Leandro Stein

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Falta um mês para a Copa do Mundo e, aproveitando a data, lancei um novo projeto: o Almanaque da Copa 2026. É uma newsletter gratuita cujo conteúdo, depois da Copa, comporá um e-book - também com textos inéditos. Conheça, assine e ajude a divulgar: almanaquedacopa2026.substack.com
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Ser campeã e vice nas duas últimas Copas do Mundo não tornou a França imune às críticas em ambas as campanhas. Um futebol às vezes desinteressado era o principal ponto, de um time com potencial para jogar melhor, mas satisfeito em uma marcha mais baixa. A França de 2026 termina a fase de grupos com o pé afundado no acelerador, dando a impressão de que os dez gols marcados ficaram até baratos pelo perigo que representou. E quem surgiu de vez diante da Noruega foi Ousmane Dembélé. Fez um jogo digno de Bola de Ouro. Esta é a terceira Copa de Dembélé. E o atacante foi exatamente um dos principais alvos dos questionamentos nos dois Mundiais anteriores, como um inegável talento que poderia ser mais ligado e constante. Aos 21 anos, o ponta começou como titular em 2018 e perdeu a posição para Blaise Matuidi, que facilitava o equilíbrio tático. Nos mata-matas, só esteve em campo por dois minutos. Já em 2022, aos 25, Dembélé até estreou bem, mas foi se tornando opaco à medida que a competição avançou. Tanto é que na final, além de cometer um pênalti em Ángel Di María, foi substituído antes do intervalo pela má atuação. Não foi só a relação de Dembélé com a seleção francesa que mudou nos últimos quatro anos. Foram as próprias perspectivas de sua carreira. Em 2018, o jovem já tinha explodido por Rennes e Borussia Dortmund, custado milhões ao Barcelona, mas estava em processo de afirmação. Em 2022, convivia com a desconfiança de quem nunca foi preponderante no Camp Nou. A mudança para o Paris Saint-Germain foi decisiva ao atacante, para renovar seus ares e amadurecer seu futebol. Com Luis Enrique, tornou-se mais completo. Se antes era acusado de “desligado”, poucos jogadores hoje são tão elétricos, com e sem a bola. A França também cresceu nos últimos dois anos, com uma linha de frente mais versátil. Essa multiplicidade conversa melhor com Dembélé, ambidestro, apto para cortar para qualquer lado. Não estreou bem jogando pelo meio contra Senegal, mas melhorou na direita e teve bons minutos contra o Iraque. Já o primeiro tempo contra a Noruega é daquele craque tão reclamado nos Bleus, que levou três Copas para aparecer. Fez gols de esquerda e de direita, infernizou a vida da marcação com suas fintas, sempre deu opção ao time no corredor. Poderia ter ido além da tripleta, fosse um pouco mais egoísta. Se os franceses chegam mais fortes aos mata-matas que nos dois Mundiais anteriores, Dembélé também explica. Com ele no jogo, há uma ameaça a mais, e daquelas difíceis de prever. Não precisa esperar os reservas noruegueses para fazer isso.
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Histórias cruzadas do Dia 16 Noruega x França, 16h: Embora nunca tenham se enfrentado por Copas do Mundo, Noruega e França são adversárias recorrentes em Eliminatórias. Os Bleus se deram melhor no qualificatório para a Copa de 1966, com duas vitórias. Ficaram três pontos à frente dos noruegueses, que chegaram a surpreender a Iugoslávia com um histórico triunfo por 3 a 0. Já nas Eliminatórias da Copa de 1970, a Noruega teve uma expressiva vitória por 1 a 0 em Estrasburgo, gol de Odd Iversen. O resultado não foi suficiente para a sua classificação, com os 3 a 1 franceses em Oslo, mas atrapalhou a França, desbancada pela Suécia na liderança do grupo muito por conta daquele tropeço. Por fim, em 1990, a França fez 1 a 0 em Paris com gol de Jean-Pierre Papin, mas parou no 1 a 1 de Oslo, arrancado por Rune Bratseth aos 39 do segundo tempo. Os noruegueses não tiveram forças para brigar pelas vagas, mas os franceses perderam a chance de disputar mais um Mundial, exatamente um ponto atrás da Escócia. Aquele tropeço custou caro. Senegal x Iraque, 16h: Iraque e Senegal nunca se enfrentaram com suas seleções principais, mas já disputaram um torneio amistoso com seus times olímpicos em 2003. Na ocasião, os oponentes empataram por 2 a 2 na Arábia Saudita. Um dos gols foi anotado por Younis Mahmoud, que viria a se tornar o jogador iraquiano com mais partidas pela seleção adulta e se eternizou como herói na conquista da Copa da Ásia de 2007. Aquele Iraque Sub-23 foi campeão da competição amistosa e fez bonito nos Jogos Olímpicos Atenas 2004, quando alcançou as semifinais. Venceu equipes como Portugal, Costa Rica e Austrália, mas perdeu a vaga na final para o Paraguai e a decisão do bronze contra a Itália. Cabo Verde x Arábia Saudita, 21h: O Campeonato Saudita recebeu um fluxo significativo de jogadores cabo-verdianos nos últimos anos. São dez atletas de Cabo Verde que atuaram nos clubes da primeira divisão, oito com passagens pela seleção. Julio Tavares é o recordista com 113 partidas e Djaniny, o maior artilheiro, com 41 gols. No elenco atual dos Tubarões Azuis, Garry Rodrigues é o único que já jogou no futebol saudita, com passagem pelo Al-Ittihad. A última temporada contou com três cabo-verdianos na liga, entre eles o goleiro Bruno Varela, do Al-Hazem – estava cotado para disputar a Copa do Mundo, mas uma lesão custou a sua convocação. Uruguai x Espanha, 21h: A seleção do Uruguai possui naturalmente fortes raízes na Espanha, não só por conta de antigos laços coloniais, mas também por ondas de imigrantes que saíram da Península Ibérica para se estabelecer no país sul-americano já depois da independência. Há um fluxo grande de espanhóis rumo a cidades uruguaias na virada do Século XIX para o XX, assim como durante o período da Guerra Civil Espanhola. E isso impactou inclusive nas seleções mais célebres da Celeste. O Uruguai campeão na Copa de 1930 tinha diversos jogadores que eram filhos ou netos de imigrantes espanhóis, incluindo o capitão José Nasazzi, de origem basca por parte de mãe. Alguns traziam as raízes inclusive nos apelidos, como “El Vasco” Pedro Cea, "El Vasquito" Santos Urdinarán. “El Gallego” Lorenzo Fernández e “El Canario” Santos Iriarte. Outros jogadores de origem espanhola protagonizaram a Celeste em Copas posteriores, sobretudo de ascendência galega (como Obdulio Varela) e basca (a exemplo de Enzo Francescoli e Diego Forlán). Há o caso notável do zagueiro José Santamaría: filho de espanhóis nascido em Montevidéu, disputou a Copa de 1954 pelo Uruguai e a de 1962 pela Espanha, quando defendia o Real Madrid. O elenco atual conta com um jogador nascido na Espanha, Rodrigo Zalazar, de Albacete, onde seu pai atuava – José Zalazar, veterano do Mundial de 1986. Por Copas, o duelo mais importante entre as duas seleções aconteceu na primeira rodada do quadrangular final de 1950, com o empate por 2 a 2 no Pacaembu. Alcides Ghiggia abriu o placar, Estanislao Basora virou com dois gols para a Espanha e o Uruguai empatou com Obdulio Varela no segundo tempo. Em 1990, os dois times não saíram do 0 a 0 na fase de grupos. Egito x Irã, 0h: Só uma vez Irã e Egito se enfrentaram anteriormente com suas seleções principais. Foi em 2000, na Copa LG, torneio amistoso realizado em Teerã. As duas equipes empataram por 1 a 1, com gols de seus maiores artilheiros: hoje técnico dos egípcios, Hossam Hassan abriu a contagem para os Faraós, mas o centroavante Ali Daei empatou para os persas logo depois. Com o jogo válido pelas semifinais da competição, houve uma disputa por pênaltis, com triunfo do Egito por 8 a 7 – Hassan converteu sua cobrança. A decisão, porém, foi vencida pela Coreia do Sul. Estiveram em campo lendas iranianas como Ali Karimi e Khodadad Azizi, enquanto os egípcios incluíam Ahmed Hassan e o técnico Mahmoud El Gohary. Bélgica x Nova Zelândia, 0h: O duelo anterior mais importante entre as duas seleções aconteceu em 2008, pela fase de grupos dos Jogos Olímpicos de Pequim. A Bélgica venceu por 1 a 0, gol de Faris Haroun, aproveitando uma saída errada do goleiro após escanteio. Enquanto os neozelandeses foram eliminados, os belgas caminharam até as semifinais, perdendo a decisão do bronze para o Brasil. Parte da geração belga começava a despontar naquele time: Vincent Kompany, Thomas Vermaelen, Marouane Fellaini, Jan Vertonghen e Mousa Dembélé estiveram na China. Já a Nova Zelândia tinha destaques da Copa de 2010, em especial Ryan Nelsen. Aos 37 anos, Michael Boxall é o remanescente daquele jogo no Mundial de 2026.
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O boletim da rodada final dos grupos D, E e F: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-15-o-equ… - Plata chorou contra Curaçao, mas deu ao Equador o riso mais prazeroso: o da classificação - Pépé anotou dois gols para a Costa do Marfim mais valiosos do que seu preço - A vitória sem esforço da Oranje teve uma dose da maestria de Reijnders - Elanga conquistou seu espaço e honrou o sobrenome em Copas - Foi um deleite ver o show de Arda Güler em LA, pena que não valeu pra nada - O pior jogo da Copa foi um conveniente empate
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@MATHEUS60116430 @kevinso4res É isso. De 100 milhões de pessoas que viram o filme, é bem capaz que umas 100 mil pensaram na mesma coisa. Eu não teria nem motivo pra traduzir. Não tinha qualquer intenção de viralizar - na verdade, preferia que não viralizasse.
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Leandro Stein@leandro_stein·
Nessa idade e o coitado continua falando sozinho
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@Opeculiar_ @theexiste Cara, eu não tive nem tempo de copiar. Esse argentino postou sete minutos depois. É uma ideia que diferentes pessoas podem ter, normal, todo mundo viu o filme. E foda-se, também, é só uma piada, não fiz pra viralizar. Quero que meu trabalho viralize, não essa porra.
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Leandro Stein
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@30anosdeparede Acho que é uma ideia que mais gente teve, só isso. Vieram dizer que eu kibei um argentino, mas o cara postou sete minutos depois de mim e duvido que ele tenha visto meu tuíte antes. Normal, é só uma referência sobre um filme que todo mundo viu.
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Leandro Stein
Leandro Stein@leandro_stein·
@kevinso4res Cara, eu postei uns dois minutos depois de ver na tela, não tive nem tempo de ver algum tweet pra traduzir. Estou trabalhando com a Copa, ontem enviei uma newsletter de dez páginas. Mas, de fato, não é uma ideia exclusiva, todo mundo viu o filme. E foda-se também, é uma piada.
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Chico Virabrequim
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@leandro_stein Isso com certeza deve ser um tweet traduzido de alguém mas o original é um dos maiores tweets da história
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No boletim #15, de 25 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-15-o-equ… - Plata chorou contra Curaçao, mas deu ao Equador o riso mais prazeroso: o da classificação - Pépé anotou dois gols para a Costa do Marfim mais valiosos do que seu preço - A vitória sem esforço da Oranje teve uma dose da maestria de Reijnders - Elanga conquistou seu espaço e honrou o sobrenome em Copas - Foi um deleite ver o show de Arda Güler em LA, pena que não valeu pra nada - O pior jogo da Copa foi um conveniente empate
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No Boletim #14, de 24 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-14-um-br… - Aquele Bruno Guimarães tão esperado deslancha num Brasil à sua feição - Rayan soou como uma boa nova, tão à vontade na estreia como titular - Rahimi, o incendiário, cumpriu o seu dever para Marrocos virar - O Azteca consagrou Ochoa com a festa mais emocionante para seu adeus na sexta Copa - Maseko ficou dois anos fora da seleção, mas foi predestinado ao maior gol da África do Sul - Talismã da Suíça, Vargas carimba mais uma classificação - Alajbegovic, destemido aos 18 anos, brilhou feito gente grande pela Bósnia
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Histórias cruzadas do Dia 14 Bósnia x Catar, 16h: Os técnicos da antiga Iugoslávia possuem um papel importante no desenvolvimento de várias seleções ao redor do planeta, inclusive os nascidos na atual Bósnia & Herzegovina. A seleção do Catar teve dois comandantes bósnios em seu passado. Ex-jogador da seleção iugoslava nos anos 1970, Džemal Hadžiabdić teve duas passagens à frente dos catarianos entre 1997 e 2001. Foi o comandante da seleção na Copa da Ásia de 2000. Também foi multicampeão à frente do Al-Gharafa nos anos 1990. Džemaludin Mušović, veterano da seleção iugoslava nos anos 1960, assumiu o Catar de 2004 a 2007, após ter dirigido a própria seleção da Bósnia anos antes. Esteve à frente do time na Copa da Ásia de 2007 e no título dos Jogos Asiáticos em 2006. Também foi campeão no país por Al-Arabi e Qatar SC. Chegou a dirigir o atual capitão da seleção, Hasan Al-Haydos, em seus primórdios no Al-Sadd. Suíça x Canadá, 16h: A seleção do Canadá já contou com um jogador nascido na Suíça em suas convocações. Daniel Imhof nasceu na cidade de Wil, mas cresceu na Colúmbia Britânica. O meio-campista voltou ao futebol suíço para atuar profissionalmente, em carreira ligada sobretudo ao St. Gallen. Contudo, optou pela seleção do Canadá, presente na equipe de 2000 a 2010. Foram 37 partidas, convocado para duas edições da Copa Ouro e para a Copa das Confederações de 2001. O elenco do Canadá na Copa de 1986 tinha um jogador em atividade no futebol suíço, Ian Bridge, do La Chaux-de-Fonds. Já em 2022, Liam Millar defendia o Basel. Marrocos x Haiti, 19h: Um ponto de intersecção entre as seleções de Marrocos e do Haiti é a França, de domínio em tempos coloniais e destino em comum às duas diásporas nas décadas recentes. Os dois elencos da Copa de 2026 possuem jogadores haitianos e marroquinos nascidos na França e, inclusive, que defenderam as seleções francesas na base – mas não ao mesmo tempo. Marrocos conta com Issa Diop e Ayyoub Bouaddi. Já no Haiti são seis atletas: Johnny Placide, Ruben Providence, Jean-Ricner Bellegarde, Wilguens Paugain, Yassin Fortuné e Wilson Isidor. Há também aqueles que são companheiros em clubes. Nesta Copa, o haitiano Carlens Arcus e o marroquino Amine Sbaï dividem os vestiários do Angers, além do marroquino Chemsdine Talbi e do haitiano Wilson Isidor no Sunderland. Brasil x Escócia, 19h: A Escócia é uma das maiores freguesas do Brasil em Copas do Mundo. Em quatro das oito participações anteriores dos escoceses em Mundiais, eles enfrentaram os brasileiros – e nunca venceram. O melhor resultado aconteceu em 1974, com o empate por 0 a 0. Graças a um gol a mais no saldo, o time de Zagallo avançou à segunda fase e eliminou a Tartan Army. O maior baile ocorreu em 1982, contra aquela que era a seleção da Escócia mais forte no papel nestes duelos, assim como o Brasil mais forte destes. A goleada por 4 a 1 teve uma coleção de pinturas: Zico de falta, Éder por cobertura e Falcão de fora da área, além de uma cabeçada de Oscar. Em tempos de vacas magras, Müller assinalou o 1 a 0 em 1990. Já na partida mais recente, o Brasil ganhou por 2 a 1 a abertura da Copa de 1998 no Stade de France. César Sampaio abriu a contagem, John Collins empatou de pênalti e um gol contra de Tom Boyd em jogada de Cafu valeu o triunfo brasileiro. O salto mortal do lateral na comemoração é célebre. Vale lembrar, os escoceses e seus descendentes ainda introduziram o futebol no Brasil. Charles Miller trouxe o esporte para São Paulo após estudar na Inglaterra, mas era filho de pai escocês. Já no Rio de Janeiro, Thomas Donohoe era um escocês que ajudou a apresentar a modalidade aos locais e, depois, participou da fundação do Bangu. Estas histórias serão contadas com mais detalhes neste Almanaque em um texto especial, a ser publicado nesta quarta. Tchéquia x México, 22h: Ainda nos tempos de Tchecoslováquia, o México conquistou sua primeira vitória em Copas do Mundo exatamente contra os europeus, e na fase de grupos do Mundial de 1962, que terminaria com o vice dos tchecoslovacos. Já como Tchéquia, o único duelo com o México valeu um título pouquíssimo lembrado em 2000: a Copa do Ano Novo Lunar (conhecida também como Copa Carlsberg), torneio organizado em Hong Kong desde 1974. Aquela edição reuniu, além das duas equipes, também Japão e a seleção da liga nacional de Hong Kong, com a presença dos estrangeiros em atividade no país. A Tchéquia eliminou Hong Kong nos pênaltis durante as semifinais e o México despachou o Japão. Na decisão, os tchecos ganharam por 2 a 1. Michal Kolomazník e Pavel Verbir fizeram os gols, enquanto Miguel Ángel Zepeda descontou. A seleção tcheca, cheia de novatos, tinha Marek Jankulovski entre os destaques. O México reunia Rafa Márquez, Oscar Pérez e Claudio Suárez entre os mais tarimbados. A lista de campeões da Copa do Ano Novo Lunar inclui o Brasil, que fez 7 a 1 em Hong Kong para levar o troféu em 2005 – e com o time principal quase completo, estrelado por Ronaldinho, Cafu e Roberto Carlos. África do Sul x Coreia do Sul, 22h: A Coreia do Sul fez uma campanha excepcional no Mundial Sub-20 de 2019, quando alcançou a final, derrotada pela Ucrânia. O início do sucesso passou por uma vitória sobre a África do Sul, a primeira da campanha, ainda na fase de grupos. Os Tigres haviam perdido a estreia para Portugal e se recuperaram com o 1 a 0 sobre os Bafana Bafana, gol de Kim Hyun-woo. Aquele time da Coreia do Sul tinha um jogador desta Copa do Mundo, justamente Lee Kang-in, eleito o Bola de Ouro do Mundial Sub-20. Já a África do Sul trazia o camisa 10 Lyle Foster como único presente no atual elenco na América do Norte.
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No boletim #13, de 23 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-13-apos-… - Após os questionamentos, Cristiano Ronaldo trouxe as respostas: ainda está aqui, na Copa - Muñoz desistiu do “sonho americano” para vivê-lo de outro jeito, na Copa do Mundo - Carlos Queiroz fez Gana rezar em sua cartilha defensiva e teve sua graça alcançada - Budimir esperou até os 34 anos para ser o super trunfo da Croácia em uma Copa
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Se o tempo é relativo, Cristiano Ronaldo trata de construir uma relação particular com ele. Alguns podem dizer que o relógio parou ao craque, há mais de duas décadas entre as principais faces do futebol. Outros, que CR7 aposta corrida com os ponteiros do relógio e, do alto de seus 41 anos, vai vencendo. Depois de uma criticada estreia no Mundial de 2026, a lenda garantiu as respostas. Em campo. Foi uma ótima atuação contra o Uzbequistão, em que congelou o tempo para se tornar o primeiro jogador da história com gols em seis Copas e também o venceu, como segundo mais velho a balançar as redes em Mundiais. Para quem desafia o tempo, a Copa do Mundo viu relativamente pouco da versão mais letal de Cristiano Ronaldo. A máquina mortífera pôde alcançar as semifinais em 2006, em seus primeiros ajustes, e especialmente teve uma mítica atuação contra a Espanha em 2018. Diante do muito que conquistou em sua carreira, CR7 deseja bem mais em Mundiais. E na volta em 2026 tenta ser um “Exterminador do Futuro”, causando dobras na linha do tempo. Entende que talvez esta seja sua melhor chance, diante da qualidade ao redor em Portugal. Poucos jogadores na história do futebol encararam tanto os holofotes quanto Cristiano Ronaldo. Ele sabe o que passou nos últimos dias, entre os questionamentos pela apagada estreia e pelas comparações com outros tantos que começaram a brilhar mais que ele nesta Copa. A essa altura da vida, não precisa falar mais nada. Mas poderia responder em campo. Foi o que fez. Com e sem a bola. Quando agiu e quanto preferiu se conter. Quando falou sozinho e foi ouvido por milhões. O primeiro gol, logo aos seis minutos, soou até como uma réplica a Thierry Henry. Se a movimentação na estreia foi motivo de análise, e com razão do francês, Cristiano a adaptou a um novo contexto e balançou as redes: puxando em direção ao primeiro pau. O segundo gol não foi seu, mas sua presença é sentida até na ausência, ao abrir mão da falta frontal para Nuno Mendes cobrar. Se reclamam de seu individualismo, ele aponta para a cabeça: todo mundo esperava que ele batesse. E o terceiro, seu segundo, é aquele em que corre mais que os ponteiros. Acelera contra defensores uma década mais jovens. Ganha. Depois, quis mais, requintado. Quase fez um golaço de cavadinha, negado em cima da linha. Doou seu suor até o último lance do segundo tempo, mas sem acertar a tripleta. “He’s back”, disse CR7, diante das arquibancadas. Já não precisa olhar para qualquer telão, o planeta captou a sua mensagem. O eco foi muito audível a cada vez que comemorou com seu “Sí” e o estádio inteiro gritou junto. Cristiano Ronaldo tem muitos atributos. A inteligência é um dos maiores. Foi ela que garantiu que seu corpo virasse seu templo, que adaptou o driblador como goleador histórico, que o botou à frente de seu tempo. Se usada não só a seu favor, mas para Portugal como um coletivo, o impacto pode ser grande. Sem precisar gritar, todos já notaram: “Eu estou aqui”. Ele está na Copa.
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No boletim #12, de 22 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-12-messi… - Messi maior artilheiro das Copas é como se o caos tivesse caminhado à perfeita ordem - Em meio ao dilúvio, Mbappé foi mais uma força da natureza na Filadélfia - Odegaard, aquele menino prometido, virou o capitão do barco viking que invade a Copa - Gouiri fugiu de ser um talento perdido para dar novos rumos à Argélia
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Já faz tempo que a Noruega admira Martin Odegaard. Mais exatamente, 12 anos, o que soa como bastante a quem tem apenas 27. O adolescente que estreou na primeira divisão com 15 anos e ganhou fama mundial por sua precocidade demandou também calma até se afirmar. Depois de tanto tempo, a promessa está mais do que cumprida. O camisa 10 usa também a braçadeira da Noruega na primeira Copa do Mundo do país desde 1998, o ano de seu nascimento. É o capitão do barco viking, que dita o ritmo em campo e é capaz de fazer uma torcida inteira remar no compasso de seu tambor. A Copa do Mundo se apresenta como a concretização do muito que se esperava de Odegaard. O que pedir mais do armador que capitaneou o Arsenal no tão aguardado título da Premier League e vive agora seu primeiro Mundial? É certo que aquele menino de 15 anos enfrentou frustrações e precisou calar desconfianças, de quem não se firmou no Real Madrid e rodou por empréstimos até provar seu valor. Mas o status que o meia tem hoje certamente preenche a maior parte dos sonhos daquele prodígio. A jornada de Odegaard na seleção é tão longa quanto a que viveu nos clubes. Sua estreia aconteceu também com 15 anos, em meados de 2014. Igualmente lidou com desilusões, de uma Noruega que insistia em ficar fora das grandes competições. Igualmente transformou as perspectivas. Capitão desde os 22 anos, Odegaard é tão emblemático quanto Erling Haaland na classificação. Apesar dos recorrentes problemas de lesões, contribuiu com sete assistências e um gol nas cinco partidas das Eliminatórias que disputou. As condições físicas eram um motivo de preocupação sobre Odegaard no Mundial. Sua contribuição para o título do Arsenal foi pontual, pelos meses de ausência. Contudo, os primeiros jogos dão confiança. O camisa 10 já providenciou uma assistência na estreia contra o Iraque. Garantiu mais uma na apertada vitória contra Senegal, no gol mais importante, o segundo. Odegaard perdeu boas chances no primeiro tempo. Quando se redimiu na segunda etapa, foi para fazer de tudo: roubou a bola no campo de defesa, arrancou até o ataque, entregou o passe para Haaland. A parceria funciona com telepatia. Por fim, veio a cena que eterniza a Copa de Odegaard. O capitão pegou um tambor da torcida e comandou a comemoração, acompanhada por todos os jogadores e pela comissão técnica, sentados no gramado. Duas batidas, uma remada e o urro viking que marca a presença norueguesa do torneio. Aquele garoto de 15 anos, que amadureceu tão rápido para o futebol, certamente se divertiria muito. Hoje, ele inspira outros meninos.
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Ver o Messi tomando esse recorde me passa até uma sensação de conforto, com as coisas no seu devido lugar.
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O recorde de maior artilheiro da história das Copas pôde ser obtido de diferentes maneiras através das décadas. Just Fontaine (13) precisou só de uma edição, absurda, para tomá-lo em 1958. Gerd Müller (14) teve também um Mundial fantástico em 1970, mas dependeu do passo além em 1974. Ronaldo (15) construiu sua marca em quatro Copas, da promessa no banco em 1994 até o consagrado matador de 2006, passando pelo fenômeno de 1998 e pela fênix de 2002. Miroslav Klose (16), um operário da grande área, alcançou o topo pela constância em quatro Mundiais. Por fim, a nova marca estabelecida por Lionel Messi (17, mas já 18) é resultado da excelência, e não só dela, mas também da longevidade que deriva dessa excelência. É como se o recorde estivesse nas melhores mãos possíveis com Messi. Não que Klose não fosse merecedor – ele fez por onde para superar Gerd Müller e Ronaldo. No entanto, ver uma marca que expressa a grandeza estar sob o nome de um dos maiores da história transmite até uma sensação de conforto. É como se o destino, em todo o seu caos, tivesse caminhado à perfeição em seu mistério, para que desaguasse nos pés certos. Messi como maior artilheiro das Copas é como se o mundo estivesse em perfeita ordem. E não que precise ser para sempre também, com a clara ameaça de Kylian Mbappé. Nada é eterno. A perfeição, aliás, pode muito bem passar pelo caos. Porque a maneira como o recorde veio diante da Áustria relembrou como o caminho do camisa 10 até o Olimpo dos Mundiais não foi simples. Os 18 trabalhos de Messi tiveram jejum de gols na África do Sul, troféu perdido no Maracanã, impotência na Rússia. Os capítulos do livro só fizeram sentido quando, no Catar, o craque desandou a fazer gols para superar o seu deserto pessoal e chegar à taça. Sublime. E o Messi sublimado de quatro anos atrás, ainda flutuante na estreia contra a Argélia, desabou por terra no Texas aos nove minutos. O pênalti batido para fora pareceu fazer pesar sua perna. O semideus nos lembrou como até ele erra, e já tinha errado assim outras vezes, contra Islândia e Polônia. As epopeias só são saborosas de ler quando oferecem reviravoltas. Messi, em meia hora, voltaria a levitar. Só assim para explicar como ele passou despercebido da intermediária até a entrada da área da Áustria. Talvez o corta-luz de Thiago Almada tenha aberto um portal, não sei, para Messi estar solitário, lá onde deveria estar. Lá no topo das Copas. O gol do recorde é, como na estreia, um gol com a marca de Messi. O típico gol que todo mundo sabe que ele faz, mas ninguém é capaz de parar: canhota certeira, de chapa, rasteira, no contrapé do goleiro. Nada mais Messi. Desta vez, não saiu para ser aplaudido. Ficou até o fim, teve mais gás. O suficiente para uma arrancada nos acréscimos, a insistência nos rebotes, já seu 18° gol. Foram seis Copas para chegar lá, mais do que qualquer outro. Foram 28 jogos para chegar lá, mais do que qualquer outro. O gênio não teve só que ser gênio, ele teve que perseverar. E perseverou tanto porque é gênio, porque continua acima dos demais, porque segue intocado em seu sexto Mundial. Às vésperas de completar 39 anos, o Messi de 2026 já fez mais gols que outras quatro versões suas em Copas, quando era mais jovem e impressionava semana após semana no Barcelona. O Messi de 2026, porém, só é possível pela somatória de vivências que teve em suas outras versões. É por isso que conhece os atalhos, é por isso que não se abala por um pênalti perdido, é por isso que finaliza com a precisão de quem já repetiu milhares de vezes o mesmo gesto. É a tal excelência que o permite ser longevo. Que bota a Copa em seu lugar. Assine gratuitamente o Almanaque da Copa: almanaquedacopa2026.substack.com

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No Boletim #11, de 21 de junho de 2026: almanaquedacopa2026.substack.com/p/dia-11-a-pri… - A primeira vitória do Egito em Copas tinha que vir de Salah, o Faraó dos Faraós - A história de vida milagrosa de Beiranvand foi coroada com mais um milagre em Copas - Kevin Pina deixou os EUA pelo sonho no futebol, mas voltou para marcar o maior gol de Cabo Verde - Oyarzabal tem moral na Espanha com razão, e a Copa agora viu o porquê E mais outros personagens, análises e histórias cruzadas do dia seguinte. Assine a newsletter e receba de graça no seu e-mail.
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Leandro Resende
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que história. grande @leandro_stein
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A história de Alireza Beiranvand é daquelas de cinema. De fato, virou filme no Irã: o garoto de família nômade, que fugiu de casa para tentar a sorte como jogador de futebol em Teerã e dormiu até nas ruas da capital, mas virou goleiro de Copa do Mundo. Virou o goleiro que defendeu um pênalti de Cristiano Ronaldo em 2018. E a saga do camisa 1, tão rodada, ganha um novo blockbuster no Mundial de 2026. Foi um absurdo o que Beiranvand fez diante da Bélgica, para sustentar o 0 a 0 em Inglewood. Sua defesa mais difícil, um tiro à queima roupa na pequena área, pareceu criada com efeitos especiais. Aos 33 anos, Beiranvand é um dos jogadores mais experientes do Irã. E um dos mais simbólicos, pela reputação em um time fortíssimo na defesa. A ascensão do goleiro aconteceu rumo à Copa de 2018, especialista nos lançamentos longos para o ataque e dono de excelente envergadura. Foi quando sua história de vida veio à tona. Crescido numa família humilde, que criava ovelhas, teve que lidar com a resistência do pai, que não queria ver o primogênito virando jogador. Teve luvas e roupas rasgadas. Até o dia em que resolveu tentar a sorte em Teerã e comprou uma viagem só de ida para a capital. Beiranvand não tinha parentes em Teerã e estava sem dinheiro. Dormiu na porta de um clube e acordou rodeado de moedas, o que garantiu um café da manhã. Já a oportunidade que tanto queria veio pela benevolência de uma pequena equipe, o Vahdat. O adolescente pôde não só treinar, como ganhou um emprego em uma tecelagem, onde dormia. Trabalhou também em um lava-rápido, em uma pizzaria e como gari. Empenhou-se até chamar atenção da base do Naft Teerã e sua aventura o levou longe. Profissional a partir de 2011, chegou à seleção em 2015. Não saiu mais. O pênalti defendido contra Cristiano Ronaldo em 2018 é seu cartão de visitas. Beiranvand também disputou a Copa de 2022, menos destacado, lembrado por uma colisão que o tirou de parte do torneio. Durante o último ciclo, o veterano chegou a passar alguns jogos no banco, assim passou por escrutínio pelo seu posicionamento político. Mas é um dos melhores goleiro da história do futebol asiático. A Bélgica sofreu com isso. Foram sete defesas de Beiranvand na partida, fechando o gol desde o primeiro tempo. Já tinha salvado o time num chute de Youri Tielemans que tinha endereço. Nada tão fabuloso quanto o incrível lance contra Maxim De Cuyper: o lateral fuzilou da linha da pequena área e, mesmo caído, o iraniano espalmou. Poucas defesas merecem tanto o selo de “milagre”. Mais um ao goleiro cuja própria presença em três Copas soa milagrosa, depois de tudo o que enfrentou.

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