Richard Rytenband@RRytenband
O VERDADEIRO INDICADOR PARA MONITORAR IMPACTOS DA ALTA DO PETRÓLEO NA ECONOMIA REAL
A melhor forma de avaliar o impacto real do mercado de energia não é apenas através da cotação do petróleo, mas do chamado Crack Spread.
De forma simples, o crack spread é a margem de lucro teórica das refinarias. Ele representa a diferença entre o custo do petróleo bruto e o preço de venda dos seus derivados, como o diesel e a gasolina.
Quando esse indicador sobe de forma muito acentuada, como observamos agora, ele acende alertas macroeconômicos relevantes:
Incapacidade do Sistema:
Não falta apenas óleo cru; falta capacidade de transformá-lo em combustível. Ataques a refinarias e gargalos na infraestrutura do Golfo transformaram um "problema logístico" em um choque de oferta real.
Imposto sobre a Produção:
Quando o crack spread explode, o preço do diesel sobe muito mais rápido que o do petróleo. Isso encarece o frete, a colheita e a indústria. É inflação injetada direto na veia da cadeia produtiva.
Fragilidade Exposta:
Esse descasamento evidencia que o sistema de refino global está operando no limite. O verdadeiro risco atual não está apenas no preço da commodity, mas na extrema fragilidade da nossa infraestrutura energética.
Este é mais um dos gargalos estruturais da estagflação que se desenvolve desde a pandemia. No entanto, por entrarmos agora em uma nova fase de transição nesse ciclo, o tema voltou a capturar a atenção do mercado.
No gráfico, podemos observar os crack spreads mais utilizados pelo mercado operando novamente em patamares recordes, nos níveis mais altos das últimas décadas.