Ricardo Galvão@ricardogalvaosp
Aos Amigos e às Amigas da Rede Sustentabilidade
Há quatro anos, vocês me recebiam de braços abertos na REDE Sustentabilidade. Foi para mim um enorme orgulho e grande emoção ter cerrado fileiras ao lado de companheiros tão valiosos que me acolheram na luta em defesa da ciência e do meio ambiente.
Recordo-me como se fosse hoje o dia em que decidi aceitar o convite feito por Marina Silva para candidatar-me a deputado federal pelo partido.
Desde antes de ingressar nos quadros da REDE, sempre tive Marina Silva como referência na política nacional, um exemplo ético e um comprometimento profundo pela construção de um país socialmente justo, economicamente próspero, politicamente democrático, culturalmente diverso e ambientalmente sustentável. Ela é, como a chamamos carinhosamente, nossa mantenedora de utopias.
Marina Silva foi uma das primeiras a me apoiar contra os ataques aos dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que apontavam o grave aumento da taxa de desmatamento da Amazônia do governo passado. Já nos conhecíamos antes, mas foi a partir de então que desenvolvemos uma amizade sólida, pautada na solidariedade e em nossos valores comuns.
Ali compreendi que não bastava resistir; era preciso caminhar junto para avançar. Foi Marina quem me convenceu a entrar na política, foi ela quem viu o potencial e deu o suporte para um acadêmico comprometido com a democracia ocupar o posto de Deputado Federal.
Enquanto outros candidatos disputavam entre si, fizemos campanha lado a lado, ambos pleiteando uma vaga na Câmara dos Deputados, caminhando juntos e pedindo voto um para o outro. Algo inimaginável na política brasileira, mas plenamente compatível com a virtude de Marina Silva.
Eu, um acadêmico das ciências duras, fui confrontado com a complexa realidade da disputa eleitoral pela primeira vez. Mas contei com o apoio e a parceria de outras lideranças, como a deputada estadual Marina Helou, e muitos jovens que trabalharam voluntariamente pela minha candidatura. No processo eleitoral, aprendi muito com todos, e este esforço coletivo resultou em um mandato atuante e representativo.
Após o esforço para eleger nosso presidente Lula, por indicação de Marina, tive o privilégio de integrar a equipe de transição, na área de Ciência, Tecnologia e Inovação. Ali trabalhei sobretudo em dois temas extremamente relevantes para mim: a criação da Subsecretaria da Amazônia na reestruturação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e, no início do Governo Lula, o aumento dos valores das bolsas de pós-graduação fornecidas pela CAPES e pelo CNPq.
Após a transição, recebi honroso convite da Ministra Luciana Santos de presidir o CNPq. Foram três anos de muito trabalho, com uma equipe valorosa, que resultou em relevantes resultados para a comunidade acadêmica, em particular o aumento dos valores das bolsas de pós-graduação, a instituição do programa de atração de pesquisadores brasileiros do exterior e o lançamento do mais robusto edital de todos os tempos, de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia.
Após esse período, assumi o mandato na Câmara dos Deputados, em suplência ao nobre colega Guilherme Boulos. Um mandato curto, mas produtivo. Afinal, em poucos meses, conseguimos feitos bastante significativos, entre os quais a aprovação de um dispositivo para garantir segurança previdenciária aos pós-graduandos de nosso país. Tenho a convicção de que o mandato fez jus às expectativas e aos valores seminais da REDE e de nossos eleitores.
No entanto, em meio a tantas realizações, não posso deixar de mencionar minha tristeza pelo cenário de desagregação interna que a REDE está passando. Muitos dos princípios e valores que balizaram sua fundação, incluindo o respeito pela civilidade republicana e a visão sustentabilista, passaram a ficar sob ameaça.