🐈⬛ retweetledi

Desde a primeira semana do BBB, a amizade entre Ana Paulae Milena foi tratada como “impossível”.
E nunca foi só sobre jogo.
Muita gente não conseguia aceitar que duas mulheres de realidades sociais tão diferentes pudessem se amar de verdade sem existir hierarquia nisso.
Então começaram os rótulos: chamaram a Milena de sombra, de gandula, disseram que ela tinha encontrado uma patroa dentro da casa.
Falaram que a Ana Paula passava por milhares de “Milenas” na rua e ignorava todas. Que jamais sentaria em um restaurante com ela aqui fora.
E enquanto diminuíam a Milena, a Ana Paula fazia exatamente o contrário.
Sempre exaltou a personalidade dela, dizia que ela nunca viveu à sombra de ninguém e até questionava por que a Milena não era vista como cabeça do grupo.
Mas o mais triste é perceber que, aqui fora, parte da torcida reproduz exatamente o discurso que indignava a Ana Paula lá dentro.
Dizem que a Milena só chegou longe escorada nela.
Que a amizade não é recíproca.
Que a Ana Paula está se afastando estrategicamente.
Que Ana Paula jamais sairia com ela aqui fora, por isso se esconde da Milena.
E o mais cruel: muitas vezes a Milena recebe de parte da torcida da Ana Paula um tratamento pior do que os próprios adversários de jogo receberam.
Parte da torcida oferece o mesmo desprezo.
A mesma desumanização velada.
A mesma ideia cruel de que a Milena só existe através da Ana Paula.
E eu fico pensando: que programa essas pessoas assistiram?
Porque boa parte do sofrimento da Milena dentro da casa foi justamente por amar e se entregar demais aquela amizade. Aliás, essa sempre foi a justificativa nos sinceroes, barrados no baile e etc.
Milena chorou em castigo do monstro, sofreu em dinâmica, sentiu cada barrado do baile.
✨E talvez a frase mais simbólica de todas tenha sido quando ela disse que aceitava TODOS os riscos de ser amiga da Ana Paula.✨
Ela aceitou.
Inclusive o pior deles: ser constantemente diminuída por isso.
A Ana Paula sempre disse “permita-se ser mal vista”.
Mas talvez o que parte das pessoas não suporte seja justamente isso: a ideia de que a Milena também tenha o direito de ocupar esse lugar.
De errar, de incomodar, de existir de forma complexa sem precisar ser milimetricamente perfeita , dócil ou pequena para merecer afeto.
Talvez a maior ironia de todas seja essa:
em 100 dias de programa, quem mais entendeu a Milena foi justamente a Ana Paula.
E quem mais insiste em diminuí-la são pessoas que juram admirar a Ana Paula todos os dias.
No fim, talvez o incômodo nunca tenha sido sobre estratégia.
Talvez algumas pessoas simplesmente não consigam enxergar afeto genuíno entre pessoas de mundos e raças diferentes sem transformar uma em inferior à outra.
E isso diz muito mais sobre quem assiste do que sobre elas.
Português













