Paulo Figueiredo (8)@pfigueiredo08
Há uma revolta desproporcional de alguns aqui com os questionamentos feitos por jornalistas de direita sobre o caso Flávio-Vorcaro. Questionar é legítimo e é obrigação da imprensa, independentemente da posição política de quem pergunta. Nós queremos melhorar o país com a verdade, não tapando o sol com a peneira.
Minha postura desde o início deste escândalo (e sim, é um escândalo) foi clara: apurar os fatos e trazê-los ao público sem esconder nada. Conversei com os envolvidos, questionei todo mundo que pude, levei tudo o que levantei no PF Show e fiz duas entrevistas com as fontes primárias, fazendo todas as perguntas desconfortáveis que precisavam ser feitas.
É verdade que existe uma festa entre aqueles que sempre tiveram má vontade com a candidatura de Flávio - seja por convicção equivocada, seja por pura fraqueza moral. Mas isso só foi possível pela incapacidade da campanha e do próprio candidato em explicar algo simples e pelas omissões pretéritas junto ao público que abalaram a sua credibilidade. A verdade - pelo menos pelo que pude apurar até agora - era razoavelmente simples e honesta, mas a campanha foi atropelada por revelações (muitas verdadeiras, outras deturpadas) sem uma comunicação decisiva e 100% transparente.
No meu juízo pessoal, até o que pude apurar até agora, não vi nada ilegal ou imoral. Na relação entre Flávio e Vorcaro, não há nada que eu, no lugar do senador, teria feito diferente. Esse é o meu posicionamento mais honesto. Lamento que parte da direita esteja atirando pedras com hipocrisia, mas os questionamentos, estes sim, precisam continuar - e devem ser respondidos com honestidade e humildade pelo candidato e sua campanha. A Verdade é sempre o caminho.
Demorou, mas Flávio e a campanha conseguiram explicar, ainda que de forma atabalhoada, o que veio à tona até aqui. O estrago eleitoral foi real, porém é sanável até outubro. O ciclo das notícias é curto e o assunto já está perdendo força. Mesmo assim, a credibilidade foi abalada e a pergunta (legítima) que mais escuto agora é: “O que mais vem por aí?”
Será que a relação Flávio-Vorcaro se limita ao filme? Virão novos diálogos? Transações financeiras? Se não vierem (como Flávio jura e como eu acredito, até o momento), a credibilidade voltará aos poucos. E, certamente, a participação real do PT no esquema do Master não ficará eternamente escondida pelo ministro André Mendonça.
Questionar é válido e necessário. Mas eleição não é escolha entre Flávio e Ronald Reagan. É entre Flávio e Lula. Cabe à campanha respirar, reagrupar, organizar o time e começar a produzir pautas produtivas. Se fizerem isso, Flávio sai vitorioso.