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O Brasil registrou 989 ocorrências de antissemitismo em 2025, segundo o Relatório Integral de Antissemitismo no Brasil, elaborado e divulgado pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB) com apoio da StandWithUs Brasil e de diversas organizações da comunidade judaica brasileira. O levantamento reúne denúncias, monitoramento digital e pesquisas de percepção para mapear o cenário de hostilidade contra judeus no país. De acordo com o relatório, inclusive, há subnotificação porque muitas ocorrências não chegam a ser formalmente denunciadas.
O documento afirma que o fenômeno se manifesta de diferentes formas, incluindo agressões verbais, incitação ao ódio, desinformação, vandalismo e ameaças. Por isso, a comunidade judaica do país muitas vezes precisa esconder a identidade, mudar de escola e pesar o risco ao escolher uma universidade ou um emprego. Segundo o relatório, o antissemitismo contemporâneo no Brasil nem sempre aparece como hostilidade direta, mas também por meio de desinformação, estereótipos, teorias conspiratórias e discursos políticos que acabam reproduzindo narrativas históricas antissemitas.
O relatório da CONIB também traz dados de uma pesquisa de opinião pública realizada pelo AtlasIntel, encomendada pela StandWithUs Brasil, com 1.812 brasileiros, segundo a qual três em cada dez brasileiros afirmam que não se sentem totalmente à vontade para ter um amigo judeu. Entre os entrevistados dessa pesquisa, 42% consideram legítima a afirmação de que Israel trata palestinos da forma que nazistas trataram os judeus, e 30% consideram legítima a ideia de que o Holocausto é usado para justificar políticas israelenses. O estudo também aponta uma zona cinzenta em que discursos antissemitas são classificados por parte da população como crítica política ou opinião.
O enfrentamento do problema depende de monitoramento, educação e políticas públicas voltadas ao combate ao racismo e ao discurso de ódio.