General Paulo Chagas@GenPauloChagas
BOLSONARO: O GRANDE LÍDER DA MENOR DIREITA BRASILEIRA
A ascensão de Jair Bolsonaro à posição de líder de parte da direita – conhecida como bolsonarismo – é, ao mesmo tempo, um fenômeno e uma contradição: o maior líder de um grupo incapaz de se consolidar como força propositiva.
Sua liderança emergiu em meio a um vácuo de representatividade e de confiança no liberalismo e no conservadorismo, mas que nunca logrou deixar de ser um projeto de promoção e de poder pessoal.
Bolsonaro jamais pensou em formar coalizões políticas estáveis, de forma a estruturar, fortalecer e manter um Projeto de Nação, maduro, estadista e definitivo.
No Congresso, praticando uma mesmice política da qual dizia "estar fora", uniu-se ao "Centrão" que, em campanha, permitiu que fosse chamado de "ladrão", fragilizando não apenas o seu governo, mas toda a direita que nele acreditava.
Nos momentos de maior tensão, adotou o vai-e-vem entre o confronto vociferante e a retração estratégica. Ao mesmo tempo em que incitava multidões, Bolsonaro hesitava diante das consequências, pondo em xeque sua narrativa de firmeza e de coragem política.
A direita, que necessitava e ansiava por uma estratégia legislativa, recebeu um comando centrado no improviso e na dependência de um único protagonista, bem à semelhança do que se pretendia combater e mudar.
Bolsonaro é, sim, hoje – como disse sua esposa em Fortaleza –, o "maior líder da direita brasileira" , mas um líder tão estridente quanto vazio, sustentado por um movimento que, por falta de propostas e de outro projeto que não o de idolatria, está cada vez menor e menos capacitado para garantir um bom futuro para o Brasil.