Thiago Pinheiro 🌲@othiagopinheiro
Paul Quinn analisa, desta vez, o Botafogo. Há novidades aqui, ao menos no cenário internacional. Ele fala do dinheiro devido para o Botafogo pelas muitas transferências feitas para o Lyon e a Eagle. Mas, claro, cita as dificuldades para receber esses valores:
Pagamentos e desvios [do Botafogo] para o grupo
O Botafogo foi utilizado como principal fonte de liquidez para a rede Eagle. Os principais movimentos confirmados e disputas incluem:
1 - Desvio do investimento obrigatório: Relatórios indicam que R$ 110 milhões do investimento obrigatório de R$ 400 milhões prometido por Textor ao Botafogo SAF foram transferidos para o Olympique Lyonnais.
2 - Recebíveis intragrupo: O Botafogo afirma ter a receber R$ 1,293 bilhão da Eagle e de seus clubes coirmãos, incluindo R$ 1 bilhão referente a movimentações de jogadores e suporte financeiro. A holding contesta essa dívida.
3 - Processo judicial de cash pooling: No final de 2025, o Botafogo entrou com ação judicial contra a Eagle Football exigindo o pagamento imediato de €25 milhões relativos a valores não pagos do sistema centralizado de gestão de caixa do grupo.
4 - "Transferências fantasmas": O clube reivindica R$ 410,2 milhões de Lyon e Eagle pelo valor perdido de jogadores como Luis Henrique e Igor Jesus, cujas transferências foram usadas para satisfazer os reguladores franceses, mas cujas taxas nunca foram integralmente repassadas à operação brasileira.
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Aqui a parte jurídica da história. É importantíssima e devolve um pouco de esperança na briga/disputa/conversa com a Ares (ou eu achava que estávamos em uma situação muito pior com eles)
"Situação jurídica e perspectivas de recuperação dos créditos intragrupo
A entrada da Eagle Football Holdings Bidco em administração judicial em 27 de março de 2026 alterou fundamentalmente o status jurídico dos valores devidos ao Botafogo. Como a holding está agora sob o controle da firma de insolvência Cork Gully, a capacidade do Botafogo de recuperar seu crédito de R$ 1,293 bilhão está sujeita à lei britânica de insolvência.
Condição de credor não garantido
No âmbito do processo de administração judicial britânico, o Botafogo é classificado como credor não garantido da holding. Essa condição coloca o clube no final da hierarquia de pagamentos.
O fator Ares: A Ares Management detém uma "garantia de primeiro grau" sobre os ativos da holding e seus recebíveis intragrupo. Na prática, qualquer valor obtido com a venda dos ativos da Bidco — incluindo as participações no Lyon ou no próprio Botafogo — será usado primeiramente para quitar a dívida garantida de aproximadamente US$ 1,2 bilhão devida à Ares.
Proteções limitadas: A regra dos credores de futebol, que em geral assegura recuperação integral dos valores em casos de insolvência de clubes, provavelmente não se aplica aqui. Essa regra foi criada para clubes insolventes dentro do sistema das ligas inglesas; como a entidade insolvente é uma holding comercial (a Bidco) e não um clube de futebol, o Botafogo é tratado como um credor corporativo comum."
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Paul Quinn termina com uma mensagem de otimismo para os botafoguenses, embora reconhecendo a duríssima missão que o clube tem pela frente:
"Os torcedores do Botafogo se encontram numa posição delicada. Os títulos de 2024 representam um legado permanente, mas a situação atual do clube — como ativo em um processo de administração judicial britânico — é motivo de profunda preocupação. A abordagem da "caixa única" fez com que as receitas recordes do Botafogo fossem usadas com frequência para subsidiar os prejuízos europeus.
No entanto, o valor de marca do clube nunca foi tão alto. Ao contrário da era da associação, o Botafogo é hoje um ativo atrativo, com um elenco campeão. O objetivo imediato do conselho do clube deve ser garantir que qualquer venda envolva uma separação limpa das dívidas da Eagle e um compromisso de manter o nível competitivo alcançado em 2024.
Infelizmente, a condição de credor não garantido reduz as perspectivas de recuperação significativa dos valores devidos — ou alegadamente devidos — pela empresa controladora. Sem qualquer culpa da sua parte, o Botafogo e seus leais torcedores são vítimas de má gestão, do endividamento excessivo da holding e do fracasso dos acionistas da empresa controladora em injetar capital conforme o negócio exigia."