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OS DISPARATES QUE OMITEM O PAÍS REAL |
Tomei o pequeno almoço, ontem, em Bragança e resolvi ir dar uma volta. Julgo que me enganei numa rotunda, ou duas, e quando dei por ela estava na Holanda. Acontece-me com alguma frequência.
Pelo caminho fui ouvindo as notícias e, sempre que possível, aqueles podcasts que habitualmente me fazem companhia. Ontem percebi que o grande debate do momento, na AR, é sobre a revisão da Constituição. E bem, muito bem. Também não me consigo lembrar de mais nada que esteja a arder.
Hoje, durante umas boas horas, as televisões passavam o "guião Trump". Não sei se já repararam mas metade do nosso espaço informativo é a debater os posts do Trump e a tentar adivinhar o que ele dirá no dia seguinte.
De manhã encheu-se muito e bom chouriço com o piloto encontrado e de tarde, discutiu-se o ultimato dado aos iranianos (para abrirem o estreito de Hormuz), depois de Trump ter afirmado que não queria abrir o canal, que eles estavam obliterados e que não havia ninguém para negociar. É difícil seguir a lógica de um mentiroso compulsivo que coincide, no mesmo espaçofísico, de um ignorante.
Enquanto ouvia isto tudo fui metendo combustível para ir ganhando horas no alcatrão. Em Portugal levei aquele dedo maroto com 2.1 eur/L mas em Espanha, do camarada Sanchez, ninguém deu pelo Irão e a coisa fez-se por 1.5 eur/L.
Quando cheguei a França comecei a empurrar o carro, tipo Flinstones, para evitar bombas onde o combustível estava entre 2.3 e 2.7 Eur/L. Já na Bélgica voltei a entrar no carro e a "aproveitar" a gasolina a 1.9 eur/L.
Pela minha pequena sondagem parece-me que o governo belga e, em especial, o espanhol, estão a absorver os custos energéticos da guerra no Irão e, para já, a proteger as populações. Portugal, como sempre nestas alturas de crise, antes do primeiro míssil aterrar, já está a anunciar os aumentos. E isto enquanto o Montenegro se vai babando com o superavit (que vem não de qualquer gestão prodigiosa mas simplesmente de mais cobranças de impostos).
Isto são problemas da vida real. Era isto que eu gostava que os deputados do meu país discutissem. Depois das burqas, da cidadania, dos trans e da revisão da Constituição, acham que seria possível reservarem uns 20 ou 30 minutos, para falarem sobre o facto de andarmos de crise em crise, a esmifrar o que já está esmifrado?
Como é que o combustível na Bélgica, é mais barato do que em Portugal? Como é que em Espanha o litro custa menos 50 cêntimos? Como é que pessoas com os salários dos mais baixos da Europa, podem viver com um custo de vida energético e habitacional superior ao dos países mais ricos?
Era isto que eu gostava de ver nas sessões da ARtv (que sigo) e era sobre isto que eu gostava que a CNN, o NOW, a SIC e RTP, convidassem especialistas para opinar, sugerir e antecipar.
Sobre as diarreias do Trump e a cobertura mediática que aquele imbecil gera, já todos percebemos que é uma perda de tempo. Facto algum se aguenta mais de 24h e qualquer análise deixa de fazer sentido no dia seguinte. Para o Trump merecer tempo de antena de mais do que 20 minutos, todos sabemos que notícia deverá estar na origem.
Problemas reais. Pobres esmifrados. Gente que não consegue pagar contas. Salários que não chegam ao fim do mês. Um governo de propaganda que vive noutro país. Era isso. Se puderem ajudar, agradeço.
Tiago Franco

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