Felipe Luchi
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Felipe Luchi
@felipeluchi
CCO, Graphic Designer, art director and father of 2 🚴🏄🏽♂️🏃♂️
Brasil Sumali Temmuz 2009
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Once again, the US bears a disproportionate share of terrorism in the West- four years ago it was just over half, & now it’s over 75%. We are exporting large shares of globally circulating white supremacist propaganda, we launched QAnon which is now 1/ visionofhumanity.org/10-countries-m…
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Escrevi para o jornal O Globo sobre a acusação de @gleisi contra a @coniboficial por “dupla lealdade”. Nós da esquerda precisamos refletir sobre o antissemitismo em nossas fileiras. É muito grave.

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Tem situações para as quais não somos treinados,
pilotos e nem comissários.
Aliás poucas profissões tem treinamento pra lidar com algumas situações inusitadas.
Porém a caixa de ferramentas emocionais chamada CRM nos proporciona capacidade pra gerenciar e fazer com que mesmo num ambiente confinado e a milhares de pés em voo de cruzeiro, o evento seja contido e não represente perigo a todos.
Voar não é só preparo técnico
Nem somente físico
Mas principalmente emocional.
@avioesemusicas
@luizfara
@luizhen95262129
@aero_in
@zwerdling
@AeroportoD
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Hamas sequestrou mais de 200 pessoas durante os ataques a Israel, em 7 de outubro. Esta é a história de duas crianças que estão entre as vítimas do grupo.
Elad Strohmayer@EladStr
Renana Jacob from Kibbutz Nir-Oz, whose two sons, Or (16) and Yagil (12), were kidnapped, created an animated short film that describes her last phone call with them. "Don't take me, I'm just a child", were the last words she heard them say to the Hamas terrorists who broke into their home and kidnapped them into Gaza. #BringThemHome
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Abrimos o fim de semana com cheiro de medalhas e impossíveis com os atletas do Time Brasil. Já montou sua agenda de hoje? #TorcidaQueInveste #XPcomTimeBrasil #Santiago2023

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O antissemitismo do bem é o capítulo mais vergonhoso de 2023
O ódio aos judeus disseminado nos últimos dias nas redes sociais não é um fenômeno do mundo contemporâneo. Pelo contrário: é uma indignidade repetidas vezes encontrada na história.
Desde a Antiguidade, o antissemitismo tem raízes profundas na nossa cultura política. E o estereótipo é quase sempre o mesmo: judeus são ratos gananciosos e avarentos que controlam o poder e a riqueza no mundo, manipulando os interesses da população para alimentar uma pequena elite judaica.
Na Europa, a origem desse sentimento está fartamente documentada. O antissemitismo nasce como uma expressão da fé.
Já nos primeiros séculos do cristianismo, a Igreja Católica proibia a cobrança de juros sobre empréstimos – primeiro para o clero (no Primeiro Concílio de Niceia, em 325), e então, gradativamente, para os demais cristãos.
A Igreja se baseava em diferentes passagens do Antigo Testamento para isso (Êxodo, 22:25; Levítico, 25:36-37; Deuteronômio, 23:19-20).
Mas a demanda por crédito existia. E como os judeus não estavam sujeitos às leis canônicas cristãs, muitos sobreviviam do empréstimo de dinheiro com juros; uma prática conhecida como usura.
Essa atividade, por motivos óbvios, mesmo indispensável, gerava um ressentimento generalizado contra os judeus. Devedores cristãos que não podiam pagar seus empréstimos muitas vezes entravam em conflito com os seus credores judeus.
Em diferentes ocasiões, ao longo da Idade Média, após acumularem dívidas significativas com esses credores, comunidades inteiras expulsavam judeus à força e confiscavam seus bens.
Os judeus sobreviviam como podiam.
Em alguns reinos, eles até podiam se dar ao luxo de viver sob a “proteção” direta do monarca. Mas o ônus não era pequeno. Judeus pagavam volumosos impostos diretamente ao rei (significativamente mais altos que os demais) para, só assim, receber certos direitos (uma política conhecida como “servi camerae regis”).
Essa relação ajudava a criar um estereótipo – presente até hoje – de que os judeus tinham uma conexão especial ou privilegiada com o poder – capazes até de manipular os interesses da população – mesmo que, na prática, essa “proteção” fosse construída à base da exploração.
Os monarcas medievais precisavam de recursos para financiar campanhas militares e projetos de construção, e muitas vezes – em nome dessa “proteção” – empregavam judeus especialistas em finanças para auxiliá-los a coletar todo dinheiro necessário.
Em algumas regiões, para cumprir esse papel, muitos judeus também eram designados como cobradores de impostos – o que só ajudava a torná-los ainda mais impopulares.
Não impressiona que os judeus repetidamente servissem como bodes expiatórios para desviar a ira e o medo da população em tempos de crise.
Mas o dinheiro era só uma parte do problema.
Além de avarentos, os judeus europeus também eram injustamente acusados de uma lista interminável de vilanias, desde envenenar poços até espalhar doenças como parte de uma conspiração para assassinar cristãos.
No século 14, eles foram diretamente responsabilizados pela Peste Negra.
Alguns historiadores acreditam que, como viviam em bairros isolados e conservavam hábitos de higiene prescritos pela lei judaica, os judeus eram menos expostos a adoecer em epidemias. E por isso a culpa sobre eles parecia óbvia.
As acusações resultavam em pogroms violentíssimos contra comunidades judaicas.
(Pogrom é como nós chamamos os episódios de violência em massa dirigidos a qualquer grupo étnico. A palavra tem origem no russo “погром” [pogrom], que significa literalmente “destruição”. O uso da expressão pogrom, fora da Rússia, se popularizou após outro episódio antissemita: quando os czares perseguiram os judeus que viviam no sul do país, no século 19.)
Culpados pela peste, milhares de judeus foram torturados, expulsos de suas cidades ou mortos. Muitos tiveram suas propriedades destruídas ou confiscadas. Outros tantos foram queimados vivos.
Nesse tempo, a segregação ditava a relação entre judeus e cristãos.
Por séculos, judeus viveram sob um sistema de apartheid em diferentes cidades europeias. Até hoje essa história influencia a nossa língua.
Em 1516, as autoridades de Veneza delimitaram uma área da cidade, onde funcionava uma fundição, para os judeus viverem. Fundição no dialeto veneziano é "ghèto". Essa é a raiz histórica da periferia moderna. O gueto judeu era uma área isolada da cidade, com portões trancados à noite.
Na Espanha e em Portugal, esses bairros judeus eram conhecidos como judiarias. Até hoje nós recorremos a essa palavra quando falamos do ato de maltratar alguém. Esse também é o sentido de judiar.
No Renascimento, o ódio aos judeus também estava associado aos negócios.
Como os judeus eram proibidos de possuir terra ou exercer cargos públicos, inúmeros se dedicavam à atividade comercial.
Nos momentos de crise, aristocratas e senhores feudais saíam espalhando, mais uma vez, que eles eram gananciosos, mercenários, desrespeitosos com a tradição, incultos e hereges.
Todos esses estereótipos moldaram a imagem dos judeus por séculos e séculos.
Com base nisso, a Inglaterra expulsou os judeus em 1290. A França, em 1394. A Espanha, em 1492. E Portugal, em 1496.
Os judeus foram expulsos de Viena em 1421. Da Sicília, em 1493. De Nuremberg, em 1499. E de Praga, em 1541.
Mesmo quando não eram expulsos, em quase todos os países europeus os judeus também eram proibidos de ter empregados ou se casar com não-judeus. Muitos foram submetidos à conversão forçada para o cristianismo.
Foi só no século 19, no Iluminismo, que os judeus passaram a ser assimilados à vida cosmopolita na Europa. Desde então, mesmo pequena, a comunidade judaica europeia influenciou o mundo de diferentes maneiras, com figuras como Freud, Marx, Einstein e Kafka.
Mas o antissemitismo jamais deixou de existir. Em muitos países europeus, os judeus eram considerados cosmopolitas demais para serem cidadãos leais. E a consequência direta desse preconceito foi o maior genocídio da história da Europa – e o episódio central do século 20: o Holocausto.
Não surpreende que, em meio a tudo isso, os judeus que sobreviveram a essa máquina europeia de aniquilamento, tenham partido para Israel, a terra de seus antepassados. Por mais de mil anos vivendo na Europa, eles foram difamados, segregados, presos, torturados, assassinados, convertidos à força, expulsos de suas casas e cidades, e ainda viram seus bens repetidamente confiscados.
Mas no Oriente Médio, muitos desses problemas também atingiam suas comunidades. E a criação do Estado de Israel, em 1948, intensificou ainda mais esses problemas.
Muitos judeus que viviam em países árabes sofreram consequências duríssimas.
Só na primeira metade do século 20, judeus sofreram pogroms, ou enfrentaram episódios de massacre e saque generalizado de suas casas, na Argélia (em 1934, de inspiração nazista), no Iraque (em 1941, um episódio conhecido como Farhud), na Líbia (em 1945), no Egito (em 1945), na Síria (em 1947), no Marrocos (em 1948) e no Iêmen (em 1949).
Em muitos países árabes, leis foram promulgadas restringindo os direitos dos judeus, congelando seus bens ou os excluindo de certos empregos e posições.
Como resultado dessa hostilidade, um grande número de judeus foi preso, expulso ou se viu forçado a fugir do país.
Estima-se que a partir da década de 1940, pelo menos 850 mil judeus deixaram países árabes e do Oriente Médio – um número maior do que o de palestinos refugiados na guerra que levou à criação do Estado de Israel (de até 750 mil). Muitos desses judeus vieram para o Brasil.
Até hoje, a história desses refugiados judeus em países árabes é esquecida.
A rejeição aos judeus no Oriente Médio, desde então, atinge quase todas as áreas. Mesmo o esporte.
Por exemplo: Israel chegou a fazer parte da Confederação de Futebol da Ásia. Mas foi excluído da organização, em 1974, pela rejeição do mundo árabe.
Nas únicas quatro edições da Liga dos Campeões da Ásia em que os clubes israelenses puderam jogar, eles chegaram a quatro finais e venceram três.
No mesmo período, nas únicas quatro edições em que pode participar da Copa da Ásia, a Seleção de Israel foi vice-campeã duas vezes, terceira colocada uma vez e campeã em 1964.
Desde então, os israelenses chegaram a disputar eliminatórias de Copa do Mundo pela Oceania, e desde 1992 fazem parte da UEFA, a federação europeia de futebol.
Hoje, o ódio aos judeus está fora de moda na política tradicional europeia. Mas, em menor grau, ainda influencia a cultura do continente e é uma política de Estado para diferentes países árabes. Especialmente no que diz respeito à diplomacia.
Há décadas, Israel é vítima de um número desproporcionalmente alto de resoluções críticas por parte de diversos órgãos da ONU, especialmente a Assembleia Geral e o Conselho de Direitos Humanos.
Por exemplo: desde 2015, a Assembleia Geral da ONU condenou a Rússia, a maior ditadura da Europa, 23 vezes.
O Irã recebeu 7 condenações no período. A Coreia do Norte recebeu 8. China, Cuba, Catar e Venezuela não receberam nenhuma condenação.
Desde 2015, a Assembleia Geral condenou Israel 140 vezes. Nenhum outro país passou nem perto desse número.
Não há nenhuma justificativa humanitária para a disparidade. Mas as motivações não são técnicas.
Dos 193 países membros da ONU, 28 não reconhecem Israel (15%). Desses, apenas 3 não têm maioria muçulmana (Cuba, Venezuela e Coreia do Norte).
Israel é o Estado-membro da ONU com o maior número de países que não reconhecem a sua existência.
A grande maioria dos países que não reconhecem Israel fazem parte da Organização de Cooperação Islâmica (composta por 57 estados-membros).
Quase todos esses países pertencem ao Movimento dos Países Não-Alinhados, uma organização internacional de estados que se consideram não alinhados formalmente com qualquer grande potência.
O Movimento dos Países Não-Alinhados representa quase 2/3 dos membros das Nações Unidas e conta com 55% da população mundial. Este é um grupo que frequentemente vota em bloco sobre questões relativas a Israel.
Além disso, dos 47 países que formam o Conselho de Direitos Humanos da ONU, 70% não são democracias – incluindo autocracias como China, Cuba, Eritreia, Paquistão, Somália, Sudão, Argélia e Emirados Árabes Unidos. Muitos desses países têm maioria árabe ou muçulmana.
Não surpreende a quantidade de resoluções condenatórias na ONU.
Nesse momento, há certamente muita gente honesta crítica do governo Netanyahu e dos assentamentos israelenses na Palestina, contrária ao terrorismo do Hamas, mas a favor do reconhecimento internacional e da soberania de um Estado palestino. Mas nos últimos dias, muitas dessas posições, em todo o mundo, surgiram carregadas de comentários antissemitas, encobertos com os mesmos estereótipos que há mais de mil anos condenaram os judeus a diferentes episódios de violência.
De insultos em redes sociais a ataques a espaços judaicos, o ódio anti-judeu vem sendo sistematicamente usado por grupos políticos que buscam explorar deste sentimento histórico para angariar simpatia por ideologias que sobrevivem na memória coletiva por seus episódios de violência (incluindo episódios de interferência imperialista, guerras e perseguição dirigida contra árabes ou muçulmanos, no passado e no presente).
Ninguém tem a ingenuidade de acreditar que esse ódio acabará com hashtags, canções de protesto e campanhas publicitárias. O antissemitismo é uma mancha antiga, difícil de tirar; um monstro empurrado pra dentro do guarda-roupa da história que insiste em assombrar o mundo.
Mas é uma obrigação a qualquer sujeito que não seja um antifascista de boutique conhecer a sua natureza. Até para que os episódios violentos citados nesse texto – liderados, quase sempre, por aqueles que juram salvar a humanidade – jamais se repitam.
Não há antissemitismo do bem.
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“I ask myself many, many questions, and I try to figure out, what happened? What did I miss?” Journalist @shlomieldar has spent years reporting on Hamas, and has interviewed its leaders. He tells me how he thinks Hamas – and his understanding of them – has changed fundamentally.
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O que é verdade – e o que é mentira – sobre o conflito Israel-Palestina
Com o desenrolar da guerra entre Israel e o Hamas, toneladas de propaganda viralizaram nas redes sociais nos últimos dias, distorcendo a realidade política da região.
Uma luta vem sendo travada entre os defensores de Israel contra os defensores da Palestina.
Essa é a hora de separar o que é História do que é ficção, e postar algumas verdades duras de engolir.
Segue o guia:
1. Como é o sistema político de Israel?
Israel é uma democracia parlamentarista com um sistema multipartidário.
O parlamento de Israel é conhecido como Knesset. O Knesset é composto por 120 membros, eleitos para mandatos de 4 anos.
Nesse momento, os partidos com mais membros no Knesset são o Likud (32) e o Yesh Atid (24).
O Likud é um partido de direita, nacionalista, cético em relação a um processo de paz com os palestinos, liberal na economia e conservador nos costumes.
O Yesh Atid, principal opositor do Likud, é um partido liberal, de centro, representante da classe média secular israelense, que defende a separação de religião e Estado em Israel, e apoia a retomada das negociações de paz com os palestinos e a solução de dois estados.
O primeiro-ministro de Israel é geralmente o líder do partido com a maioria dos assentos no Knesset. O líder do Likud se chama Benjamin Netanyahu.
Netanyahu é o primeiro-ministro de Israel, mas, desde a última semana, forma um governo de coalização que dirige o país durante os conflitos com o Hamas ao lado de um de seus principais adversários políticos: Benny Gantz, líder da Azul e Branco, a coligação dos partidos liberais israelenses.
2. Israel é uma democracia?
Israel ocupa a 29ª posição no Democracy Index 2022, feito pela Economist Intelligence Unit, à frente de países como Itália, Bélgica e Brasil.
No Varieties of Democracy (V-Dem), da Universidade de Gotemburgo, da Suécia, Israel é catalogada como uma democracia liberal, mas sua avaliação é um pouco pior: está na 39ª posição, à frente de países como Argentina, Grécia e Brasil.
O V-Dem cataloga 98% do Norte da África e do Oriente Médio como autocrata. É a região com a maior presença de ditaduras no mundo.
Israel é a única democracia da região, ocupando sozinha os 2% restantes.
3. A Palestina é uma democracia?
A Palestina é dividida em dois territórios: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. A Faixa de Gaza é governada pelo Hamas. A Cisjordânia é governada pela Autoridade Palestina.
A Cisjordânia ocupa a 135ª posição no V-Dem. A Faixa de Gaza ocupa a 156ª posição.
Há menos liberdade política nos territórios governados por essas autoridades, na Palestina, do que no Haiti, no Iraque e no Zimbábue.
4. Quais são os direitos civis garantidos em Israel?
Israel permite alguns direitos civis relativamente raros em outros países do Oriente Médio.
Por exemplo: há mais liberdade de expressão e de imprensa em Israel que em outros países da região.
No ranking de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras, Israel ocupa a modesta posição 97. Mas para efeito de comparação, a Palestina ocupa a posição 156, atrás de Afeganistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos.
As mulheres em Israel também têm direitos significativos em comparação com os outros países da região.
No Índice de Desigualdade de Gênero produzido pela ONU, Israel aparece na posição 22, à frente de países como França, Itália e Portugal. A Palestina ocupa a posição 106.
Israel também é considerado o país mais progressista do Oriente Médio em relação aos direitos LGBT. Tel Aviv, em particular, é conhecida pela cena gay responsável pela maior parada LGBT da região.
No Equaldex Equality Index, principal base de medição de direitos LGBT no mundo, Israel aparece na posição 48. A Palestina está na posição 190 (só 7 países são mais intolerantes com a comunidade LGBT no mundo, quase todos eles no Oriente Médio ou no Norte da África).
5. Como a democracia israelense é protegida por Benjamin Netanyahu?
É aqui que as coisas complicam.
Nos últimos 27 anos, Benjamin Netanyahu liderou o governo israelense por 19. E nesse momento vem sendo acusado de tentar eclodir o Estado de direito em Israel.
Há poucos meses, Netanyahu aprovou uma reforma judicial que restringe as atribuições do poder judicial de Israel. Pela nova legislação, o Supremo Tribunal não pode impedir o governo de tomar medidas que os juízes considerem “extremamente irracionais”.
E isto é importante porque em Israel os tribunais são praticamente a única restrição ao poder do governo: não existe uma segunda câmara no país (como no Brasil, onde há um Senado e uma Câmara dos Deputados), nem uma constituição.
Como Netanyahu tem uma grande base de apoio no Knesset, sem enfrentar um contrapeso legal, poderá governar sem restrições. E por isso, Israel viveu até aqui 9 longos meses de protestos populares contra o governo, que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas e geraram mais de 700 detenções.
6. Quais são os direitos dos árabes que vivem em Israel?
21% da população de Israel tem origem árabe. A maior parcela desse grupo é composta por muçulmanos sunitas.
Os árabes que permaneceram em Israel após a criação do Estado, em 1948, são cidadãos israelenses com direitos civis completos, incluindo o direito de voto nas eleições nacionais e locais. Esses direitos são herdados para os seus descendentes.
No que diz respeito à sua identidade, a maioria dos árabes em Israel se identifica como palestino. Eles mantêm língua, tradições e costumes árabes.
Há duas forças políticas árabes em Israel: o Lista Árabe Unida e o Hadash-Ta'al. Cada uma delas tem 5 cadeiras no Knesset.
Os árabes nunca ocuparam mais de quinze assentos no parlamento israelense.
A maioria dos cidadãos árabes de Israel vive em cidades e vilas com maioria árabe. Alguns desses lugares estão entre os mais pobres do país.
Hoje, quase todas as vilas e cidades árabes em Israel têm padrões de vida mais baixos do que aquelas predominantemente judaicas.
Tecnicamente não há uma segregação formal dessa população, como no apartheid sul-africano, mas muitos árabes reclamam de discriminação.
A decisão de estabelecer Israel como um Estado exclusivamente judeu, feita em 2018, também gera discórdia. Muitos árabes argumentam que a Lei do Estado-Nação, por natureza, coloca os não-judeus como cidadãos de segunda classe no país. Entre outras coisas, a lei removeu o árabe como uma língua oficial de Israel.
Israel também reivindica toda Jerusalém como sua capital e inclui todos os residentes da cidade nos seus censos, embora esta reivindicação territorial não seja reconhecida pelas Nações Unidas e seja contestada pelos palestinos, que vêem Jerusalém Oriental como a futura capital de um Estado palestino independente.
Muitos árabes que vivem em Jerusalém Oriental identificam-se como palestinos e, na prática, não são cidadãos de nenhum país.
Em 1967, com o fim da Guerra dos Seis Dias, a maioria dos árabes recusou a oferta de cidadania de Israel e, no lugar disso, recebeu o status de residente permanente. Hoje, 362 mil palestinos em Jerusalém Oriental detêm essa posição.
Mas com esse status, esses árabes não podem obter passaportes israelenses (muitos têm passaportes da Jordânia), nem votar em eleições nacionais.
Além disso, o estado de Israel pode revogar a residência de árabes que vivem em Jerusalém Oriental.
Desde 1967, mais de 14 mil palestinos de Jerusalém Oriental tiveram a sua residência revogada.
7. Como o governo Netanyahu piora o status dos árabes em Israel?
O governo Netanyahu é acusado de abrigar ministros abertamente racistas. O mais criticado pelos árabes é o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir.
Ben-Gvir é o líder do partido de extrema-direita Otzma Yehudit e está associado ao Kahanismo, uma ideologia ultranacionalista judaica fundada pelo rabino Meir Kahane (1932-1990).
Kach, o partido de Kahane, foi banido de Israel por racismo e incitação à violência. Em 2004, o governo dos Estados Unidos considerou o Kach uma organização terrorista.
Meir Kahane argumentava que para preservar Israel como um Estado judeu, seria necessário remover os palestinos, tanto dos territórios ocupados quanto de Israel. Para ele, Israel deveria anexar toda a Cisjordânia e a Faixa de Gaza e oferecer aos palestinos incentivos financeiros para emigrar para outros países. Se eles se recusassem, deveriam ser expulsos à força.
8. Como funciona a política de assentamentos israelenses?
A política de assentamentos de Israel diz respeito à prática de estabelecer comunidades civis israelenses em territórios que a comunidade internacional entende como palestinos.
Ao longo dos anos, esses assentamentos se expandiram, tanto em número quanto em tamanho. E isso só foi possível graças a uma combinação de incentivos governamentais, incluindo subsídios à habitação, infraestrutura e segurança.
Boa parte dos israelenses que apoiam esse movimento de colonização se opõe à ideia de um Estado independente palestino e vêem a Cisjordânia como um território do povo judeu.
Alguns israelenses também acreditam que os assentamentos são necessários para a segurança de Israel, argumentando que eles fornecem uma zona de proteção contra potenciais ataques de organizações terroristas palestinas.
Os palestinos dizem que esses assentamentos ferem a sua autodeterminação e minam qualquer perspectiva de um acordo de paz.
Diferentes organizações ocidentais, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, acusam a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza de produzir violações sistemáticas dos direitos humanos contra os palestinos que vivem nesses territórios.
Os israelenses são acusados de desapropriar, separar à força e subjugar os palestinos, em diferentes graus de intensidade.
138 dos 193 estados-membros das Nações Unidas reconhecem o Estado da Palestina (71,5%), incluindo o Brasil. Muitos dos países que não reconhecem o Estado da Palestina reconhecem a Autoridade Palestina como a “representante do povo palestino”, e não o governo de Israel. Mesmo os Estados Unidos, que não reconhecem um Estado soberano da Palestina, apoiam a solução de dois estados para o conflito.
Em 1996, quando Benjamin Netanyahu assumiu o governo de Israel pela primeira vez, havia próximo de 142 mil colonos israelenses vivendo na Cisjordânia. Hoje há quase 500 mil pessoas.
Netanyahu conta com o apoio de facções religiosas ultranacionalistas para expandir esses assentamentos.
Os assentamentos são administrados por um órgão chamado Administração Civil, parte do Ministério da Defesa de Israel. Esta entidade é responsável por emitir permissões de construção e fornecer serviços aos assentamentos.
Muitos assentamentos israelenses são bem desenvolvidos em termos de infraestrutura, e contam com escolas, centros de saúde, áreas de lazer e outras comodidades. Muitos são cercados e patrulhados por forças de segurança israelenses.
Uma parte importante dos residentes desses assentamentos tem fortes convicções ideológicas ou religiosas que os levam a viver nesses espaços.
9. E os bombardeios?
Tanto Israel bombardeia a Palestina quanto a Palestina bombardeia Israel. Mas há um lado que sofre mais baixas com o conflito: a Palestina.
Segundo a organização de direitos humanos B’Tselem, de Israel, entre 9 de dezembro de 1987 e 30 de abril de 2021, o conflito resultou na morte de 13.969 pessoas, sendo 87% delas palestinas.
Até os últimos atentados terroristas do Hamas, esse era o número de mortos gerados pelo conflito nos últimos 15 anos: 6.407 palestinos contra 308 israelenses. O ataque terrorista recente do Hamas matou mais israelenses num único dia do que em décadas.
Mas é um mito a ideia de que morrem mais palestinos do que israelenses no conflito porque o Hamas é menos sedento pelo sangue israelense.
Parte importante dessa desigualdade no número de mortos se dá porque enquanto o Hamas é uma organização terrorista, Israel é um Estado altamente desenvolvido militarmente.
A estrutura militar israelense é muito superior à do Hamas, e inclui um dos sistemas de defesa aérea mais avançados do mundo – o Iron Dome.
Israel tem indiscutivelmente melhores condições de se proteger dos ataques que sofre do que o Hamas.
A densidade demográfica também ajuda a explicar uma parte dessa desigualdade no número de mortes.
A densidade da Cisjordânia é parecida com a de Israel. Mas a da Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, é mais de 10 vezes superior.
Uma bomba que cai em Gaza tem chances bem maiores de alcançar uma grande concentração de pessoas do que uma bomba que cai em Israel.
Além disso, uma parte importante das bombas lançadas pelo Hamas caem, por despreparo, acidentalmente na Faixa de Gaza.
Por exemplo: em maio de 2021, Hamas e Israel travaram um confronto que durou 11 dias. Nesse período, o Hamas lançou 4,3 mil foguetes da Faixa de Gaza em direção a Israel, enquanto Israel lançou 1,5 mil bombardeios aéreos para a Faixa de Gaza. As ações de Israel deixaram um saldo fatal de pelo menos 230 mortes. Os foguetes disparados pelo Hamas mataram 13 pessoas em Israel e – por acidente – 15 palestinos em Gaza.
Para piorar, o Hamas usa escudos humanos nos conflitos com Israel. Essa tática consiste em:
– Disparar foguetes de áreas civis densamente povoadas na Faixa de Gaza.
– Sustentar sua infraestrutura militar dentro ou próximo a áreas civis.
De acordo com o Estatuto do Tribunal Penal Internacional, é considerado crime de guerra "utilizar a presença de um civil ou outra pessoa protegida para tornar certos pontos, áreas ou forças militares imunes a operações militares".
É o que o Hamas faz, e não porque não há espaço na Faixa de Gaza – que é pequena – para apoiar sua estrutura, mas porque essa é uma estratégia militar.
Israel tem a sua parcela de responsabilidade, mas o Hamas aumenta substancialmente a chance de civis palestinos morrerem quando traz o conflito para áreas civis densamente povoadas.
Cabe lembrar que o grupo, em sua carta fundadora, descreve sua luta contra Israel como uma jihad.
10. O que dizem as pesquisas de opinião?
As pesquisas de opinião apontam para uma Israel dividida.
36% dos israelenses apoiam a busca pela paz com base na solução de dois estados.
28% apoiam a anexação da Cisjordânia e o estabelecimento de um Estado único em que os judeus gozam de um status privilegiado.
11% apoiam a anexação da Cisjordânia e o estabelecimento de um Estado único com direitos iguais para todos.
Os outros 25% não possuem uma opinião formada sobre o assunto.
As pesquisas palestinas são ainda menos otimistas.
O apoio à solução de dois estados é de 28% entre os palestinos. E a oposição é de 70%.
71% dos palestinos acreditam que a solução de dois estados já não é viável devido à expansão dos assentamentos israelenses.
53% dos palestinos apoiam os confrontos armados como escolha política para quebrar o impasse atual.
71% da população (79% na Faixa de Gaza e 66% na Cisjordânia) afirma ser a favor da formação de grupos armados.
Hoje, o Hamas é mais popular entre os palestinos que a Autoridade Palestina.
11. Qual é a minha posição?
a) Tanto israelenses quanto palestinos devem ter o direito à autodeterminação, e a solução de dois estados é a que melhor respeita esse princípio.
b) Os assentamentos israelenses são indefensáveis e constituem uma grave agressão à população palestina.
c) O Hamas é uma organização terrorista que precisa ser repudiada e enfrentada. O mesmo deve ser dito sobre o Hezbollah.
d) O fundamentalismo religioso nacionalista presente na extrema-direita israelense também precisa ser repudiado.
e) Benjamin Netanyahu é uma péssima liderança política e seu governo está aumentando a insegurança de israelenses e palestinos.
f) O Estado de Israel é a principal democracia do Oriente Médio, mas a qualidade do processo democrático israelense vem diminuindo sob o governo Netanyahu, e esse é mais um motivo para fazer oposição à sua liderança.
g) Se os assentamentos israelenses desrespeitam a soberania palestina, um estado teocrático palestino também fere uma lista interminável de direitos humanos.
h) É incoerente apelar para o humanismo para defender autodeterminação dos povos, mas assimilar violência política para naturalizar uma teocracia que subjuga mulheres, LGBTs e outras minorias.
i) Uma escalada da violência não melhorará o status de israelenses e palestinos, nem aumentará a estabilidade e a segurança da região.
j) Por pior que seja o governo Netanyahu, o que está acontecendo na Palestina não atende a qualquer grau de comparação com o Holocausto, quando mais de 6 milhões de judeus foram assassinados, muitos deles em câmaras de gás, em campos de extermínio. Quem realiza essa comparação apenas banaliza e diminui o que foi o nazismo. Essa é uma propaganda antissemita.
k) Quem propaga antissemitismo, xenofobia, racismo, ou comemora a morte de civis – israelenses ou palestinos – deve ser execrado pela opinião pública.
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A fundadora do Movimento Black Money, D´ Black Bank, Nina Silva, também considerada uma das 20 Mulheres Mais Poderosas do Brasil pela Forbes, traz para o debate na #EXPERTXP2023 a importância da educação financeira como ferramenta de inclusão e de redução da desigualdade social.

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Essa dupla hitada lançou novo hit e cantou TikTok MUUUUUSIC comigo. Entra nesse clima com a gente também. Me baixa, dá o play no novo álbum da @bandaal9oficial e vem soltar a voz.
#TikTokMusic #SeuNovoHit
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