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Toy Story 5: onde está Woody?
Saí do cinema com a sensação de que Toy Story 5 não foi feito para celebrar Buzz e, principalmente, Woody. Foi feito para substituí-lo.
Esse não é um filme ruim, longe disso. É visualmente lindo, especialmente em IMAX, e funciona muito melhor do que Toy Story 4 em vários aspectos (o pior da franquia).
Mas é também um longa que parece não saber mais o que fazer com os personagens que transformaram a franquia em um fenômeno mundial. Ou melhor, sabe: deixá-los em segundo plano.
Buzz e Woody perdem totalmente o protagonismo. E o pior: muitas vezes aparecem apenas para servir de escada para outros personagens ou virar alvo de piadas.
Woody, principalmente, é tratado como alguém ultrapassado. Em nenhum dos ambientes que frequenta ele exerce a liderança que sempre definiu o personagem. Na casa onde vive, quem ocupa esse papel é Betty. Na aventura principal, o destaque fica com Jessie. Enquanto isso, o boneco passa boa parte do filme ouvindo comentários sobre ser velho, careca, antiquado ou fora de época.
A comparação com Toy Story 2 é inevitável. Naquele filme, Woody também enfrentava o medo de estar ficando ultrapassado. Mas a história transformava essa insegurança em algo emocionante. Ele descobria seu passado como astro de TV, entendia sua importância e reafirmava seu valor. Era uma homenagem ao personagem.
Toy Story 5 faz exatamente o contrário. Em vez de celebrar Woody, o filme parece determinado a mostrar que ele não é mais importante e colocar Jessie no seu lugar, mesmo eles sempre tendo sido bons amigos e nunca rivais.
E isso não faz o menor sentido em uma trama baseada no fato de que crianças tem largado seus brinquedos, em prol da tecnologia. Não faz o menor sentido.
Outro detalhe que me incomodou bastante foi a trilha sonora. "Amigo Estou Aqui", uma das músicas mais icônicas não apenas da franquia, mas da própria história da Pixar, é praticamente ignorada. Em seu lugar, o filme aposta em uma canção da Taylor Swift, para agradar seu "novo público".
Não haveria problema algum em incluir uma música da cantora. Ela poderia perfeitamente estar presente no filme. O problema é substituir um dos elementos mais clássicos e emocionais da série. Algumas músicas fazem parte da identidade de uma obra. Elas não deveriam ser descartadas como se fossem apenas mais um detalhe.
Não considero Toy Story 5 um filme lacrador, embora haja sim um direcionamento para retirar a masculinidade da franquia. Mesmo assim, o pano de fundo mais feminino é tratado de forma natural e geralmente funciona dentro da história. Mas, para mudar esse foco, a Pixar parece sentir necessidade de diminuir aqueles que construíram a franquia. Ou seja, Buzz e Woody.
E não só a dupla, como todos os outros brinquedos clássicos servem apenas como figurantes, muitos sem ter sequer uma fala. Não é isso que os fãs querem ver, sinceramente.
No fim, Toy Story 5 é um filme bonito, competente e que até vale ser visto. Mas também é um filme que me deixou com a sensação de estar assistindo ao encerramento silencioso de uma era.
Porque, pela primeira vez na história da série, Woody não parece mais o coração de Toy Story. E isso é triste demais.