Nutri Felipe Almeida
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Nutri Felipe Almeida
@nutrifelipealm
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@ThomasVConti @olavoamaral Anos depois e a galera ainda nao entendeu calculos e a que se refere os 15%, interpretando como valores absolutos e ignorando a propria qualidade do estudo 😮💨
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O @olavoamaral publicou um artigo no Nexo retomando o velho debate sobre a eficácia da cloroquina à luz de um recente estudo clínico rigoroso. O estudo encontrou redução de 15% no risco de ser infectado por covid entre as pessoas que tomaram cloroquina, e isso na visão de Amaral traz uma importante lição de humildade para a comunidade científica.
Será mesmo? Vamos conferir como o autor argumenta, e porque na minha visão o quadro apresentado por ele é uma leitura equivocada - tanto do que aconteceu, quanto das lições a serem aprendidas.
Meu foco aqui não será em checar a metodologia desse último estudo. Esse também não foi o foco de Amaral. Ele enfatizou a importância da humildade na ciência e lições para a tomada de decisão na época da pandemia. Para discutir esses temas, podemos aceitar o resultado desse estudo mais recente pelo valor de face dele sem problemas. Não fará diferença.
Citando os autores deste estudo mais recente, Amaral reforça o argumento de que "se os resultados estivessem disponíveis em 2020 ou 2021, enquanto não havia vacinas e o vírus tinha uma letalidade mais alta, o uso profilático da droga poderia ter cumprido um papel relevante. A polarização associada à cloroquina – um efeito colateral do medicamento ter sido assumido como bandeira política por políticos de extrema direita ao redor do mundo – comprometeram a avaliação objetiva do tema pela comunidade científica."
Que houve polarização política em torno da cloroquina ninguém tem a menor dúvida. Porém, o argumento de que esta polarização teria "comprometido a avaliação objetiva do tema pela comunidade científica" a meu ver é um argumento falso e, a meu ver, indefensável.
Para avaliar de forma rigorosa o comportamento de qualquer pessoa da comunidade científica daquela época é necessário fazer um esforço de voltar ao nível de informação que existia naquela época.
E que estudo foi responsável por colocar no debate público a defesa da cloroquina como tratamento para a covid? Foi um estudo do pesquisador francês Didier Raoult, que em 20 de março de 2020 publicou um relatório preliminar de um estudo em 24 pessoas "testando" hidroxiclorquina e azitromicina no tratamento da COVID. Além de ser um estudo com apenas 24 pessoas, ele não tinha grupo de controle, não era um estudo cego, e não diziam quais eram os critérios de inclusão ou exclusão de pessoas. Na verdade, no próprio texto os autores admitiam que excluíram duas pessoas do estudo por terem apresentado sintomas graves no acompanhamento.
Este estudo do Raoult era um estudo absolutamente horroroso com nenhum mérito científico e nenhuma possibilidade de se tirar qualquer conclusão. Mais tarde vieram a tona outros escândalos associados com este e os outros estudos do Raoult, com violações gravíssimas da ética médica, condução de estudos sem aprovação ética, sem consentimento dos pacientes, documentos falsificados... a lista de práticas médicas e científicas inadmissíveis é longa.
Apesar de todos estes problemas, este único estudo em 24 pessoas foi a base de evidências que motivou todo o alarde em torno da cloroquina. Começou com o próprio Raoult em 17 de março de 2020 prometendo em uma palestra online que tinham um estudo com resultados promissores que seriam divulgados em breve. Na época a Itália estava sendo devastada pela Covid e o mundo estava assustado. Raoult capitalizou em cima dessa ansiedade da população.
Antes mesmo do relatório de Raoult vir a público, em 19 de março Trump já anunciava que tinham encontrado um remédio promissor, e em 21 de março divulgou que haviam "achado a maior virada de jogo da história da medicina". O apoio entusiástico de uma "cura" foi rapidamente replicado pelo Bolsonaro no Brasil.
Já no dia 24 de março um homem no Arizona morreu por ingerir cloroquina não-médica sem saber a diferença, tentando se automedicar. Em 28 de março o FDA - órgão americano que autoriza medicamentos - aprova o uso emergencial da cloroquina nos hospitais. Dali em diante, estava posto o discurso pró-cloroquina com fama internacional. O discurso que prevalecia variava entre "mal não faz" ou que era a cura definitiva.
É fundamental ter claro: não havia nenhuma base de evidências naquela época para se defender esse nível de divulgação do medicamento e provocar tamanho otimismo na população. Pior, não se sabia muito de como a covid funciona, então sequer a afirmação de que "mal não faz" tinha evidências por trás. Se por um lado a cloroquina era um remédio já bem conhecido e com efeitos colaterais baixos, a azitromicina era um antibiótico - uma classe de remédios que realmente não se aconselha tomar sem que se exista algum benefício médico muito bem definido. Tomar antibiótico preventivo era uma loucura, mas naquela época a narrativa de que havia uma cura em vista somada ao desespero da população venceu o bom senso de muita gente, incluindo de médicos.
Ora, o que fez a comunidade científica naquela época? Fez uma avaliação das evidências por trás desses argumentos e chegou na conclusão correta: o estudo do Raoult era um péssimo estudo do ponto de vista metodológico (era mesmo) e as conclusões que as pessoas estavam tirando dele não tinham fundamento (de fato não tinham).
E aqui entra minha grande discordância com o texto do Olavo Amaral. Ele traz este estudo recente que encontrou benefício de redução de 15% nas infecções por Covid no grupo tratado como uma lição de humildade *para a comunidade científica que criticou a cloroquina*. Por terem feito tanta campanha contra a cloroquina, diz Amaral, a comunidade científica se fechou contra as evidências que foram aparecendo *depois* em favor dela. A questão é: no começo ou mesmo durante a pandemia o Raoult e os demais defensores da Cloroquina em algum momento defenderam que ela teria um efeito módico tal como reduzir em 15% a chance de se infectar com Covid? Não, de forma alguma.
O discurso que o Raoult, membro da comunidade científica, tentou propagar era um discurso de que o impacto da cloroquina com azitromicina era muito alto, ao ponto de ser um efeito possível de ser identificado em um estudo observacional simples com apenas 24 pessoas. Vamos supor que esta redução de 15% na chance de se infectar seja de fato a informação mais próxima da correta que temos. Qual hipótese era mais sensata com base nos dados de fim de março de 2020, a hipótese de que tomar cloroquina com antibiótico "curava" Covid, ou a hipótese nula de não há evidência desse efeito?
Para mim a hipótese do efeito forte da cloroquina era absolutamente indefensável naquela época, e os dados mais recentes, mesmo se aceitos pelo valor de face, não reivindicam qualquer mérito nas atitudes do Raoult, da classe política da época, ou dos médicos que ganharam pequenas fortunas vendendo seus "protocolos de tratamento" misturando antibiótico, zinco, vermífugo, antimalarial...
O que eu concordo com o Olavo Amaral é que em geral a comunidade científica precisa ser mais humilde nas suas conclusões. Mas para mim, no caso da Covid, a pessoa nº 1 da comunidade científica que deveria aprender essa lição era o Didier Raoult. Foi a conduta arrogante dele em busca de uma fama fácil que o levou a fazer estudos manipulados, usar da posição de editor em revistas científicas para publicá-los, e divulgá-los de forma irresponsável que colocou a sociedade nessa encruzilhada.
Conforme sucessivas pesquisas não encontravam efeito forte, foram "mudando o gol de lugar". De cura se tomado com antibiótico passou para tratamento precoce, de precoce para profilaxia, depois precisava misturar com zinco, depois não podia tomar o antibiótico, depois era na dosagem exata X... e por aí vai. Pior que isso, a comunidade médica que comprou esse discurso com base em evidências da pior qualidade foi a mesma que até hoje faz campanha contra as vacinas - todas com estudos de qualidade infinitamente superior aos estudos sobre cloroquina de 2020 e com magnitude de efeitos também muitas vezes superior. Depois de uma sucessão de erros dessa comunidade de médicos, que por sinal continuam insistindo no erro, a lição de humildade que Amaral pede realmente parece estar mal direcionada.
Por fim, Amaral diz que a comunidade científica e os jornalistas sequer se importaram com o resultado da cloroquina que apareceu recentemente e lê nisso uma má fé ou politização. É possível? Talvez. Uma hipótese alternativa é que um efeito módico divulgado de forma responsável não tem como causar o mesmo impacto que alegações extraordinárias de cura. Por exemplo, relativamente cedo em 2020 a comunidade científica descobriu que a dexametasona reduzia a mortalidade em pacientes graves de Covid em ~20%. Incrível! Mas foi muito pouco divulgado. Talvez se o Raoult tivesse dito que o efeito seria de 10% tivesse evitado parte dessa loucura. Mas ele não tinha base para afirmar efeito nenhum, e na visão de mundo distorcida dele usar frases genéricas sugerindo efeitos grandes era algo que ele podia fazer.
Os resultados desse último estudo não vingaram o Raoult, nem ninguém que defendeu estes remédios como substitutos às medidas que já se conheciam na época, e muito menos a qualquer pessoa que os defendeu ou ainda defende como substitutos das vacinas.
A grande lição aqui é que numa próxima pandemia é muito provável que algum outro pesquisador estrelinha como Raoult tentará buscar seus dois minutos de fama com alguma alegação extraordinária. O esperado da comunidade científica é avaliar rigorosamente os dados e apontar essas fraudes pelo que elas são. Acertar na sorte não tem nenhum valor científico. Mas um cientista alegar que achou uma cura tendo apenas a sorte ao seu lado é uma má conduta científica inadmissível.
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Diga que vc nao sabe interpretar estudos sem dizer que nao sabe interpretar
drtakassi@drtakassi
A suplementação com Ômega 3 ajuda no equilíbrio entre neurotransmissores como serotonina/dopamina e tem efeito positivo no tratamento da DEPRESSÃO. Acompanhe o raciocínio para entender mais 🧬
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@deborahmoss_ Nada a ver, está viajando 👎🏻👎🏻👎🏻👎🏻👎🏻👎🏻👎🏻👎🏻
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