Lavega pensando no futuro, mas até aqui encontrou silêncio em campo e perguntas fora dele. Poucos minutos, nenhum impacto esportivo e um negócio que poderia ter custado zero.
O Jogador pode não render. O que jamais poderia ter ocorrido fora a gestão transformar oportunidade em incógnita e desperdício.
📸 | Marcelo Gonçalves/FFC