
A MISOGINIA NÃO É UMA QUESTÃO URGENTE PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS?
A pergunta que não quer calar, quando a pauta da semana foi divulgada pela Secretaria Geral da Mesa sem o PL da Misoginia e sem o PL de regulação das big techs, dois compromissos que a presidência da Casa assumiu publicamente, é a seguinte: a misoginia e as redes sociais não são importantes para a Câmara dos Deputados? No mesmo momento em que se divulga a pauta, o colégio de líderes previsto para a terça, 14/7, foi cancelado…
As duas omissões não são independentes. A misoginia que o PL busca combater encontra nas plataformas digitais seu principal vetor de amplificação, porque é nelas que o ódio contra as mulheres se organiza, se monetiza e se espalha. Ao retirar da pauta, ao mesmo tempo, a criminalização da conduta e a regulação do meio que a impulsiona, a Câmara deixa intactos o discurso e o palanque.
A presidência da Câmara precisa responder ao país. A Casa tem responsabilidade sobre o que escolhe deliberar e a pauta da semana, caso mantida, revela um Parlamento desconectado da realidade: filtro para impedir a subida de recurso especial, legitimação de federações de lobbys de grupos de interesses ligados a municípios para ajuizar controle concentrado de constitucionalidade, regulamentação sobre fogos de artifício. Enquanto isso, mulheres seguem alvo de violência cotidiana, com número recorde de feminicídios e com o voto feminino sob ataque aberto. Afinal, não é legítimo esperar que as prioridades do plenário dialoguem com as urgências do país e que os compromissos anunciados ganhem, enfim, data de votação, antes do recesso parlamentar?
Com ou sem Colégio de Líderes, é o que pretendo cobrar na semana que vem.
Português






