Fischer “Taffy” Family
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@EZbanke In a way, Lorena's absence is a plot in itself. The novela has moved to a "revenge" scenario where every person is out to get it. That is not Lorena's case, she stands above all of that. She is still THE moral compass of the entire novela.
English

Sobre a (in)utilidade da Lorena-parte 2 ou será que Lorena está reduzida a trama amorosa?
#TrêsGraças #Loquinha #comentario
No texto anterior, eu falei que a Lorena era o compasso moral da casa Ferette. Como esse compasso nunca era utilizado, ela parecia “inútil” dentro daquela estrutura.
Mas existe uma outra “inutilidade” da Lorena sobre a qual falamos pouco, ou melhor, falamos muito, mas dentro de um enquadramento errado. Existe uma crítica recorrente: Lorena está “reduzida” à trama amorosa.
Não estar na parte da ação. Não estar na quadrilha de vingança. Não ocupar o espaço do derrubamento de Ferette é visto como um retrocesso. E agora que Lorena escreve um poema, de repente ela vira ainda mais “romântica” e menos “útil para a trama”. Será?
Talvez o problema não esteja na personagem. Talvez esteja na forma como aprendemos a medir utilidade?
Vivemos numa lógica capitalista que associa valor à produtividade visível. Quem produz, vale. Quem pausa, contempla ou cria em silêncio parece estar parado. Essa lógica não é neutra. Ela nasce de um modelo de sociedade que prioriza desempenho, resultado e ação constante.
E, historicamente, o que foi invisibilizado primeiro?
O trabalho feminino. O cuidado. A criação simbólica e … a arte.
Poesia nunca foi considerada “trabalho sério”. Muito menos quando feita por mulheres. Mulheres podiam escrever, desde que fosse leve, decorativo, não central.
Ao mesmo tempo, os movimentos de emancipação feminina lutaram para que mulheres ocupassem espaços de poder, carreira, decisão e isso foi e continua sendo essencial.
Mas aqui surge uma armadilha contemporânea:
quando transformamos produtividade na única prova de libertação.
Se uma mulher não está constantemente provando competência, ela parece estar regredindo. Se ela escolhe contemplar, parece fraca. Se ela escolhe amar, parece reduzida.
E aqui entra o ponto central: o amor.
O amor homoafetivo entre Lorena e Eduarda não é uma redução narrativa. É uma ruptura estrutural. Ele existe fora da lógica heteronormativa que organiza expectativas sobre casamento, carreira e papel feminino.
Esse amor não a aprisiona. Ele a desloca do sistema do pai. Ele cria um espaço onde ela pode existir sem performar para agradar um olhar masculino.
Receber e escrever poemas dentro de relação Loquinha não é apenas gesto romântico. É gesto simbólico. Elas não rejeitam o romantismo. Elas o reconfiguram. Transformam algo tradicionalmente moldado para relações heterossexuais em algo orgânico, político e próprio.
Isso é revolução íntima. Amor, aqui, é território de autonomia.
A irritação com a “inatividade” da Lorena revela algo mais sobre nós do que sobre ela: ainda medimos mulheres pela ação visível. Ainda acreditamos que potência feminina precisa estar sempre em movimento externo.
Lorena não está reduzida ao amor.
O amor é o terreno onde ela está se estruturando. Ela é o compasso moral da história. E compasso não age correndo. Ele orienta.
Acredito que ela ainda vai ter um papel importante no derrubamento de Ferette. Acredito também que vai encontrar a sua vocação até o final da novela.
Mas talvez a pergunta para nós hoje seja outra:
Será que a (in)utilidade existe apenas dentro de certos sistemas económicos?
E será que o que é verdadeiramente útil é o caminho que cada um de nós percorre para encontrar a própria voz seja na ação ou na contemplação?




Português

@EZbanke Every other core stands as a group, but Lorena stands alone. She is THE moral compass of the entire novela, along with Juquinha. They are the only ones who never strayed from their values, no matter how hard.
Leo, I will miss reading your analyses.
English

Vocês já se perguntaram por que a Lorena parecia inútil na casa do Ferette? É que isso tem a ver com os capítulos 5 e 78 da novela?
#TrêsGraças #análises #Lorena
A expulsão física de Lorena no capítulo 78 foi o catalisador do derrubamento da casa Ferette. Depois de ela sair, Zenilda e Leonardo vão fazer o mesmo, e o próprio Ferette vai ser expulso por autorização da Lorena, fechando esse círculo.
Mas, para além da expulsão física, existe também a expulsão simbólica de Lorena. E essa expulsão começa já no princípio, sendo acentuada pelo diálogo e pela mise-en-scène no capítulo 5.
Lorena sempre funciona na casa como um compasso moral, num espaço onde o poder, o dinheiro e o controle ditam as regras. Ela é a única que mantém coerência de valores do início ao fim. Por isso, a expulsão física de Lorena é também um símbolo da expulsão do eixo moral da casa. Sem eixo, a casa cai!
As cenas do capítulo 5 e do capítulo 78 são espelhadas. São duas cenas em que Lorena tem a mesma figurinha, duas cenas de violência que ela sofre nessa casa por conta dos seus valores e da sua verticalidade. Na cena do capítulo 5, ela evoca a culpa, a moralidade e a moderação em que seria bom que pessoas com dinheiro vivessem. Já no capítulo 78, no seu monólogo, ela dirige-se diretamente ao pai: ele finge ser bom, mas está podre da cabeça aos pés. Ele não tem moralidade!
Ferette expulsa Lorena não por ser homossexual, mas porque ela não aceita se “moldar” às suas ordens. E, se no capítulo 5, Leonardo diz que ela vai mudar, que a sua verticalidade é uma “doença que daqui a pouco passa”, no 78 já está claro que não. É precisamente por essa incapacidade de caber nos valores - Ferette que Santiago a expulsa.
Nós fazemos graça com a Zenilda, nos capítulos recentes, que comprou um carro, e com o Leonardo, que continua vivendo de dinheiro sujo. Mas é importante lembrar: eles não mudaram, saíram fisicamente da casa sem mudar os seus valores.
Mudar valores é uma das coisas mais difíceis que existem. Falar certas palavras é fácil. Atuar de forma diferente é outra coisa. Atuar de forma diferente significa romper com o próprio passado. Significa destruir a estrutura que te formou e construir outra do zero.
Poucos personagens têm coragem, ou força interna, para fazer isso. Eu não vejo nem Zenilda nem Leonardo fazendo esse movimento radical. Ainda não!
Lorena, por outro lado, nem precisou “mudar” no sentido moral. Porque, desde os primeiros capítulos, ela já não se inscrevia naquele sistema de valores. Ela estava ali fisicamente. Mas, eticamente, nunca pertenceu àquele mundo, já era expulsa.
Lorena era o compasso moral da casa que nunca foi utilizado! Por isso a aparente inutilidade dela dentro da casa!
E por isso ela e a chave para compreender tudo que vai acontecer na reta final com familia Ferette
Português

@poponze The stories are not running parallel? If they are looking for a house next week, does it mean that the Fragosos will not show up until the end of the month?
English

She was sexually assaulted, and left for dèad 😫😲 deep in the woods, after thrown into the river
The Girl They Left for Dead Is Back… And She’s Not Alone😫😲🎬🍿🍿💒🎥✨
Praise_Iro@PraiseIro
This movie would definitely grace your Sunday already 🍿🎬🎥
English

@nereahorror "When night is falling" (1995 Canadian movie).
English

@endlesslilies Elle, keep doing what you’re doing and don’t listen to the noise. You don’t need to defend yourself, sometimes it’s impossible when logic and common sense are nowhere to be found… and it’s exhausting..
English

@EZbanke It was very smart not to rush the “living together” plot. I love that they are not losing themselves by being together, the relationship allows them to amplify what’s good about each of them individually before the big move.
English

Yes, because we, as audience tend to watch the show as “ life”. In real life most probably she would proposed Lorena to move just after she has been kicked out. But in the word of dramaturgy the actions have always additional meaning, layers ( if it is a good product) and that’s why the choice of the authors was to leave Lorena evolve and understand certain things before moving in with Eduarda.
I know for most of the people this is frustrating 😎😂 but also rewarding to see such a smart construction
English

Parceria de iguais – cap. 131
Sobre o derrubamento do patriarcado e a escolha política de Lorena e Juquinha
#TrêsGraças #análises #Loquinha
Em contraste com a situação de João Rubens e Kasper, que descobrem que viviam em uma parceria desigual, Lorena e Eduarda, no mesmo capítulo, dão um passo à frente para construir algo de igual para igual.
O começo da cena é, de fato, o final, e o final é o começo. Elas fazem coisas de casal juntas: dobrando guardanapos como se já estivessem em casa, conversando sobre trabalho, inseguranças, desejos. As cores das roupas se combinam e indicam a classe social escolhida: a classe trabalhadora.
Se, no início, quando elas se conhecem, uma exerce a “vergonhosa função de herdeira” e a outra já estava “cansada de exercer” esse papel, embora venham da mesma classe social, elas não estavam em posição de igualdade.
O caminho da Lorena passa pelo amor que sente por Eduarda e pelo confronto com o preconceito do pai. Ela sai do “Ferettestão”, deixa para trás as expectativas sociais impostas a uma jovem mulher burguesa e “abala o patriarcado” ao recusar privilégios bancados pelo pai. Ela decide construir sua vida, sua família e seu sistema de valores do próprio jeito.
Lorena e Eduarda não se mudaram para viver juntas antes porque era preciso chegar a esse mesmo ponto.
Lorena encontrou a pessoa certa: alguém que não se incomoda com sua mulher trabalhando, que apoia suas escolhas e que respeita a autonomia da parceira e seu tempo. Tudo o contrário da construção familiar que ela vivia na casa dos pais.
E quando Eduarda derruba a bandeja e se ajoelha, não é um gesto unilateral. As duas se ajoelham ao mesmo tempo, simbolizando o começo de uma relação igualitária. Elas vão crescer juntas desde o chão. A luz que ilumina a cena simboliza o amor forte que sentem uma pela outra e a ideia quase sagrada desse matrimônio “abençoado no céu”, reforçando essa escolha.
O que Eduarda propõe não é só dividir o mesmo teto. É dividir a mesma visão de futuro e a mesma ideia de como uma família deve ser construída para funcionar. Elas vão se levantar do chão juntas e se apoiar mutuamente na construção do próprio caminho.
Elas não são e nunca serão classe trabalhadora no sentido estrutural. Mas a escolha de trabalhar é uma escolha política, escolha ativista.
É um manifesto de mulheres que querem sair da narrativa capitalista patriarcal e construir a própria narrativa, subindo juntas a escada social, passo a passo. De igual para igual




Português


@noniel_b Foreigner here. You cannot perfect what is already perfect. The actresses, writers, directors...every piece fits together to create magic. Loquinha is magic.
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do mundo. não é exagero. loquinha / 3G não virou um fenômeno internacional à toa. sim, sapatão vai amar qualquer coisa que tenha lésbicas, mas só prestar atenção ao que gringo fala sobre elas. NINGUÉM, gente. NINGUÉM NUNCA fez o que elas estão fazendo. não é exagero. pode abraçar
Ger :)@laurflowwers
Sem favoritismo mas Loquinha é o maior casal lésbico da televisão brasileira e para alguém conseguir fazer mais do que elas vai ser muito difícil, Alanis e Gabriela quebraram todos as barreiras e elevaram a representação em um patamar ÚNICO, como é lindo ver um amor puro na Tv.
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@alanisguillens As I said before, they have become the gold standard of representation around the world.
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brasileira? pra mim é o melhor do mundo e não tô exagerando 😭
Ger :)@laurflowwers
Sem favoritismo mas Loquinha é o maior casal lésbico da televisão brasileira e para alguém conseguir fazer mais do que elas vai ser muito difícil, Alanis e Gabriela quebraram todos as barreiras e elevaram a representação em um patamar ÚNICO, como é lindo ver um amor puro na Tv.
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Sobre o trauma de João Rubens, movimento decolonial, privilégios brancos e estresse de minorias
#TrêsGraças #análises #decolonialismo #privilégios #psicologia #samueldeassis
(Texto analítico e pessoal)
O episódio de ontem foi o episódio de João Rubens e Kasper. Dois diálogos montados um depois do outro, subindo de intensidade para levar a uma conclusão que nunca foi dita explicitamente nesse casamento e nessa novela em geral:
A opressão e a desigualdade racial não só ainda existem na sociedade, como muitas vezes se disfarçam de parceria!
Primeiro diálogo - sobre decolonização
Os dois voltam para casa depois de uma noite na cadeia, mas a leitura do acontecimento é completamente diferente.
Para Kasper, foi uma aventura.Para João Rubens, foi um trauma. Ele tenta despertar o marido. Mas, mais uma vez, Kasper coloca a si mesmo em primeiro lugar.
João: “Você gosta mais delas do que de mim, né?”
Kasper: “Elas não são como você, não são de carne e osso.”
O valor de um objeto material (a estátua) é colocado acima do valor de uma pessoa de carne e osso. Um olhar colonizador que percebe as riquezas, mas apaga as pessoas.
João: “Se você ficar sem mim, ainda vai valer a pena?”
Kasper: “Uma coisa não tem nada a ver com a outra.”
Para Kasper, João sempre estará ao seu lado. É algo óbvio. Natural. Absurdo pensar que ele poderia sair da relação. Sair para onde? E, sobretudo, Kasper nem tenta se colocar no lugar do “colonizado”. Ele continua olhando tudo com o olhar do “colonizador”.
Kasper: “Você quer se separar de mim depois dessa noite GLORIOSA?”
João Rubens: “HORROROSA. É isso que você devia dizer.”
Os manuais de história escritos pelos “conquistadores” descrevem os acontecimentos como gloriosos: conquista de terras, riquezas, homens e mulheres escravizados. Nunca o colonizador pensa na outra parte da história. Na parte em que isso é horroroso para os povos escravizados.
O colonizador não admite o roubo das terras. Ele se orgulha, porque foi uma vitória do seu ego. E quando o colonizado levanta a voz, ele é acusado de vitimização.
Kasper: “Que pessoa você está se tornando?”
“Pra que todo esse melodrama?”
“Você é meu companheiro pra vida toda!”
O colonizador nem aceita a ideia de que o colonizado queira sair da “parceria”.
Mas João Rubens acordou.
E com ele acorda o espírito decolonial.
Segundo diálogo sobre estresse de minorias
O segundo diálogo começa com João Rubens indicando que não há diálogo entre os dois. Kasper manipula a conversa lembrando que prometeram amor eterno na alegria e na tristeza.
A “alegria e tristeza” de Kasper sempre foram apenas dele. Ele nunca se colocou verdadeiramente no lugar de João Rubens.
“Um erro meu não é igual a um erro seu.”
João Rubens, por ser preto, vive outra realidade. Uma realidade que Kasper, representante do privilégio, nunca entendeu.
João Rubens:
“Eu passei uma vida inteira provando pra sociedade que todo julgamento que fazem é injusto.”
Na psicologia social existe a teoria do Minority Stress, desenvolvida por Ilan H. Meyer. Ela descreve como a exposição contínua ao preconceito e à exclusão gera um nível crônico de estresse, afetando a saúde e o bem-estar de grupos minoritários.
Esse estresse não vem de dentro da pessoa. Vem de fatores sociais. Em contextos racializados, isso gera medo constante de ser visto como suspeito ou perigoso.
O que Kasper, após 25 anos ao lado de João Rubens, nunca percebeu é que, aos olhos da sociedade, eles ocupam lugares diferentes. E que João sacrificou muito mais para estar onde está hoje.
O divórcio não vem só por causa de mentira ou traição. Vem por causa da descoberta de João Rubens de que, por 25 anos, a comunicação foi fictícia. Nunca houve verdadeiro deslocamento de perspectiva.
Essas cenas deixam uma pergunta para a sociedade:
Essa “parceria” entre opressores e oprimidos é realmente justa hoje em dia na sociedade brasileira?
Ou é apenas uma ilusão confortável?
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Português

@laurflowwers Not only Brazil, I dare to say Loquinha has now become the golden standard for representation around the world.
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@justchase_1 Your grandma has a point about the bills...
English

@claraespinolaa_ @tvglobo Pretend that you are studying gravitational force, the force of attraction between any two masses (the masses being Lorena and Juquinha).
English

@endlesslilies O cannot go back because I never left 😍
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