Douglas Protázio

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jornalista

Ceilândia, Brasília Katılım Haziran 2009
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FILMAR A POLÍCIA NÃO É CRIME, É UM DIREITO 🚨 👉 Diante de abusos e ilegalidades cometidos pela polícia, a câmera é sua maior aliada. Registre os fatos com clareza, garanta sua segurança e compartilhe. A transparência é a ferramenta mais poderosa contra a impunidade!
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Celina Leão assume o GDF com promessa de mudança — e com sombras no passado Celina Leão tomou posse como governadora do Distrito Federal nesta segunda-feira (30), após a renúncia de Ibaneis Rocha. Seu primeiro ato foi simbólico e imediato: cancelou as comemorações oficiais do aniversário de Brasília.  Em edição extra do Diário Oficial do DF, determinou que os R$ 25 milhões previstos para as festividades fossem redirecionados a despesas essenciais, com prioridade para a Secretaria de Saúde, incluindo contratação de médicos e reforço no atendimento da rede pública. "O meu primeiro ato como governadora não será uma festa. Será ação e trabalho, porque é isso que a população espera de um governo", declarou. Também lançou o programa GDF na Sua Porta, gabinete itinerante que levará serviços públicos às regiões administrativas — o Itapoã será o primeiro destino. No discurso de posse, Celina abordou diretamente o escândalo que marcou o fim do governo Ibaneis: afirmou não ter tido qualquer participação nas negociações entre o BRB e o Banco Master e negou envolvimento no episódio que gerou crise institucional no DF. A governadora, porém, chega ao Buriti com passivo jurídico expressivo. Ela é ré em ação de improbidade administrativa no âmbito da Operação Drácon, que investigou esquema de propina superior a R$ 30 milhões ligado à destinação de emendas parlamentares durante sua gestão na presidência da CLDF, entre 2015 e 2016. Na esfera criminal, foi absolvida em 1ª instância em março de 2025 da acusação de corrupção passiva — mas o MP recorreu, e a apelação tramita na 3ª Turma Criminal do TJDFT sem prazo definido. Uma eventual condenação no processo de improbidade pode torná-la inelegível pela Lei da Ficha Limpa. Nos últimos dias, o portal Vero Notícias publicou reportagem afirmando possuir documentos exclusivos segundo os quais a Polícia Federal investiga dezenas de ligações e mensagens trocadas entre Celina e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Celina negou ter qualquer contato com Vorcaro e anunciou ação judicial contra o portal. O deputado distrital Chico Vigilante (PT) já anunciou pedido de CPI na CLDF para apurar as supostas conexões entre a governadora e o banqueiro.
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A torcida organizada é o escudo sujo do parlamentar Conquistamos algo raro no jornalismo do Distrito Federal: o ódio simultâneo de torcidas organizadas de esquerda e de direita. Não é fácil. Dá trabalho. Exige, acima de tudo, coerência, uma palavra que a política local há muito esqueceu no caminho. Mas é exatamente essa coerência que nos trouxe até aqui. A torcida organizada política não foi feita para pensar. Foi feita para proteger o ídolo a qualquer custo — não importa o que ele faça, não importa o dinheiro que desvie, não importa quem ele mande atacar. O raciocínio é simples e brutal: quem critica o meu herói é meu inimigo. E inimigo merece o que vier. E tem parlamentar que sabe disso muito bem. Cultiva essa gente com carinho. Rega o ódio nas redes sociais. Usa a matilha como braço armado para fazer o serviço sujo que não pode fazer de terno e gravata — intimidar, ameaçar, assediar e tentar calar quem trabalha com jornalismo. Aqui não existe escala de importância. O deputado TikToker da Ceilândia recebe a mesma cobrança que o deputado de terno importado da Asa Sul. Mandato é mandato. Dinheiro público é dinheiro público. Não há deputado pequeno demais para prestar contas, nem grande demais para escapar delas. Grande parte do que está podre neste país não tem nome de partido, tem nome de dinâmica. É a incapacidade coletiva de olhar para o próprio lado e cobrar. É a torcida que troca a consciência por uma camisa e confunde jornalismo com perseguição toda vez que um holofote aponta para o seu ídolo. Jornalismo que não incomoda ninguém não é jornalismo. É assessoria de imprensa disfarçada. É elogio embrulhado em papel de notícia. É silêncio comprado. O Jornal do Aquino não foi fundado para isso e não vai se tornar isso, independente de quantas torcidas se sintam ofendidas com a verdade. Este jornal já foi odiado pela esquerda. Já foi odiado pela direita. Provavelmente vai continuar sendo odiado pelos dois lados ao mesmo tempo — e isso, para nós, é o maior sinal de que estamos no caminho certo. Escolhemos esse caminho. Não vamos parar.
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O silêncio dos deputados que deveriam falar por Ceilândia Um leitor fez uma cobrança pertinente ao Diário de Ceilândia. Ao ver críticas constantes ao governo Ibaneis Rocha, ele questionou por que também não há a mesma cobrança dirigida aos deputados eleitos por Ceilândia diante dos problemas da cidade. A observação é direta e merece resposta no mesmo tom. Não se trata de defender ninguém, mas de entender como as coisas funcionam. Quem está no governo executa, tem orçamento e decide. Quem não está, não executa. Fiscaliza, cobra, pressiona. Esse é o papel básico de qualquer parlamentar. E é justamente aí que entra o ponto levantado pelo leitor. Ceilândia segue enfrentando problemas antigos, visíveis, cotidianos, que fazem parte da rotina de quem vive na cidade. Buracos que se abrem e permanecem, serviços que demoram a chegar, demandas que se acumulam sem resposta. Situações que não exigem teoria nem discurso elaborado, exigem presença. Exigem cobrança pública, atuação firme, posicionamento claro e acompanhamento constante. É preciso dizer com clareza: a cidade está largada em muitos aspectos. E isso não é responsabilidade exclusiva de quem governa. Também passa pela ausência de atuação efetiva de quem foi eleito para fiscalizar, cobrar e dar visibilidade aos problemas que atingem diretamente a população. Durante a campanha, o nome de Ceilândia aparece com força. Vira bandeira, discurso, identidade e compromisso público. Depois da eleição, o que se vê muitas vezes é outra realidade. Atuação voltada a nichos pontuais, interesses específicos, agendas segmentadas, enquanto os problemas mais evidentes da cidade seguem sem a devida pressão política e sem a repercussão que deveriam ter. O leitor tem razão. A cobrança não pode parar no governo. Quem foi eleito por Ceilândia precisa aparecer, precisa cobrar, precisa fazer o básico de forma contínua e visível. Fiscalizar não é favor, não é escolha, é obrigação. No fim, a crítica expõe um vazio que incomoda e que precisa ser enfrentado: não basta ter representantes eleitos pela cidade. É preciso que eles, de fato, representem, acompanhem e respondam à realidade de quem os colocou lá.
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Ibaneis se despede em Ceilândia com lágrimas que a região nunca viu durante a gestão O governador Ibaneis Rocha escolheu Ceilândia para chorar. No sábado (28/3), durante as comemorações do aniversário da maior região administrativa do Distrito Federal, ele assinou o termo de transmissão de cargo para a vice-governadora Celina Leão e se emocionou diante de uma plateia que, por quase oito anos, esperou que ele se emocionasse também com os problemas da cidade. O discurso durou mais de 35 minutos. Teve balanço de governo, foi orgulhoso e incluiu críticas pesadas aos antecessores de esquerda que, segundo ele, entregaram "Brasília destruída". A plateia de Ceilândia ouviu tudo com atenção. E, provavelmente, pensou nos próprios problemas. Nos dela, não nos do governador. Porque os problemas de Ceilândia são exatamente os mesmos de oito anos atrás. A saúde segue sucateada, com filas intermináveis e unidades funcionando muito abaixo do necessário para quase 500 mil habitantes. A infraestrutura não avançou como prometido. As enchentes de fevereiro alagaram as mesmas ruas que alagam há décadas — e a solução estrutural ainda não saiu do papel. A segurança piorou. O tráfico se aprofundou. O centro da cidade, degradado e violento, virou um lugar que os próprios moradores evitam. Circular a pé por lá é risco real, não exagero. Em quase oito anos de gestão, nada mudou de forma concreta para quem vive ali. Ao se despedir, Ibaneis voltou a criticar os antecessores, como se os problemas de Ceilândia fossem herança exclusiva do passado. Pode ser que parte deles seja. Mas quase oito anos é tempo mais do que suficiente para deixar de apontar quem veio antes e começar a responder pelo que ficou igual — ou piorou, durante a própria gestão. Ibaneis deixa o cargo de olho em uma cadeira no Senado — e escolheu uma churrascada em Ceilândia para se despedir. Ceilândia fica onde sempre esteve: esperando que alguém apareça para fazer algo mais do que comer churrasco e chorar.
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Ibaneis Rocha não sabe fazer pix e por isso não tem culpa pelo escândalo do BRB Tem uma cena que todo brasileiro já viveu: a avó ligando pedindo ajuda com o Pix. "Como é que abre o aplicativo?" O processo leva uns vinte minutos, inclui pelo menos duas ligações extras e termina com ela feliz porque conseguiu mandar R$ 50 para o neto. É um rito de passagem da modernidade brasileira, acessível a qualquer pessoa com um celular e dois minutos de paciência. Ibaneis Rocha, 54 anos, governador do Distrito Federal e um dos homens mais ricos de Brasília, não passou por esse rito. Em entrevista ao Metrópoles nesta sexta-feira, o governador declarou, sem cerimônia, que não sabe passar Pix. "As contas minhas quem acompanha são meu filho e minha ex-esposa. Eu sou meio analógico ainda", disse. A frase foi oferecida como explicação para sua incapacidade de avaliar a compra do Banco Master pelo BRB. A operação em questão envolvia R$ 16 bilhões em carteiras de crédito que o Banco Central considerou suspeitas, culminando na liquidação do Master em novembro de 2025 e na prisão de Daniel Vorcaro. Ibaneis diz que foi convencido pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, de que o negócio transformaria o banco no sexto maior do Brasil sem custo ao GDF. Não tinha como avaliar se era correto. Confiou no interlocutor. Estava em Harvard quando as coisas começaram a desandar. O problema com essa linha de defesa não é técnico. É de proporção. Pix exige abrir um aplicativo, digitar um valor e confirmar. É a ferramenta mais simples do sistema financeiro brasileiro, usada por aposentados, camelôs e adolescentes. A compra do Master exigiu aprovação política, movimentação de dezesseis bilhões de reais e uma visita à mansão de Vorcaro para discutir aviões e vinhos. Os dois Ibaneis não cabem na mesma biografia. Ser governador não é uma função técnica. É uma função política, e envolve delegar. Mas delegar é uma escolha, e escolhas têm consequências. A narrativa do "não sabia, confiei, me enganaram" pode até funcionar como defesa jurídica. Como argumento público, ela revela um governador que ou não entendia o que estava autorizando, ou prefere muito que a gente acredite nisso.
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Deputado defende CPI para investigar conexões entre Celina Leão e Vorcaro O deputado distrital Chico Vigilante (PT) anunciou em suas redes sociais nesta quinta-feira (26), que vai pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O objetivo é apurar as possíveis conexões entre a vice-governadora Celina Leão (PP) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Na nota, o parlamentar foi além: afirmou que, caso sejam comprovadas condutas criminosas por parte de Celina, o passo seguinte deve ser o pedido de afastamento da vice-governadora e, na sequência, a realização de uma eleição indireta no Distrito Federal. O anúncio de Vigilante veio na esteira da reportagem publicada com exclusividade pelo portal Vero Notícias, que revelou que a Polícia Federal investiga, desde dezembro de 2025, dezenas de telefonemas e mensagens trocadas entre a vice-governadora e o criminoso. Os documentos que embasam a investigação foram obtidos pelo Vero Notícias e mostram que o BRB, Banco de Brasília, aparece no conteúdo dos diálogos monitorados pela PF. A repercussão da matéria do Vero Notícias na Câmara Legislativa indica que o caso deixou de ser apenas uma apuração policial para se tornar um problema político de primeira ordem. Celina Leão, por sua vez, preferiu o deboche: ironizou as denúncias e as classificou como fake news, sem apresentar qualquer explicação sobre o conteúdo das conversas investigadas pela PF.
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Polícia Federal investiga telefonemas entre Celina Leão e Vorcaro, afirma jornal A Polícia Federal investiga, desde dezembro de 2025, dezenas de ligações e mensagens entre a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os documentos que revelam a apuração foram obtidos com exclusividade pelo portal Vero Notícias. A investigação corre de forma sigilosa, e o GDF ainda não se pronunciou sobre o conteúdo das trocas. A ponte entre os dois foi construída por Ciro Nogueira, senador e presidente nacional do Progressistas, o partido ao qual Celina é filiada. Nogueira é uma das principais engrenagens políticas do Centrão no Congresso e, segundo apurou o Vero Notícias, foi quem apresentou a vice-governadora a Vorcaro. Essa intermediação vai além de um contato de circunstância: ela insere Celina numa teia que conecta o executivo distrital ao sistema financeiro privado, no momento em que o Banco de Brasília é investigado. E é o BRB, o Banco de Brasília, que aparece no conteúdo dos diálogos mapeados pela PF, conforme apurou o Vero. O teor dessas conversas sobre o BRB ainda não é público, mas a presença do banco nas apurações já diz algo. Que o BRB apareça no centro dessas trocas transforma o silêncio do Palácio do Buriti em algo cada vez mais difícil de sustentar. Até o momento, a investigação da Polícia Federal não confirmou encontros presenciais entre a vice-governadora e o banqueiro do Master. Mas o volume de contatos documentados desde dezembro já é suficiente para reposicioná-la como figura de interesse num escândalo que combina R$ 6,6 bilhões em capitalizações, suspeitas sobre o BRB e uma rede política articulada pelo Centrão. A pergunta que essa investigação coloca dispensa qualificativos: o que Celina Leão tinha a discutir com Daniel Vorcaro, e quem mais no GDF estava ciente disso?
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Celina Leão assume o GDF com histórico de processos na Justiça e perseguição a críticos A vice-governadora Celina Leão assume o comando do Governo do Distrito Federal com a renúncia anunciada para 28 de março pelo governador Ibaneis Rocha, que deixa o cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Com a saída definitiva, a gestão passa integralmente para a então número dois do Executivo local. Celina chega ao cargo com um histórico marcado por disputas judiciais e questionamentos ainda em andamento. Entre eles, os desdobramentos da Operação Drácon, que apurou suspeitas de cobrança de propina em troca da liberação de emendas parlamentares quando ela era deputada distrital. O caso segue com movimentações na Justiça, incluindo análise de recurso na esfera penal no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios. Além disso, a trajetória recente de Celina é atravessada por uma sequência de ações contra críticos. Há registros de processos movidos contra adversários políticos, influenciadores e estudantes, com pedidos de indenização e retirada de conteúdos. As iniciativas alimentam debate sobre o uso do Judiciário no ambiente político, enquanto aliados sustentam tratar-se de defesa da honra. Agora, no comando do governo, o peso dessas questões aumenta. Não é mais só disputa política ou briga de rede social. As decisões passam a ter efeito direto na vida da população e no rumo da administração do DF em um momento sensível, já perto de outro ciclo eleitoral. A chegada ao Buriti não apaga o que ficou para trás. Pelo contrário, coloca tudo sob mais pressão. Com processos ainda em andamento e um histórico de ações contra críticos, a dúvida que fica é simples: se a prioridade será governar ou seguir travando batalhas que vieram antes do cargo.
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Com greve no IML, corpo é deixado no chão por horas em Ceilândia A paralisação de servidores do Instituto de Medicina Legal do Distrito Federal tem provocado atrasos na remoção de cadáveres, acúmulo em hospitais e falhas no atendimento a ocorrências em via pública. O movimento é resultado de impasse com o governo local, com reivindicações por reestruturação da carreira, recomposição de efetivo e melhores condições de trabalho. Na terça-feira (24), um caso registrado em frente à Feira Central da Ceilândia mostrou de forma direta esse quadro. Um homem em situação de rua foi encontrado morto, aparentemente por causas naturais, em uma área de grande circulação. O corpo permaneceu por horas no local, sem remoção, à vista de moradores, comerciantes e pedestres. A demora não passou despercebida. Sem indícios de violência, a ocorrência depende exclusivamente do fluxo operacional do IML. Com equipes reduzidas, a priorização recai sobre mortes com suspeita criminal, enquanto casos naturais passam a enfrentar espera prolongada, alterando o padrão de atendimento. O problema não se limita à rua. Hospitais já registram retenção de corpos à espera de necropsia, enquanto famílias enfrentam atrasos para liberação e sepultamento. A paralisação, nesse ponto, ultrapassa a categoria e atinge o funcionamento de serviços essenciais. A situação também expõe uma fragilidade estrutural. O sistema depende de um número limitado de profissionais e não possui capacidade de absorver paralisações sem impacto imediato. Quando há interrupção, mesmo parcial, o efeito é direto e atinge o que deveria ser básico: a retirada de um corpo do espaço público.
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Ceilândia: 55 anos de uma cidade que ainda espera pelo hospital que merece Ceilândia nasceu sem hospital, sem posto de saúde, sem ambulância. As 80 mil pessoas despejadas num terreno distante do centro em 1971 chegaram com o que carregavam nas costas e aprenderam rápido que o Estado havia se preocupado apenas em tirar os barracos do campo de visão do Plano Piloto. A saúde ficou para depois, como sempre fica o que exige planejamento e investimento contínuo numa cidade criada para ficar longe e permanecer longe. Quem adoecia em Ceilândia nos primeiros anos atravessava a cidade inteira em busca de atendimento que deveria existir ali mesmo, e nem sempre chegava a tempo. Nas décadas seguintes, a rede de saúde foi chegando aos tropeços e nunca se completou de verdade. O hospital regional inaugurado dez anos após a fundação nunca foi dimensionado para a população que crescia sem parar. As unidades básicas foram instaladas em estruturas improvisadas, muitas ainda precárias décadas depois, sem equipamentos suficientes, sem médicos em número adequado, sem a dignidade mínima que qualquer unidade pública de saúde deveria ter por obrigação constitucional. Os moradores de Ceilândia foram aprendendo a conviver com a sensação permanente de que o sistema existe para cumprir tabela, não para funcionar de verdade. E foram aprendendo também, ao longo de gerações sucessivas, que reclamar não costuma mudar muito por aqui. O que chama atenção em 55 anos de história não é só a falta de investimento, mas a constância e a naturalidade com que ela se perpetuou. Não houve uma época de ouro seguida de descaso. O descaso foi a política permanente, atravessando mandatos, partidos e promessas eleitorais sem se abalar. Cada administração herdou uma rede insuficiente, manteve-a insuficiente e a entregou ao sucessor sem o menor constrangimento. A cidade que financia boa parte do DF com sua força de trabalho nunca recebeu de volta em saúde o que transfere diariamente para o restante do Distrito Federal. Cinquenta e cinco anos ensinaram isso com clareza mais do que suficiente para que ninguém precise mais fingir surpresa.
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55 anos de uma cidade que cuida da capital sem ser cuidada por ninguém Ceilândia foi criada para resolver um problema que não era dela. Em 1971, o governo do DF precisava limpar o campo de visão entre o Palácio do Planalto e o sítio do Riacho Fundo, e havia barracos no meio do caminho. A solução foi embarcar 80 mil pessoas em caminhões e desembocá-las a 30 quilômetros do Plano Piloto, num terreno sem água, sem escola, sem asfalto, sem nome. O próprio nome veio daí: CEI, Campanha de Erradicação de Invasões. A Ceilândia não nasceu como cidade. Nasceu como erradicação batizada de endereço. Cinquenta e cinco anos depois, a cidade continua sendo tratada como um problema a administrar, não como um lugar a desenvolver. A maior cidade do DF carece de infraestrutura básica em bairros inteiros. O centro acumula abandono visível: entulho, comércio desassistido, ruas que inundam a cada chuva com a regularidade de quem nunca foi consertado. A insegurança transformou calçadas movimentadas em corredores de risco, com quase 1.850 pedestres assaltados num único ano ao caminhar pela região. Há um parque criado em decreto em 1995 que esperou 29 anos por outro decreto que o tornasse real. Há escolas em ruínas aguardando reconstrução há décadas, enquanto alunos estudam em barracões provisórios que já duram uma geração. Há promessas de drenagem que atravessam mandatos sem se concretizar, e bairros que alagam todo ano como se o tempo não passasse. O padrão se repete com frequência suficiente para deixar de parecer falha e passar a parecer escolha: manter a cidade no limite do tolerável, mas longe do aceitável. E então chega o ano eleitoral e Ceilândia vira palco. Políticos que passaram quatro anos distribuindo omissões reaparecem com propostas calibradas e discursos financiados. Os aniversários ganham estrutura, shows, presença. A cidade que abastece a capital de votos recebe atenção só quando o calendário manda. Mas o problema não é a ingratidão dos políticos. É que Ceilândia foi projetada para ser exatamente isso: útil sem precisar ser tratada. Aos 55 anos, a mais populosa do DF ainda aguarda ser reconhecida à altura do que representa.
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Ex-presidente do BRB quer negociar delação e muita gente em Brasília está preocupada Paulo Henrique Costa, o homem que presidiu o BRB durante a operação que capitalizou o Banco Master com R$ 6,6 bilhões do fundo público, está mandando recados para a Polícia Federal. Pessoas do seu círculo próximo procuraram a corporação para sinalizar que ele estaria disposto a colaborar com as investigações e fechar um acordo de delação premiada. A defesa não se manifestou publicamente sobre o assunto. Costa não era um técnico isolado tomando decisões sozinho. A capitalização do Master com dinheiro do fundo público passou por ele, mas também passou por outros. Quem autorizou, quem pressionou, quem sabia e ficou quieto — essas respostas estão com o ex-presidente do BRB, e há nomes em Brasília que prefeririam que ele continuasse sem falar. Uma operação desse tamanho, envolvendo recursos públicos e um banco privado em dificuldades, não se constrói sem cobertura política. E Costa estava dentro dessa estrutura. Em fevereiro, ele já havia buscado a PF para prestar um novo depoimento. As tratativas não avançaram naquele momento. Agora o cenário mudou: Daniel Vorcaro, dono do Master e principal beneficiário da capitalização, foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília e deu início formal aos procedimentos de colaboração premiada. O movimento de Vorcaro alterou o equilíbrio das investigações e aumentou a pressão sobre os demais envolvidos. A PF afirma que o foco atual está em Vorcaro, cuja colaboração é considerada central para o andamento do caso. Um eventual acordo com Costa será avaliado em etapa posterior, a depender do que surgir das negociações em curso. A porta não está fechada, mas a corporação deixou claro que não está correndo para abri-la. Ainda assim, a disposição de falar já está posta. E isso, por si só, já é informação suficiente para incomodar muita gente que esteve perto dessa história.
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O fundo da Reag, o escritório de Ibaneis Rocha e o rastro do PCC Quando o Coaf identificou movimentações atípicas de R$ 43 milhões entre o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha e um fundo da gestora Reag, o episódio parecia mais um capítulo isolado do escândalo do Banco Master. Uma operação de crédito entre um escritório jurídico e uma gestora financeira, com a defesa pronta para explicar tudo como prática corriqueira de mercado. O problema é que a Reag não é uma gestora qualquer. O escritório do governador negociou com o Laguz I, fundo de direitos creditórios gerido pela Reag, em novembro de 2023. Duas transações, de R$ 32,5 milhões e R$ 10,3 milhões, foram consideradas fora do padrão pelo órgão de controle financeiro e encaminhadas às autoridades. A defesa sustenta que se trata de operações legais de cessão de crédito. Pode ser. O problema não está necessariamente no contrato. Está em quem estava do outro lado. A mesma Reag que administrava o fundo com o qual o escritório de Ibaneis negociou também gerenciava o Gold Style, fundo investigado na Operação Carbono Oculto. As apurações indicam que o Gold Style recebeu R$ 759,5 milhões da Aster Petróleo e R$ 158 milhões da BK Bank, instituição apontada pelas investigações como um dos núcleos financeiros usados pelo PCC para lavar dinheiro. As movimentações foram apresentadas à CPI do Crime Organizado no Senado. A Reag não é uma gestora com clientes variados que eventualmente atraiu investigações. É uma estrutura que aparece repetidamente no centro de apurações distintas, conectando o mercado de crédito, o sistema bancário e o crime organizado. Marcos Ferreira Costa, da Reag Legal Claims, também esteve presente em assembleia de acionistas do BRB, o banco público do DF que aprovou a capitalização de R$ 6,6 bilhões no Banco Master. Ibaneis não está sendo acusado de qualquer relação com o PCC. O que existe é uma cadeia de proximidades institucionais que deveria gerar desconforto em qualquer governador minimamente preocupado com a lisura de suas operações. O escritório escolheu negociar com a Reag. A Reag escolheu gerir fundos investigados por servir ao crime organizado. E o Coaf sinalizou que algo estava fora do padrão. Essas escolhas não aconteceram em universos separados.
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STJ nega quatro pedidos da PF para operar contra Ibaneis Rocha, afirma jornal  O portal Vero Notícias revelou que o STJ negou quatro pedidos da Polícia Federal para realizar operações contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e aliados. As medidas incluíam busca e apreensão e prisões dentro da investigação que envolve o BRB e o Banco Master. O dado muda o eixo da leitura: não se trata apenas de uma apuração em andamento. Houve, de forma repetida, tentativa de levar o caso para a fase operacional. A Polícia Federal pediu para agir — e pediu mais de uma vez. Isso coloca o episódio em um ponto sensível. Quando há solicitação de prisão e busca, a investigação já está estruturada o suficiente para sair do papel. A operação não aconteceu, mas esteve próxima de acontecer em diferentes momentos. Na prática, o que existiu foi um cenário de iminência. A porta não foi batida, mas a autorização para bater chegou a ser solicitada quatro vezes. Esse detalhe muda o peso político do caso e o coloca em outro nível de tensão. O foco permanece na relação entre o BRB e o Banco Master, mas o alcance da investigação já avançou para o entorno direto do governo. Não é mais um tema restrito a movimentações financeiras: envolve decisões, articulações e possíveis responsabilidades. Mesmo sem aval do STJ até aqui, a insistência nos pedidos indica que o caso segue ativo e com pressão interna por avanço. A operação não ocorreu, mas também não foi descartada.
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Justiça barra uso de imóveis públicos em operação de capitalização do BRB Decisão judicial suspendeu parte da lei aprovada pelo Governo do Distrito Federal que autorizava o uso de imóveis públicos para reforçar o capital do Banco de Brasília. A medida foi determinada pelo juiz Daniel Branco Carnacchioni, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que proibiu a aplicação de dispositivos que permitiam ao governo utilizar patrimônio estatal em operações financeiras ligadas ao banco. A legislação havia sido sancionada pelo governador Ibaneis Rocha e previa mecanismos para ampliar a capacidade financeira do Banco de Brasília. Entre os instrumentos autorizados estavam a venda de imóveis públicos, a utilização desses bens como garantia em operações financeiras e a possibilidade de captação de recursos junto ao Fundo Garantidor de Créditos ou outras instituições. O modelo também incluía ativos pertencentes a empresas estatais do Distrito Federal. Na decisão, o magistrado apontou risco ao patrimônio público e determinou a suspensão de trechos da norma que permitiam a mobilização desses bens. Imóveis vinculados a companhias públicas como Terracap, CEB e Caesb poderiam ser incluídos nas operações previstas pela lei, o que motivou o questionamento judicial e levou à concessão da medida que impede, por ora, a execução desses dispositivos. A decisão não bloqueia todas as movimentações do banco. Procedimentos internos do Banco de Brasília, incluindo eventuais assembleias para emissão de novas ações e outras medidas de capitalização dentro da estrutura da instituição, continuam permitidos.
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Não é a chuva que causa estragos em Ceilândia Todo ano os jornais publicam a mesma manchete: "chuvas causam estragos em Ceilândia." Todo ano a imagem é a mesma: carro engolido por cratera, rua virada córrego, força-tarefa mobilizada às pressas, declaração do administrador regional lamentando o volume de água. Todo ano o GDF anuncia obras. E todo ano, quando chove de novo, o cenário se repete com precisão quase ritual. A diferença entre um ano e outro é só o modelo do carro que afunda. Ceilândia existe desde 1971. Chove no Distrito Federal todo ano, entre outubro e março, sem exceção e sem surpresa. A chuva não é uma variável imprevisível no problema, ela é a constante. O que muda, ou melhor, o que nunca muda, é a infraestrutura que deveria suportá-la. Responsabilizar a chuva pelos estragos é o mesmo que culpar o doente pela falta de médico. Os pontos críticos são os mesmos há décadas: P Sul, P Norte, Setor O, Condomínio Privê. As mesmas bocas de lobo entopidas, o mesmo asfalto que se dissolve na primeira enxurrada, a mesma rede de drenagem subdimensionada para uma das maiores regiões administrativas do DF. Em abril de 2025, um carro foi arrastado na Avenida P3. Em fevereiro de 2026, força-tarefa. Em março de 2026, força-tarefa de novo. O ciclo não é climático — é político. O GDF tem um projeto chamado Drenar Ceilândia, orçado em R$ 2 bilhões, que prometia começar em 2026. Enquanto isso, a Novacap tapa, em média, 15 buracos por dia na cidade, número que dobra no período chuvoso. Quinze buracos por dia, todos os dias, ano após ano, é a confissão pública de que o problema jamais foi enfrentado de frente. Tapar buraco não é política de infraestrutura. É gestão da aparência. Atribuir os estragos à chuva é conveniente porque a chuva não tem mandato, não assina contratos e não responde a CPIs. Mas a Ceilândia que alaga toda temporada não é vítima do clima. É produto de décadas de manutenção precária, obras prometidas e não executadas, e de um governo que só descobre a urgência depois que a cratera abre e o carro some dentro dela.
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O exame que chegou depois da morte Há histórias que revelam, de maneira quase involuntária, o desencontro entre a urgência da vida e o ritmo lento das estruturas públicas. Não é necessário recorrer a grandes discursos ou estatísticas para perceber esse contraste. Às vezes basta um telefonema. Na manhã deste domingo, a família de Francisco de Freitas recebeu uma ligação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. A atendente confirmava o agendamento de uma ecocardiografia para a manhã de segunda-feira. O exame fazia parte da investigação de um quadro cardíaco que preocupava médicos e familiares. Havia apenas um detalhe impossível de ignorar: Francisco já havia morrido. A morte ocorreu dias antes, após um período de agravamento de seu estado de saúde. Durante mais de duas semanas ele aguardou um leito de UTI, passando pela UPA de São Sebastião e tentando alternativas que pudessem garantir o atendimento necessário. Exames apontavam comprometimento progressivo de órgãos e a indicação médica era clara quanto à necessidade de acompanhamento intensivo. A transferência, no entanto, nunca se concretizou. Nos últimos momentos, Francisco estava cercado pela esposa e por amigos próximos. A despedida aconteceu de forma silenciosa, sem discursos e sem explicações definitivas. Ficou a sensação amarga de que o tempo da doença corre mais rápido do que o tempo das respostas institucionais. Quando o telefone tocou neste domingo para confirmar o exame, a família ouviu uma informação que, semanas antes, teria sido recebida com esperança. Agora, a notícia chegou apenas como um lembrete tardio de algo que já não poderia mudar o desfecho da história. Situações como essa não precisam de exageros para causar impacto. Elas falam por si mesmas. Revelam o quanto a distância entre a necessidade urgente de um paciente e a resposta do sistema de saúde pode ser maior do que deveria. Francisco já não estava ali para ouvir aquela confirmação. O exame finalmente apareceu na agenda. A pessoa que precisava dele, não.
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Ibaneis sacrificou o caixa do DF para proteger os próprios bens, afirma jornal O Banco Central exigiu. Ibaneis esperou. Só quando soube que o próprio patrimônio poderia ser bloqueado, o governador do Distrito Federal agiu. Segundo relatos ouvidos pela Folha de S.Paulo, foi o medo de ter os bens pessoais travados que moveu Ibaneis Rocha (MDB), não a preocupação com o banco ou com os brasilienses. O BC havia exigido um compromisso formal desde 13 de fevereiro, após identificar riscos na operação do BRB com o Banco Master. Por dias, o governador não reagiu. Só depois que assessores e a área jurídica o alertaram sobre o Raet, regime em que o patrimônio do controlador pode ser bloqueado, a carta-compromisso foi enviada ao Banco Central, em 20 de fevereiro. No mesmo dia à noite, o projeto seguiu para a Câmara Legislativa do DF em regime de urgência. O texto autoriza aportes de até R$ 6,6 bilhões no BRB, com alienação de imóveis públicos e operações de crédito. O dinheiro e o patrimônio colocados na mesa para socorrer o banco são do Distrito Federal, não do governador. O projeto foi aprovado em 3 de março por 14 votos a 10, após sessão de quase cinco horas com tumulto nas galerias. Ibaneis exonerou indicados de deputados que votaram contra, e a retaliação acelerou a debandada. Deputados que compunham sua base na CLDF anunciaram rompimento com o governo, escancarando o preço político da operação. Enquanto o risco era do Estado e dos brasilienses, o governador esperou. Quando o risco chegou ao próprio bolso, a urgência apareceu e o erário do DF foi colocado na mesa.
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A "Máfia dos Aluguéis" e o modelo de locações da gestão Ibaneis Rocha Durante anos, a expressão “máfia dos aluguéis” circulou nos bastidores da política de Brasília como um comentário incômodo sobre a forma como o poder público escolhe prédios privados para instalar órgãos do governo. O termo voltou ao centro do debate após uma sequência de contratos milionários firmados ao longo da gestão Ibaneis Rocha, muitos deles cercados por questionamentos sobre valores, critérios de escolha e ausência de concorrência ampla. A investigação mais recente reforçou essa suspeita. Uma operação do Ministério Público do Distrito Federal atingiu a Secretaria de Educação ao apurar um contrato firmado em 2019 para o aluguel de um imóvel na Candangolândia destinado a abrigar uma escola pública. Entre aluguel e reformas, o gasto já ultrapassou R$ 19 milhões. Os investigadores apontam que havia outra escola próxima que poderia ter sido reformada por um custo menor, o que levanta dúvidas sobre a necessidade da locação. A apuração também examina a suspeita de intermediação política na escolha do prédio e um possível esquema que pode ter desviado até R$ 50 milhões em recursos públicos. O caso não é isolado dentro da atual gestão. Nos últimos anos, outros contratos de aluguel envolvendo órgãos do governo também despertaram críticas e questionamentos. Um deles envolve a decisão de instalar um campus da Universidade do Distrito Federal em um prédio privado alugado por cerca de R$ 110 milhões ao longo de cinco anos. Em outro episódio, discutiu-se a locação de um imóvel por aproximadamente R$ 42 milhões para abrigar a Secretaria de Economia do Distrito Federal, sem concorrência ampla, negociação que levantou dúvidas sobre critérios técnicos e transparência administrativa. Quando esses episódios são observados em conjunto, surge um padrão difícil de ignorar. Secretarias e estruturas públicas passam a ocupar imóveis privados por valores milionários, muitas vezes em contratos firmados por dispensa de licitação sob o argumento de que o imóvel seria “específico”. O resultado prático é a transformação do Estado em cliente permanente do mercado imobiliário da capital, mesmo quando existem prédios públicos disponíveis ou alternativas mais baratas. É justamente a repetição dessas decisões que explica por que a expressão “máfia dos aluguéis” deixou de ser apenas um rótulo político e passou a aparecer com frequência crescente no debate público. Quando contratos milionários se acumulam, quando investigações policiais entram em cena e quando as justificativas administrativas permanecem frágeis, a discussão deixa de ser retórica. O que está em jogo não é apenas um contrato isolado, mas a lógica que passou a orientar parte da gestão imobiliária do próprio governo.
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Gestão Ibaneis Rocha virou rotina nas páginas policiais A Operação Blackboard, deflagrada nesta quinta-feira pelo Gaeco, foi mais um daqueles dias em que Brasília acorda com operação policial mirando o governo Ibaneis Rocha. O alvo desta vez foi Hermeto, líder do governo na Câmara Legislativa, investigado por desvio de mais de R$ 46 milhões em recursos da educação pública. Trinta e um mandados de busca e apreensão cumpridos em quatro estados. Não é a primeira vez. Não vai ser a última. A gestão Ibaneis transformou o noticiário policial em boletim de rotina. Quem acompanha a política do DF já não se surpreende quando o nome do governo aparece numa operação. A surpresa, a essa altura, seria o contrário. O BRB foi o capítulo anterior. O banco público do DF, que deveria trabalhar pelo desenvolvimento da cidade, virou símbolo de como essa gestão opera: recursos públicos, decisões de governo e interesses privados misturados numa trama que o governador ainda não explicou de forma satisfatória para a população que o elegeu. Agora é a Secretaria de Educação. O dinheiro que deveria chegar à sala de aula foi, segundo as investigações, desviado por quem deveria protegê-lo. E o homem no centro da investigação é exatamente aquele que Ibaneis escolheu para liderar sua base política. Não um dissidente, não um adversário. Um aliado de confiança máxima, colocado ali pelo próprio governador. Governos são julgados pelas escolhas que fazem. Ibaneis escolheu Hermeto para ser seu líder na Câmara. Escolheu os nomes que tocaram o BRB. Essas escolhas têm consequências, e as consequências aparecem nas páginas policiais com uma frequência que já virou marca registrada dessa administração. Não dá mais para tratar cada caso como exceção. Brasília merecia uma gestão que disputasse espaço no noticiário por realizações, por políticas públicas, por uma cidade que funciona. O que a população tem, no lugar disso, é um governo que virou personagem fixo de operações e investigações que se acumulam antes que a anterior se encerre. Isso não é azar, é o retrato de uma administração.
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