ERIKA HILTON@ErikakHilton
Ontem, o Senado negou a indicação de Jorge Messias ao STF.
Hoje, o Congresso vai tentar derrubar o veto ao PL da "Dosimetria" e impedir que criminosos e corruptos sejam punidos.
E isso tudo faz parte do sequestro de todos os poderes da República por parte do poder Legislativo.
Quando o Congresso usa as emendas parlamentares pra se apoderar do orçamento, que deveria ser responsabilidade do Executivo, barra a indicação de um nome do Executivo ao Judiciário e, na prática, tenta proibir o Judiciário de punir criminosos, ele toma pra si poderes que não são dele.
E isso não é de agora, e muito menos sobre Jorge Messias.
É fruto de um processo caótico, que envolve fatores como o golpe contra a Presidenta Dilma, o medo que o combate à corrupção finalmente avançasse contra o centrão e a direita, o "governo" sem sustentação popular de Michel Temer e o completo desgoverno do maníaco, genocida e golpista Jair Bolsonaro.
E, apesar do caminho ser confuso, o resultado é palpável. Os benefícios ao Congresso são evidentes, e os malefícios à República são gritantes.
Agora, temos um Legislativo que perdeu qualquer vergonha de enterrar investigações sobre o Banco Master, de impedir que o STF opere e julgue de forma independente e que políticos criminosos sejam punidos, de operar um orçamento secreto completamente criminoso e de trabalhar apenas em benefício próprio.
Temos um Legislativo que quer mandar no dinheiro público sem prestar conta alguma e, na prática, permitir a corrupção com propostas como a PEC da Bandidagem e o PL da "Dosimetria".
O dinheiro dos seus impostos está, aos poucos, deixando de financiar políticas públicas e indo para o bolso dos políticos. Se as coisas continuarem assim, uma hora vai acabar o dinheiro pro básico, pro SUS e pra programas como o Bolsa Família.
Mas os impostos continuarão os mesmos, enriquecendo uma casta que se apoderou de tudo e que nunca poderá ser responsabilizada pelas normas institucionais.
Uma hora, a corda estoura, e restará ao povo apenas a opção de decidir por novas normas, que serão aplicadas com suas próprias mãos e suas próprias tochas.