RAFAEL RECKZIEGEL

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RAFAEL RECKZIEGEL

RAFAEL RECKZIEGEL

@rafaelreck

Katılım Ekim 2009
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
Como apenas três linhas conseguem prender a mente de um homem - ou de uma mulher? “O espectador completa a obra de arte.” - Marcel Duchamp John Berger escreveu certa vez que “o modo como vemos as coisas é afetado pelo que sabemos ou pelo que acreditamos”. Talvez seja exatamente isso que aconteça diante dessas três linhas. Elas não possuem significado fixo. São apenas contornos mínimos. Ainda assim, praticamente ninguém olha para elas como simples geometria. O olhar humano pode transformar linhas em fantasia antes mesmo que a razão intervenha. O cérebro reconhece certas proporções e ritmos com uma velocidade anterior ao pensamento consciente. Estudos de percepção visual mostram que identificamos formas orgânicas em frações de segundo, especialmente quando elas sugerem movimento, corpo ou intenção. Ao que tudo indica, devido a carregarmos milhões de anos de condicionamento perceptivo. O olhar humano foi treinado para detectar vida e movimento muito rapidamente. Mas Berger provavelmente diria que existe outra camada além da biologia. Nenhuma imagem é vista de forma neutra. Toda percepção carrega cultura, memória, desejo, tensão, experiência... Uma linha nunca é apenas uma linha, mesmo sendo uma simples linha. Dependendo de quem olha, ela pode sugerir delicadeza, erotismo, nostalgia, ausência ou apenas equilíbrio estético. A imagem funciona quase como um espelho silencioso: revela menos sobre o desenho e mais sobre a estrutura interna do observador. Vemos aquilo que queremos ver. É por isso que a simplicidade, na arte, costuma ser tão poderosa, como já dizia Leonardo da Vinci: “a simplicidade é o último grau da sofisticação.” O excesso de informação costuma encerrar a interpretação ou gerar muita confusão. Já o mínimo cria maior participação. Quando tudo é explicado, o olhar se torna passivo. Quando algo é apenas insinuado, a mente entra em movimento. E foi justamente isso que as três linhas fizeram: criaram movimento para o olhar. E agora vem a pergunta: o que você viu?
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🎸 Rock History 🎸
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Twist and Shout, In My Life, and Yesterday don't exist. What's your favorite Beatles song?
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The Playoffs 🏈🏀⚾🏒
The Playoffs 🏈🏀⚾🏒@theplayoffsbr·
Há um mantra nos esportes que diz que 'os números não mentem', mas na NFL isso pode ser uma afirmação mentirosa! Alguém vai querer argumentar que Tua Tagovailoa é um quarterback do mesmo nível que Patrick Mahomes? Na NFL tudo precisa de contexto, cenário e análise. Mahomes é um quarterback inifinitamente superior a Tagovailoa, mas para isso é preciso assistir o jogo e perceber seu impacto, não apenas olhar os números... 🤷
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RAFAEL RECKZIEGEL
RAFAEL RECKZIEGEL@rafaelreck·
@jameswebb_nasa Somos dialéticos, somos o choque das nossas teses com nossas antiteses, a síntese, em constante transformação.
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
O Navio de Teseu Sobre o paradoxo de Teseu e a dissolução do eu Dizem que no porto de Atenas havia um navio. Não um navio qualquer: era o navio de Teseu, aquele que havia navegado até Creta e derrotado o Minotauro. Os atenienses o preservaram por séculos, como relíquia e testemunho. Mas o mar, e o tempo, apodreceram a madeira. E cada prancha deteriorada foi substituída por outra. E depois outra. E outra ainda, até que não sobrou nenhuma tábua original. A pergunta, então, que o filósofo deixou flutuar no ar foi: aquele navio ainda era o navio de Teseu? Plutarco nos legou o paradoxo, mas a pergunta pertence a todos os séculos. Porque não se trata, em rigor, de carpintaria naval. Trata-se de nós. Do estranho esforço que fazemos, a cada manhã, de reconhecer no espelho um rosto que julgamos contínuo, quando, na verdade, é uma sequência de rostos, superpostos, em que cada versão apaga e reescreve a anterior. A biologia, que não se importa com nossa angústia, informa-nos que o corpo humano renova a maior parte de suas células ao longo dos anos. Que a pele que carrego hoje não é a mesma que aprendi a chamar de minha. Que as moléculas que compõem este pensamento que agora formulo já foram, antes, água de rio, terra, ar respirado por alguém que já morreu. E a neurociência diz que o cérebro é plástico, ou seja, que o pensamento é um constante rascunho. E no entanto, insistimos em dizer “eu”, como se houvesse uma entidade estável por trás dessa sílaba breve. Insistimos em lembrar, sabendo que a memória não é um arquivo, mas uma ficção que se reescreve a cada evocação. Insistimos em sermos os mesmos, mesmo quando o que somos desmente essa pretensão a cada decisão que tomamos, a cada amor que começa ou termina, a cada mudança que fazemos, seja física ou psicológica. Talvez o erro esteja na pergunta. Perguntar se somos os mesmos pressupõe que a identidade é uma coisa, um objeto, uma substância, uma tábua de navio que ou persiste ou apodrece. Mas e se a identidade for um verbo? E se o “eu” não for aquilo que permanece, mas aquilo que continua, que se move, que se narra, que tece fios entre o que foi e o que será, construindo a ilusão, ou talvez a realidade, de uma trajetória? Dizem que somos feitos de memória e de linguagem, e a linguagem, sabemos desde Ferdinand de Saussure, é arbitrária e convencional. Os nomes que damos às coisas não são as coisas. O nome que damos a nós mesmos não é o que somos: é apenas o título provisório de uma obra em curso. Somos também feitos de relações, de tudo aquilo que os outros viram em nós antes que nós mesmos enxergássemos. Somos os traumas que nos moldaram sem que os convidássemos. Somos as alegrias que nos abriram onde estávamos fechados. Somos as perguntas que ainda não respondemos, e talvez sejamos sobretudo isso, esse movimento de perguntar que não cessa. O labirinto que Teseu percorreu com o fio de Ariadne era exterior: corredores de pedra, o Minotauro no centro, a saída no horizonte. Já o labirinto que cada um de nós percorre é feito de outra matéria, de tempo e de significado, de esquecimento e de desejo. E não há fio que nos guie senão a narrativa que construímos sobre nós mesmos. Uma narrativa que muda. Que é, ela própria, um navio cujas tábuas são trocadas. E aqui reside, talvez, a libertação estranha que o paradoxo oferece: se não somos uma estrutura fixa, então as versões de nós que fracassaram, que erraram, que se perderam, não são sentenças definitivas. São capítulos. São tábuas que apodreceram e foram substituídas. A culpa que carregamos de uma versão antiga de nós mesmos, aquela pessoa que fomos antes de saber o que sabemos agora, é a culpa de um navio por uma tempestade que já passou. O navio de Teseu continua navegando. A identidade não é o que persiste imutável; é o que persiste em movimento. Somos o processo de sermos. E talvez isso seja suficiente, talvez seja até mais do que suficiente, para atravessar o mar. Somos, enfim, o navio de Teseu.
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JAMES WEBB
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@hoje_no Galera confundindo bandeira da China 🇨🇳 com a bandeira da ex-URSS
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🎸 Rock History 🎸
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What’s your favorite Rolling Stones song? 🎸👇🏻
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
O Deus da Relatividade Uma navegação pelo pensamento de Spinoza a partir de Einstein “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela na harmonia legal de tudo o que existe, mas não num Deus que se preocupa com o destino e com as ações dos seres humanos.” — Albert Einstein Há respostas que encerram uma discussão e há respostas que a deslocam para um território mais exigente. Quando, em 1929, Einstein foi perguntado se acreditava em Deus, esperava-se dele uma adesão ou uma recusa. Em vez disso, ele ofereceu um nome. Disse acreditar no Deus de Spinoza. A frase se tornou célebre porque parece simples, mas está longe de ser. Einstein não estava usando Spinoza como ornamento filosófico nem tentando revestir a ciência de alguma aura espiritual. Sua resposta era rigorosa. Ao mencionar Spinoza, ele remetia a uma concepção de Deus cuja consequência mais imediata é a dissolução de quase tudo aquilo que a imaginação religiosa acostumou o homem a associar à divindade. Na abertura da Ética, Spinoza define Deus como “um ser absolutamente infinito, isto é, uma substância constituída por infinitos atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita”.  A formulação é austera e deliberadamente impessoal. Não há nela traço de psicologia, vontade, juízo ou afeto. Deus não é apresentado como alguém, mas como aquilo cuja existência não depende de nada além de si mesmo e fora do qual nada pode ser concebido. Essa definição se torna ainda mais radical quando Spinoza avança para a proposição segundo a qual, “além de Deus, nenhuma substância pode ser dada nem concebida”, e logo em seguida conclui: “Tudo o que existe, existe em Deus, e sem Deus nada pode existir nem ser concebido.”  O ponto é decisivo. Deus não é um ente inserido no universo; é a própria condição de inteligibilidade de tudo o que há. Nada está diante dele como objeto externo, porque não existe exterioridade em relação à substância infinita. É aqui que a célebre expressão Deus sive Natura, Deus ou Natureza, deve ser compreendida em toda a sua seriedade. Ela não significa uma poetização ingênua do mundo natural, como se montanhas, rios e estrelas fossem sinais dispersos de um criador benevolente. Significa que a realidade inteira, em sua extensão infinita e em sua cadeia causal ininterrupta, é a única manifestação possível daquilo que Spinoza chama de Deus. O universo não foi fabricado por uma vontade transcendente. O universo é a própria necessidade divina em exercício. Por isso, quando Einstein fala em “harmonia legal de tudo o que existe”, a afinidade é quase literal. A palavra central de sua frase não é harmonia no sentido sentimental, mas legal no sentido de lei, de regularidade, de coerência objetiva. O Deus de Spinoza não se revela em milagres, recompensas ou intervenções providenciais. Revela-se na constância com que tudo decorre segundo ordem. Spinoza afirma, ainda na primeira parte da Ética, que “da necessidade da natureza divina devem seguir-se infinitas coisas em infinitos modos”.  Nada existe por concessão arbitrária. Nada acontece porque uma vontade escolheu assim e poderia ter escolhido de outro modo. A realidade, em Spinoza, não é produto de decisão, mas consequência de necessidade. As coisas derivam da essência divina como propriedades derivam de uma demonstração geométrica. O que há não poderia simplesmente ter sido substituído por outro arranjo ditado por capricho. Essa ideia elimina o Deus tradicional em quase todos os seus atributos humanos. Um Deus que decide atender uma prece, alterar uma circunstância ou suspender uma lei natural em favor de um indivíduo é um Deus que age por preferências. Spinoza considera essa imagem inadequada porque toda preferência implica limitação, e um ser absolutamente infinito não pode ser limitado por inclinações psicológicas. É por isso que ele rejeita explicitamente aqueles que imaginam Deus “à semelhança do homem”, sujeito a paixões e afetos.  Einstein reconhecia nessa impessoalidade não um vazio, mas uma forma mais alta de reverência. O universo que o impressionava não era um universo paternalmente administrado. Era um universo cuja estrutura permanecia inteligível e rigorosa sem a menor necessidade de nos levar em conta. A experiência religiosa, para ele, começava quando a consciência humana se dava conta de que existe uma ordem grandiosa, anterior aos nossos desejos, independente de nossas aflições e completamente indiferente à nossa necessidade de consolo. Spinoza não apenas oferece fundamento metafísico para isso; oferece também a sua consequência antropológica. Em uma de suas passagens mais severas, afirma que o homem não deve ser concebido como “um império dentro de um império”, mas como parte da natureza. O ser humano, portanto, não ocupa jurisdição especial no interior do real. Não há uma exceção ontológica em nosso favor. Estamos submetidos à mesma rede causal que governa todos os modos finitos da substância infinita. A dor humana não altera a necessidade do cosmos, assim como a alegria humana não lhe acrescenta finalidade. A perda dessa centralidade é desconfortável porque desmonta a velha ficção de que somos destinatários privilegiados da existência. No entanto, é precisamente aí que Spinoza e Einstein convergem com mais nitidez. Ambos recusam a ideia de um universo organizado segundo a escala afetiva do homem. Ambos entendem que a maturidade intelectual começa quando deixamos de exigir que o real faça sentido para nós e passamos a investigar segundo que sentido ele se organiza por si. Por essa razão, Spinoza recomenda não rir, não lamentar, não odiar, mas compreender. A frase não é uma defesa da frieza, e sim da lucidez. Compreender significa deslocar a consciência do drama individual para a ordem causal. Significa abandonar a pergunta centrada em nossa ofensa subjetiva e substituí-la pela pergunta sobre a necessidade objetiva que estrutura os acontecimentos. Essa troca é também a essência da atitude científica. A ciência não interroga o universo para obter conforto, mas para decifrar regularidades. Einstein via nisso um gesto espiritual no sentido mais exigente da palavra: não o desejo de ser amparado pela realidade, mas a disposição de contemplá-la sem exigir dela qualquer adaptação à medida humana. É por isso que a afinidade com Spinoza não termina na metafísica e alcança o plano mais alto da experiência intelectual. Na quinta parte da Ética, o filósofo afirma que “o supremo esforço da mente e sua suprema virtude consistem em compreender as coisas”.  Pouco adiante, dá nome ao efeito dessa compreensão: amor intellectualis Dei, o amor intelectual de Deus. Não se trata de devoção, súplica ou submissão, mas da alegria austera que nasce quando a mente percebe, ainda que de modo parcial, a ordem infinita da qual ela mesma é um fragmento. Esse talvez seja o ponto mais importante da resposta de Einstein. Ao dizer que acredita no Deus de Spinoza, ele não está afirmando a crença em uma entidade sobrenatural que acompanha biografias humanas. Está descrevendo uma forma de assombro racional diante de um universo que não precisa de espectadores, mas que, apesar disso, pode ser conhecido. Não há promessa nessa visão, e certamente não há conforto fácil. O que existe é algo mais raro: a consciência de que a realidade possui uma coerência anterior a nós e de que a inteligência humana, em seus melhores momentos, consegue tocá-la sem jamais domesticá-la. Talvez Einstein e Spinoza estivessem falando da mesma experiência: a de perceber que o universo não foi feito para nos ouvir e, ainda assim, permanece digno da mais profunda contemplação.
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Dornelis
Dornelis@Dorneliss01·
@jameswebb_nasa Será que é só eu que não vejo graça em iPhone?! Pra mim, celular não ficar travando e oq importa
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
Passei por uma pequena loja para trocar a película do celular. Além dos acessórios, eles também compram e revendem aparelhos usados. Aproveitei para perguntar ao dono qual modelo sai mais rápido. Ele nem pensou duas vezes: - iPhone. E completou: - Na maioria das vezes, vendo no mesmo dia em que recebo. Às vezes nem chega a ficar na vitrine. Pode olhar ali se você acha algum exposto. Tenho até lista de espera. Já em casa, fui pesquisar quais são os smartphones mais vendidos do planeta. O resultado dispensa grandes explicações: as imagens falam por si.
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
A epidemia silenciosa da mente A depressão afeta 250 milhões de pessoas no mundo. A depressão nem sempre chega como tristeza visível. Muitas vezes aparece como cansaço persistente, noites mal dormidas, irritação, dores difusas, dificuldade de concentração e uma sensação contínua de esgotamento. É justamente por essa capacidade de se esconder em sintomas pouco óbvios que uma das doenças mais incapacitantes do planeta ainda costuma ser reconhecida tarde demais. Um novo seminário publicado pela revista médica The Lancet mostra que a psiquiatria já dispõe de evidências suficientes para entender a depressão como uma condição complexa, recorrente e ligada ao funcionamento de todo o organismo. Na prática, porém, ela ainda segue sendo tratada de forma simplificada, muitas vezes limitada a consultas rápidas e prescrição medicamentosa. Hoje, cerca de 250 milhões de pessoas convivem com depressão no planeta. A cada ano, uma em cada 15 enfrenta um episódio depressivo, e ao longo da vida uma em cada cinco desenvolverá a doença. O transtorno costuma surgir cedo e carrega uma característica difícil: a recorrência. Depois do primeiro episódio, a chance de novas crises aumenta, transformando a depressão em uma condição duradoura para milhões de pacientes. Durante décadas, a explicação popular para a doença se apoiou na ideia de um simples desequilíbrio químico cerebral. A nova revisão mostra que essa narrativa já não é suficiente. A depressão surge da interação entre predisposição genética, estresse crônico, inflamação, alterações hormonais, traumas emocionais, sono ruim, alimentação inadequada, isolamento social e insegurança econômica. Esse entendimento muda também a forma de tratar. Os autores defendem que antidepressivos continuam importantes, mas estão longe de representar solução isolada. A resposta clínica mais eficaz costuma aparecer quando há combinação entre psicoterapia, mudanças de hábitos e farmacoterapia quando necessária. A depressão passou a ser entendida como um sistema inteiro em desregulação. Uma das conclusões mais fortes do seminário é que três pilares ganharam papel central nesse novo modelo terapêutico: exercício físico, alimentação e sono. No caso da atividade física, a revisão mostra que caminhada, corrida, musculação, ciclismo e yoga apresentam melhora consistente sobre sintomas depressivos, em alguns estudos com desempenho comparável ao de antidepressivos e terapias psicológicas. O efeito ocorre porque o movimento reduz inflamação, melhora o sono e diminui a ruminação mental. A alimentação aparece ligada a uma fronteira recente da psiquiatria: o eixo intestino-cérebro. Evidências mostram que alterações na microbiota intestinal podem modificar sinais inflamatórios e químicos enviados ao sistema nervoso, interferindo diretamente no humor. Dietas ricas em ultraprocessados e açúcar ajudam a manter esse ambiente de desregulação. O sono surge como outro elemento decisivo. Pacientes deprimidos frequentemente apresentam demora para dormir, sono superficial e desorganização do relógio biológico. Essa quebra na arquitetura do descanso piora cognição, irritabilidade e desesperança. Por isso, terapias voltadas à regulação do sono passaram a ser vistas como parte efetiva do tratamento. Os antidepressivos continuam sendo ferramenta central, embora a ciência faça hoje uma ressalva importante. Eles funcionam, mas não de forma instantânea nem universal. A resposta pode levar semanas, efeitos colaterais são frequentes no início e muitos pacientes precisam testar mais de uma medicação até encontrar estabilização satisfatória. No fim, o relatório deixa uma constatação incômoda. O conhecimento científico sobre depressão avançou muito mais rápido do que a forma como o mundo organiza seu cuidado. A doença já não pode ser reduzida a tristeza, nem a serotonina, nem a uma receita. Fonte: Malhi GS, Bell E, Stavdal A, Wu C-Y, Naylor A, Kumari V. Depression. The Lancet. Vol. 407, 2 de maio de 2026, p. 1738–1756.
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Pensar a História
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Esse é o projeto da direita. Filho de pobre não tem que estudar, desenvolver senso crítico. Tem que aprender a ser peão e trabalhar desde pequeno. Aprender a ler e escrever pra pobre já tá bom, de preferência em escola militar, pra criança ser adestrada desde pequenininha a obedecer ordem, dizer sim senhor pras "otoridade". Pobre burro e obediente é o sonho dessa gente. Deixa esse negócio de criança estudar e desenvolver seu potencial pra filho de rico.
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NO CONTEXT HUMANS
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He applied for the wrong job
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JAMES WEBB
JAMES WEBB@jameswebb_nasa·
A Vida Como Palco, o Palco Como Vida Imitation of Life, 25 anos depois e mais verdadeira do que nunca Existe uma ironia quase profética no fato de uma canção sobre aparência ter envelhecido melhor do que tantas músicas sobre verdades explícitas. Quando R.E.M. lançou Imitation of Life em abril de 2001, parecia apenas mais uma peça melancolicamente alegre e ensolarada do repertório tardio da banda. Mas o tempo fez o que o tempo às vezes faz com certas obras: retirou a camada de pop e deixou à mostra um diagnóstico. A letra inteira gira em torno de pessoas representando a si mesmas, “charades, pop skill… imitation of life”, uma sucessão de charadas sociais em que viver e encenar já não parecem coisas tão diferentes. O videoclipe de Garth Jennings mostra uma festa na piscina observada em zooms e recuos contínuos: o mesmo instante repetido até que detalhes escondidos comecem a emergir. Um sorriso falso, um olhar deslocado, uma tensão que estava ali desde o começo. É impossível assistir hoje sem pensar na lógica das redes sociais: o mesmo momento revisitado, ampliado, editado e transformado em narrativa. E a canção acompanha essa encenação com uma delicadeza cruel. “Come on, come on, no one can see you try.” Ninguém pode te ver tentando. O verso parece um sussurro de incentivo, mas é também uma sentença sobre a cultura da pose: o esforço precisa existir, desde que permaneça invisível. Poucos versos resumem tão bem a modernidade digital quanto este: “Trying to look like you don’t try.” Tentando parecer que você não tenta. Em 2001, isso descrevia uma atitude cool, um tipo de desinteresse ensaiado. Em 2026, descreve uma indústria multimilionária. Hoje existem manuais para parecer espontâneo, consultorias para vender autenticidade, cursos para ensinar naturalidade diante da câmera. A vida contemporânea transformou o improviso em produto. O adolescente congelando no canto do “Friday fashion show” que Michael Stipe canta já não está apenas numa festa; ele está em cada selfie casualmente estudada, em cada vídeo que finge não ter roteiro, em cada legenda cuidadosamente escrita para soar impulsiva. Mas a música entende algo ainda mais profundo: a falsidade não se sustenta porque é vazia, ela se sustenta porque é agradável. “That sugarcane that tasted good, that’s cinnamon, that’s Hollywood.” A imagem é brilhante: a ilusão tem gosto doce, aroma de canela e brilho de cinema. Ela não afasta; ela seduz. É por isso que continuamos consumindo versões editadas da realidade como se fossem a própria realidade. A estética tornou-se mais palatável do que a substância. Não queremos necessariamente a verdade; queremos a verdade suficientemente bonita para ser compartilhada. Imitation of Life entende que a performance não elimina a vulnerabilidade; apenas a reveste. Quando a letra avança de “this sugarcane, this lemonade” para “this hurricane, I’m not afraid”, há ali uma escalada do doce ao destrutivo, sempre acompanhada da mesma afirmação de coragem. Não sabemos se é bravura real ou mais uma máscara, e a música nunca responde. Ela prefere permanecer nesse território ambíguo em que a pessoa sorri enquanto desaba. Vinte e cinco anos depois, a canção parece menos uma lembrança dos anos 2000 e mais um espelho da nossa década. A vida interior virou conteúdo, a dor virou estética, a alegria virou prova pública. Somos ensinados o tempo inteiro a parecer inteiros, mesmo quando estamos apenas obedecendo ao refrão invisível: “no one can see you cry.” Talvez seja exatamente aí que resida a grandeza silenciosa de Imitation of Life: ela percebeu cedo demais que a humanidade moderna não deixaria de sentir, apenas aprenderia a sentir diante da câmera. A festa continua. Os zooms continuam. A encenação continua. E, em algum canto da imagem, seguimos todos tentando parecer que não estamos tentando. Créditos do vídeo: R.E.M.
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RAFAEL RECKZIEGEL
RAFAEL RECKZIEGEL@rafaelreck·
@HumansNoContext Fiz vasectomia porque não queria mais filhos. Mas não deu certo: quando cheguei em casa, eles ainda estavam lá.
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NO CONTEXT HUMANS
NO CONTEXT HUMANS@HumansNoContext·
Another reason to use birth control
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Enfermeiro do Orelha
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O governo da Argentina acabou com o país a ponto das pessoas estarem caçando gatos na ruas pra poder se alimentar ...
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Legacy (Fan)
Legacy (Fan)@LegacySiu·
Name a football club without letter "E" You can’t
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Anarkitekture
Anarkitekture@anarkitekture·
@rafaelreck @arquivocurioso Há muito outros fatores a influenciar a economia. A curva de Laffer é apenas óbvia e auto-explicativa, É teoria, e é simples, não precisa ser comprovada.
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Arquivo Curioso
Arquivo Curioso@arquivocurioso·
🖋️ O Paradoxo dos Impostos: Por que taxas mais altas podem render menos ao Estado? A Curva de Laffer é um dos conceitos mais intrigantes da economia moderna. Ela descreve a relação entre a alíquota de impostos e a receita total arrecadada pelo governo, defendendo uma ideia contraintuitiva: existe um limite onde aumentar impostos passa a destruir a arrecadação em vez de aumentá-la. - A Lógica do Equilíbrio: Popularizada pelo economista Arthur Laffer na década de 1970, a teoria é representada por um gráfico em formato de "U" invertido. O raciocínio baseia-se em dois cenários extremos onde a arrecadação é nula: 1. Imposto a 0%: O governo não cobra nada, logo, não recebe nada. 2. Imposto a 100%: O governo confisca tudo o que é produzido, o que elimina o incentivo para trabalhar ou investir, resultando em produção zero e, consequentemente, arrecadação zero. - A "Zona Proibitiva" O ponto central da Curva de Laffer é a existência de uma alíquota ideal. Se um governo ultrapassa esse limite, ele entra na "zona proibitiva". Nesse estágio, a carga tributária torna-se tão pesada que asfixia a economia, provocando: * Fuga de Capitais: Investidores levam seu dinheiro para países com taxas menores. * Aumento da Informalidade: Negócios passam a operar "por fora" do sistema para sobreviverem. * Desestímulo ao Trabalho: O cidadão sente que o esforço adicional não compensa devido ao que é retido pelo fisco. - Menos é mais? A aplicação prática dessa teoria sugere que, em países com carga tributária excessiva, cortar impostos pode ser a solução para crises fiscais. Ao reduzir as alíquotas, o governo estimula o consumo e a produção, expandindo a base de contribuintes. Com mais empresas lucrando e mais pessoas consumindo, o volume total de dinheiro que entra nos cofres públicos pode acabar sendo maior do que quando as taxas eram proibitivas. Em suma, a Curva de Laffer ensina que a eficiência fiscal não depende da agressividade da cobrança, mas sim do equilíbrio estratégico entre as necessidades do Estado e a saúde financeira de quem produz.
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🇵🇸 ☭ Gui Jong Un ☭ 🇵🇸
Eu sempre abro um sorriso quando lembro que o Jânio Quadros renunciou a presidência achado que iam implorar para ele ficar e aceitaram a carta de renuncia, juro Ele assim quando aceitaram a carta:
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