
Daniel Baltazar
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A Ditadura da Benfica TV e a Ética à Moda de Lisboa A realização dos jogos na Benfica TV está ao nível do que fazem as televisões estatais dos regimes autocráticos para proteger o poder instalado. Quando está em causa um lance que possa prejudicar o Benfica, somos brindados com repetições até à náusea, de todos os ângulos possíveis, numa autêntica dissecação televisiva do lance. Mas quando o erro pode ser em benefício dos da casa, as repetições desaparecem como por magia. Estas práticas estalinistas têm um propósito claro: manipular a percepção pública dos lances, controlar a narrativa da discussão mediática e, em certos casos, até influenciar o próprio VAR. É verdade que na cabine do VAR existem acesso a todas as câmaras. Mas também é verdade que os árbitros assistem à transmissão televisiva em directo e que o número de repetições funciona inevitavelmente como um sinal de alerta sobre a importância de um lance. No último domingo, tal como já tinha sucedido no Benfica vs Alverca (onde o primeiro golo dos encarnados parece resultar de uma falta na recuperação de bola mas onde não houve uma única repetição) a BTV voltou a expor toda a sua ditadura editorial na transmissão do Benfica vs FC Porto. Um exemplo claro: aos 16 minutos, Prestiani entra de sola sobre Martim Fernandes, num lance que coloca em causa a integridade física do jogador e que, à luz das Leis do Jogo, pode perfeitamente enquadrar-se como falta grosseira passível de cartão vermelho. Quantas repetições houve? Zero. Outros exemplos não faltam: a falta assinalada a Deniz Gül no início do 2 tempo, por pretensa mão na bola quando esta já estava em posse de Fofana, que arrancava em campo aberto, ou o alegado pisão de Dedic sobre Martim Fernandes por volta dos 55 minutos (que me pareceu, no momento, involuntário). E poderíamos recuar ainda ao Benfica vs Alverca: no golo anulado a Pavlidis por mão na bola, a repetição que permite perceber a infração só apareceu minutos depois de o VAR ter alertado o árbitro. A BTV controla as imagens, o que dá, quantas vezes dá, quando dá e de que ângulo dá. É a ética desportiva e a transparência à moda de (uma certa) Lisboa. Se me causa estupefação que os clubes portugueses aceitem isto com resignação, já quanto às instituições que regem o futebol a surpresa é nenhuma. Trata-se do Benfica. E em Portugal já todos percebemos que com o Benfica ninguém se mete, a não ser para lhe dar cobertura.









































